Deaths Way
1 Oneshot - Deaths Way
Notas iniciais
É, eu sei, estou sumida.
Mas eu tive os meus motivos, acreditem.
De qualquer forma, eu venho trazer uma oneshot bem diferente das coisas que eu costumo escrever ~ou não~
Eu escrevi esse texto há uns dois anos atrás, e resolvi transformá-lo em um segmento de Folie à Deux
Enfim...
Ah, eu estou planejando reescrever Folie *L*
Quem quiser que eu reposte também, me avisa.
Enquanto as outras fanfictions: Eu tenho que concluir os capítulos e editá-los para só depois postá-los. O problema é que eu sou crítica demais comigo mesma, e quando acho que uma coisa não está legal, eu fico revisando até achar que está legal. Me desculpem por isso =/
Aliás, era para eu ter postado uma fanfiction de natal aonde eu também seria uma personagem, mas eu estou adiando porque quero melhorá-la. i.i
Quando der, eu posto (=
Amo vocês okay? Não me matem >.
P.S.: Eu posso ser quem eu quiser nas estórias que invento. E isso inclui ser uma psiquiatra altamente capacitada xD
Boa leitura! (=
Death’s Way
– Way?
– Por favor, me chame de Gerard.
– Então – ela cruzou as pernas – Nós poderíamos falar sobre as suas reminiscências, Gerard?
– É exatamente para falarmos delas que eu estou aqui.
– Sim – ela esboçou um sorriso no canto dos lábios e adquiriu a sua esferográfica – Nós estamos aqui porque você tem sofrido episódios de abstrações e diversos freaks com as organizações que a sua memória tem realizado.
Ela tinha toda a razão.
O interessante era que o consultório da Dra. B. era diferente dos outros. A janela estava totalmente livre de cortinas e o cômodo se encontraria quase que vazio, se não fosse a mesa envelhecida e as duas poltronas ao centro do felpudo carpete azul-marinho. E não justificaria dizer que o estado do consultório era por falta de tempo ou por falta de apreço, já que fazia pouco mais de quatro meses que ela havia iniciado a sua residência naquele hospital e era nítida a sua dedicação.
Logo, a psiquiatra que havia sido admitida recentemente na especializada Our Lady of Sorrows era naturalmente excêntrica. Porque além de seus olhos e cabelos negros como o anoitecer, ela também tinha o seu alegórico brilho lunar que conseguia preencher os quatro cantos daquela saleta improvisada.
E é realmente claro e por demasiado conveniente o raciocínio subjetivo que o Dr. Tyler tivera ao conhecê-la. Afinal, quando se consegue integrar uma doutora altamente capacitada ao corpo médico de sua clínica que não necessita de nenhum tipo de artifício externo para aquisição e domínio de seus pacientes, puramente utilizando-se de sua própria confiança e serenidade em seus métodos de reabilitação, é algo mágico.
Ela terminou de subscrever e voltou-se a sua postura alinhada.
– Procure detalhar tudo e qualquer coisa que vier à sua mente. É importante. Mas você já sabe como funciona.
– Claro.
Ela reprimiu um sorriso.
Silêncio.
– Gerard? Outro devaneio em potencial? – ela arqueou uma de suas sobrancelhas e mordeu a ponta da caneta.
– Não. Eu estava ferrado numa tentativa de lembrar as palavras ardilosas que me influenciaram certa vez.
– E elas eram importantes?
– Eu não sei – ela apertou os olhos – Mas eu estava pensando exatamente nelas quando me aventurei.
– E se aventurou aonde, Gerard?
– Na ponte.
– A ponte entre a catedral de Saint Peter e o Sandman’s Park?
– Não.
– De qual ponte você está falando?
Ela curvou-se sobre a mesa e descansou os cotovelos.
– Não me olhe assim. Você deve conhecê-la também – ela meneava a cabeça – Sabe? Entre a sanidade e a loucura.
– Você estava sendo irônico?
– Não. Eu não estava. Aliás, foi durante aquele dia chuvoso que eu a conheci pessoalmente.
– Se você não estava sendo irônico... Então, esse foi o seu primeiro encontro com a morte?
– Sim. O primeiro. E nunca o último.
–x-
Dr. Way POV’s:
Newark sempre teve o seu peculiar cheiro de morte certa e The Murder Scene contribuía muito para tal. Eu realmente acreditava viver no lugar mais fúnebre da face da Terra, porque aconteceram algumas vezes de Ray e eu estarmos brincando na ponte que existe entre a casa dele e a minha e, no tempo em que atirávamos migalhas de pão aos peixes, fomos surpreendidos por algum cadáver nascido a partir das águas fluviais.
Justamente o rio Hudson que abraçava e alimentava as suas irmãs Nova Iorque e Nova Jersey, é o mesmo Hudson que as destrói, que as aflige, que as corrompe com a sua aura mortal.
