Debaixo das cerejeiras
4 Capítulo 4 - É a sua vez agora
Notas iniciais
Capítulo 4 – É a sua vez agora

Ichigo e Uryuu caminharam lado a lado dentro do shopping observando com alegria suas esposas conversando e rindo juntas, andando um pouco à frente deles. Rukia e Orihime estavam grávidas de sete e seis meses, respectivamente. Tardes alegres nas casas uma da outra tinham sido gastas conversando sobre bebês, sobre nomes, roupas, preparativos, livros e também receios e ansiedades sobre o futuro. Ter uma a outra para compartilhar isso ao mesmo tempo havia aliviado o coração de todos os quatro. Já quando se encontravam com todos os seus amigos, os futuros bebês também eram o centro da conversa, e a discussão girava em torno de quem seria o tio favorito, quem iria conhecer e segurar os pequenos primeiro, quem daria os melhores presentes de aniversário, sendo esse último tópico levantado especialmente por Keigo. Muitos deles agora estavam criando suas próprias famílias e vidas também, e apesar do menor tempo disponível, nunca deixavam de se encontrar como antigamente quando podiam. Às vezes Chad os acompanha nessas tardes de passeio, ficando feliz por ajudar a carregar as coisas compradas para as crianças e poder entreter as duas amigas.
— Vamos comer aqui? – Uryuu perguntou quando alcançaram um dos vários restaurantes da enorme praça de alimentação, especializado em culinária tradicional japonesa, mas com uma sessão de misturas exóticas para os paladares mais corajosos ou diferenciados, onde se era possível inserir alimentos de outros países ou até doces junto à comida.
— É uma boa opção. A sessão especial permite qualquer tipo de escolha – Ichigo respondeu, já curioso para saber que combinação de almoço esquisita as duas jovens fariam.
Ichigo pensou em como só estando grávida alguém conseguiria acompanhar Orihime em seus gostos esquisitos. Como Uryuu vinha sobrevivendo sem morrer de fome ou intoxicação alimentar era algo que ele e Rukia também se perguntavam frequentemente quando o quincy casou com a ruivinha, até que descobriram que além de um excelente costureiro e artesão, ele também era um bom cozinheiro.
O quincy sorriu discretamente de canto ao captar os pensamentos do amigo, ao que Ichigo imitou. Os dois haviam aprendido a ficar em silêncio sobre os desejos estranhos de suas esposas durante aqueles meses, depois das duas ameaçarem matá-los por fazerem piada de algumas combinações estranhas nos meses em que as mudanças físicas e químicas as estavam levando ao limite das alterações bruscas de humor, o que felizmente não durou muito, apesar dos desejos estranhos ainda existirem.
Após escolherem seu almoço e se alegrarem ao ver Rukia e Orihime praticamente pularem de alegria com o brinde dado pelo restaurante, em comemoração à semana de aniversário do estabelecimento, os quatro sentaram-se juntos numa das mesas ali, deixando num canto da mesa as sacolas de compras dos bebês, enquanto as duas garotas curtiam o coelho e o urso de pelúcia que haviam escolhido entre os animais disponíveis como brinde.
— O que você vai comer hoje, querida? – Uryuu perguntou à esposa.
— Não peguei nada muito diferente hoje. Além do bifum com wasabi, shoyo e ketchup, peguei sushi de pasta de frango com pimenta, batata e creme de chocolate – ela disse com alegria, como se fosse a escolha de refeição mais comum do mundo.
— Que legal! Parece gostoso – Uryuu sorriu, apesar de obviamente discordar do que acabara de dizer.
— E você, baixinha? – Ichigo perguntou.
— A mesma coisa que a Hime, mas troquei o ketchup por maionese, a pasta de frango por pasta de salmão e o creme de chocolate por chocolate confetti branco – falou com a mesma alegria da amiga.
