Notas iniciais
Quando um contrafeitiço não dá tão certo assim.

Eu estava ansiosa. Ops, correção: eu estava muito ansiosa. Sétimo ano, finalmente! Ou não tão finalmente assim, afinal, o único e real motivo para comemorar seria a esperada aprovação nos N.I.E.M.s com resultados satisfatórios. Eu já tinha certeza absoluta que até o fim do semestre meu cérebro ia fundir, no mínimo, mas que se dane, estou no sétimo ano!

Há quem diga que a magia facilita nossas vidas em muitos aspectos. Eu concordava... Até que tomei em mãos meus horários junto a um formulário esquisito — que a pobre professora McGonagall se desdobrava para entregar. Meu sorriso miou instantaneamente ao notar que Defesa contra as Artes das Trevas seria ministrada por ninguém menos que Severo Snape.

Snape! Quem foi o demente que deixou isso acontecer?

Normalmente eu não questiono as decisões de Dumbledore, entretanto, devo admitir que isso foi longe demais. Quer dizer, poções não era um inferno suficiente? Ninguém merece. A galera do sexto ano, em contrapartida, estava tão animada que deixei escapar um riso sarcástico do alvoroço deles: a maioria tinha o primeiro período livre. Eu não fazia ideia do que isso significava desde que obtive "Ótimo" em todas as disciplinas prestadas no quarto ano. Com exceção de uma, é claro, adivinha qual?

Pois é, essa mesma.

Por fim havia salvação, visto que o morcegão me aceitou em poções mesmo com a nota relativamente baixa para seu padrão impecável: excede expectativas. Odiei ele menos aquele dia, porém não tenho paciência quando se trata de arrogância. Vamos nos respeitar e acabar logo com isso?

Por favor, é meu último ano! Tem que valer a pena.

Atrasada, pra variar, segurei minha mochila nada leve em um ombro e saí correndo pelas masmorras. Lugar horrível, mas fazer o quê, o covil de cobras que eram os sonserinos. No caminho, lembro-me de ter esbarrado em Hermione, a aluna mais inteligente de Hogwarts, grifinória muito aplicada — e sou humilde o suficiente para concordar — esquecendo-se de que Slughorn ministraria a aula na torre. É, mal teve seu retorno e já estava dando trabalho, o velho Slug! Meio exasperada, ela balbuciou alguma coisa como "me desculpe, Nelly'', gentilmente, e sumiu das vistas.

Coitada, manter tantos títulos deve ser exaustivo, principalmente quando se tem amigos.

É, eu não era a pessoa mais agradável do mundo. Pra ser sincera, acho que quem me conhecia me odiava e quem não conhecia odiava também pelo simples fato de eu existir. Qual é, não sou nada extraordinária, só um bocado inteligente. Ok, talvez mais que apenas um bocado, mas ainda sim jamais dei motivo para alguém desgostar da minha pessoa. Se o faziam, também, eu não ligava muito.

Respirei profundamente antes de passar pela porta, vendo Snape caminhar de um lado para o outro com um livro bizarro na mão; parecia ditar alguma coisa. Nossa, já? Entrei sem cerimônia, ele me olhou rudemente e maneou a cabeça em negativo, sem parar de ler. Infeliz, adora me atormentar, né? Começo a me identificar com o Potter... Escolhi um lugar estratégico próximo à saída, escurinho e silencioso. Nem me dei o trabalho de abrir o material, tentando acompanhar a frequência de palavras, desisti logo em seguida. Pelo jeito, teríamos nosso clube de duelos reiterado, depois do incidente com aquela tosca da Umbridge, algumas técnicas reais seriam aplicadas aos nossos estudos. E pra piorar consideravelmente, o primeiro treino oficial seria esta noite.

Sério, isso era totalmente desnecessário. Primeira noite no castelo e eles já aprontavam uma dessas?! O que, amanhã seríamos escalados pra recolher amostras de meleca de trasgo? Era o que faltava!

Bufei, apertando a varinha no bolso. Reclamar não adianta, mas ajuda a passar o tempo. O sol se foi tão rápido que nem consegui digerir direito o que se fez da minha vida e, chegado o jantar, olhei em desespero para a mesa da Lufa-Lufa, toda contente pelo primeiro dia de aula ter acabado. Lembra a ansiedade do começo? Pois é, ela se foi, jaz em paz e bem longe de mim, já que eu não fazia parte da turminha dos contentados. Fingi compartilhar o mínimo daquele vigor, peguei alguns/vários bolinhos da sobremesa, fugindo para fora do salão.

