Notas iniciais
Notas finais do capítulo foram atualizadas (2020) se puderem dar uma lida ao terminar, agradeceria!

Título: Decifra–me ou te devoro

Autora: Toynako

Série: Hannibal

Casal: Hannibal x Will

Classificação: +13

Gênero: Shounen-ai

Criada em: 14/08/19

—–x.I.x––

Decifra–me ou te devoro

A solidão por muitas vezes se fez presente em minha vida. Já era algo corriqueiro, costumeiro por assim se dizer. Dar aulas ajudava a me conectar com alguma parte que poderia chamar de vida. Ajudar nos casos era algo que não sabia mais a razão de fazer: obrigação com o certo ou simplesmente um apelo desesperado de uma parte minha que buscava por uma movimentação?

Talvez exatamente por buscar esta conexão com o mundo a volta que sentia–me cada vez mais perdido. Como um dos meus cães, que sempre encontrava–os perdidos vagando sem dono.

Um dono.

Alguém que guia sua vida, que ajude com seus passos, que fique ao lado não importando os tropeços que se dê. Quiçá fosse exatamente isto o que buscava, alguém para simplesmente segurar a minha coleira e me guiar até onde deveria ir. Até o que deveria fazer. Um individuo que após tudo o que houvesse que ser feito, voltasse até mim e acariciasse–me, cuidasse das feridas que ganharia por fazer exatamente a função que fora mandado.

Com essa conclusão básica de minha mente conturbada, existiam algumas possibilidades que daria para listar como sendo um possível dono: Jack Crawford e Hannibal Lecter. Entretanto um destes homens falhava em executar uma das funções básicas em ser um dono, a parte clara de cuidar após o trabalho.

Jack Crawford era uma pequena incógnita, não podia o chamar de um bom amigo. Para o mesmo havia sempre a oscilação de que minha pessoa seria uma xícara frágil de porcelana ou, um elefante feroz que poderia derrubar tudo. E no fundo decorreu que minha existência acentuava em exatamente a mistura dos dois, era o elefante quebrando a delicada porcelana, em processo de autodestruição. E o agente claramente mostrava displicência quanto ao meu próprio estado em alguma investigação mais obscura. E esse ultimo fator me leva até o segundo ser que poderia considerar como um dono.

Hannibal Lecter.

Se Jack era uma pequena incógnita, Hannibal com toda certeza ganhava o mérito de esfinge. Um rosto calmo, um sorriso misterioso e um anseio por querer algo que nem o mesmo conseguia definir direito o que seria. Havia todo um empenho do mesmo em querer mostrar–me um mundo que não deveria ser mostrado. Todos sabiam os meus limites e Hannibal, como meu psiquiatra e amigo, sabia mais do que os demais sobre até onde deveria ou não ir. No entanto, como todos os outros, buscava sempre forçar–me acima do limite.

O quão longe eu poderia ir?

Esta parecia ser a pergunta que todos faziam. Era facilmente lido no olhar de cada agente, cada um com quem conversava. Por esse motivo, evitava encarar os olhos das pessoas. Claramente me viam como uma bomba relógio prestes a explodir e, ao mesmo tempo, forçavam mais os ponteiros para que se aproximassem da contagem máxima. Como se houvesse ânsia em ver o que aconteceria após a explosão, fosse maior do que evitar que a explosão ocorresse. E depois que explodisse, poderia ser deixado de lado. Bem qual igualmente me pesassem, medissem e me considerassem insuficiente.

Havia apenas uma ressalva nisso.

Hannibal claramente queria ver o meu limite, já que ultrapassando–o me levaria a mais perto do mesmo. Soava fácil imaginar agora que este era o motivo de tantos enigmas. Ou ao menos, minha mente conturbada me levava repetidas vezes para esse motivo. Sendo assim, como psiquiatra e amigo, o mesmo fazia algo que Jack não possuía a sutileza em fazer: cuidar–me.

“— Will?”

