Decadência

1 Capítulo Único - Envenenamento


Notas iniciais
Notas Inicias da Raposa: Pois é, isso não estava nos meus planos, na verdade estou com 3 ones shots que só faltam betar para postar, mas essa daqui precisava sair antes que eu morresse. Bom, peço perdão pela demora de atualizações, pelo sumiço, pela falta de responsabilidade, mas ando numa loucura, e agora estou doente, então Por favor, me perdoem.

Essa fic não fará sentido algum sem a música de inspiração, a letra estará pelo meio dela, e o link aqui abaixo, escutem, eu não gosto deles, mas essa canção me fez reviver muita coisa. O casal será um problema pela temática, então não me matem. Espero que mesmo com todo drama, gostem bastante e sintam o que eu senti escrevendo. Amo vocês. Roberta, essa fic é um presente para nós, e para nossos fantasmas.

Música: Fresno - Diga Parte 2 - https://www.youtube.com/watch?v=T7uleRm-4sM

Desculpem possíveis erros. Obrigada por tudo, sempre. Beijos.

OBS: Se estiver com o coração frágil, não leia essa fic.

Capitulo Único — Envenenamento



“Tira a maquiagem pra que eu possa ver

Aquilo que você se esforça pra esconder

Agora somos só nós dois, já podes parar de fingir”



- Por quê? Só me diz porque... Como posso respirar? Me fala... Como se respira depois de você? Céus, deuses, não dá, não suporto, não suporto te olhar, não suporto escutar sua voz, não suporto imaginar não te ter. Que maldita dependência é essa? Minha decadência, meu fim. Fui mais um idiota em suas mãos, fui mais um cretino deitado na tua cama, ressonando tranquilamente em seus braços, mais um iludido em teu peito forte na calada da noite. — gritava esmurrando uma parede qualquer.



- Como pode? Tanto tempo... Tantas juras, promessas, esperanças, expectativas, permiti que conhecesses minha alma, e me destróis... Matas o pouco que havia de mim. Por quê? Me dá uma droga de uma resposta, pra que eu possa morrer em paz. Pra que armar tudo isso, para chegarmos nesse ponto, sem volta. — ao seu redor tudo girava, mas em seu interior tudo se rasgava e queimava.



- Eu te dei, tudo... Meu tudo, meu mundo. Te entreguei o que de melhor havia em mim e você mentiu, o tempo inteiro foram mentiras, ilusões, me usou, como um fantoche, me usou como um qualquer... Um qualquer que jurou amar mais que qualquer outro, um vadio que se deitava com você todas as noites com um sorriso estampado. — escorava a testa na parede branca, lágrimas de ódio e amor.



- Acreditei no que me disse, acreditei quando me olhou várias vezes e confirmou que sempre estaria ao meu lado quando tudo me abandonasse, acreditei em cada palavra, fui traído, por você e por mim, rompeu minhas ideologias, então me encara como se eu fosse um idiota, só queria que seus olhos não me dissessem tantas verdades dolorosas. — escorregava pela parede até o chão, as mãos sangravam e manchavam tudo.



- Por favor, me ouve... — pediu tentando se aproximar, mas o olhar fulminante que recebera lhe fizera parar – Kamus... Ouça o que tenho pra dizer…



“Mas cala essa boca e me diz com o olhar

Quem era você até me encontrar?

Se agora és diferente

O que eu fiz que te fez mudar?”



- Cale essa maldita boca, ela não diz nada de verdadeiro, ela mente, só isso, não tens feito outra coisa desde que nos conhecemos, só mentiras, só ilusões, infidelidade, só isso, não há outra coisa em você. Agora me olha... MAS QUE MERDA, OLHA PRA MIM E DIZ COM ESSES OLHOS TRAIÇOEIROS O QUE DE FATO ACHA QUE EU SOU PRA VOCÊ? — exasperou-se, sentia que morreria em qualquer momento.



- Eu... — virou o rosto — Não vivo sem você! — jurou tentando convencer o ruivo.