A única vantagem de ser maior de idade — além de conjurar feitiços sem ter o Ministério da Magia enchendo o saco, é poder andar por aí sem precisar dar satisfações. Uma pena que deu pra desfrutar apenas de míseros minutos antes que outros estudantes se acercassem, preparados para a atividade. Confesso que deu um surto de alívio quando vi que não era a única abalada com a situação, pois, assim que Snape pôs o nariz excepcionalmente grande na campina, muitos reviraram os olhos em sinal de indignação.

Seguimos o roteiro: formar um círculo, ditar as regras, assentir, cumprimentar os adversários, assentir, tomar a varinha em mãos, assentir. Eu só consegui distinguir dessa baboseira o fato de que não podíamos, em qualquer hipótese, matar ou aleijar um coleguinha. Caso contrário, eu teria que correr. Mentira, eu teria que correr de qualquer jeito, afinal, pensar era meu ponto forte, agir nem tanto. Simples: nada de feitiços hostis. Ou muito hostis, é claro, o que se imagina de um duelo? Um ataque de diabretes da Cornualha?

Prefiro não responder.

Tínhamos praticamente todo o perímetro à nossa disposição, desde o lago até a floresta proibida — que, por acaso, não estava tão proibida assim. O único lugar que não podíamos nos esconder era o castelo, evitando maiores confusões. Justo.

Esperei a minha vez, arrancando displicentemente algumas gramíneas do chão. Os vitoriosos não saíram menos arranhados dos desarmados, mas era divertido...não sabia onde.

– Srta. Bertolucci, adversária do Sr. Hawford. — anunciou gravemente o professor, no aguardo para tomarmos nossas posições.

Até o momento estava tudo sob controle. Analisei rapidamente as minhas chances de sair ilesa do confronto, Dalle Hawford não era do time mais espertos. Nos curvamos um para o outro, ele com um sorriso debochado nos lábios finos e eu, antes alheia sem entender nada, reparei num ímpeto o peso morto que carregava nas costas.

Peraí, a mochila! Droga, preciso guardar essa porcaria antes que...

Não parei pra discutir quais azarações eram permitidas e quais não eram. Lancei um Estupefaça ,correndo dementemente, desviando das árvores como podia e sem olhar pra trás. Buscar um local seguro ali estava fora de questão, fosse pelos salgueiros lutadores ou o restante das criaturas hediondas que habitavam a floresta. Pra variar, carregar uma mochila cheia não ajuda quando você precisa ser ágil... se eu não era antes, imagine só agora! Pelo menos não tinha nenhuma parte de mim faltando.

Sou uma covarde, eu sei, mas dadas as circunstâncias não faltará oportunidade para enfrentar alguém. Ao que dizem, há uma guerra se aproximando, e eu provavelmente serei a primeira da fila a se ferrar, mesmo que possa recorrer às minhas habilidades mágicas, as físicas não colaborariam. Na tentativa de desviar a linha de pensamento, vi um feixe de luz amarelado atravessando o campo pouco a frente de mim.

Ah, droga.

Antes de lançar um xingamento adequado — lancei do mesmo jeito — meus pés assumiram um movimento involuntário, me fazendo saltar a uma altura que eu possivelmente seria incapaz de alcançar se consciente. Saltus Multiplus. Sou fã de carteirinha desse encantamento, sério, só que não teve a menor graça dessa vez. Tentei desfazê-lo com Finite, num átimo, meu corpo num estado avançado de inércia não segurou o atrito e caí como um saco de batatas no fundo dum buraco escuro e úmido.

E agora?

Notas finais
Acho justo explicar, antes de mais nada, de onde surgiu a brincadeira. Sim, é apenas uma brincadeira literária elaborada por duas jovens adultas que não tinham mais nada pra fazer.Isso mesmo, caro leitor, você não entendeu errado. Somos um par: eu, Ana Bonagamba, que aqui vos fala e ela, Natália Milick, a pior beta da história do Nyah!, ao meu lado direito. Juntas criamos essa baboseira para presentear nossa melhor amiga, Niele, em seu 21º aniversário, a ser comemorado em alguns dias. Por isso dividiremos a história em 10 capítulos, os quais serão postados em duplas. :D Vai ser divertido, juro. Tudo começou com uma revelação: Niele estava cansada de ganhar os mesmos presentes todo santo aniversário. Daí, genialmente, fundamos um enredo formado por seus livros prediletos, Harry Potter e O Hobbit, onde ela mesma embarcará numa aventura inesperada. Ou seja, Ni querida, além do nome, qualquer semelhança entre Nelly e você NÃO É APENAS COINCIDÊNCIA. Obrigada, voltem sempre. PS: eu sou péssima com humor, desculpem-me. PS²: Naty mandou beijos.