Debaixo Do Pôr Do Sol
22 Capítulo 22
Notas iniciais
E agora? Para quem vocês irão torcer?
Ai, ai, ai...
– Valentina, você está melhor? – Miguel pergunta com ar preocupado. Faz pouco mais de 01 hora que saímos de casa.
– Estou sim. Acho que ficaria mais feliz se comesse algo. – Ele realmente me acalma. E percebo que estou há muito tempo sem comer.
Paramos em um restaurante de onde sai um cheiro maravilhoso. Entramos, fazemos nosso pedido e procuramos uma mesa, mas não há nenhuma livre.
– Vamos comer no carro! Assim ouvimos música também. – Eu sugiro. Ele sorri imensamente, parecendo um garoto. Não tem maneira de não sorrir de volta.
Entramos no carro, deixando as portas abertas. Começo a fuçar em seus CDs até achar um do Nirvana, que coloco para tocar.
– Meu Deus, eu já disse como amo seu gosto musical Vali? – Ele diz, com a boca cheia.
– Já, Miguel. Aliás, é só por causa disso que somos amigos, lembra?
Ele me olha por um tempo, um olhar travesso.
– Bem, não é bem por isso, mas contou bastante.
Sinto meu rosto esquentar e volto para meu lanche. Terminamos de comer e voltamos para a estrada falando sobre bandas, músicas e outras amenidades. A viagem acaba passando mais rápido do que imaginei. Chegamos a sua casa e fico contente com o que vejo. Pelo dinheiro que ele tem, achei que seria algo bem ostensivo, mas a casa na qual chegamos é linda, com uma imensa varanda e muito simples. Entramos e fico mais feliz ainda. Nem mesmo a decoração é “coisa de rico”. É tudo normal e aconchegante. Descemos as bagagens e ele mostra meu quarto.
– Precisamos ir ao supermercado. Não tem nada pra comer aqui. – Ele diz, coçando a cabeça.
– É verdade. Melhor fazermos uma lista?
– Eu sou muito gastão no supermercado. A lista ajudaria a me controlar.
– Bem, vou colocar uma roupa leve e vamos, que tá um calor danado aqui.
Quando saio do quarto ele está sentado no sofá de bermuda, chinelos e sem camisa. Oh, Deus. Tão lindo. Bem que eu poderia me apaixonar por ele. Meu coração lembra-se de certo chapéu e se aperta. Eu tento enviar o pensamento para longe. Ele me olha e seu rosto se ilumina. Ele fica tão jovem sorrindo assim.
– Acho que vou gostar de te ver de biquíni todos os dias. – Seu rosto está completamente divertido. Eu pego uma das almofadas e jogo nele.
A compra é mais engraçada do que deveria. Ele realmente é muito divertido. Talvez esteja tentando me fazer esquecer e pelos momentos em que estou rindo, dá certo. Ele é um bálsamo de alegria para o meu coração ferido.
Voltamos para a casa e resolvemos fazer um jantar de boas-vindas. Ele vai para o fogão e eu arrumo a mesa e coloco uma música.
– O que vamos beber moreno?
– Trouxemos vinho gata. Pode pegar. Sabe abrir?
– Tá me tirando, seu sem graça!
Escolho um vinho branco e sirvo em copos normais que têm na casa. Sento no canto da pia onde ele está trabalhando. Ele para por um segundo, seus olhos passando pelos meus tornozelos, pernas expostas pelo short jeans, barriga, seios envoltos apenas no sutiã do biquíni e rosto. Ele fica vermelho ao olhar meus olhos e volta a trabalhar nos legumes. Eu acho graça e dou risada.
– Qual a graça Valentina? – Ele pergunta ainda envergonhado, mas com um traço de sorriso nos lábios.
– Você é a graça Miguel.
Ele termina o jantar e acabamos comendo em pé na cozinha, rindo e brincando. Quando vamos dormir, estou exausta, mas com o coração mais leve.
