Debaixo Do Pôr Do Sol
25 Capítulo 25
Notas iniciais
Passam-se alguns dias. Vou melhorando aos poucos. Consigo movimentar melhor meus braços e pernas. Já é mais fácil pensar e escrever. Ainda não consigo falar. Todos permanecem comigo, inclusive Pollyanna que está superirritante.
– Amiga do céu, como você conseguiu ficar tanto tempo perto daquele Miguel? Pelo amor de Deus! Ele é um pé no saco! Toda hora ele me irrita. E nem me deixa almoçar sozinha em paz. Eu juro que não sei como conseguiu. Ei, não vai falar nada? Escreve alguma coisa nessa porra desse bloquinho pra mostrar que tenho razão Valentina! Grrrrrrrrrrr, eu queria uma cerveja. — Ela fala exasperada, colocando uma mão na testa.
“eu tb” – Mostro o bloco com um imenso sorriso no rosto. Ela foi fofa ao ponto de comprar um bloco de couro vermelho personalizado para mim e uma linda caneta leve dourada. Tem como não amar essa irritante?
– Ai, fique calma. Eu estou de férias. Assim que sair dessa cama, fiz aquele chato prometer que vamos aproveitar aquele hotel magnífico! – A cara dela está totalmente travessa.
“sua folgada!”
– Nem vem! Ele é podre de rico. Não vai fazer diferença. – Ela sai do quarto sem querer me ouvir mais. Logo Miguel entra.
– Ei gatinha! Tá melhor?
“sim sim”
– Isso é bom. Viu, você... Está firme com o Marcos não é?- Por incrível que pareça, ele não faz cara de bravo.
“estou...”
– Bom. Bom.
“vamos ficar no rio?”
– Coisa daquela sua amiga doida. Ela me tira do centro! Ela é louca Valentina. Eu juro. – Ele tenta parecer irritado, mas tem algo a mais no seu olhar... Admiração? Hum...
“gostei da ideia. Mas marcos fica”
– Eu sei menina, eu sei. O bebê dele está com a sogra que está do lado dele. O cara é gente boa gatinha. Ficaremos os quatro.
“isso é ótimo”
– Espero que sim.
Pollyanna entra no quarto.
– Ops, vou voltar para a cafeteria. – Ela diz, voltando para a porta, mas Miguel corre e a segura. Eles trocam um olhar diferente e meu rosto se ilumina. Será? Bom, aquele dia no clube eu vi que ela o achou quente.
– Não, menina! Deixa de ser tonta! Fique aqui. – Ele a arrasta para perto da minha cama.
“vocês dois são tão fofos juntos” – Escrevo bem grande e viro para eles com cara de feliz. Os dois parecem tão assustados que seus olhos quase saltam para fora do rosto. Polly fica vermelha e Miguel dá um sorrisinho travesso e envergonhado.
“vamos ficar os 4 no rio... 2 e 2... hehe” – Viro o bloco de novo para eles.
– Pelo amor de Deus Valentina, pare! – Grita Pollyanna. Miguel me olha com jeito inquisitivo, e faço que sim com a cabeça. Ele gira para ela e a agarra, dando um enorme beijo. Eu pulo e bato palmas! Ai como eu queria poder falar! Marcos entra no quarto e se assusta com a cena. Sorri para mim e se junta nas palmas.
Os dois se separam e Pollyanna começa a arrastar Miguel pela mão para fora do quarto.
– Vamos conversar sobre isso agora, seu imbecil! Acha que pode ir beijando os outros assim? Tá maluco? Isso não se faz num quarto de hospital. É falta de respeito... – Ela sai resmungando e Miguel pisca pra mim. Nossa, seria um sonho esses dois juntos.
Marcos senta ao meu lado.
– Como está minha mudinha mais linda?
“muda!” – E olho para ele com as sobrancelhas erguidas.
– Sua besta. Tô perguntando sério. Como estão seus movimentos?
“ótimos. Quero ir embora. Quero ir na praia. Quero tomar cerveja e caipirinha.”
Faço bico mostrando o bloco e ele ri.
– Pois então eu tenho uma ótima notícia. Amanhã você sairá daqui e vamos para o hotel.
Meu rosto se ilumina e volto a bater palmas, feliz.
“vai ficar no rio comigo?”
– Claro que vou! Nossas merecidas férias amor!
Eu o agarro e o beijo. Cada vez que o toco meu corpo se inflama. Estou com tanta vontade dele que chego a tremer. Ele sempre nota e ri da minha cara.
No dia seguinte me despeço dos meus pais que voltam para casa. Vamos para o hotel e vejo que ficaremos nas mesmas suítes compartilhadas. Que têm cada uma apenas uma cama de casal. Olho para Pollyanna.
“cama casal?”
Ela faz que sim com a cabeça e eu a agarro e encho de beijos.
Mais tarde estamos na praia. Meu caminhar ainda é lento, mas consigo me virar. Meus braços e mãos já estão ótimos. Passamos um dia maravilhoso, como um real quarteto de amigos. Quase não posso acreditar nas mudanças da minha vida.