— Interessante, mas vou comer algo normal – Ichigo falou irônica e corajosamente, recebendo um olhar indignado de Rukia, e ouvindo Uryuu rir baixinho.
— Sorte sua que hoje estou de bom humor com o passeio e meu novo coelho.
— Então vocês não vão mais à Soul Society por enquanto? – Orihime perguntou discretamente à Rukia numa das pausas ocasionais na refeição, a fim de não ser ouvida acidentalmente pelas pessoas transitando ali.
— Devíamos ir semana que vem por uns dois dias pela última vez até os bebês nascerem, mas apesar de tudo ter dado certo até agora, Isane achou melhor vir me ver aqui. Queria rever algumas pessoas antes, mas prometeram vir nos visitar nesses últimos três meses.
— Bom – Orihime sorriu.
— Você não se recuperaria mais rápido na Soul Society com a alta concentração de partículas espirituais? – Uryuu perguntou com curiosidade.
— Sim, mas nossos filhos serão mestiços, precisarão de um corpo físico, que o gigai pode gerar. Meu gigai agora é de alta qualidade, sem nenhum dos defeitos, riscos ou armadilhas daquele gigai fajuto que Urahara me deu naquela época. Não temos certeza de como seria se os dois nascessem em forma espiritual e depois os trouxéssemos para o mundo humano, se um corpo seria gerado automaticamente, e não quisemos arriscar os bebês pra descobrir. Eu poderia tê-los com o gigai na Soul Society, mas a energia aqui é mais densa do que lá, não sabemos como isso os afetaria quando voltássemos, então a capitã da 4ª divisão concordou que levando tudo isso em conta, o melhor é que nasçam aqui. Ela e sua tenente virão me ajudar. Vai acontecer na clínica Kurosaki.
— Um parto espiritual é muito diferente do físico? – Orihime perguntou curiosa.
— Não, só que dói um pouco menos, já que a alma é mais leve e sutil que um corpo humano ou gigai, segundo a capitã Isane, do que ela e a capitã Unohana puderam observar ao longo de anos e de registros antigos da Soul Society.
— Eu posso curar você imediatamente depois que os bebês já estiverem aqui – a ruivinha sorriu amorosamente para a amiga.
— Isso não vai cansar você? – A pequena perguntou fitando a barriga de seis meses da amiga – Estará com oito meses, é a fase mais delicada.
— Prometo não me forçar. Eu direi a você se eu não tiver condições. O bebê não afetou meus poderes até agora. Pelo contrário, até os intensificou, inclusive o de cura. E pelo que estamos acompanhando com os exames, ele está bem.
Um sorriso e um aceno de cabeça de Uryuu confirmaram a informação.
— Obrigada, Hime – Rukia sorriu.
— Você está com medo? – Orihime a pegou de surpresa com a pergunta, só então a fazendo perceber que vinha evitando essa preocupação.
— Eu não tinha pensado nisso ainda. Eu não sei o que vou sentir na hora, mas são dois... Isso me preocupa um pouco sim, mas terei a melhor assistência e manterei Ichigo por perto pra socar a cara dele quando a dor se tornar insuportável.
Uryuu gargalhou com a cara indignada de Ichigo, a expressão espantada de Orihime e o sorriso irônico de Rukia.
— Você tá rindo, mas já pensou que sua esposa pode ter a mesma ideia que a minha quando a hora chegar? Ninguém fica muito são no meio de dores intensas – Ichigo perguntou para o amigo, cujo riso morreu gradativamente quando ele começou a considerar a possibilidade, e agora as duas mulheres é que gargalhavam de sua expressão.
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Rukia sorriu em paz, apoiando o queixo numa das mãos enquanto observava Ichigo e Renji conversando e rindo na sala de estar sobre os velhos tempos de quando se conheceram. Houve dias em que ela jamais imaginou que isso fosse acontecer, especialmente quando Ichigo a pediu em namoro para seu irmão. Para a surpresa dos dois, Renji estava bem com isso, já tendo secretamente aceitado o inevitável tempos atrás, e as oportunidades que tiveram para conversar sobre o assunto só fortaleceu a amizade entre os três.
