Vincent abriu os olhos mais uma vez. Acordar de cara para uma câmera não era mais algo que o surpreendia tanto, apesar daquela ser apenas a terceira vez que ele acordava no laboratório.

Lentamente, se levantou da cama. Até que uma voz ecoou do auto-falante do laboratório.

— Atenção, queridos participantes! Eu estou muito furiosa com vocês!

— Essa não... Lá vem...

— Peço encarecidamente que todos compareçam à sala de estar para uma atualização sobre o nosso Reality! Beijos, Alma!

Alma desligou. Vincent tratou de ir logo até a sala.

Zero, Emily e Sérgio já estavam na sala.

— Bom dia... — Disse Vincent.

Emily sorriu.

— Bom dia, Vincent... — Disse Zero.

— Bom dia... Ansioso para ouvir o que Alma tem a nos dizer? — Perguntou Sérgio.

Vincent sentou-se no sofá.

— Não exatamente... Mas temos que fazer o que ela nos manda, certo?

Enquanto falavam, Valentina, Diana e Joel chegaram.

— Bom dia... — Disse Diana.

— Bom dia, pessoal... É aqui o pronunciamento, não é? — Perguntou Joel.

— Bom dia! — Disse Valentina.

Todos se cumprimentaram. De repente, a TV ligou. Alma apareceu, olhando furiosa para eles.

— Bom dia, Alma... — Disse Vincent.

— Como assim, "Bom dia?" As coisas não podiam estar piores!! Já estamos no terceiro dia e ninguém tomou nenhuma atitude!!

Joel coçou a cabeça.

— Bem... Isso significa que estamos todos vivos, não é?

— Exato!! E adivinhem? Ontem eu entrei no Twitter e vi um cara acusando o meu Reality de ser uma farsa!! Vocês estão acabando com meu show!!

Vincent cruzou os braços.

— Talvez seja porque nenhum de nós concordou com isso pra começo de conversa!

— Exato! E se você espera que as coisas vão mudar, pode esquecer! — Disse Zero.

— Cancele logo isso pra irmos pra casa! — Disse Diana.

Alma mostrou suas garras.

— Fsssstt!! Eu não vou sair desse Reality com fama de mentirosa! O meu público é fiel, e eu tenho que manter a qualidade do programa!

Alma riu.

— É por isso que eu preparei mais um... "Incentivo" pra vocês!

— Outra vez? — Perguntou Valentina.

— Garota... Ou gata, sei lá... Você não se cansa disso? — Perguntou Joel.

— É questão de honra... Eu tenho um Reality para manter, sabia?

Sérgio pensou.

— Estranho... Você diz que está nos mantendo em um Reality Show transmitido 24 horas por dia na internet, certo?

— Exatamente!

— Você faz tudo isso sozinha?

Alma se espantou com a pergunta.

— Miau? Você está preocupado com o meu trabalho forçado?

— Eu sou repórter. Eu sei que por trás de um simples programa é necessário toda uma equipe de produção. Me espanta alguém como você agir sozinha.

Alma riu.

— Hehehe... Não se preocupe comigo. Gatos trabalham muito bem sozinhos. E além do mais, eu planejo tudo com muita antecedência.

Sérgio estranhou.

— Enfim, esse Reality está me entediando. Está entediando vocês, e também está entediando meu público. Então, acho melhor vocês se esforçarem um pouco mais!

A televisão desligou.

— Mas que diabos?! Ela não desiste! — Disse Diana.

— Não vai ser fácil sairmos dessa... — Disse Sérgio.

— Eu sinto que ela vai nos torturar cada vez mais... — Disse Zero.

Vincent olhou para todo o grupo.

— Pessoal! Temos que manter a calma! Não podemos nos deixar influenciar pela Alma. O nosso desespero é tudo que ela quer!

Emily começou a escrever em seu bloco de notas.

— [Temos que manter a confiança em nós!]

— Emily tem razão. Não podemos deixar que Alma faça com que nos tornemos inimigos. — Disse Valentina.

— Bem... Talvez se continuarmos vivos, ela cedo ou tarde desista desse Reality...? — Sugeriu Joel.

— Eu acho difícil... Não seria nenhum problema pra ela estender isso até que uma tragédia aconteça. — Disse Sérgio.

— Ei, escutem... Nós já sobrevivemos à primeira tentativa dela, certo? Temos apenas que continuar vivos! — Disse Vincent.

O grupo resolveu encerrar esse encontro e voltar à rotina diária. Porém Vincent notava que aos poucos, os ânimos pareciam ficar mais intensos.

Algumas horas se passaram. Vincent resolveu sair de seu quarto e passar algum tempo com alguém. Ele resolveu ir até uma sala onde haviam vários equipamentos de laboratório. Lá ele encontrou Joel.

— Ei, Joel! Vai tentar fazer algum experimento para nos tirar daqui?

— Ah, é você, Vincent... Não, infelizmente é impossível usar esses equipamentos.

Vincent estranhou.

— Por quê?

— Está tudo quebrado, e parece que um furacão passou por aqui.

Agora que Joel disse isso, Vincent notou que o laboratório estava uma bagunça. Haviam vários frascos quebrados pelo chão, equipamentos derrubados, papéis com fórmulas espalhados por toda a sala, e as mesas estavam totalmente desorganizadas.

— Uau... A Alma não se preocupa em limpar as coisas? — Perguntou Vincent.

— Estou mais preocupado com o que estava acontecendo por aqui... Será que ela estava tentando criar algum tipo de arma química ou um monstro daqueles filmes de terror dos anos 80?

— Bem, ela já disse que tem uma bomba implantada no subsolo dessa construção, então acho que não precisaria disso...

Joel foi até perto de uma das mesas.

— Olha isso aqui!

Vincent se aproximou. Havia algo que parecia ser marcas de queimado na madeira da mesa.

— Mas o que é isso...? Houve fogo por aqui?

— Se foi um incêndio, explica porque está tudo destruído dessa forma. Eu notei algumas cinzas no chão, provavelmente dos papéis...

Vincent coçou a cabeça.

— Um incêndio... Quando será que isso aconteceu?

— Não dá pra saber... Pode ter sido semana passada, ou anos atrás, supondo que Alma nunca tenha limpado nada. Bem, eu trabalho como humorista, não sou detetive...

Vincent olhou para a parede atrás de um armário.

— ...Hã?

Na parede havia um suporte para extintor de incêndio. Porém não havia nada dentro. Em outras palavras, alguém havia usado o extintor...