Notas iniciais
Essa Valentina é terrível... rs

Acordo no dia seguinte e encontro mais um bilhete na mesa de cabeceira:

“Bom dia, minha menina valente. Espero que tenha gravado meu número e me atenda para que eu possa matar a saudade de sua voz. Dormir contigo é muito mais que reconfortante...

Tenha um lindo dia!

Do seu peão,
Marcos”


Como uma adolescente boba, abracei o bilhete contra o peito, sentindo um sorriso em meu rosto. Isso bastou para alegrar meu humor matutino que normalmente é péssimo. Arrumei-me para o trabalho, como há muito tempo não fazia, usando um vestido florido de tecido fino e um cintinho marcando a cintura. Sandálias delicadas e uma maquiagem leve e jovial no rosto.

– Bom dia minha filha. Está linda! Há muito tempo não a via tão... Meiga? – Disse meu pai, com uma sobrancelha erguida.

– Meiga, pai? Jura? – Falei olhando para minha roupa.

– Sim, filha. – Disse minha mãe, dando um beijo em meu rosto. – Você está uma bonequinha encantadora hoje.

Senti minhas bochechas esquentarem, mas admiti que é assim mesmo que estou me sentindo: meiga, amorosa e feminina. Efeito pós-foda com peão moreno e gostoso.

Enquanto saía da propriedade no meu carro, vi ao longe a figura tão querida no alto da colina, acenando com o chapéu de cima de seu cavalo. A sombra antes misteriosa, agora enche meu coração e molha minha calcinha.

No trabalho parece que nada me incomoda. Muito trabalho, a azeda da Rosana por perto, pessoas que se fazem de surdas. Para tudo minha paciência está exemplar. Por volta do 12:30h, a sala que normalmente parece um mercado de peixe de tantas pessoas falando, se emudece. Ergo meu olhar e vejo o moreno latino e quente do meu chefe vindo em minha direção. Fodeu.

– Oi, Valentina. – Ele diz, sentando com uma perna em minha mesa e um sorriso de canto.

– Bom dia Sr. Ramirez.

– Pra você, só Miguel. – Eu sinto meu corpo gelar. – Não respondeu meu e-mail.

– Eu realmente estava pensando a respeito Senh... Miguel. Ainda não me decidi. Meu namorado não achará a ideia muito agradável.

– Vamos almoçar comigo então, para que eu possa lhe convencer. – Ele disse levantando e estendendo a mão. E agora? O que eu faço? Oh, merda.

Eu levanto, pego minha bolsa e desvio de sua mão estendida. Ele abre um largo sorriso, mostrando todos os dentes branquinhos.

Saímos do prédio e começo a ir em direção ao restaurante que normalmente frequento, como todos os outros funcionários, mas ele segura meu braço.

– Não, Valentina. Vamos a outro restaurante. Meu carro está ali. – Ele deslizou a mão até a minha e entrelaçou os dedos. O gesto pareceu totalmente inapropriado para mim, mas não tive tempo de reação. Logo estamos ao lado do seu carro que é tão fodidamente caro que nem sei a marca. Entramos e ele arranca.

No som, começa a ecoar a música do Nirvana e sem querer estou cantarolando trechos.

– Vejo que seu gosto musical é impecável. – Quando o encaro ele está com uma feição sombria e cheia de luxúria.

– Gosto de rock Miguel. Quanto mais antigo, melhor. – Meu tom é frio.

Chegamos rápido ao restaurante que me parece bem caro. Ai, ai, ele está querendo me comprar. Balanço a cabeça com o pensamento e ele me olha divertido. Vamos até uma mesa e ele pede vinho.

– Estou em horário de trabalho Miguel.

– Eu sou seu chefe. – Ele fala com arrogância e as sobrancelhas erguidas.

– Mas não é meu dono. Eu gostaria apenas de água, por favor.

Ele sorri e pede minha água.

– Por que estava balançando a cabeça quando entramos? – Ele me olha curioso.

– Acho melhor mudarmos de assunto. – Digo, vagando olhar pelo restaurante.

– Não. Só me responda.

– Porque você trouxe-me a este lugar para me impressionar. – Digo com cara de quem não está gostando da conversa.

– Exato. Chamo isso de estratégia, Valentina. – Nossa, ele é a arrogância em pessoa!

