Debaixo Do Mesmo Teto

20 I raise my flag, dye my clothes, it's a revolution, I suppose


Notas iniciais
Oi, gente! Mais um capítulo para vocês! Me contem o que estão achando nos comentários, hein? Sugestão de música: Radioactive - Imagine Dragons Aproveitem!! ♥

O estádio de Irvine fervia. Duas semanas depois de várias fofocar acerca de Savannah, Andrew e Peter, a final do campeonato de vôlei da Califórnia do Sul para veio agitar a cidade e todos os jovens de Huntington Beach High, além dos que vinham torcer por Loyola. Era possível ver a torcida claramente dividida. Metade do estádio branco e laranja, com as cores da escola local, e a outra com azul marinho e branco, as da escola visitante. Os gritos de guerra ecoavam, a arquibancada vibrava.

Em quadra, os jogadores sentiam cada pulsar do coração acompanhar a torcida, como se gritassem junto. Mas a tensão entre os times era visível. Rivais, Loyola queria impedir o bicampeonato consecutivo de Huntington e levar o título de tetracampeã. O time da casa só queria vencer, mas a rixa Peter-Andrew dava indícios de que dificultaria esse objetivo. Desde o vestiário, os dois mal trocaram cumprimentos, apenas um leve menear de cabeça. A situação piorou quando Tiffany resolveu "visitá-los" para desejar boa sorte.

— Olá, meninos — ela disse, se jogando para dentro do local sem se preocupar com a possível nudez de algum dos rapazes.

— Tiffany, o que você faz por aqui? – Colton, o líbero do time, estava embasbacado, mas tentava manter uma expressão sedutora. Todos tentavam, na verdade. Exceto Peter e Andrew.

— Também queria saber. — disseram ambos, ao mesmo tempo. Entreolharam-se, no único momento de entendimento mútuo.

Tiffany riu, vitoriosa. — Só vim desejar boa sorte para o meu time favorito. E dizer que cada um ganhará um beijo meu se vencerem! — a maioria dos maxilares quase alcançava o chão. Peter e Andrew trincavam os seus. — No rosto, seus bobos! Não sejam pervertidos, afinal sou uma moça direita e comprometida — ela ria, divertida com os olhares de desejo de quase todos. Quase. Andrew virara de costas.

— Nunca ouvi nada tão engraçado sair de sua boca, Tiffany — ele disse, rindo.

— Mas estou dizendo a verdade, meu doce — ela disse, falsamente.

— Não foi o que Derek me disse — ele voltou-se para a garota, cruzando os braços. "Pega na mentira, gatinha" Andrew pensou. — Vocês terminaram na festa passada. Ou será que ele não te contou? — riu sarcasticamente.

A garota sorriu. — E quem disse que estou falando de Derek, Andrew? — caminhou na direção de Peter e, depositando o rápido selinho nos lábios do loiro, disse — Boa sorte, querido. Ganhe esse campeonato e o meu coração.

Caminhou em direção à porta com o melhor porte de modelo que tinha e saiu, deixando um time completamente desestabilizado.

***

— Arthur, Arthur, aqui! Aqui! — Natalie pulava e mexia os braços para o moreno que a procurava na arquibancada.

— Fica calma, Nat, ele já te viu! — Savannah ria da amiga. Era incrível como a ruiva era madura para tantas coisas, mas quando se tratava do namorado, ela parecia voltar aos 11.

— Eu sei, é só pra aquela velhinha parar de me olhar torto por eu estar guardado lugar — ela sussurrou para a morena, apontando para uma senhora que realmente as encarava com seriedade.

Savannah riu. — Ah, sim! E olhem se não é o nosso rei! — levantou-se para abraçar o amigo, que alcançava as garotas, meio sem ar.

— Olá... Meninas... Cheguei... A... Tempo...? — o garoto falava, sem ar, abraçando Savannah e logo indo em direção à Natalie, que dava seu sorriso mais largo.

— Sim, amor, e eu guardei o seu lugar. — e beijou levemente o rapaz.

— Nossa, Arthur, como você faz pra ela ser tão fofa com você? — Savannah disse, fazendo um ar de indignada — Porque comigo é só chibata!

— São anos e anos de prática, minha cara gafanhota! — Arthur sentou e riu, batendo na própria coxa como se estivesse vendo a coisa mais engraçada da vida. Os dois namoravam desde que nem sabiam o que era namorar, por volta dos 8 anos. E Savannah adorava a história dos dois. — Além do mais, olha pra mim. Eu sou irresistível! — e jogou os braços pra cima, imitando a pose "cantora-pop-diva".