Só ao ouvir a voz suave e surpresa de Hannibal que meus pensamentos se quebraram, que pude sair do topor de meus sentidos e conseguir localizar–me em volta. Suava e tremia, enrolado em lençóis grossos, sentado no chão próximo a uma lareira antiga presa à parede do cômodo pequeno – uma aparente sala.

Sala esta que não fazia a menor ideia de quem era o proprietário, só sabia que meus passos levaram–me, inicialmente, de um colchão em outro cômodo menor até o que estava atualmente, arrastando os lençóis comigo até que o frio deste aparente inverno mostrou–se mais ameno diante do calor do fogo. Sendo assim é lógico pensar que sentei–me em busca comodidade e fiquei divagando com meus pensamentos.

“— Como se sente?” – novamente a voz dele resoou pelos meus ouvidos, sempre calmas, com uma preocupação que por muitas vezes questionei–me se era real.

Lentamente meu olhar perdido nas chamas oscilantes voltou–se para ele, parado diante de uma porta de madeira, com uma sacola de papel em mãos. Minha mente ainda me deixou entender que o mesmo tinha voltado do mercado, por conta das verduras que apareciam saindo da sacola.

“— Você devia estar na cama.”

Concordei lento para a leve repreensão escutada, piscando algumas vezes os olhos, querendo compreender – acima do fato dele ter voltado de um mercado –, o motivo de ter acordado em tal lugar, onde estava e, o que tinha se passado. Respirei fundo, desviando o olhar sem foco para o ambiente a minha volta, querendo localizar–me melhor no cômodo que estava. Não era um de meus antigos devaneios, corretamente tratados, estava em um lugar físico, com um pequeno lapso de tempo sobre o que havia acontecido anteriormente.

Situando–me melhor ao ambiente dava para notar uma sala pequena, as janelas fechadas com tábuas, uma aparente casa de madeira simples com mesa e cadeiras postas ao canto do cômodo atual. Quanto a localidade desta casa, claramente encontrava–se em algum lugar cujo no momento não conseguia fazer a menor ideia de onde seria. Só conseguia ter a clara noção que era inverno pelo frio e a necessidade de calor quando acordara no leito do outro aposento. No ambiente a volta, observava quatro portas, uma fora a que saíra inicialmente – o quarto –, as demais imaginava ser banheiro, cozinha e saída.

O assoalho rangia de leve aos passos que Hannibal dava, indo em direção até a mesa e deixando a sacola de papel. Ainda havia um lapso de tempo, uma memória que não deixava–me compreender o motivo de ter acordado em um lugar desconhecido e, agora acima de tudo, aquele homem aparecer como se tudo fosse algo natural.

Meu olhar recaiu–se nas chamas novamente, onde respirei fundo e, tirando uma de minhas mãos do casulo de lençóis – no qual me enfiei quando saí da cama –, levei–a ao rosto para limpar um pouco o suor.

Sentia–me gelado, confuso. Oscilando tanto quanto as chamas que vislumbrava.

“— Eu mostrei o meu mundo a você, Will.”

Por um curto instante, a respiração falhou, meu coração começara a bombear desesperadamente ao que todas as lembranças dos acontecimentos antigos viam a toma. A luta. O sangue. A queda...

O fim?

Meu mundo rodou e senti–me tonto no exato momento, como se fosse desmaiar no chão daquele lugar desconhecido. O único fator que evitara minha crise foram as mãos do outro homem, do meu amigo, do monstro assassino e canibal. Hannibal apressou–se de alguma forma, cujo não fazia ideia no momento, e abaixou–se ao meu lado, segurando–me com as duas mãos no rosto, fazendo que o encarasse.

“— Não se perca.” – falou firme, encarando–me.

Não conseguia possuir foco algum, tremia.

Simplesmente tremia.

“— É... Belo.” – sibilei baixo, em meio ao desespero que assolava meus nervos no momento.

Sim. Era belo.

O mundo que vislumbrei no momento derradeiro, antes da queda, era algo que fazia com que minha mente criasse uma utopia frágil, mas derradeira. Não soube quando, mas o sorriso fino de Hannibal – quando confidenciei a beleza do que me fora mostrado –, de alguma forma estava acalmando–me.