Sem que ela desconfiasse, Byakuya a fitava com um sorriso igualmente sereno do lado oposto da mesa da cozinha, onde estavam tomando chá. Tanto ele quanto Renji estavam vestindo trajes humanos em seus gigais, Renji tão jovem e moleque quanto Ichigo ainda parecia, e o nobre em roupas sociais mais formais, porém discretas. Sua irmã parecia a plena paz e felicidade, e ainda mais bela do que sempre fora, fazendo-o se lembrar mais de Hisana a cada dia, especialmente por estar deixando o cabelo crescer outra vez.
— Apenas um mês então? – Ele perguntou suavemente, não querendo quebrar de maneira brusca a observação adorável que ela estava fazendo do marido e do melhor amigo.
Rukia se moveu devagar, de repente lembrando de que os dois estavam conversando minutos atrás, antes das risadas de Ichigo e Renji chamarem a atenção.
— Me desculpe, nii-sama... Acabei me distraindo – ela ainda sorria, sentada de lado para a mesa, devido à gravidez de oito meses, e acomodada numa cadeira acolchoada que Ichigo colocara ali especialmente para deixa-la mais confortável em sua condição.
Byakuya respondeu com um leve aceno de cabeça.
— Pelo que ouvimos na Soul Society e aqui é comum que gêmeos possam chegar um pouco mais cedo, mas geralmente quando são três ou mais. Nós temos apenas dois. Isane espera que tudo corra normalmente. Então temos só mais um mês até lá.
Ele não a contestou novamente se ela se sentiria mais confortável na mansão Kuchiki durante o nascimento e resguardo, ou na casa que ela e Ichigo tinham agora na Soul Society. Rukia já deixara claro que ficaria tão bem lá quanto onde estavam agora, e Ichigo que não teria objeções em ficar lá com ela se ela assim o quisesse, mas Isane sabia o que fazer para a segurança das crianças melhor do que qualquer um deles, então tudo já estava decidido. Também não expressou sua preocupação e medo sobre o tamanho pequeno de sua irmã lhe causar riscos no processo, porque o próprio Ichigo já confessara a ele e Renji ter tido o mesmo receio, que outra vez foi tranquilizada por Isane e Isshin, que garantiram que isso não era um fator decisivo para qualquer risco.
— Você está bem? – Ele perguntou como em todas as vezes que a visitava.
Rukia sorriu com carinho, nunca o repreendendo por insistir na pergunta, sabendo exatamente que tipo de medo acometia Byakuya em situações assim.
— Estou perfeitamente bem, nii-sama. Eu lhe diria se não estivesse. E mesmo que não, duvido que você ou Renji não percebessem. Mesmo porque só um cego e surdo não notaria Ichigo se descabelando de preocupação comigo.
Ele riu baixinho, não conseguindo se conter, e feliz ao ver Rukia abrir outro sorriso com isso.
— Você e Renji estarão por perto quando o dia chegar? – Ela perguntou com expectativa.
— É claro. Já solicitamos nossa dispensa com o capitão comandante, a menos que sejamos extremamente necessários para alguma coisa no dia. E ele me pediu, como sempre, que entregasse seus cumprimentos e votos de saúde e alegria a vocês hoje. A tenente dele está ansiosa pra ver as crianças.
Rukia riu com alegria. Por mais durona que fosse, Nanao também amava crianças e coisas fofas.
— Agradeça por nós quando o vir novamente. E diga que esperamos os dois entre nossos visitantes quando os gêmeos chegarem.
Byakuya assentiu.
— Ei, Rukia! – Renji entrou na cozinha de repente – O que você acha mais intimidador? Minhas tatuagens ou o cabelo escandaloso e a cara emburrada de Ichigo? – O tenente perguntou com a alegria e naturalidade de um menino.
