Debaixo Do Mesmo Teto

3 'Cause there's a side to you that I never knew, and all the things you'd say, they were never true


Notas iniciais
Oi, gente! Mais um capítulo novinho pra vocês! Comentem, por favor! Preciso saber se vocês estão gostando e se já perceberam mudanças, hahahaha Sugestão de música: Set Fire To The Rain - Adele Aproveitem!! ♥

Andrew não conseguia parar de olhar para o teto e se levantar pra fazer algo mais útil do que ficar ali pensando em Savannah. O modo como ela o acusou deixou-o bagunçado por dentro. Ele não queria, jamais quis, magoá-la de alguma forma, mas era difícil não retrucar todas as brincadeirinhas e não tentar se defender do que ele mesmo sentia.

Aquilo tudo começou na jardim de infância. Andrew era como todos os garotos, jogava bola na rua, subia em árvore, roubava doce da janela das vizinhas, mas não podia negar que Savannah chamava sua atenção. Aqueles cabelos ondulados e negros, que pareciam ser quase do mesmo tamanho que a menina, a pele dourada que parecia brilhar com a luz do sol, tudo isso fazia a atenção de Andrew pairar sobre ela, mesmo no meio de uma partida de futebol. Ele não conseguia entender porque gostava tanto quando ela sorria, ou porque queria estar perto dela, cuidar dela quando a ouvia chorar, mesmo sabendo que ele era o culpado pelas lágrimas da garota.

Sim, por sentir tudo o que sentia e não saber explicar, ele aprontava com ela. Passava cola na carteira dela, sumia com seus brinquedos, infernizava Savannah dizendo que ela era tão feia, tão esquisita que ninguém nunca iria querer brincar com ela. A menina dava uma de durona, entrava na briga, mas só ele sabia que, depois do intervalo, ela ia chorar no banheiro, escondida de todos. Ele se culpava tanto, prometia que nunca mais faria o mesmo, mas não se aguentava, queria ela por perto, mesmo que por implicância.

Andrew manteve isso por todo ensino fundamental também, quando a garota passava por aquela fase normal de toda criança que estava entrando na adolescência: engordou, os cabelos não eram mais tão sedosos, começou a ter espinhas e usou, do 6º ao 9º ano, aqueles aparelhos horrorosos, tipo freio de burro. Ele a criticou tanto, inventou tantas histórias, e ela ouviu calada. Só ele sabia que o velho hábito de ir ao banheiro depois do intervalo não mudara, e ele continuava a se culpar. Àquela altura, Andrew já sabia que significava sua implicância com Savannah. Ainda assim, porém, não queria admitir. Continuou fazendo as brincadeiras idiotas e a ouvindo chorar depois de tudo.

Mas tudo mudou no primeiro dia de ensino médio na Huntington Beach High School. Por mais clichê que isso seja, Savannah sumiu nas férias e voltou tão mais bonita, tão mais mulher que muitos acreditaram que ela era uma novata recém-chegada em Irvine. Andrew ficou bobo quando a viu. A pele tratada e lisinha, levemente bronzeada, os cabelos, agora na altura dos ombros, mais revoltos, porém mais lindos do que nunca. O aparelho dera lugar ao sorriso que ele tanto amava — mesmo sem saber — na infância. E o corpo... Não precisa dizer que ficou mais magra, mais definida. Para muitos, ela ficou perfeita. E tudo aquilo que Andrew tentou esconder por anos explodiu de uma só vez dentro dele. Ele a amava. Mas ela não estava nem um pouquinho interessada.

Andrew se levantou da cama, expulsando as lembranças de suas idiotices, saindo de seu quarto para ver se Susan havia melhorado. Ela não parara de chorar desde que Savannah saiu correndo com Peter, o que matava Andrew de raiva. Ele podia ser o sonho de todas as garotas, mas a garota com quem ele sonhava estava com aquele nerd babaca. E estava na cara que ela era apaixonada por ele. Mais uma vez, ele expulsou seus pensamentos e foi atrás de seu pai e de Susan. Eles estavam na sala, e a mãe de Savannah ainda fungava.

— O que fiz de errado, Mike? — dizia Susan, deitada no colo, jogando no chão mais um guardanapo que usara. O chão já estava cheio deles. — Eu só queria construir algo novo, quero ser feliz de novo e ela faz questão de não entender isso.

— Ah, meu amor, é uma mudança e tanto para ela, e nós sabemos que o relacionamento dela com Andrew não é dos melhores...

— Ei, a culpa não é minha! — o garoto se intrometeu na conversa. Não podia se tornar o vilão dessa situação. — Ela me odeia porque quer, mas não é por isso que eu tenho que ser culpado da reação daquela birrenta.

— ANDREW! — seu pai o repreendeu, olhando-o firmemente.

— Não, Mike, não brigue com o Andrew, ele... — Susan sentou-se e respirou fundo — ele não deixa de estar certo, ela agiu como uma criança birrenta. Tenho que consertar isso...

— Deixe isso comigo, Susan — disse Andrew, se culpando mentalmente pelo que acontecia com Savannah — e quer saber? Eu a sacaneei, não disse nada para ela, por isso ela reagiu daquele jeito. No final das contas, a culpa é minha mesmo.

— Não, Andy, eu vou — disse Susan

— Você não está em condições, Susie, não vou deixar você sair daqui assim — esse era Mike sendo... bem, sendo Mike, afinal, ele é superprotetor com todo mundo de quem ele gosta.

— Está vendo, tia? Deixe comigo, vou falar com Savannah e sei que ela vai entender. — pegou a chave de seu carro e saiu caminhando, em direção à porta.

— Mas não sabemos onde ela está, Andrew — Susan disse.

— Não se preocupe — disse ele, sem se virar, trincando os dentes — eu sei onde encontrá-la.

Notas finais
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