Debaixo Do Pôr Do Sol
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Acordo no dia seguinte e encontro mais um bilhete na mesa de cabeceira:
“Bom dia, minha menina valente. Espero que tenha gravado meu número e me atenda para que eu possa matar a saudade de sua voz. Dormir contigo é muito mais que reconfortante...
Tenha um lindo dia!
Do seu peão,
Marcos”
Como uma adolescente boba, abracei o bilhete contra o peito, sentindo um sorriso em meu rosto. Isso bastou para alegrar meu humor matutino que normalmente é péssimo. Arrumei-me para o trabalho, como há muito tempo não fazia, usando um vestido florido de tecido fino e um cintinho marcando a cintura. Sandálias delicadas e uma maquiagem leve e jovial no rosto.
– Bom dia minha filha. Está linda! Há muito tempo não a via tão... Meiga? – Disse meu pai, com uma sobrancelha erguida.
– Meiga, pai? Jura? – Falei olhando para minha roupa.
– Sim, filha. – Disse minha mãe, dando um beijo em meu rosto. – Você está uma bonequinha encantadora hoje.
Senti minhas bochechas esquentarem, mas admiti que é assim mesmo que estou me sentindo: meiga, amorosa e feminina. Efeito pós-foda com peão moreno e gostoso.
Enquanto saía da propriedade no meu carro, vi ao longe a figura tão querida no alto da colina, acenando com o chapéu de cima de seu cavalo. A sombra antes misteriosa, agora enche meu coração e molha minha calcinha.
No trabalho parece que nada me incomoda. Muito trabalho, a azeda da Rosana por perto, pessoas que se fazem de surdas. Para tudo minha paciência está exemplar. Por volta do 12:30h, a sala que normalmente parece um mercado de peixe de tantas pessoas falando, se emudece. Ergo meu olhar e vejo o moreno latino e quente do meu chefe vindo em minha direção. Fodeu.
– Oi, Valentina. – Ele diz, sentando com uma perna em minha mesa e um sorriso de canto.
– Bom dia Sr. Ramirez.
– Pra você, só Miguel. – Eu sinto meu corpo gelar. – Não respondeu meu e-mail.
– Eu realmente estava pensando a respeito Senh... Miguel. Ainda não me decidi. Meu namorado não achará a ideia muito agradável.
– Vamos almoçar comigo então, para que eu possa lhe convencer. – Ele disse levantando e estendendo a mão. E agora? O que eu faço? Oh, merda.
Eu levanto, pego minha bolsa e desvio de sua mão estendida. Ele abre um largo sorriso, mostrando todos os dentes branquinhos.
Saímos do prédio e começo a ir em direção ao restaurante que normalmente frequento, como todos os outros funcionários, mas ele segura meu braço.
– Não, Valentina. Vamos a outro restaurante. Meu carro está ali. – Ele deslizou a mão até a minha e entrelaçou os dedos. O gesto pareceu totalmente inapropriado para mim, mas não tive tempo de reação. Logo estamos ao lado do seu carro que é tão fodidamente caro que nem sei a marca. Entramos e ele arranca.
No som, começa a ecoar a música do Nirvana e sem querer estou cantarolando trechos.
– Vejo que seu gosto musical é impecável. – Quando o encaro ele está com uma feição sombria e cheia de luxúria.
– Gosto de rock Miguel. Quanto mais antigo, melhor. – Meu tom é frio.
Chegamos rápido ao restaurante que me parece bem caro. Ai, ai, ele está querendo me comprar. Balanço a cabeça com o pensamento e ele me olha divertido. Vamos até uma mesa e ele pede vinho.
– Estou em horário de trabalho Miguel.
– Eu sou seu chefe. – Ele fala com arrogância e as sobrancelhas erguidas.
– Mas não é meu dono. Eu gostaria apenas de água, por favor.
Ele sorri e pede minha água.
– Por que estava balançando a cabeça quando entramos? – Ele me olha curioso.
– Acho melhor mudarmos de assunto. – Digo, vagando olhar pelo restaurante.
– Não. Só me responda.
– Porque você trouxe-me a este lugar para me impressionar. – Digo com cara de quem não está gostando da conversa.
– Exato. Chamo isso de estratégia, Valentina. – Nossa, ele é a arrogância em pessoa!
– Eu chamo de suborno. – Respondo com espanto.
