Notas iniciais
Oi pessoas!!!!!Espero que estejam gostando da história. Para quem gosta, também escrevi a fic "Dona de Mim" e estou publicando na "Entre Nós" que é uma continuação.Bjs

A semana toda foi a grande correria de sempre: acordar – trabalhar – estudar – dormir. Eu nem sequer via meus pais. Quando enfim chegou a sexta-feira eu fiquei feliz em saber que não teria que acordar cedo no dia seguinte e também não quis sair. Queria terminar de organizar minhas coisas. Depois de um banho e uma fruta de jantar, fui para meu cantinho de pensar para relaxar um pouco. Eu queria fazer algo diferente de ler, já que a faculdade havia cansado meu cérebro essa semana. Peguei meu celular e fui para a varanda que tinha uma imensa rede. Aqui as noites são sempre lindas, ainda mais no verão. Deitei na rede e coloquei alguma música. Fechei os olhos e me deixei envolver pelo momento.

Senti grandes braços passando por baixo de minhas pernas e costas e logo em seguida, um grande peito vindo de encontro ao meu corpo. Abri os olhos devagar tentando entender o que estava acontecendo e vi uma camisa xadrez vermelha. Quem usa isso Meu Deus? Ergui o olhar e vi aquele rosto másculo, com a mandíbula cerrada e rugas entre as sobrancelhas. Percebi que havia adormecido na rede.

– Onde você está me levando? – Perguntei ainda sonolenta.

– Para sua cama antes docê ganhar um problema de coluna naquela rede. – Ele abaixou o rosto e olhou pra mim com expressão de quem dá uma bronca.

Por um momento pensei em me debater e pedir pra me colocar no chão, mas esse colo é tão gostoso que resolvi fingir que ainda estou meio dormindo. Ele me levou até o sofá em meu quarto e me deixou ali um minuto. Tirou os lençóis da cama e colocou-me lá. Cobriu-me como uma criança e ia saindo do quarto quando uma pergunta escapou de mim:

– Por que me deixou flores hoje, Marcos?

Acho que ele não esperava pela pergunta, pois demorou cerca de 1 minuto para responder.

– Pedido de desculpas.

– Eram lindas, obrigada.

Vi um sorriso formar-se em sua barba por fazer. Ele esticou seus dedos compridos e coçou o queixo.

– A seu dispor, madame.

Senti um leve tom de ironia no que disse, mas ignorei. Ele foi embora, fechando as portas. Poucos minutos depois eu já havia adormecido.

Acordei no sábado com um pouco de dor nas costas. Logo lembrei da rede na qual cochilei e sorri. Apenas escovei os dentes e fui para a cozinha.

– Bom dia filha! – Meu pai estava passando um café e me deu um abraço e um beijo na têmpora.

– Bom dia pai. O cheiro está ótimo.

– Sente aí que estou fazendo um café da manhã reforçado para nós. Sua mãe saiu cedo para ir ao cabeleireiro.

– Oh, Deus. Ela nunca se cansa, não é? – Eu e meu pai rimos.

– Filha, vou andar com o Stone hoje e gostaria que você viesse comigo. A Leoa é sua...

– Como assim minha?

– Sua, meu amor. Quando a vi, ela me lembrou muito você. Não resisti, mesmo achando que talvez você nunca a montaria. Mas quando você foi até os cavalos aquele dia, meu coração ficou muito alegre.

– Pai, pai... eu vou me estabacar no chão! – Eu levantei os braços tentando provar o que dizia.

– Não vai não, eu prometo cuidar de você. E também confio no seu professor.

– É claro, como você não poderia confiar em si mesmo?! – Será que ele esquece como eu sou toda atrapalhada?

– E quem disse que estou falando de mim? Eu tenho outro professor pra você garota. Você ainda não conheceu meu assistente, Marcos, mas vai vê-lo hoje. Ele vai lhe ensinar a montar.

Não sei por que, mas minhas entranhas deram um nó, meu coração parou por um segundo, meus olhos arregalaram e meu queixo caiu. Patético.

– Por que essa cara mocinha? Se quer saber, ele é muito bom no que faz. É formado em Medicina Veterinária e trabalhou comigo no hospital. Era o melhor. Mas quando vi seu amor pelo campo, resolvi roubá-lo e trazê-lo para cá. Temos muitos outros bichos por aqui que você ainda não se deu o luxo de conhecer.

Totalmente no impulso, movida pela sombra daquele queixo debaixo daquele chapéu eu respondi:

– Eu vou pai.

Ele meio que engasgou com o café e arregalou os olhos para mim.

– Ual. Acho que o currículo do rapaz te ganhou. – É papai, o currículo, o queixo, a barba, o peito, as coxas...

– Bom, no seu quarto tem uma parte do guarda-roupa com roupas mais adequadas para o campo. Você vai reconhecê-las. Espero você em alguns minutos.