- Vai pra merda com essas frases de música, essas frases que me fizeram parar direto na tua armadilha, você não é real, o homem que dividiu a vida comigo durante um ano é uma farsa, e eu sou um imbecil. Achei que estava ficando louco, mas o nosso amor morreu... Mas o problema é que não sei se houve amor... Acho que só por minha parte. — estava tão cansado que não tinha condição de encarar o loiro em pé.



- Ruivo... Você não imagina o quanto te amo... — tentou, mas soava falso, tudo que dizia soava como um teatro mal encenado.



- Ao menos sabe o que quer dizer “amor”, Milo Nickos?



- Sei. Claro que sei. — pela primeira vez naquela noite parecia convincente.

- Desculpa, mas não acredito. Não mais. Mas levando em consideração alguma dessas merdas que está dizendo, o que EU fiz para que mudasse tanto? Tanto ao ponto de me trair dessa forma... — levantou e o fitou ainda apoiado para não sucumbir.



- Não foi você. — sussurrou.



“Eu lembro dos lábios

Tremendo ao dizer

"Eu não vivo sem você"



- ENTÃO VOCÊ MENTIU, O TEMPO INTEIRO VOCÊ MENTIU, VOCÊ ME ODEIA, NÃO ME AMA, ME QUER NOS SEUS PÉS DESTRUÍDO E MACHUCADO, QUER O ÚNICO HOMEM QUE LHE DEU TRABALHO PARA LEVAR PRA CAMA, VOCÊ QUER UM LACAIO, SOFREDOR COMO UM ESCRAVO. NUNCA QUIS MEU AMOR, MINHA FIDELIDADE, MEU COMPANHEIRISMO, VOCÊ NUNCA ME QUIS. PUTA QUE PARIU, EU AINDA LEMBRO DE TUDO QUE ME DISSE DA PRIMEIRA VEZ QUE SOUBE QUE ME TRAIU, VOCÊ TREMIA DE VERDADE, MILO, PARECIA DESESPERADO EM ME PERDER, E JUROU QUE ME QUERIA, QUE SEM MIM NÃO PODERIA VIVER. FOI UMA FARSA. E TUDO QUE EU QUERIA HOJE ERA OUVIR QUE NOSSO AMOR NÃO MORREU, MAS NÃO DÁ PRA MATAR ALGO QUE NUNCA EXISTIU. — passava as mãos pelos fios molhados de suor, num misto de loucura e desespero.



- Kamus... Cometi um erro. — não havia muito o que dizer, na verdade ele estava parcialmente certo, o máximo de amor que conhecera fora ao lado dele, mas não era de sua natureza, ser fiel, cuidadoso durante muito tempo, era um predador cruel e sem escrúpulos na essência.



- Não... Eu cometi... Quando te deixei entrar na minha vida, acreditando que daria certo, acreditando que seria diferente, que tinhas vindo para sanar minhas marcas e não para torná-las ainda mais profundas e incuráveis. Errei quando deixei meu coração ofuscar meu sexto sentido, errei mais do que qualquer um quando lia nos seus olhos que eras um falso e acreditei no que sua bela boca me dizia... Errei quando disse: “Eu te amo!” com toda força que eu tinha... Eu errei quando me dediquei a te agradar e a te fazer feliz... E te deixei ser minha felicidade. — as lágrimas corriam silenciosas.



- Minha infidelidade é inerente de quem sou, quis fazer diferente, estou sendo honesto, não estava nos meus planos dormir com seu recém-descoberto irmão, apenas aconteceu, sei que se odeiam desde o primeiro momento, mas... Aconteceu, bar... Solidão, brigas, você e eu estávamos brigando demais. Procurei consolo. — tentou arranjar uma desculpa, mas o olhar que recebera lhe matara um pouco.



- Não ligo de verdade que tenha dormido com uma cópia mais velha minha, ligo que tenha me deixado descobrir, ligo que tenha me jurado algo que nunca cumpriria, eu ligo Milo... Por que nunca traí você, e te perdoe sempre que soube das suas, mesmo que você achasse que eu não sabia de todas, mas... Nossas brigas eram por seus ciúmes, que eu achei que eram normais, por me amar não desejava me perder, mas aos poucos fui me dando sozinho nessa relação, tinha que sempre te satisfazer, sempre do seu jeito, caso contrário a gente brigava. — aproximou-se e sentiu seu corpo estremecer pelo cheiro do homem que amava loucamente.



