Deathwish
20 Capítulo 20
[[Just the way it goes]]
ATO 20: Mikey. Meus olhos foram se abrindo lentamente para uma claridade insuportável. Reconheci um teto forrado com pôsteres e minha cama de travesseiros macios e lençóis bagunçados, eu estava em casa. Levantei rápido e assustado. Como era que eu havia parado ali? Até minhas roupas estavam trocadas! Eu estive sonhando esse tempo todo? E aquelas coisas absurdas nunca haviam acontecido? Será...? Fui me desesperando aos poucos, porque isso significava que eu nunca havia me encontrado com a Morte também! — Não, não pode ser... – resmunguei Olhei para o lado e os pulos que meu coração dava foram se acalmando, havia uma grande foice encostada em minha escrivaninha, de pé como uma presença no meu quarto. Deixei meu corpo cair pesado na cama, e levei as mãos à cabeça e fiquei contemplando o teto. — Meu Deus... – murmurei baixinho. Minha voz estava abafada. Repassei mentalmente tudo o que havia se passado desde então,eu tinha uma nova função, tinha um novo sentido para a minha vida apesar de tudo. — Sim... Terei que tirar a vida de alguém... Quer dizer, de novo. – pensava. A porta do meu quarto abriu de repente e girei sobre me cotovelo apoiado na cama, mas mal conseguir ver que era Mikey. — Oi... – ele disse baixinho de braços cruzados e encostado na porta escancarada. Voltei a me deitar. — Vim ver como você está. — Estou bem... — Bem, — ele pareceu respirar fundo antes de entrar no quarto e fechar a porta – e que todos estavam preocupados. Faz dias que você só dorme... “Dias?”Meu Deus, eu entrei em uma espécie de coma, ou o quê? — Er... É que eu estava cansado. – foi a desculpa que eu dei. — Aham... – Mikey fez e se largou no chão do quarto. – Fiquei com medo de que você, sei lá... Tivesse tentado desistir de novo... Eu olhei assustado pra ele. Assustado por aquelas palavras e por perceber nitidamente a quantidade de vida que pulsava dentro dele, eu via, via Mikey brilhar como uma lâmpada. — Não. – disse virando confuso com esse “poder” tão repentino. – Não ia fazer nada, não... — Ia ser difícil... Ninguém ia agüentar. — É... – disse distraído enquanto analisava minhas mãos inteiras e emitindo uma luz pulsante. — Sabe que papai está muito triste por ter batido em você naquele dia na igreja... – ele começou. — Ah, Mikey! Eu não quero falar sobre isso agora. — Mas... — Tá bom, ta bom. Chega desse papo... – declarei irritado. E já nem lembrava que tinha levado um tapa no meio da cara. — Pelo menos fale com o papai. – ele se levantou acho que meio ofendido. — Tá... E ficamos em silêncio. Acho que Mikey viu alguma coisa em meu rosto, porque ele me encarava de uma maneira estranha. — Você quer dar uma volta? – ele disse. E eu considerei. — Quero... — Então melhora essa cara. – ele sorriu. – Vou esperar você se trocar. Meu irmão. Será que ele poderia ver as coisas macabras que eu poderia fazer agora? Quando ele fechou a porta me levantei da cama. Coloquei meus pés descalços no chão e senti a friagem. Dei dois passos em direção a foice encostada na mesa e estiquei a mão para tocá-la — Parte de mim. – pensei. – Parte dela... Ao encostar na foice ela brilhou e pareceu se desfazer em fumaça branca. Quando sumiu completamente, a fumaça entrou pelos meus poros aquecendo o meu corpo. Não senti medo, era parte de mim agora. Tomei banho, troquei de roupa e ao sair do quarto constatei que deveriam ser umas três da tarde. Não encontrei meu pai ou minha mãe ao cruzar a casa procurando por Mikey. O encontrei fora de casa na entrada de carros, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco tentando espantar um pouco do frio que estava fazendo. — Vamos? – ele disse a me ver. Sacudi a cabeça que sim. — Cadê as chaves? – eu falei. — Sem essa... Vamos caminhar um pouco.
Notas finais
Mikey, Mikey, Mikey...
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