Debaixo Do Pôr Do Sol
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Logo de início já temos 03 recomendações da fic... #emocionada.
Dani Toledo - Amei a recomendação e fico muito engrandecida por ter você como fã das minhas fics. Obrigada de coração por todo o carinho!
Karla Daniele - Você é uma fofa! Sua recomendação foi uma graça, amei!!! :D
Também quero dizer que estou super feliz em ver que mais das minhas leitoras lindas das outras fics estão por aqui comigo.
Amo vcs !
A noite foi bem dormida graças a todas aquelas cervejas. Acordei com uma baita dor de cabeça e o estômago todo revirado. Fui trabalhar com aquela cara de panda – uma gigante olheira. Sentei em minha cadeira e escorei a cabeça no encosto. Ouvi o toc-toc de saltos e preparei-me para ficar um pouco mais irritada.
– Parece que a funcionária exemplar passou a noite de ontem na farra. O que será que nosso chefinho vai achar disso? – Abri um pouquinho os olhos e vi Rosana encostada na minha mesa. Detestável é, definitivamente, a palavra dessa mulher.
– Pergunte pra ele. Azia. – Fechei os olhos de novo.
– Eu vou mesmo. E vou falar que você não está nem um pouquinho vestida de acordo, para um dia de trabalho em um escritório. – Suspirei. Nisso ela tinha razão. Eu peguei uma calça de moletom preta da Polly, justa no quadril e boca de sino. Uma camiseta cinza, recortada de forma a deixar o ombro esquerdo à mostra, escrito RAMONES em rosa, com a alça do sutiã preto aparecendo e tênis.
Fiz sinal para ela ir embora com a mão, como quem toca um cão sarnento. Ela bufou e saiu pisando duro. Bom, meu dia estava ótimo até ali. Uma ressaca da porra, uma imbecil me enchendo o saco e um homem que não sei se é meu namorado mais. Tuuuuuuuuudo bem.
Ergui a cabeça, coloquei meus óculos gigantes que nunca usava, mas nesse dia esqueci-me de colocar as lentes de contato e mergulhei, mais uma vez, no trabalho. Essa sempre é minha válvula de escape.
Cerca de uma hora depois recebo uma ligação da Amanda, secretária do meu chefe.
– Bom dia Valentina.
– Bom dia Amanda... – Minhas sobrancelhas estão juntas. Ela nunca me liga!
– O Sr. Ramirez quer vê-la em sua sala agora. Poderia vir até aqui?
Oh Meu Deus? Logo hoje? Aquela vadia deve ter dito algo para ele. Certeza! Sr. Miguel Ramirez é o nosso Gerente-Geral da unidade de Campinas. Ele NUNCA fala com funcionários e só o vejo nas reuniões gerais com todos os funcionários no final do ano, onde ele discursa. A maioria das mulheres da empresa morre por ele, mas eu realmente o acho meio metidão. Agora, imagine ele me vendo nesses trajes? Ele vai olhar e grita “Rua!”, apontando a porta.
– Amanda, não poderia ser no período da tarde? Eu estou terminando um grande faturamento e ...
– Valentina, ele não parecia muito feliz. Acho melhor não contrariar.
– Tudo bem. Estou indo.
Cogitei a ideia de passar no banheiro dar uma arrumada em mim, mas logo descartei. Ele que se foda! Eu sempre fui a que mais trabalhei nessa porra de departamento. Posso ter um dia de estresse depois de 03 anos de trabalho direto e com míseras férias de dez dias. Ergui os ombros, empínei o queixo e a bunda e fiz minha marcha de tênis até sua sala. Quando entrei na visão de Amanda, ela assustou e fez sinal de indignação com a cabeça. Isso quase me desabou.
– Posso entrar? – Perguntei.
– Venha. – Ela levantou e caminhou à minha frente até a sala. Bateu na porta e a abriu um pouquinho.
– Senhor, a senhorita Valentina está aqui.
– Pode deixá-la entrar Amanda. – Uma voz grossa a respondeu. Pronto, é meu fim.
Amanda afastou abrindo mais a porta e deu-me passagem. Entrei gesticulando um “obrigada” com os lábios para ela. Quando olhei para frente eu engasguei. Sr. Ramirez estava realmente divertindo-se comigo. Seu rosto exibia um sorriso sarcástico.
– Sente aqui Valentina. – Apontou a cadeira à sua frente.