– Eu chamo de suborno. – Respondo com espanto.

– Você é mais impossível do que imaginava... – Ele fala baixo e mais para si mesmo, com um toque de admiração.

– Acho que podemos deixar tudo em pratos limpos, Miguel. – Curvo-me, apoiando os braços sobre a mesa e entrelaçando os dedos. – Eu tenho um namorado, não estou disponível e não vou contigo à porcaria de show nenhum.

Ele arregalou os olhos por um segundo e depois caiu na gargalhada, com a cabeça jogada para trás e as mãos sobre o estômago. Ele fica mais lindo ainda rindo assim. Acabo sorrindo de volta.

– Que bom que me acha engraçada. – Digo, encostando novamente em minha cadeira.

– Você é simplesmente demais Valentina. Demais. – Seu olhar agora está escuro. Sinto novamente o arrepio gelado em minha espinha.

O resto do almoço corre bem e conversamos sobre outras coisas. Não posso negar que acabei me divertindo bastante. Voltamos para o escritório como se nada tivesse acontecido. Por volta das 16h recebo um e-mail



Assunto: Garota Forte.

Você faz alguma ideia de quanto é encantadora, Valentina?

A cada “não” que me disse hoje, minha vontade de agarrar você só aumentou.

Aliás, você está deslumbrante hoje, nesse vestido feminino.


Miguel Ramirez
Gerente-Geral – Unidade de Campinas/SP
Hermam & Hermam Indústrias S/A


Como assim? Ele é louco? Qual o problema dele? Ele não tem medo de processo de assédio? Recuso-me a responder essa loucura.

Para diminuir um pouco a tensão, mando uma mensagem de texto para meu peão.


*Brigou tanto comigo por não te atender e hoje nem sequer lembrou de mim :´(

Dois minutos depois.

*Eu sabia que se eu não ligasse você me procuraria. ;)

*Seu convencido!

*Carente...

*Gostoso!

*Não me provoque...

*Tesão.

*Que horas chega?

*Não vou te ver hoje!

*Ah vai! Você me deixou duro.

Minhas entranhas contorcem.

*Hum... Jura?

*Safada. Que horas chega Valentina?

*Não sei...

*Você está querendo brincar comigo né. Não perde por esperar.

*Até mais tarde peão! Bjs de sua namorada toda molhadinha.

*A hora que eu te pegar!

*Grrrrrrrrrr... Delícia!

*Porra... Você tá ronronando pra mim?

*Hum... Vou ao banheiro ter um orgasmo por você...

*Porra....ejkfnweçroiaerkfveaoiuvb

Estou com um sorriso gigante no rosto e resolvo fazer o serviço no carro ao invés do banheiro. Saio dez minutos antes de todo mundo. Sento no carro e reclino o banco. Ah, estar de vestido vai ajudar. Ligo para o meu peão.

– Porra Valentina! – Ele atende assim. Eu rio.

– Hum... Gostoso. Não é tão bom quanto a sua língua. – Minha voz está rouca e estou massageando meu clitóris.

– Valen.. Você... Oh Deus... – A voz dele some e ouço ele pedir licença para alguém no fundo. Sorrio.

– Ah peão, é tão gostoso... gggrrrr (ronrono).

– Bebê, você está se masturbando? – Agora a voz dele é forte e grossa.

– Estou namorado. Hum... tão bom. – Minha respiração está cortada.

– E onde você está?

– No carro, no estacionamento... Oh, Marcos, eu vou gozar...

– Caralho... Bebê, — Seu tom agora é totalmente quente. – enfie dois dedos em você e meta com vontade.

– Ah, Marcos... Estou vindo... Estou vindo... – Minha voz é aguda.

– Porra Valentina, você me mata. Estou duro feito um pau e não posso fazer nada com isso...

Gemo alto e descontroladamente. Estou quase gozando.

– Vem pra mim, bebê... – Ele ruge do outro lado da linha e eu obedeço, tremendo e suando.

– Valentina?

– Hum...

– Você é uma descarada. – Sinto a diversão em sua voz.

– Onde você está? – Pergunto, lembrando que pediu licença para falar comigo.

– Numa reunião com o pessoal da minha pós-graduação.

– Jura?! – Eu começo a rir.

– Você é terrível e vou me vingar mais tarde.

– Não vejo a hora...

– Até lá bebê.

– Até peão.