Acordo com um imenso calor. Ah, esse ar de praia me faz sorrir imensamente. Eu simplesmente amo praia. Levanto animada, tomo um banho e preparo uma grande mesa de café da manhã. Pelo menos café eu sei fazer. Troco-me e espero por Miguel. Nada de acordar. Olho no relógio e já são 10h! Estou morrendo de fome e estamos perdendo o dia. Dou uma batidinha na porta do quarto dele que se abre. Ele está lindo dormindo, com o lençol tampando seu bumbum, mas o resto do corpo moreno aparecendo. Não me contenho e me aproximo da cama. Pego a pontinha do lençol e começo a fazer cosquinha em seu ouvido para acordá-lo. Muito rápido, ele vira, me pegando pela cintura e jogando na cama, até ficar montado em mim. Ele está rindo e eu também.
– Bom dia, sua danada. Isso é jeito de me acordar?
– Ah, Miguel. São 10h! Estou morrendo de fome e estamos perdendo um lindo dia. Vamos! – Faço bico para ele que ri de mim.
– Sabe que eu tenho outra experiência em meu currículo além de logística? – Faço que “não” com a cabeça e rindo ainda. – Pois é. Olha só! – Ele ataca minhas costelas e eu gargalho até perder o ar.
– Por favor, Miguel! Pare! Pare! – Ele ri de mim e cai de lado na cama.
– Por que você não comeu? Está me esperando para fazer o café? – Ele faz cara de quem está tentando me irritar. No mínimo ele pensa que não sei fazer sequer um café. Resolvo manter a surpresa da linda mesa que preparei.
– Você tem que me alimentar moreno. Sabe que sou péssima na cozinha.
Ele sorri, beija minha testa e entra no banheiro. Vou para a sala colocar uma música e colocar as coisas de geladeira na mesa. Ele chega e para na porta, com cara de espanto.
– Quem diria não? Só falta o café gatinha? – Ele pergunta vindo em minha direção. Vou até a pia e pego a garrafa de café fazendo toda uma cena. Ele ri e me dá um pequeno beijo. Nada mais que um selinho. Não o repreendo. E não sei bem o porquê. Ele sorri e me puxa para a mesa.
Uma hora e meia depois estou esticada na areia da praia. Ah, a sensação é tão boa. Miguel chega com caipirinhas e uma porção de camarão. Está tudo sendo muito fácil com ele. Penso sempre em Marcos, mas no mesmo instante procuro afastá-lo da minha mente. Dói demais. Passamos o dia leve. Voltamos para casa por volta das 16h. Vou tomar um banho e tirar um cochilo. Acordo com cosquinhas na sola do pé e sorrio.
– Oi menina linda. Você dormiu demais.
– Que horas são?
– 19h. Arrume-se que vamos sair para jantar.
– Onde?
– Tem um restaurante de frutos do mar que sou amigo do dono. É simples, mas a comida é maravilhosa.
– Hum... Tá bom.
No restaurante o jantar é delicioso. Cada dia vejo um lado diferente de Miguel, sempre um lado melhor. Voltamos para casa um pouco embriagados já.
– Ei, vamos ouvir um pouco de múxica. – Minha fala sai enrolada.
– Não! Agora não é hora. – Miguel se joga no sofá.
– Eu quero danxar Miguel. Vem! – Ligo o som e está tocando uma balada que não conheço. Puxo-o do sofá e quase caímos. Começamos a dançar. A música nos envolve e logo o clima de brincadeira acaba. O ar fica mais pesado e tenso. A dança está cada vez mais íntima e nem sei o que toca no rádio. Ele fica bem próximo a mim, nariz com nariz. Para de dançar e me olha nos olhos. Enfia as mãos em meu cabelo, arqueando meu pescoço. Meu coração acelera e a respiração falha.
– Valentina... – Sua voz é arrastada. – Acho melhor irmos dormir. – Mas ele não me solta.
Faço que “sim” com a cabeça, sem sair de seus braços. Ele roça o nariz no meu e me dá um pequeno beijo doce nos lábios. Me pega no colo e leva para meu quarto. Meu coração parece que vai explodir de expectativa. Ele deita-me na cama e me dá outro pequeno beijo, sussurrando “boa noite”. Vira e sai do quarto fechando a porta.
Oh Meu Deus. Eu estou completamente quente e excitada. Senti toda a excitação dele também, e fico me perguntando com ele se segurou. Essa viagem vai ser complicada.
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