Eu fui e sentei de bom grado. Minhas pernas tremiam e dentro de mim minha alma gritava “Ah Meu Deus, meu emprego! Ah Meu Deus, meu emprego! Ah Meu Deus, meu emprego!”.
– Você imagina o porque de estar aqui Valentina? – Seu tom era sério, mas percebi que tentava esconder a diversão com minha situação.
Da melhor forma que pude me mantive ereta, enfrentando seu olhar o que não era tão difícil. Ele é realmente lindo. Tem todos os traços de um latino quente, moreno, de cabelos grossos e um pouco cacheados e olhos verdes. Uma boca larga de um sorriso todo branquinho contrastando com a pele bronze. Ainda assim, ele realmente não me dá calafrios.
– Sim senhor, eu imagino.
– E o que tem a dizer em sua defesa?
– Nada.
– Nada? – Ele perguntou, com as sobrancelhas erguidas.
– Eu realmente acho um desperdício de tempo alguém reclamar de minhas vestimentas, quando deveria estar fazendo seu trabalho, assim como eu estava.
– Nisso você tem razão. O que você faz aqui para nós exatamente Valentina? – Cretino! Ele nem sabe quem sou o que faço.
– Faturamento, emissão de notas, controle do carregamento, estoque...
– Bom, então você faz tudo na operação logística? – Ele perguntou sem entender bem.
– Digamos que ajudo de todos os lados que posso senhor. – Pela primeira vez no dia, surgiu um sorriso genuíno em meu rosto.
– Meu Deus! Agora eu sei quem é você!
– Hum? – Fiquei sem entender.
– Você é a que chamam de mini-gerentinha! – Ele abriu um sorriso que podia iluminar a sala toda. Ele é realmente muito bonito.
– Eu não achei que essa gracinha dos meninos teria chego até o senhor.
– Eu sempre quis a conhecer, mas não fico muito na operação. E você e seu coordenador são os únicos que nunca sobem até o administrativo trazendo problemas. Por isso nunca te vi. Aliás, o Gerson sempre diz que nunca precisa fazer isso por ter você por perto.
– Problemas devem ser resolvidos senhor. É isso que faço. Sua responsável pelo RH também deveria resolver seus próprios problemas ao invés de importunar a gerência com tão pouca coisa como minhas roupas.
Ele balançou a cabeça, pensando. Colocou os dedos indicadores nos lábios e fitou-me por cerca de um minuto.
– Posso voltar ao meu trabalho senhor?
– Pode sim menina. Aliás, quantos anos tem?
– 24 senhor.
– Volte para sua mesa Valentina. Ah, eu adoro Ramones.
Senti meu rosto esquentar e esbocei um sorriso. Voltei para minha mesa, não sem passar pegar um imenso café antes. Como sempre, eu tinha mil coisas para resolver e ocupei minha cabeça. No fim da tarde, surgiu um e-mail inesperado em minha caixa de entrada.
Assunto: Boas Bandas.
Boa tarde Valentina,
Eu realmente não tenho muita companhia para shows de boas bandas. Gostaria de fazer um convite: amanhã terá uma banda cover dos Ramones em um bar que gosto muito.
Iria comigo?
Aguardo a resposta.
Miguel Ramirez
Gerente-Geral – Unidade de Campinas/SP
Hermam & Hermam Indústrias S/A
E agora? Como assim? Meu gerente está realmente flertando comigo? É isso? Olho para o céu perguntando mentalmente “Ei! Meu dia já não tava zuado o suficiente? Tá de brincadeira?”. Resolvo responder o e-mail somente amanhã e vou para a faculdade. Graças a Deus, que resolveu me dar uma folga, Juliano não veio hoje. Decido ir embora no intervalo, pois ainda preciso falar com meu peão. Meu estômago contorce.
Chego em casa e mando uma mensagem.
*Precisamos Conversar.
*Que horas chega da faculdade?
*Estou em casa.
*Venha até a minha para termos privacidade.
Chego e ele está esperando na porta. Paro assim que o vejo. Ele está só de calça jeans agarradas àquelas coxas, botas e cinto. Braços cruzados e boné. Lindo. Todo meu corpo se arrepia. Caminho até ele devagar. Paro bem pertinho dele, com os braços para trás.
– Oi. – Digo e sai com uma voz quase infantil.
– Oi menina valente.
Não resisto, e um sorriso aparece em meu rosto. Ele abaixa a cabeça, já sorrindo e a balança.
– O que eu vou fazer com você Valentina? – Sua voz é baixa e rouca.
– Eu não sei peão.
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