- Então porque permaneceu comigo? — indagou curioso e triste.



“Então diga

Que não vai sair da minha vida

Diga que não passa de mentira

Quando dizem que o amor morreu”



- POR QUE EU TE AMO, POR QUE EU TE AMAVA, AMAVA MAIS QUE A MIM, E QUERIA QUE DESSE CERTO, QUERIA ALGUMA COISA DANDO CERTO NA MINHA VIDA DE MERDA, QUERIA VOCÊ, PORQUE SE TORNOU MINHA OBSESSÃO, MEU VÍCIO, MINHA DROGA, MINHA MORTE. VOCÊ ME TORNOU UM MALDITO DEPENDENTE DO SEU AMOR, DAS SUAS FALSAS PALAVRAS. EU TE DEI A FACA E O QUEIJO PRA ME DESTRUIR POR COMPLETO, E VOCÊ O FEZ, E CONTINUA FAZENDO, FOI MINANDO MINHAS FORÇAS NUMA RELAÇÃO DOENTIA, ONDE MEUS AMIGOS SE AFASTARAM, MINHA FAMÍLIA SE AFASTOU, PORQUE EU ESCOLHI LHE AGRADAR, VOCÊ ACHAVA QUE EU CUIDAVA MAIS DELES QUE DE VOCÊ E O QUE VOCÊ FEZ? TRANSOU COM O DÉGEL POR CONTA UMA BRIGA QUE VOCÊ MESMO CAUSOU, E NO DIA SEGUINTE BRIGOU COMIGO DE NOVO PORQUE EU LIGUEI PRO SAGA PARA CONVERSAR, PRA DESABAFAR ANTES DE ENLOUQUECER DE VEZ. AINDA GRITOU QUE MEU MELHOR AMIGO QUERIA ME COMER E ME SEPARAR DE VOCÊ. SIMMMMM, ELE QUERIA ME SEPARAR DE VOCÊ, MAS NÃO DE FORMA VIL, ELE ME DIZIA TODAS AS VERDADES QUE EU IGNOREI DESDE O PRIMEIRO MOMENTO. — voltou a se afastar antes que perdesse o resto de amor-próprio que lhe restava.



- Odeio ele. Tudo isso é culpa dele, que ficou lhe insuflando contra mim, ele plantou isso na sua mente, até você desconfiar de mim, estávamos bem até que passou a dar atenção exclusiva pra ele, para os problemas dele, falava dele com carinho, ele me provocava o tempo inteiro, sinto ciúmes de você, fiz errado, muito errado, mas você também fez. — rebateu achando que realmente tinha direito a dizer aquilo.



- Ahhh, seu filho da puta. — rosnou com os olhos em chamas — Qual sua próxima arma para me matar? Fala logo, como pretende me enterrar? Essa merda dessa relação estava fadada ao fracasso desde o começo, mas eu feito um retardado achei que podia mudar isso, como fui imbecil. Nossa falsa paz em casa, nossa falsa felicidade, toda desgraça estava muito bem escondida nos recantos remendados da nossa vida. Coisas que não se encaixavam, suas saídas para “trabalhar”, suas ligações de “trabalho”, suas palavras melosas logo depois, tudo na minha cara e simplesmente me deixei cegar. — andava de um lado para outro desnorteado.

“Tira essa roupa pra que eu possa ver

Que não há uma arma tentando se esconder

O mal vive num lar perfeito e sem infiltração”



- Não eram mentira, era trabalho, não era fiel, assumo isso e exigi fidelidade a você, foi um erro, mas eu queria que desse certo, eu quero. Saga era meu único problema, não confio nele. Sei que é egoísta da minha parte, mas eu não podia imaginar você nos braços de outra pessoa, me deixava louco, mesmo que eu o fizesse, jamais te trairia com o coração, mas tinha medo que alguém te desse mais que eu e você me deixasse, fui idiota, eu sei, mas... Foi por amor. — tentou tocar seu rosto, mas recebera um forte tapa na mesma.



