Debaixo Do Pôr Do Sol
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Perdão pela sumidinha... :(
Meus pais vão embora e tento acalmar o coração do meu peão.
- Marcos, eu preciso de você firme. Preciso confiar em você para fazermos tudo isso.
- Valentina, como eu farei isso? Como vou ficar longe de você? Eu estou com tanto medo por nós, pelo meu filho. – Ele senta e coloca as mãos no rosto.
- O mais importante agora é essa criança, amor. Somos adultos e saberemos o que fazer conosco, mas precisamos preservá-la. É sua responsabilidade Marcos. Aproxime-se da Janaina. – Engoli a bile que subia em minha garganta só de pensar no que vou falar. – Mostre a ela que gosta dela. Fique com ela se for preciso. Só mais um mês amor, até a separação.
Ele ergueu o olhar, desacreditando em minhas palavras.
- Como você consegue ser assim? Eu jamais teria seu sangue frio.
- Eu sou a rainha do gelo quando preciso, amor.
- Você é muito mais mulher do que todas as outras que conheci. – Com um olhar cheio de admiração e desejo ele me puxou para um beijo.
Um sentimento de despedida se espalhou pelo meu corpo, fazendo meu coração apertar. Fizemos amor por horas, de uma forma diferente das anteriores. Foi calmo, devagar. Só amor.
As semanas passaram e cada vez menos estou vendo Marcos. Trocamos algumas mensagens de celular, mas não o vejo há 8 dias. Janaína está de plantão em sua casa, garantindo que nossa separação seja fixa. Meu corpo parece pesado. Não durmo direito. Também já não passo horas mais matutando de como ficarão as coisas. É como se eu estivesse desistindo de algo. Não tenho saído e Pollyanna diz que preciso de um porre pra esquecer. Mas não quero esquecer. O combinado nunca foi esquecer. Eu só preciso esperar. Faltam 06 dias para sair a separação. Não custa esperar. Mas a saudade é enorme. Olho minha varanda esperando a imagem do meu peão. Ele está realmente sumido. Quase não aparece na colina, debaixo do pôr do sol. Nunca me senti tão sozinha e vazia. Pode um homem fazer isso com uma mulher em tão pouco tempo?
Tomo um banho demorado, esperando que a água quente ajude. Não ajuda. Vou até meus livros e escolho algum que me faça ao menos sentir algo, nem que seja molhar a calcinha. Leio. Nada acontece. Quero gritar em frustração. Jogo o livro do outro lado no escritório e ouço um pequeno uivo.
- Ei! O que está fazendo?
Meu corpo reage na hora. Fecho os olhos e faço uma prece para Deus só por poder ouvir essa voz. Viro para o lado e encontro um rosto fechado me olhando. Ah esse chapéu. Não consigo deixar de espalhar um sorriso pelo rosto.
- Oi...
- Posso saber o por que de estar jogando livro pelos ares? – Ele ergue as sobrancelhas, divertido.
- Não. Não pode. – Uma raiva começa a me tomar e a frustração e a saudade apimentam meu humor.
- Precisamos conversar. – Ele tira o chapéu e caminha para meu quarto.
- Ah, agora você quer bater um papinho? Depois de tanto tempo, achei que tivesse ficado mudo.
Ele senta na cama e eu fico em pé na sua frente, braços cruzados e cara de poucos amigos.
- Eu não sei como dizer isso. – Ele passa a mãos pelo cabelo. Tem algo muito errado.
- Desembucha.
- Eu cancelei a separação Valentina.
As palavras atingem meu estômago, meus joelhos cedem e eu caio sentada e mole no chão. Ele levanta para ir até mim, mas estico a mão em sinal para ele parar.
- Valentina...
-Por que?
- A Janaína não está acreditando em nosso rompimento. Disse que se fosse assim, teria cancelado a separação.
- Bom, e você cedeu facilmente, sem antes falar comigo? – Ergui o olhar para ver o rosto dele retorcido. – Você sumiu por dias peão. – Minha voz não está alta ou esbravejando. A dor no peito é grande demais pra falar alto.
- Perdoe-me, menina. Ela não sai de casa. Tudo ela ameaça tirar o filho. Eu estou perdido.
- Marcos. Vamos ser adultos. Mesmo depois desta criança nascer, ela ainda estará em risco. Nossa relação está ameaçando a vida desta criança. É melhor nós...
- Não! – Ele jogou-se sobre mim, deitando-me no chão. Os olhos ônix estão profundos. Seu rosto parece ter envelhecido. – Não faça isso, minha menina valente. Não faça isso.
Ele me beija delicadamente e aceito de bom grado. Criando o máximo de coragem que posso, eu continuo.
- Marcos. Seja homem. Assuma sua família. Se tivermos que ficar juntos um dia, nós ficaremos. Mas esse momento não é agora. – Lágrimas começaram a cair em seu rosto. Também sinto as minhas próprias escorrendo. Toco seu rosto. – Mesmo que tentássemos fazer algo pela justiça, isso só será válido depois que essa criança nascer. E a justiça demora. Não pode correr o risco dessa louca machucar seu filho. Sejamos sensatos.
- Não. Eu não vou conseguir Valentina. Não posso.
Saio debaixo dele e fico em pé.
- Fora do meu quarto Marcos. – Apontei a porta.
- O que? – Ele grita, assustado.
- Eu disse fora. Chega dessa palhaçada. Anda! Fora!
- Valentina, não! – Ele me puxou para seus braços e forçou um beijo. O desespero pela vontade de me derreter me machucou mais do que uma bala. Raiva. Uma imensa raiva tomou conta de mim e consegui parar o beijo. Ele olhou para mim assustado e me soltou. Dei um passo para trás e apontei novamente a porta. Ele abaixou a cabeça, pegou o chapéu e caminhou até a porta. Parou por um instante e virou para mim.
- Eu amo você Valentina. Com toda a minha alma. Isso não vai mudar.
Assim que ele fechou a porta atrás de si eu desabei. Um grito de dor explodiu em meu peito e eu chorei sem controle. Nunca imaginei que amar alguém de verdade pudesse doer tanto. Torturar tanto.
Esta noite eu chorei até dormir.
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