Gigantesco, denso e avassalador; The Murder Scene é um o verdadeiro feiceiro carregador de almas e cadáveres.
Ele existe por agir.
Ele age por existir.
E simplesmente leva tudo e qualquer coisa que tente ir contra a maré.
Eu me lembro perfeitamente de que naquele dia ele subdividiu as afiadas gotículas de chuva que cortavam os céus e atingiam o negro asfalto. Mas o asfalto não era tão negro como o seu cabelo, como a noite, como é agora. Não, não era noite. Mas também não era dia.
Nem uma coisa, nem outra.
Eu diria meio termo.
Porque não havia um tempo aparente, mas, sim, aparentemente o mal tempo: raios, trovões, chuva, brisa e nuvens carregadas.
E eu estava correndo em pleno dilúvio, desnorteado, sobre a escorregadia pavimentação e aquém aos canivetes que eram lançados e rapidamente iam se transformando em gigantescas poças d’água.
Entretanto, se eu tivesse alguma ideia de que enfrentaria uma tempestade como aquela, no mínimo teria me lembrado de trazer comigo um guarda-chuva ou até mesmo uma capa para me abrigar debaixo dela e não ter o meus trajes encharcados.
Mas eu não sabia que ia chover. Ninguém sabia. Foi a maior surpresa.
De tão molhado, eu não conseguia distinguir se a chuva estava nascendo do lado de fora e atingia o lado de dentro da cidade, ou se ela nascia de dentro e atingia o lado de fora do rio Hudson.
Eu corria desesperadamente entre as ruelas, tentando ao máximo chegar o mais depressa o possível, todo desengonçado por causa do pacote que estava abraçando. Compras. Eu havia ido ao supermercado, a pedido de minha mãe. E deveria entregá-las a tempo para o almoço. Oh, céus, há quanto eu deveria estar em casa?! — Pensava.
Porque se eu demorasse um pouco mais, não faria a mínima diferença ser atingido por um raio e ser incinerado, ou levar uma bronca qualificada de minha mãe.
Ela era terrível quando furiosa.
O quanto eu estava desejando o raio?
Mas ele não vinha. E eu sofria.
Então se fez o estrondo e o clarão repentino. Perguntei-me: Vestígios de trovão seguidos de raio? Não. Porém teve o choque e isso me manteve estático por causa do súbito abatimento.
A correria, o devaneio, a chuva; Tudo havia parado. Mas a ponte que me separava da minha casa e de uma desmedida quantidade de água continuava lá, me encarando. E enquanto eu me arrisquei sobre ela, um pé a frente do outro, feito gato escaldado, o espectro de luz do possível trovão revelou um cenário estranho.
Eu pude vê-la ser completamente tomada pela água da chuva, do rio, da cidade.
No entanto, apesar de o fenômeno ser intrigante, não era tão assustador quanto a imagem que estava abancada em sua borda de segurança.
Ela era uma menina que estava sentada com as suas costas voltadas para fora da ponte. Sua cabeça adornada de fios loiríssimos e os seus olhos perolados admiravam o céu.
Ela parecia triste.
Ela parecia estar chorando.
Mas como eu poderia saber? As lágrimas se misturavam com a chuva e contornavam a sua face.
Ela repentinamente voltou-se na minha direção e me olhou direto nos olhos.
Eu estava completamente abismado.
Os olhos dela eram tão frios quanto a chuva que alagava a ponte, a cidade.
A sua face era tão mórbida quanto o dilúvio.
– Venha, me faça companhia. – ela pediu-me, sua voz quase inexpressiva.
Ela me olhava insistentemente e eu estava apavorado com isso, porque eu sabia que ela poderia escorregar e cair dali a qualquer momento. E a simples ilusão de que ela se afogaria ou então se transformaria em água me parecia loucura.
Eu estava ficando louco.
– O quê? Você está querendo que eu me sente aí com você? – questionei-a, descrente.
Ela não ousou sequer um único movimento. E, por alguma razão desconhecida, eu preferi manter distância dela e da ponte, como se alguma coisa me alertasse uma possível desventura.
Antes eu tivesse escutado a minha intuição.
– Não, eu apenas quero que você venha comigo! – ela respondeu-me, o seu tom mais firme.
Ela parecia ordenar que eu me aproximasse e a água estava se elevando cada vez mais em relação as suas vontades. Eu pude notar os meus pés sumirem dentre as profundas poças d’água.
– Como assim? O que você pretende fazer? Você não está pensando em...
Eu não ousei terminar, e fiquei admirado com o conseguinte.
Elevou-se uma grande quantidade d’água e que se transformou em onda numa tentativa de sumir com a ponte, com a menina e comigo; As águas traiçoeiras do The Murder Scene queriam afogar-nos.