Ambos fomos nos trocar. Tomei uma ducha rápida e fui, com medo, avaliar as vestimentas dadas por meu pai. Logo encontrei. Várias camisas xadrez, várias camisetinhas pólo, algumas calças jeans num modelo tradicional. Ao lado, alguns cintos de couro com adornos no estilo country e logo pensei serem muito úteis para quem vai cavalgar e não quer pagar cofrinho. Peguei uma calça jeans, uma camiseta pólo rosa e um cinto caramelo com fivela de coração. Quando coloquei, percebi que ficaram muito melhores do que imaginei. Femininos. Puxei meu cabelo num rabo de cavalo – irônico – e fui atrás do que calçar. Oh Deus. Achei botas, que iam até pouco acima do tornozelo, ornamentadas em várias cores, baixinhas e com o bico redondo. Mais parecem botinas! Isso não é masculino? Bufei e enfiei uma rosa nos pés. Ai, que coisas mais difíceis de se colocar.

Desci as escadas e vi meu pai. Ele estava realmente bonito, com uma calça justa nos quadris e reta pelas pernas, uma camiseta polo verde, um cinto parecido com o meu, mas com uma fivela redonda, como a que vi no Marcos e botas quase iguais as minhas. Quando ele me viu, começou a gargalhar.

– O que? – Perguntei parada em sua frente de braços abertos.

– Venha aqui menina. – Ele me puxou até ele e agachou na minha frente. – A calça tem que ficar por fora da bota, e não dentro. Só quando for sair e usar uma bota de bico fino que colocará a calça por dentro.– Ele arrumou a calça por fora.

– Mas qual a graça de ter uma bota toda enfeitada e não mostrar?

– Eu não sei princesa, mas é assim que é.

Peguei sua mão e fomos em direção às baias. Logo eu o vi. Todo trabalhado na calça justa, com aquelas coxas. Oh, glória.

– Bom dia Doutor. Bom dia senhorita, dormiu bem? – Ele sorriu deixando claro sua ironia.

– Você deve ser o Marcos que meu pai disse. Bom, Marcos, eu confesso que tive uma noite péssima e cheia de pesadelos. Devo ter visto algo muito feio pra sonhar com tudo aquilo.

Ele sorriu como se nada do que eu disse o atingisse. Meu pai ficou pairando o olhar entre eu e Marcos tentando entender essas palavras.

– Bom, não sei o que está havendo aqui, mas sei o que viemos fazer. Você arriou os cavalos? – Ele perguntou para o Marcos.

– Sim, Doutor.

Meu pai foi até o Stone e o montou com tranquilidade.

– Vou dar um passeio e deixar você trabalhar com minha princesa. Cuide dela.

– Farei o meu melhor.

Meu pai saiu em cavalgada e eu fiquei encantada por ele. Ele fluía em cima do cavalo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

– Oh, cara, eu queria montar assim... – Falei mais para mim mesma, mas acho que Marcos ouviu.

– Venha menina. Com alguns dias você estará assim também.

Fomos para uma área atrás das baias, onde Leoa já me esperava. Quando me aproximei, ela novamente me reverenciou.

– Nossa, ela gosta mesmo de você. – Marcos disse espantado. Sorri para ele e caminhei até ela. Abracei sua enorme e linda cara branca e ela soltou um som de satisfação.

– Olá, minha menina. Vamos passear um pouco? – Ela chacoalhou sua crina e se colocou em posição. Instintivamente eu dei a volta nela e subi na cela. Deitei sobre seu corpo e a abracei. Ela olhou para mim como quem diz “também gosto de você”. Marcos veio até minha direção.

– Você tem certeza de que nunca fez isso? Nunca vi ninguém montar numa cela sozinha assim antes e muito menos interagir com o animal. Você está... linda.

Por um momento nossos olhares ficaram fixos e eu me senti derreter por dentro. Depois de alguns segundos de devaneio, lembrei que queria cavalgar.

– É, hum, Marcos, o que eu faço agora?

Ele chacoalhou a cabeça como tentando sair do seu próprio devaneio.

– Como é seu nome menina?

– Valentina.

Ele sorriu ao ouvir meu nome, mas não parecia gozação.

– Hãn, Valentina, pegue a rédea. – Eu peguei. – Agora você vai chacoalhá-la, dando a ordem para o animal andar.

– Leoa, vamos? – Sim, eu falei com o cavalo. Ela chacoalhou a crina como quem faz uma afirmação e se pôs a andar. Senti um imenso sorriso formar-se em meu rosto. Ouvi um “Incrível” sair da boca do meu professor. Continuei conversando com Leoa e ela me entendia muito bem. Logo estávamos galopando e em total sintonia. Quando paramos, olhei para ele e ele estava apoiado no brete, com o queixo apoiado nos braços e em total admiração.

– Ei, cowboy! Que tal uma volta? – Ele ergueu as sobrancelhas para mim e depois riu.

– Acho que topo um passeio. Vou pegar meu cavalo.

– E você tem um só seu?

– Sim. – Ele sumiu nas baias e eu fiquei passeando e papeando com minha nova amiga por ali. Quando ele reapareceu e eu não pude me espantar com a ironia.

– Ah, qual é? – Joguei as mãos para cima em frustração e minha linda menina mostrou que não gostava muito da companhia também, virando de costas.

– O que? – Ele fez e vi que realmente não entendeu. O cavalo dele era o Leão. É, isso mesmo.

Abaixei e falei com minha menina: — Você tem problemas com o Leão menina? – Ela bufou e entendi o recado. Que beleza.