A ruiva bufava. — Mas que beleza! Uma amiga ingrata e um namorado “diva”. Era tudo o que eu precisava! — exclamou, cruzando os braços. Arthur abraçou a namorada e deu um beijo em seu rosto.

— Fazemos o nosso melhor por você, minha deusa! Não é, Savie? — e olhou risonho para a morena. Savannah acompanhou o amigo e abraçou Natalie, que estava no meio dos dois, ainda tentando não rir.

— Com certeza, o que seria de nós sem você?! — Savannah disse e riu.

— Nada. Ainda bem que sabem disso. — Natalie acabou se rendendo e rindo — Mas vamos parar com esse “mimimi”, olha lá o time entrando em quadra.

A arquibancada tremia e os três foram obrigados a se levantarem para enxergar os jogadores em quadra. Estavam relativamente próximos, mas a quantidade de pessoas bloqueava a visão. Savannah avistou o time adversário entrar e algumas vaias do seu lado surgirem, abafadas pelos gritos da torcida de Loyola. Mas assim que Huntington Beach High entrou em quadra, o estádio quase veio abaixo. Se houveram gritos da outra torcida, só eles ouviram.

Instintivamente, a garota procurou por Peter. Não era a intenção dela, apenas o fez pelo hábito, afinal, eram quatro anos do mesmo, ainda que só agora ele tivesse virado o astro do time. E quando seus olhos encontraram a figura do rapaz, ela tremeu. Não de frio, ou de medo. Era felicidade. Só Savannah sabia o tamanho da dedicação de Peter ao longo daqueles anos. Horas e horas de treino, corrida e, nos últimos tempos, musculação fizeram dele um grande atleta. Até por isso, sua bolsa em Stanford fora garantida pela atuação dele na última temporada, quando venceram o mesmo campeonato. Ela sabia que vencer esse era a cereja do bolo para o loiro. E ela percebera que torcia pela vitória dele, ainda que ele não tivesse sido a melhor pessoa do mundo com ela nas últimas semanas.

Mas o seu coração parou logo em seguida. A visão de Andrew entrando em casa foi arrebatadora para Savannah. "Como ele consegue ser tão bonito nesse uniforme ridículo?" ela pensava. E sorria. Seus laços com o moreno estavam tão fortes, logo no momento que ela mais precisava de alguém para apoiá-la. Quando os olhos dos dois se encontraram, ele sorriu e ela parou de respirar. Andrew jogou um pequeno beijo no ar na direção de Savannah e moveu os lábios, dizendo "Essa é pra você, irmãzinha". Seu coração ficou cheio, e só então ela percebeu que não havia ar. Ela puxou o ar com força e sorriu para o garoto, que já estava pronto pro começo do jogo. Só havia uma coisa incomodando Savannah.

"Irmãzinha" pensava "sou só a nova irmãzinha dele".

***

A música pulsava alta e a quadra fora tomada pela torcida de Huntington Beach High, que acompanhava a letra de "We are the champions" vinda dos grandes autofalantes do local. O bicampeonato veio mais rápido do que imaginaram, vencendo Loyola por 3 sets a 0. Logo que a torcida rival saíra do lugar, todos que torciam pelo time da casa se jogaram dentro da quadra e comemoraram como se não houvesse amanhã.

Savannah estava ao lado de Natalie e Arthur, pulando e comemorando, quando avistou Peter. Ele estava feliz, mas quando viu a morena, seus olhos brilharam mais forte, seu coração acelerou e ele correu em direção da garota, tomando-a em um abraço e girando-a no ar.

— Nós conseguimos, Savie, somos bicampeões! — ele gritava. Savannah não pode se conter, a alegria dela por ele era genuína. Ele a devolveu para o chão e segurou seu rosto — Devo isso a você, Savannah, minha torcedora número um.

A garota sorriu, desconcertada. — Imagina, Peter, o sucesso é todo seu. Só cumpri meu papel de melhor amiga e... — não pode dizer. Doía demais dizer. "Namorada". Por mais que fosse um momento de comemoração, Savannah não podia esquecer tudo o que acontecera.

— Você acreditou em mim, como sempre faz. E eu sei tudo de ruim que te fiz nos últimos meses...

— Eu sei, Peter. Tudo o que aconteceu foi muito doloroso, até porque eu nunca quis me colocar em primeiro lugar... — Savannah suspirou — Mas admito que não estava sendo a namorada mais atenta.