Depois de voltarmos para o hotel e tomarmos banho, Polly entra na minha suíte onde estou sozinha. Ela traz uns pacotes. Faço gesto perguntando o que é.
– Bom amiga, parece que temos uma surpresa pra você. Fui encarregada de comprar o mais lindo vestido pra você, e proibida de comprar sapatos. Te quer descalça. — Abro um sorriso enorme e corro para a caixa. É um vestido rosa bebê perfeito. Ele é de alcinhas finas, longo, marcando o corpo, mas ao mesmo tempo com uma leveza encantadora. Polly me ajuda e arrumo o cabelo numa linda trança lateral desleixada. Bem praiana. Uma maquiagem leve. Sorrio para mim no espelho. Estou inchada pela medicação e pela primeira vez nessas últimas semanas me acho bonita. Marcos chega e Polly nos deixa sozinhos. Pego o bloco e a caneta, agora, companheiros inseparáveis.
“o que vc está aprontando?”
Ele sorri e me mostra uma venda. Sem tempo de escrever nada, ele tampa meus olhos e fala em meu ouvido.
– Você disse que talvez, um dia, eu faria isso de novo. Hoje é esse dia.
Não entendo nada e caminhamos. Quando percebo que estamos fora do hotel, ele me pega no colo. Coloca-me de novo no chão e sinto a areia gelada. Sorrio. Andamos um pouco e ele me posiciona. Tira a venda. Na areia está montada uma linda tenda, com uma mesa de jantar para quatro pessoas com meus melhores amigos no mundo sentados nela e sorrindo. Vejo que estão de mãos dadas e sorrio. Olho para Marcos que se ajoelha em minha frente.
– Você não sabe como estou feliz de estar muda amor. Caso contrário estaria me fazendo mil perguntas e eu teria que te mandar ficar quieta. – Todos rimos. – Quando coisas muito ruins aconteceram, você disse que talvez, um dia, eu poderia voltar a te reivindicar para mim. E é isso que faço hoje. Quero você pra mim Valentina. De uma vez por todas.
Ele pega minha corrente e coloca na palma da minha mão. Sinto lágrimas em meus olhos. Eu queria tanto falar. Tenho tanta coisa para falar. Pego o bloco e escrevo.
“eu amo vc. Sempre amei e sempre irei amar. “
Ele se levanta e me beija em meio a aplausos e gritos de meus amigos. Me afasto dele e corro para meus amigos, numa abraço gigante.
– Queremos ser os padrinhos hein! – Diz Miguel. Faço que não com a cabeça e eles ficam tristes.
“serão meu pajem e minha dama de honra”
– Ah sua filha da mãe! Quase te soco de susto! Achei que não me queria no seu altar. – Diz Pollyanna me abraçando.
Eu não poderia estar mais feliz! É muita coisa boa em pouco tempo. Nem me incomodo tanto em não poder falar. Parece que esse problema ficou tão pequeno perto de tudo de bom que está me acontecendo.
Voltamos para o hotel. Meu corpo necessita do meu homem. Entramos na suíte e sem mais agarro Marcos num beijo. Ele se espanta de início, mas depois se deixa levar. Agarra meu traseiro, passando minhas pernas por sua cintura e me prensando na parede.
– Eu senti tanto sua falta menina. – Sua voz é grave. Tiro o bloco do bolso dele junto com a caneta.
"Faça amor comigo então..."
– Você acabou de sair do hospital menina, eu não posso.
Faço que sim com a cabeça, mostrado que quero.
– Não... – Ele se afasta devagar. A frustração me invade.
"idiota" – Ele sorri.
– Senti tanta falta de você me chamar assim. Olhe menina. Eu sei que é valente. Mas temos que ser cautelosos. Você quer voltar para aquele hospital?
Agora com raiva, agarro o bloco e passo a escrever.
"Não! Mas não estou pedindo para fodermos feito loucos. Quero amor. Só faça amor comigo meu lindo noivo... Vamos..." — Mostro, fazendo um imenso bico. Oh Deus, como ele consegue trazer a menina mimada que existe em mim!
Ele sorri e me puxa até a cama. Tira meu vestido e deita-me devagar. Tiras suas roupas e sobe em mim.
– Minha menina... Eu vou te saborear devagar esta vez. Bem devagar...
Ele me beija de leve e desce por meu pescoço e clavícula. Fecho os olhos e aproveito cada sensação. Ele passa por meus mamilos, de uma forma suave que me arrepia. Desce por toda minha barriga até chegar em minha boceta. Ele me chupa, mas seus toques são sutis. Fico imersa em sensações de amor, carinho e desejo. O orgasmo que chega é quente. Ele vem sobre mim, penetrando devagar e olhando o fundo dos meus olhos. Beija meu rosto e meus ombros. É tudo amor. Puro e simples. Chegamos ao orgasmo juntos e abraçados. Tremendo e sussurrando “eu te amo”. Sussurrando? Eu sussurrei? Olho para Marcos que está com o olhar arregalado para mim também.
– Valentina?
– Oi... – Sai minha voz em um pequeno sussurro. Meus olhos se enchem de lágrimas. Ele beija cada um.
– Olá minha menina... É bom te ouvir outra vez.
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