Deathmatch: Jogo da Sobrevivência
5 Incêndio?
Vincent abriu os olhos mais uma vez. Acordar de cara para uma câmera não era mais algo que o surpreendia tanto, apesar daquela ser apenas a terceira vez que ele acordava no laboratório.
Lentamente, se levantou da cama. Até que uma voz ecoou do auto-falante do laboratório.
— Atenção, queridos participantes! Eu estou muito furiosa com vocês!
— Essa não... Lá vem...
— Peço encarecidamente que todos compareçam à sala de estar para uma atualização sobre o nosso Reality! Beijos, Alma!
Alma desligou. Vincent tratou de ir logo até a sala.
Zero, Emily e Sérgio já estavam na sala.
— Bom dia... — Disse Vincent.
Emily sorriu.
— Bom dia, Vincent... — Disse Zero.
— Bom dia... Ansioso para ouvir o que Alma tem a nos dizer? — Perguntou Sérgio.
Vincent sentou-se no sofá.
— Não exatamente... Mas temos que fazer o que ela nos manda, certo?
Enquanto falavam, Valentina, Diana e Joel chegaram.
— Bom dia... — Disse Diana.
— Bom dia, pessoal... É aqui o pronunciamento, não é? — Perguntou Joel.
— Bom dia! — Disse Valentina.
Todos se cumprimentaram. De repente, a TV ligou. Alma apareceu, olhando furiosa para eles.
— Bom dia, Alma... — Disse Vincent.
— Como assim, "Bom dia?" As coisas não podiam estar piores!! Já estamos no terceiro dia e ninguém tomou nenhuma atitude!!
Joel coçou a cabeça.
— Bem... Isso significa que estamos todos vivos, não é?
— Exato!! E adivinhem? Ontem eu entrei no Twitter e vi um cara acusando o meu Reality de ser uma farsa!! Vocês estão acabando com meu show!!
Vincent cruzou os braços.
— Talvez seja porque nenhum de nós concordou com isso pra começo de conversa!
— Exato! E se você espera que as coisas vão mudar, pode esquecer! — Disse Zero.
— Cancele logo isso pra irmos pra casa! — Disse Diana.
Alma mostrou suas garras.
— Fsssstt!! Eu não vou sair desse Reality com fama de mentirosa! O meu público é fiel, e eu tenho que manter a qualidade do programa!
Alma riu.
— É por isso que eu preparei mais um... "Incentivo" pra vocês!
— Outra vez? — Perguntou Valentina.
— Garota... Ou gata, sei lá... Você não se cansa disso? — Perguntou Joel.
— É questão de honra... Eu tenho um Reality para manter, sabia?
Sérgio pensou.
— Estranho... Você diz que está nos mantendo em um Reality Show transmitido 24 horas por dia na internet, certo?
— Exatamente!
— Você faz tudo isso sozinha?
Alma se espantou com a pergunta.
— Miau? Você está preocupado com o meu trabalho forçado?
— Eu sou repórter. Eu sei que por trás de um simples programa é necessário toda uma equipe de produção. Me espanta alguém como você agir sozinha.
Alma riu.
— Hehehe... Não se preocupe comigo. Gatos trabalham muito bem sozinhos. E além do mais, eu planejo tudo com muita antecedência.
Sérgio estranhou.
— Enfim, esse Reality está me entediando. Está entediando vocês, e também está entediando meu público. Então, acho melhor vocês se esforçarem um pouco mais!
A televisão desligou.
— Mas que diabos?! Ela não desiste! — Disse Diana.
— Não vai ser fácil sairmos dessa... — Disse Sérgio.
— Eu sinto que ela vai nos torturar cada vez mais... — Disse Zero.
Vincent olhou para todo o grupo.
— Pessoal! Temos que manter a calma! Não podemos nos deixar influenciar pela Alma. O nosso desespero é tudo que ela quer!
Emily começou a escrever em seu bloco de notas.
— [Temos que manter a confiança em nós!]
— Emily tem razão. Não podemos deixar que Alma faça com que nos tornemos inimigos. — Disse Valentina.
— Bem... Talvez se continuarmos vivos, ela cedo ou tarde desista desse Reality...? — Sugeriu Joel.
— Eu acho difícil... Não seria nenhum problema pra ela estender isso até que uma tragédia aconteça. — Disse Sérgio.
— Ei, escutem... Nós já sobrevivemos à primeira tentativa dela, certo? Temos apenas que continuar vivos! — Disse Vincent.
O grupo resolveu encerrar esse encontro e voltar à rotina diária. Porém Vincent notava que aos poucos, os ânimos pareciam ficar mais intensos.
Algumas horas se passaram. Vincent resolveu sair de seu quarto e passar algum tempo com alguém. Ele resolveu ir até uma sala onde haviam vários equipamentos de laboratório. Lá ele encontrou Joel.
— Ei, Joel! Vai tentar fazer algum experimento para nos tirar daqui?
— Ah, é você, Vincent... Não, infelizmente é impossível usar esses equipamentos.
Vincent estranhou.
— Por quê?
— Está tudo quebrado, e parece que um furacão passou por aqui.
Agora que Joel disse isso, Vincent notou que o laboratório estava uma bagunça. Haviam vários frascos quebrados pelo chão, equipamentos derrubados, papéis com fórmulas espalhados por toda a sala, e as mesas estavam totalmente desorganizadas.
— Uau... A Alma não se preocupa em limpar as coisas? — Perguntou Vincent.
— Estou mais preocupado com o que estava acontecendo por aqui... Será que ela estava tentando criar algum tipo de arma química ou um monstro daqueles filmes de terror dos anos 80?
— Bem, ela já disse que tem uma bomba implantada no subsolo dessa construção, então acho que não precisaria disso...
Joel foi até perto de uma das mesas.
— Olha isso aqui!
Vincent se aproximou. Havia algo que parecia ser marcas de queimado na madeira da mesa.
— Mas o que é isso...? Houve fogo por aqui?
— Se foi um incêndio, explica porque está tudo destruído dessa forma. Eu notei algumas cinzas no chão, provavelmente dos papéis...
Vincent coçou a cabeça.
— Um incêndio... Quando será que isso aconteceu?
— Não dá pra saber... Pode ter sido semana passada, ou anos atrás, supondo que Alma nunca tenha limpado nada. Bem, eu trabalho como humorista, não sou detetive...
Vincent olhou para a parede atrás de um armário.
— ...Hã?
Na parede havia um suporte para extintor de incêndio. Porém não havia nada dentro. Em outras palavras, alguém havia usado o extintor...
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