“— Encontrei.”

Voltei a falar, uma vez mais calmo, levando ambas as mãos as que me seguravam, encarando–o de volta. Hannibal era uma exceção à regra. Desde o fato de manter o olhar fixo ao dele, quanto aos cuidados após o que era feito. As dúvidas eram aos poucos resolvidas em minha mente, diante do olhar confuso que via no ser negro com chifres majestosos ajoelhado diante de mim.

Sim. Era belo.

“— O homem.” – respondi para a imagem enegrecida em minha frente, tresloucando um sorriso de esfinge neste.

“— Will, você está com febre. Está alucinando, vamos para a cama.”

A imagem do ser enegrecido voltava a sua realidade após alguns piscares de olhos de forma apressada. Estava claro a visão de um homem preocupado e confuso diante de mim. Um homem que tentou me erguer – possivelmente para retornar a cama –, mas que fora evitado, mantendo–me assim firme no mesmo lugar.

“— Não me devore.” – segurei firmes as mãos dele que ainda estavam em meu rosto “— Eu encontrei a resposta... Quero andar ao seu lado.”

A resposta do enigma da esfinge, finalmente havia encontrado. Hannibal era sua resposta, o homem. Não desejava ser devorado, o mundo que fora mostrado era atraente e belo. Claramente havia encontrado mais que só a resposta de uma única dúvida, questões anteriores poderiam ser resolvidas com a mesma solução.

Como se tudo se encaixasse, como se finalmente o método daquele homem ali fosse algo legível. E toda a carga de compreender o deixava mais perto dele, o fazia querer seguir os mesmos passos. Nunca na frente, tampouco atrás do mesmo.

Lado a lado.

Um novo estremecer fizera minha vista enegrecer–se outra vez, provavelmente ainda não estava curado da queda que tive do desfiladeiro. Antes de perder a consciência, ou até mesmo já perdendo–a, pude sentir um selar em meus lábios.

Se foi real ou apenas um fruto da minha mente a beira de um desmaio, não sabia distinguir. Mas o calor que senti em meus lábios, acalentou toda a minha existência.

Hannibal era a minha resposta.

FIM

(14/08/19)

Notas finais
Heya~ Agradeço por terem lido e ficaria contente se deixassem um comentário sobre o que acharam! Eu estou fazendo commissions de fanfics, se tiverem interesse deem uma olhadinha~ Commission de Fanfics — Tabela de preços: > 1.000 palavras -> 20 reais > 2.000 palavras -> 25 reais > 3.000 palavras -> 30 reais > Acima de 4.000 palavras negociar sobre preço. > Observação: A quantidade de palavras pode ser alterada para finalização da história, sem custos adicionais. Ex: 1000 palavras virar 1100 palavras. — Qual gênero é permito? > Ação; Amizade; Angust; Aventura; Comédia; Crossover; Darkfic; Death Fic; Drama; Ecchi; Ficção Científica; Furry; Humor; Humor Negro; Lemon; Paródia; Poesia; Romance; Shoujo-ai, Shounen-ai; Songfic; Suspense; Terror; Tragédia; Universo Alternativo e Yaoi. > Basicamente todos, no entanto conteúdo adulto +18 apenas no gênero Boys Love/Yaoi. > Conteúdo adulto não pode ser comissionado por pessoas menores de 18 anos. — A fanfic após finalizada será postada no Nyah e Spirit. Caso queira que esta seja de teor pessoal, será cobrado 10 reais a mais do total, até 3.000 palavras. Após isso negociar sobre. — O prazo para a entrega da fanfic (até 3.000 palavras) será de até dois dias úteis. Acima de 4.000 palavras negociar sobre prazos. — O pagamento será realizado no ato do pedido, via Paypal, da preferência do cliente. Para pedidos acima de 4.000 palavras, pode haver dois parcelamentos. — Será conversado a respeito da commission apenas por Twitter: @Toynako.
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