Eu estava tão desesperado que acabei deixando o pacote que trazia junto ao tórax cair e afundar na chuva, e foi neste exato momento que voltei os meus olhos até a menina e a vi se jogar da ponte.
Nem raciocinei direito, apenas corri o máximo que podia para tentar salvá-la. Em vão, diga-se. Pois quando finalmente consegui alcançar a borda de segurança da ponte, a menina já havia sumido e sem deixar quaisquer vestígios de que um dia estivera ali.
Ela havia sumido no mesmo instante que a onda gigantesca, como se parte dela tivesse evaporado repentinamente e a outra tivesse escorrido pelo vão dos alicerces da estrutura de cimento.
Enquanto o rio Hudson corria com naturalidade e eu o observava, ele ia se enchendo vagarosa e novamente com a calmaria da tempestade.
Fiquei ali por instantes, silencioso. Eu realmente não entendia o que havia acontecido. Só sabia que tudo poderia ter acabado ali. E, talvez tenha sido por isso, que me martirizei e fui até aonde eu havia deixado a sacola de compras e tomei-a em meus braços outra vez.
Voltei para a minha casa completamente triste e cabisbaixo, tanto pelo atraso quanto pelo acontecimento molhado.
– Aonde foi que você se meteu, Gerard? O quão irresponsável você consegue ser? Demorou tanto que o almoço deixou de existir, e agora se tornou o jantar, que, pelo visto, está todo encharcado! – a minha mãe gritava e repreendia-me como se fosse o fim do mundo.
Ela sempre fora rude comigo, mas isso piorou drasticamente com o nascimento do meu irmão Mikey.
Eu não a culpo por ter sido assim.
Eu não a culpo pelo pouco apreço que tinha, quando eu era criança.
Ela era jovem demais quando eu nasci, e não estava preparada para ser mãe.
Entretanto, eu também não tinha culpa por ser ter nascido, por ter havido uma tempestade, por ter me encontrado com a morte.
E eu estive tão perto dela.
E ela havia me aceitado com tanto carinho, até mais carinho que a minha própria mãe.
No entanto, eu não disse nada.
Sequer um murmúrio.
Apenas livrei-me da sacola e corri para perto de minha mãe, a agarrando fortemente num abraço desesperado e molhado. E, chorando, acabei molhando o vestido dela.
Na face da minha mãe, o desconcerto, o espanto, a falta de informação.
No meu olhar, o choro, o arrependimento, a desolação.
Mas, de qualquer forma, tudo foi embora naquele dia.
E a minha mãe não me abraçaria com ternura porque ainda estava com raiva por eu ter ferrado o jantar. Só que ela também não ia me largar em prol ao seu orgulho.
E, enquanto a morte, ela nunca desistiu de me levar. Apenas considerou-se vencida por hora.
Ela voltaria mais tarde.
–x-
– Então a morte era uma menina?
– Sim.
– Você compreende que os seus temores sempre são transfigurados em crianças? E, geralmente, são representadas por meninas?
– Sim. E deve ser justamente por isso que eu prefira namorar meninos.
Ela riu.
– Como se o seu trauma pudesse influenciar a sua opção sexual, é?
– Exato.
– Não, Gerard – ela cruzou os braços – Eu entendo de outra forma.
– Então, diga, senhorita Bright, como é que entende o meu dilema?
Silêncio.
E ela suspirou antes de iniciar a sua fala:
– As suas visões não são de morte, Gerard. Elas são visões de esperança.
– Esperança?
– Sim – o olhar dela tinha um brilho oscilante – Entenda que em todas as vezes em que você esteve a beira da loucura, foi trazido de volta por alguma menina.
– E o que isso significa?
– É simples: Você tem um propósito, e pode até não conhecê-lo ainda, mas ele é importante. – ela sorriu, como de costume – Apenas não morra antes de cumpri-lo. É isso que significa.
– E, suponhamos que eu concorde com a sua análise, o que eu faço com as abstrações e os diversos freaks?
– Você deve usá-los a seu favor.
E foi exatamente ali que eu a atendi.
Ela não era somente a minha colega e eventualmente a minha psiquiatra; Dra. Bright – como eu a conhecia – era também mais uma daquelas garotas mórbidas que atravessavam o meu caminho. E, como ela mesma havia dito, o seu trabalho era tirar-me da loucura e entregar-me a sua esperança.
Eu só precisava acreditar.
Eu tinha que acreditar.
Todos nós temos um propósito na vida. E, se isso é realmente uma verdade, o meu é superar a minha vontade de morrer.
Notas finais
Não sei se entenderam a minha intenção, mas tentei narrar tudo sob o ponto de vista do Dr. Way. E é por isso que ele não descreve as ações dele durante as conversas com a Dra. i.i
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