– Você é mais impossível do que imaginava... – Ele fala baixo e mais para si mesmo, com um toque de admiração.
– Acho que podemos deixar tudo em pratos limpos, Miguel. – Curvo-me, apoiando os braços sobre a mesa e entrelaçando os dedos. – Eu tenho um namorado, não estou disponível e não vou contigo à porcaria de show nenhum.
Ele arregalou os olhos por um segundo e depois caiu na gargalhada, com a cabeça jogada para trás e as mãos sobre o estômago. Ele fica mais lindo ainda rindo assim. Acabo sorrindo de volta.
– Que bom que me acha engraçada. – Digo, encostando novamente em minha cadeira.
– Você é simplesmente demais Valentina. Demais. – Seu olhar agora está escuro. Sinto novamente o arrepio gelado em minha espinha.
O resto do almoço corre bem e conversamos sobre outras coisas. Não posso negar que acabei me divertindo bastante. Voltamos para o escritório como se nada tivesse acontecido. Por volta das 16h recebo um e-mail
Assunto: Garota Forte.
Você faz alguma ideia de quanto é encantadora, Valentina?
A cada “não” que me disse hoje, minha vontade de agarrar você só aumentou.
Aliás, você está deslumbrante hoje, nesse vestido feminino.
Miguel Ramirez
Gerente-Geral – Unidade de Campinas/SP
Hermam & Hermam Indústrias S/A
Como assim? Ele é louco? Qual o problema dele? Ele não tem medo de processo de assédio? Recuso-me a responder essa loucura.
Para diminuir um pouco a tensão, mando uma mensagem de texto para meu peão.
*Brigou tanto comigo por não te atender e hoje nem sequer lembrou de mim :´(
Dois minutos depois.
*Eu sabia que se eu não ligasse você me procuraria. ;)
*Seu convencido!
*Carente...
*Gostoso!
*Não me provoque...
*Tesão.
*Que horas chega?
*Não vou te ver hoje!
*Ah vai! Você me deixou duro.
Minhas entranhas contorcem.
*Hum... Jura?
*Safada. Que horas chega Valentina?
*Não sei...
*Você está querendo brincar comigo né. Não perde por esperar.
*Até mais tarde peão! Bjs de sua namorada toda molhadinha.
*A hora que eu te pegar!
*Grrrrrrrrrr... Delícia!
*Porra... Você tá ronronando pra mim?
*Hum... Vou ao banheiro ter um orgasmo por você...
*Porra....ejkfnweçroiaerkfveaoiuvb
Estou com um sorriso gigante no rosto e resolvo fazer o serviço no carro ao invés do banheiro. Saio dez minutos antes de todo mundo. Sento no carro e reclino o banco. Ah, estar de vestido vai ajudar. Ligo para o meu peão.
– Porra Valentina! – Ele atende assim. Eu rio.
– Hum... Gostoso. Não é tão bom quanto a sua língua. – Minha voz está rouca e estou massageando meu clitóris.
– Valen.. Você... Oh Deus... – A voz dele some e ouço ele pedir licença para alguém no fundo. Sorrio.
– Ah peão, é tão gostoso... gggrrrr (ronrono).
– Bebê, você está se masturbando? – Agora a voz dele é forte e grossa.
– Estou namorado. Hum... tão bom. – Minha respiração está cortada.
– E onde você está?
– No carro, no estacionamento... Oh, Marcos, eu vou gozar...
– Caralho... Bebê, — Seu tom agora é totalmente quente. – enfie dois dedos em você e meta com vontade.
– Ah, Marcos... Estou vindo... Estou vindo... – Minha voz é aguda.
– Porra Valentina, você me mata. Estou duro feito um pau e não posso fazer nada com isso...
Gemo alto e descontroladamente. Estou quase gozando.
– Vem pra mim, bebê... – Ele ruge do outro lado da linha e eu obedeço, tremendo e suando.
– Valentina?
– Hum...
– Você é uma descarada. – Sinto a diversão em sua voz.
– Onde você está? – Pergunto, lembrando que pediu licença para falar comigo.
– Numa reunião com o pessoal da minha pós-graduação.
– Jura?! – Eu começo a rir.
– Você é terrível e vou me vingar mais tarde.
– Não vejo a hora...
– Até lá bebê.
– Até peão.
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