- Está me chamando de fácil? — sussurrou perigoso — Que eu trocaria o homem que amava para viver um romance com outro que me desse “algo mais”? Sim, você é um egoísta, cretino, cruel, doente, me arrastou pra essa merda que chama de vida, me transformou na pessoa que jurei nunca me tornar, me tornei submisso por amor, por achar que valia o sacrifício, que estava fazendo tudo certo, pela pessoa certa, você me usou como experimento, para satisfazer seu ego, para ter um troféu na prateleira das suas conquistas. Não fazia nada sem te dizer, confiei em você todos os meus maiores segredos, coisas que nunca contei, confiei no amor que você me demonstrou no começo, mas esqueci de verificar se era fogueira ou faísca. — buscou ar e fechou os olhos — Você na verdade deve ser meu destino para aprender a não confiar mais, a não amar mais... Algum dia nesse tempo, você desejou que eu fosse feliz? Sem que a sua felicidade estivesse ligada?



“Mas tira o cabelo da cara e me diz

Se por um segundo quiseste me ver feliz

Ou se és o meu destino tentando me dar outra lição”



- Sempre... Mas não queria que fosse feliz sem mim... Não dava pra te imaginar sendo feliz sem mim. — retirou os fios da face transtornada e encarou o francês, que apenas lhe fitava incrédulo.



- Você é um monstro... Um ser que precisa de internamento, mas eu não sou manicômio, NÃO AMO MAIS VOCÊ, NÃO ESSE QUE ESTOU VENDO SEM MÁSCARAS, ESSE NÃO FOI O HOMEM QUE ME ENCANTOU. — crispou as mãos de raiva, controlando-se para não bater nele até desmaiar — SAI DA MINHA CASA, SAI DA MINHA VIDA. JURE PRA MIM, PRA VOCÊ E PROS DEUSES, QUE NUNCA MAIS VAI VOLTAR PRA ESSAV CASA, JURE QUE ESQUECERÁ ETERNAMENTE O DIA EM QUE NOS CONHECEMOS... JURE QUE NOSSA ESTRADA NÃO SE CRUZARÁ NUNCA MAIS. — novas lágrimas, num misto de frustração, agonia, medo…



“Eu lembro de serrar os punhos pra dizer

"Eu não amo mais você"

Então diga

Que não volta mais pra minha vida

E que a nossa estrada é bipartida

Esqueça o dia em que me conheceu”



- Kamus... Não faz isso... Sabe que não dará certo, nós somos perfeitos um pro outro. Não posso dizer isso... Como farei sem você? — agora suas lágrimas caiam, o que assustara o mais novo, que recuara, cada lágrima dele parecia uma punhalada em si, mas por dentro sabia que tinha que cortar o mal pela raiz.



- Para de teatro, nem todo dinheiro do mundo é capaz de te colocar de volta no meu coração, te acolhi como nenhum outro, te dei lugar para repousar tuas mágoas e o manchastes com sangue... O meu próprio sangue... — parou a centímetros dele e suspirou — Sei que a casa é minha, mas tem até amanhã para tirar tudo que é seu, não deixa nem um fio de cabelo, tira teu perfume, tira até o ar... E nunca mais... Milo... Me ouça... Nunca mais pise aqui... — falava tão seriamente que nem mesmo acreditava que era capaz de tal feito.



“Então diga

Que nem todo dinheiro dessa vida

Não vai comprar de volta acolhida

No peito de quem já foi todo seu

A casa é minha, mas pode ficar

Eu volto amanhã e não quero mais te enxergar

Faça as suas malas e nunca mais volte aqui”



- Kamyu... Meu Myu... Não faça isso. — finalmente caia sua ficha de que era pra valer, que não havia volta.



- Não... Isso não me engana mais... Posso morrer em cada maldito dia longe de você, mas não ficarei com uma erva daninha me matando com uma falsa felicidade, quero ter uma chance de recomeçar, nem que seja no meu último suspiro de vida, quero poder dizer que eu me libertei... De um demônio. Juro pelo que há de mais sagrado, nunca mais quero olhar pra você, quero ouvir você. — jurou com ódio, seu amor se tingindo de negro.