— Ei! O seu cabelo é ainda mais chamativo que o meu! E é claro que qualquer um ficaria mais chocado com suas sobrancelhas estranhas se nos vissem juntos – Ichigo replicou ao seguir o amigo.
Rukia espalmou uma mão no rosto, enquanto Byakuya disfarçava o riso bebendo mais chá.
— Se for esse tipo de coisa que vão ensinar a nossos filhos, a próxima geração está perdida – a shinigami falou – Num segundo vocês estão relembrando momentos felizes do passado como velhos amigos e do nada estão debatendo esse tipo de preocupação? – Ela cruzou os braços enquanto sorria ironicamente, divertindo-se com os dois.
— Ah, é como o capitão dos 13 esquadrões sempre fala, é o que você sente que te mantém jovem – Renji argumentou, fazendo Rukia rir.
— Eu acho que independente de qual pareça mais intimidador é impossível pra qualquer pessoa normal não ficar momentaneamente chocada com suas sobrancelhas exóticas e com o sinalizador de longa distância que Ichigo tem na cabeça – a baixinha falou, divertindo-se com as expressões indignadas dos dois.
— Ei! – Os dois ruivos exclamaram juntos, mas todos, até Rukia, se calaram em espanto ao ouvir Byakuya rindo, por mais discreto que fosse.
Byakuya Kuchiki estava rindo!! E das brincadeiras bobas de sua irmã, tenente e cunhado. Logo ele silenciou novamente e recuperou sua expressão séria, como se nada tivesse acontecido. Sabiamente todos os três preferiram não fazer comentários sobre o ocorrido, a fim de, para Renji e Ichigo, não arriscarem ter a Senbonzakura pressionada em seus pescoços em algum momento. Mas Rukia sorriu, um sorriso iluminado que os três ficaram felizes em ver.
— Bem... Acho que é uma boa hora pra pensarmos no almoço. Ichigo e Renji, vocês vão cuidar de tudo que aprontamos hoje cedo – ela disse.
— Sim! – Os dois responderam juntos, já seguindo as instruções de Rukia para preparar a comida.
******
Ichigo acariciou a barriga de nove meses da esposa com um sorriso no rosto enquanto a assistia dormindo contra os vários travesseiros que arrumara em suas costas para deixa-la confortável. Devia ser a primeira noite que ele realmente via Rukia dormir nos últimos dois meses, devido às várias vezes em que o crescimento dos bebês tornara quase impossível deixa-la confortável em alguma posição ao se deitar. Geralmente ele a observaria enquanto afagava seus cabelos e sussurrava baixinho para ela qualquer palavra que sabia que a confortava ou que a faria adormecer sorrindo, até que ele mesmo pegava no sono abraçado a ela. Mas não hoje. Hoje o sono resolveu deixa-lo e se transferir para Rukia, que conseguira dormir rapidamente, talvez pelo sono acumulado das últimas noites que tinham sido as mais difíceis, apesar dela conseguir tirar vários cochilos sentada no sofá ao longo do dia, ou contra o peito do marido quando sentava-se entre suas pernas para que ele pudesse abraça-la e brincar com os bebês enquanto os pequenos chutavam contra a pele da mãe.
Ichigo sorriu, satisfeito que a falta de sono lhe permitisse velar o descanso de seu anjo. Ele já dissera isso a ela, que ela parecia um anjo. Rukia era o ser mais lindo do mundo para ele, inclusive dormindo. Quando acordava na madrugada com ela aninhada entre seus braços, o torpor do sono às vezes o fazia realmente pensar que estava abraçando um anjo em algum sonho divino, e tal era sua alegria ao despertar pela manhã totalmente atento e lembrar-se que era sua esposa. Mais uma vez acariciou a pele alva de sua bochecha com o polegar, afastando uma mexa de cabelo negro de seu rosto, seu cabelo agora com quase o mesmo comprimento de quando se conheceram. Seu tamanho pequeno e os olhos violeta, tão incomuns e belos, a faziam impossivelmente adorável, tanto quanto a faziam se parecer um pequeno diabinho quando ela se enfurecia com ele por alguma coisa. Ichigo já lhe dissera isso também, e apanhara logo em seguida. Ele riu com a lembrança.
