Notas iniciais
Muito obrigada é muito pouco para dizer à vocês, minha companheiras e amigas. Nós caminhamos juntas, nos conhecendo e vivendo essa linda história de amor. Tenham a certeza de que minha maior inspiração foi cada comentário, cada elogio e cada crítica de cada uma. Espero estar de volta em breve com uma nova história pra vocês. Mil beijos, um natal abençoado e um ano novo cheio de luz e boas energias!

03 meses depois...

Oh Meu Deus, esse sítio dá tanto trabalho! Graças a Deus por ter Dona Orlanda e a faxineira de minha mãe pra ajudar! Hoje é domingo e será nosso primeiro almoço em família. Mas agora, vendo o trabalhão que dá um grande almoço, eu juro que desistiria fácil.

– Mãe! Eu não sei o ponto desse negócio!

– Filha, fique calma. É só esperar o molho engrossar um pouco.

– GGGRrrrrrrrrrrrr. Eu não sei cozinhar messssssssssmo.

– Quem mandou nunca querer aprender anter.

– Eu não sabia que ia casar tão cedo!- Termino passando a mão na testa. Estamos todas na cozinha preparando mil coisas: carne de porco ao molho de maracujá, arroz temperado, uma imensa salada, cheesecake de sobremesa.

– Olha aqui Vali, a próxima vez que me convidar só porque sei fazer doces eu te mato! – Polly reclama enquanto faz a torta.

Eu juro que queria ser homem nessas horas. Os bonitos estão todos lá fora, batendo papo e tomando cerveja. Na próxima vez será churrasco, assim coloco todos eles pra trabalhar! Nesse momento escuto um chorinho e uma imensa satisfação me atinge. Não, não é porque amo Caio e ele acordou, é porque ele acordou e agora vai deixar os homens doidos.

– Amorrrrrrrrrrrrrr! Marcossss! – Eu grito e logo meu delicioso – e folgado – marido aparece.

– Nossa, o que foi menina? – Ele pergunta, tomando um gole da cerveja gelada que me dá água na boca.

– Alguém acordou...

– E?

– E que você vai pegar ele e levar lá pra fora. Tomem conta dele! Estamos muito ocupadas! – Escuto risinhos das meninas e seguro para eu mesma não gargalhar.

– Mas Valentina, nós estamos bebendo!

– Então parem de beber! – Vou até ele, pego seu copo e viro. Hum, delícia. Aponto para o quarto de Caio, que agora está berrando. – Vai já lá Marcos!

Ele vai e demora. Sei que deve estar dando banho, trocando fralda e tudo mais. Nós caímos na gargalhada na cozinha.

– Oh mulherada, vamos ser felizes também! – Diz Polly pegando uma cerveja geladinha e copos. Eu vou até o aparelho de som e coloco um country animado e a cozinha pega fogo! Vejo Marcos passar com Caio e sua mamadeira na mão. Ele vai até o quintal e coloca o menininho no colo de Miguel que arregala os olhos e entrega a mamadeira. Todas nós que estamos espiando caímos – de novo – na gargalhada.

Algum tempo depois, já almoçamos e estamos papeando em volta da mesa. Claro que Caio agora está com Dona Orlanda. Sinto meu estômago revirar e acho estranho. Não falo nada a ninguém. Continuamos o papo e meu estômago revira mais forte. Acho que bebi demais. Deixo a cerveja e vou pegar uma água, quando fico realmente tonta e enjoada. Aos trancos corro para o banheiro colocando todo o almoço para fora. A porta abre e é Polly.

– Meu Senhor, eu estava certa! – Ela está branca e com as mãos na boca.

– Que porra de estava certa é essa? Tá louca? Sai daqui! Odeio que me vejam vomitando.

– Valentina, meu amor, sua menstruação está em dia?

– Não, mas nunca é regulada.

– Sente aí que já volto.

Alguns segundos depois, ela volta esbaforida e com um pacote na mão.

– Faça esse teste agora! Ele pode ser feito a qualquer hora do dia.

– Ai, Pollyanna. Você me cansa Às vezes, sabia?