“E eu juro pela vida da mãe e do pai

Ciente do peso da expressão "nunca mais"

Volte a oferecer teu corpo a quem preferir

Viver ao lado de quem não tem nada pra dizer

Confesse pra mim de uma vez”



- Kamus, nunca vais amar ninguém como me ama, e mesmo com todos os meus erros, jamais amarei ninguém como te amo, prometo que posso mudar. — tentou mais uma vez lhe tocar, mas falhara... Ele se afastara.



- Isso não é uma opção. Não posso viver com alguém que não confio, e não é porque me traiu, mas porque me usou e me manipulou, porque me fez viver uma mentira, me fez acreditar na felicidade, e depois me mostrou que era irreal. Não há nada de real em você, não tens nada para dizer, nada de bom. — respirou profundamente e o fitou intenso.



- Jurei que estaria do teu lado e eu quero fazer isso, você é minha felicidade, escrevi versos em meus livros para você, tudo que escrevo é pra ti, Kamus você é minha inspiração, você me faz sorrir. — sorriu pra ele como se isso fosse mudar algo, mas não funcionara, apenas o fazia se afastar mais.



“Mas diga

Que nunca foi feliz nessa tua vida

Teu texto, teu sorriso de mentira

Pode enganar a todos, não a mim”



- Tudo uma mentira, Milo... Você pode enganar os outros com textos e sorrisos, mas agora, não mais me engana e mesmo quando achava que enganava, era eu que fingia não ver. Na verdade você nunca foi feliz, porque não é feliz com você mesmo, assim como eu não serei feliz com ninguém se não aprender a ser feliz comigo. Não torne isso em algo ainda mais insuportável, me deixa seguir com o pouco de dignidade que me resta, você já fez estrago demais, tenha um pouco de compaixão, deixe que eu esqueça que um dia te conheci. Saia da minha vida. Se em algum momento sentiu algo por mim... Deixe-me livre. — sua voz era um sussurro doloroso e angustiado.



“Então diga

Que essa mão que acena na partida

Por tantos idiotas pretendida

É a mesma que decreta o nosso fim”



- Isso é um adeus? — deixou que suas lágrimas caíssem mais forte, vendo o outro lhe afirmar com um balançar fraco de cabeça – Posso ir Kamus, mas assim como sou sua droga, você é a minha, morremos longe, pois somos um mal necessário um ao outro, pode me afastar fisicamente, mas emocionalmente sempre estaremos ligados. Você está acabando com algo que poderíamos resolver. — dizia como se pudesse fazer ele mudar de ideia, mas pela expressão no homem que antes era chamado de “geleira”, aquilo não era possível, e pela primeira vez, aquela frieza que muitos conheciam era direcionada para si. Sentira-se morrer um pouco. Nunca imaginou que chegariam aquele ponto.



- Tantos anseiam ter você, suas mãos podem alcançar outras, mas nesse momento, elas soltam as minhas, para sempre. O fim disso tudo é culpa sua, que não soube cuidar, que não soube preservar, agora você oficialmente livre para entregar seu corpo para quem quiser, sem se preocupar do namorado passional descobrir e lhe enlouquecer de perguntas e dramas, como um dia disse que eu fazia, estás livre Milo. — chegou até onde ele estava e afagou seu rosto, mas não com o amor de antes, apenas remorso e desgosto.



- Kamus... Não... — sentiu o indicador lhe silenciar.



“Assisto ao teus passos como a um balé

Quem vais usurpar agora que ninguém te quer?

A verdade demora mas chega sempre sem avisar”



- Tenho pena de quem será sua próxima vítima, de fato espero que ela não exista, que tenhas aprendido algo, não quero ficar imaginando quem vais matar depois de mim, apesar de achar que nenhuma outra pessoa cairá em suas artimanhas fajutas, creio que fui o último dos idiotas. — afastou-se e fora pra porta.



- Por favor... — começava a querer gritar de dor e desespero, mesmo que da forma errada o amava.