Peter coçou a cabeça, desconcertado. — Então Tiffany estava lá, disponível e me achando incrível... E é só somar dois mais dois pra ver o babaca que eu fui. Eu não pensei em você, eu fui egoísta... E te acusei disso.

Era inegável a dor no rosto de Peter. Ele realmente parecia desconfortável na própria pele e Savannah não conseguia ser indiferente a isso. E as expressões de surpresa de todos em volta deles também era inegável ao vê-la abraçando Peter.

— Sim, Peter. Mas acabou. Já passou. Não temos mais que pensar nisso – ela sorriu. Peter viu ali a chance que precisava.

— Então, volta pra mim, Sav. – ele se aproximou dela, tomando-a em seus braços – Me dá outra chance de ter você na minha vida. As duas últimas semanas foram um inferno e tudo o que eu mais queria era ter você comigo de novo…

— Ah, Peter, o que eu faço agora? — ela segurou o rosto do rapaz, mesmo que ele fosse vinte centímetros mais alto que ela — Não posso esquecer o que aconteceu...

— Então não esquece! — ele a abraçou de novo. A garota não imaginava o quanto Peter sentiu falta daquilo. — Vamos começar do zero. Fomos feitos pra ficarmos juntos. Por favor! — ele se ajoelhou em frente à garota, segurando a mão dela — Por favor, Savannah, volta pra mim.

Eles estavam no meio de uma roda enorme, formada por todos os torcedores e jogadores. Quando Savannah tirou os olhos de Peter, deu de cara com Natalie, Arthur e... Andrew. "Andrew?" ela pensava "Ou Peter? Como eu posso escolher?" Seu olhar ia e voltava para os dois rapazes.

— Eu... — Savannah começara a responder, quando o celular de todos começou a apitar. Ela pode ver os rostos se moverem da emoção anterior para a total descrença. Ela olhou confusa para Peter, que também parecia não entender nada.

— Meu amor, o que você está fazendo ajoelhado aí? — Tiffany surgiu do meio da multidão, com a voz falsa de confusão.

— Corta essa, Tiffany. Eu não sou o seu amor, eu não sou nada seu! — Peter se levantou em direção à garota, na frente de Savannah como se tentasse protegê-la da loira.

A garota se aproximara dos dois. — Não foi o que você disse naquela noite... — ela sussurrou, sorridente. — E é isso que todos estão vendo agora. Por que não olha seu celular, Savannah? — disse em direção à morena.

Savannah olhou mais uma vez para Peter e, em seguida, para Natalie e Andrew. O rapaz vinha furioso para cima de Peter, atingindo-o com um soco no rosto.

— SEU BABACA! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FAZER ISSO COM A SAVANNAH? — Andrew gritava, enfurecido, jogando Peter no chão e continuando a desferir uma série de golpes contra o loiro. Savannah, confusa, apenas sentiu a puxarem pelo braço.

— Você precisa ver isso — Natalie disse, entregando seu celular para a amiga.

***

Tudo rodava. E Savannah gostava da sensação. Queria estar perdida, queria estar fora de si. O doce e o amargo se misturavam em sua boca, mas o álcool já não era mais tão perceptível em sua língua adormecida. Savannah sorria. Ela gostava disso. Ela queria esquecer tudo, se desligar de tudo. E ali, naquele momento se sentia livre.

Abriu os braços, ainda sorrindo, e se jogou.

Esperava sentir o chão, o frio do porcelanato que cobria o lugar. Queria o frio. Já tinha calor o suficiente em sua vida, um calor duro, ruim. O chão continuaria sendo duro, mas pelo menos traria um refresco. Mas tudo o que sentiu foi conforto. E calor. Era macio, quente, e tinha textura de... jeans?

“Desde quando o chão está assim?” ela pensava. Estava zonza demais para raciocinar. Tentou olhar para cima e só viu a luz verde que piscava na festa. No momento seguinte, sentiu braços carregando-a para outro lugar. Ela tentou protestar, se remexendo e resmungando.

— Fica quieta, Savie, vamos para casa. – o estranho disse. “É um homem” a garota concluiu. Algo naquela voz trouxe-lhe confiança, conforto, segurança, o mesmo que sentia em seus braços. E ela resolveu relaxar. Estava indo para casa, afinal.

Notas finais
E aí? O que vocês acham que tinha no vídeo que deixou Savannah tão perturbada? Me contem nos comentários!!! E, se estiverem gostando, deixem um recomendação. Significa muito pra mim! ♥ Até o próximo capítulo!