— Como você não se pareceria um anjo desse jeito? – Sussurrou ao beijar suavemente seus cabelos.
Sua mão deslizou outra vez pela barriga da esposa, sentindo movimentos leves sob o tecido da camisola lilás.
— Ei, deixem a mamãe dormir. Ela precisa de toda a energia dela pra quando vocês decidirem que a hora chegou – falou baixinho para os bebês, ficando surpreso quando o movimento suavizou até realmente parar – Bom... Ajudem sua mãe. Ela está cansada, e finalmente conseguiu dormir um pouco.
Aproveitando a paz daquela noite e o repouso tranquilo de sua shinigami por mais alguns minutos, Ichigo finalmente sentiu o sono chegar e fechou os olhos, adormecendo sem imaginar que seu descanso não duraria muito.
******
— Ichi...
Ainda adormecido, Ichigo mal registrou uma mãozinha acariciando seu rosto com urgência.
— Ichigo!
Ele abriu os olhos quando a voz de Rukia chegou a seus ouvidos.
— Desperte!
Ele acordou de vez quando o tom de voz dela o preocupou, e pela luminosidade do quarto percebeu que a madrugada dava os primeiros sinais de estar acabando.
— Você está bem? – Ele perguntou, sentando-se ao lado dela.
— Estou me sentindo estranha.
— Estranha como?
— Não sei... Achei que eram os bebês chutando, mas... Parecem mais pancadas no meu ventre. Eles estão quietos demais inclusive.
Ichigo respirou fundo tentando pensar. Seu pai lhes dissera que quando o bebê diminui drasticamente os movimentos, pode ser um sinal de que está se preparando para o parto.
— Você acha que...?
— Talvez... Minha bolsa não estourou e não sinto dor ainda, mas incomoda.
— É melhor irmos pra clínica. Mesmo se for um alarme falso, caso não seja, estaremos mais prontos. Você concorda?
Rukia refletiu por alguns instantes.
— Sim. A mala das crianças... E a minha.
— Estão prontas há dias, eu verifiquei tudo ontem – Ichigo disse apontando para a bolsa de maternidade lilás em cima da cômoda, e uma azul clara menor com roupas e outras coisas para Rukia.
— Perfeito. Vamos trocar de roupa.
Ele assentiu, levantando-se imediatamente e pegando roupas para os dois, ajudando Rukia a se trocar e depois fazendo o mesmo. Levou a esposa no colo para o andar debaixo e depois buscou tudo que precisariam.
— Você quer comer alguma coisa antes de irmos? Apesar de que tenho certeza que Yuzu não vai dormir e vai ficar de plantão pra nos ajudar quando souber.
— É verdade – ela sorriu ao imaginar Yuzu saltitando de felicidade e ansiedade – Mas estou bem, temos tempo pra comer.
Ichigo insistiu que ela permanecesse sentada enquanto ele aprontava rapidamente um café da manhã para os dois, e ligava para seu pai e Isane enquanto Rukia comia.
— Você acha mesmo necessário mobilizar todo mundo agora? E se for um alarme falso?
— Você já está com nove meses, pode não ser um alarme falso. E são as instruções, notificar Isane a qualquer sinal estranho ou que não tenhamos certeza. Ela disse que vai se preparar com Kiyone, e seja ou não hoje ela virá te ver. Meu pai está vindo nos buscar pra adiantar.