- Não. Não faça o que deveria ter feito no começo, agora, não tem mais volta, se quer gritar, Milo... Deixe que eu saia, seu grito ecoará pelas casas por todo o mundo e pode ser que seja à atitude mais real que tenhas em anos... Queria que o que vejo agora... Nos seus olhos... Mudasse o tanto de imagens retorcidas que tenho suas, o quebra-cabeças se encaixou, eu sou uma peça sobrando... Seu lugar de mentiras não me cabe mais... Eu não quero mais caber. — ouviu sua voz fraca e chorosa antes de fechar a passagem.



- O que farei sem você? Como sobreviverei? — deixava-se cair no sofá desolado.



“E o grito contido no teu travesseiro

Ecoa nos lares do mundo inteiro

Não tira esse rímel, pois hoje quero vê-lo borrar”



- Não sei... Porque nem mesmo sei como recomeçar... Mas serei hipócrita se disser que te quero ver feliz... Quero que sofra um pouco e pense no que fez... Quero que manches teu rosto como me fez manchar o meu em noites amargas e como me fará manchar até que todo teu veneno tenha se dissipado de meu ser... — o olhou uma última vez, sentiu o coração parar de bater, a imagem da destruição, era o loiro em sua frente, aquilo lhe matava, porque por mais que quisesse, o amava ainda, mais que a si mesmo.



- Amo você. Deixe que eu prove. — implorou o encarando com a dor que lhe acometia.



- Seu apelido de escorpião é, na verdade, sua verdadeira face, Milo, no menor sinal de fraqueza, você ataca suas presas e sadicamente envenena lentamente até vê-las morrer. Hoje... Ao me picar pela última vez... Ultrapassou minha pele e atingiu a sua... Sentirá comigo... Essa lenta e agoniante sensação de envenenamento na alma... Mas eu juro... Pra mim mesmo... Um dia... Serás apenas um passado esquecido em uma gaveta qualquer. — fechou a porta e escorregou por ela tremendo.



“Mesmo que eu abra essa gaveta todos os dias e me envenene aos poucos por te lembrar, vou viver sem você... O que restou de mim... Conservarei... Mesmo que eu te ame acima de tudo e todos... Sobreviverei ao teu mal... Ficarei imune aos venenos de qualquer outro animal... Depois de você... Nada mais pode me matar... Não se mata quem já está morto.” — completou em pensamento, saindo de lá cambaleante, deixando pra trás toda sua razão, toda sua existência, deixando pra trás o que havia de melhor e de pior em si... Levando consigo apenas um vazio e a decadência de sentir a dor de uma longa abstinência.



"Ah, aquela maldita agonia,

Corroendo minha alma,

Matando o que há de intacto aqui dentro,

Fazendo-me sucumbir a dor de te perder.

Ah, aquele maldito desespero,

Não te ter ao lado,

Não ter pra onde correr,

Não ter chão.

Ah, aquela maldita sensação de medo,

De te achar em cada limpeza que fizer em mim,

Percorrer quem sou e só encontrar teus olhos,

Bagunçar tudo para me encontrar... E de nada resolver.

Ah, aquele maldito sentimento de perda,

Encarar o oceano e querer gritar,

Não ter voz para tal,

Deixar-me cair na areia...

Enquanto minhas lágrimas se misturam com o mar.

Ah, essa maldita saudade,

Infiltrando-se em cada recanto,

Perfurando cada parede,

Deixando marcas de passado e pesadelos,

De silêncio e solidão.

Ah, essa cruel falta que sinto de você...

Do que foi... Do que nunca deixou de ser.

Ah... Como desejo... Fechar os olhos...

Lembrar somente teu sorriso...

E quem sabe deixar o meu aparecer."



FIM!

Notas finais
Notas Finais da Raposa: *fugindo do linchamento* meninas e meninos, sei que avacalhei, e que ninguém esperava o casal 20 se separando dessa forma, mas não consegui escrever com nenhum outro casal, bem, o texto de final é meu, hummm, ficou muito angust, espero ter conseguido colocar toda emoção que senti escrevendo para vocês, mais uma vez, me perdoem, prometo compensar com um lemon deles em uma nova one. É isso Precisa expurgar fantasmas. Robertinha, minha irmã querida, espero que tiremos alguma lição disso :( É isso, obrigada pra quem chegou até aqui, e deixem coments de incentivo pra essa maluca. Beijossss.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!