– O que custa? Olha, eu sonhei que você estava grávida essa semana e fiquei muito encucada. Não me pergunte o porque. Só comprei alguns testes e trouxe hoje.

– Alguns? – Olho incrédula para ela.

– É... Pare de me olhar assim e faz essa porra logo!

Irritada, é claro, eu faço o que ela pediu. Esperamos os minutos pedidos na embalagem e... Dois risquinhos. O que significa? Merda! Merda!

– Quero outro agora Pollyanna.

– Tá aqui. – Ela ainda não comenta nada, mas já existe um projeto de sorriso em seu rosto.

Faço mais um. E outro. E todos dão o mesmo resultado. Grávida. Grávida. A idiota está grávida com 03 meses de casamento e um bebê pra criar. Grávida. Polly está dando pulinhos e batendo palmas.

– Que liiiiiiiiiiiindo! Eu sabia! Eu sabia! Quando cheguei vi que tinha engordado um pouquinho, mas é chato falar. Você estava mais sábia com Marcos do que nunca e sua paciência está ótima. Você não está normal, mas eu não queria brigar. E...

– Cala a boca Pollyanna. – Minha voz saiu baixinha. Eu levantei e fui até o espelho. Minhas mãos foram até minha barriga. Tem um pequeno ser aqui. Bem aqui. Todo o pânico foi substituído por uma sensação quente e boa. Senti meus olhos lacrimejarem. Minha amiga, em silêncio me abraçou. O choro saiu... Mais forte, mas agora molhando meu sorriso.

Uma batida forte soa na porta. – Está tudo bem? – É meu peão. Oh Meu Deus, ele vai ficar bravo! O que eu faço? Olho para minha amiga assustada.

– Fique calma Vali. – Ela abre um pouquinho a porta e fala com Marcos. – Compadre, eu preciso que você seja amoroso agora. Certo?

– Que porra tá acontecendo aí! – A Voz dele se altera. – Cadê minha mulher? Valentina!

– Você é surdo! – Grita Polly.

– Deixe ele entrar Polly. – Eu digo baixo e me sento na privada fechada.

Polly abre a porta e começa a sair, mas não sem antes dar um soco no ombro de Marcos e fazer uma cara bem feia. Ele entra e ajoelha em minha frente.

– O que está acontecendo amor?

– Olhe, eu não planejei nada. Tomei certinho meus remédios. Fiz tudo certo, mas...

– Valentina? Direto ao ponto por favor.

– Peão, eu... – eu não consigo terminar a frase. Ele vai me matar! Levanto e saio do banheiro, indo para a sala. A casa está vazia, todos estão lá fora. Deve ser obra de Polly. Marcos vem atrás e me vira de frente para ele, segurando meu ombro.

– Pare com isso agora e me diga o que está acontecendo. – Sua voz é grossa. Merda, ele está bravo. Olho para ele assustada e minhas mãos descem instintivamente para a barriga. Ele para por um segundo. Suas sobrancelhas se unem. Ele olha para minhas mãos na minha barriga e devagar sobre o olhar para mim. Seus olhos marejam e sua expressão se transforma. Um imenso sorriso enfeita seu rosto e ele cai de joelhos diante de mim. Beija minha barriga com adoração e me olha com um amor que nunca imaginei sentir. Ele gargalha e segura minha barriga. Levanta de uma vez, me pegando no colo e me girando no ar. Logo a sala está cheia de gente, todos com olhares curiosos.

– Pare Marcos, pelo amor de Deus! – Eu grito desesperada.

Ele me coloca no chão rápido e eu corro pro banheiro. Ah, que beleza. Quando volto estão todos comemorando. Meus pais estão chorando e me abraçam. Meus amigos estão radiantes. Dona Orlanda me beija, brincando que adorará ter trabalho em dobro. Pego Caio no colo. É uma sensação tão pura.

– Você terá com quem brincar, meu amor. – Marcos nos abraça e me beija. Olho a minha volta. Toda minha família. Meus amigos. A minha vida toda dentro de uma sala. Minha família. A família que estou criando. As mil emoções dentro de mim se acalmam. Uma linda certeza me atinge: É assim que deve ser. E não quero que mude nunca mais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!