Pouco depois de terminarem de comer e arrumar a cozinha, Isshin tocou a campainha e Ichigo agradeceu mentalmente por ele não ter vindo numa ambulância ou fazendo algum de seus shows espalhafatosos. Os dois colocaram os pertences de Rukia e dos bebês no carro, não sendo necessário Ichigo levar nada para si mesmo, uma vez que mantinha roupas e outras coisas suas em seu antigo quarto na casa do pai.
— Como está se sentindo, Rukia-chan? – O velho shinigami perguntou num tom carinhoso que fez Ichigo sorrir, lembrando-se que ele também falava assim com Masaki quando queria confortá-la ou mimá-la, o ruivo estava grato por ter herdado isso dele, ao menos Rukia fazia questão de sempre lembrá-lo disso quando reclamava dos escândalos dramáticos de seu pai.
— Bem, apesar de apreensiva e do incômodo físico.
— Sente dor?
— Ainda não. Mas o incômodo aumentou nos últimos minutos. Talvez não seja mesmo um alarme falso.
Ichigo reclinou a cadeira ao lado do motorista para que a esposa pudesse seguir mais confortável até seu destino, e dirigiu no lugar Isshin, enquanto seu pai ficava no banco de trás, onde seria bem mais fácil ajudar Rukia do que dirigindo se fosse necessário, apesar da curta distância do percurso.
Quando chegaram à casa dos Kurosaki, uma Yuzu comovida de alegria, com lágrimas nos olhos e saltitante, como Rukia previra, abriu a porta para eles, e ouviram as vozes de Isane, Kiyone, Karin e mais alguém conversando em algum lugar.
— Nossa, chegaram rápido – Ichigo comentou.
— Onii-chan!! Rukia-chan!! Eu vou ser tia!! – Yuzu pulou até o irmão para se jogar contra ele num abraço, não querendo arriscar machucar Rukia.
Ichigo a pegou num susto, mas riu e abraçou sua irmã de volta, bagunçando seu cabelo e a colocando no chão.
— Ei, assim parece que quem vai ter o bebê é você – o ruivo falou.
— Rukia! Precisa de alguma coisa? O que eu posso fazer?!
Rukia sorriu para Yuzu.
— Por enquanto só preciso me sentar. Ainda não começou realmente.
Yuzu a levou até a cozinha, de onde vinha o som de conversa, e Isshin olhou para Ichigo, aproveitando que estavam sozinhos para irritá-lo com suas provocações.
— Finalmente nosso filho desencalhado vai nos dar netos, Masaki!!! – Ele exclamou mais baixo do que de costume, por ainda ser tão cedo e para não incomodar Rukia – Eu achei que esse dia nun...
Ichigo o observou emburrado quando Isshin calou-se e caiu ao ser acertado por um soco.
— Mas nem hoje? Você não se emenda.
Após a implicância ele olhou para o filho com seriedade, mas sorrindo.
— Isso me traz muitas lembranças, filho. Lembranças muito boas. É a sua vez agora, e quero que saiba que estamos todos com você. Mesmo sua mãe. Não importa o que aquele bastardo tenha dito sobre os quincies.
Ichigo sentiu lágrimas queimarem em seus olhos ao ouvi-lo, apesar de não deixá-las cair. Estava feliz por ouvir isso de seu pai, e por lembrar de sua mãe agora. Tentou não pensar em como ficariam felizes se Masaki e Hisana pudessem conhecer os netos e sobrinhos, ao invés disso desviou seus pensamentos para a curiosidade que ele e Rukia tinham em saber se seus gêmeos se pareceriam com as duas, ao menos um pouco.
— Obrigado, velho – respondeu sorrindo – Queria que ela estivesse aqui.
— Eu também, Ichigo – respondeu colocando um braço sobre os ombros do filho enquanto observavam juntos a imagem de Masaki.
Isshin pensou em mil maneiras provocativas e irritantes de respondê-lo por chamá-lo de velho, mas hoje não. Hoje o dia era de seu filho, nora e netos, e contentou-se em sorrir junto com ele para o pôster de sua esposa.

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