Um homem estava em sua cela na prisão. Ele olhava de cabeça baixa para uma foto, sentado em sua cama. Alguns segundos depois, um policial se aproximou.

— Vamos... É a sua hora...

O homem levantou a cabeça e olhou para o policial. Em seguida, levantou-se enquanto o policial abria a cela.

Alguns minutos se passaram. O homem se encontrava parado em frente à um muro. Quatro policiais estavam na sua frente, segurando suas metralhadoras. Um dos policiais olhou para o homem.

— Você tem direito a dizer alguma coisa antes da execução.

O homem encarou o policial nos olhos.

— Vocês estão cometendo um grande erro... Eu sou inocente...

— Sinto muito, mas nesse país é assim que as coisas funcionam... Você foi pego em flagrante, e não existe outra opção a não ser a execução.

O homem baixou a cabeça.

— Alyssa... Me perdoe...

O Sol começava a nascer no horizonte. As nuvens corriam pelo céu. O homem continuava de cabeça baixa. Os quatro policiais apontaram suas armas para ele.

Após um momento de silêncio, as quatro armas dispararam ao mesmo tempo. Uma chuva de balas percorria o corpo do homem.

Alguns segundos depois, os policiais pararam. Lentamente, seu corpo caiu no chão.


SEIS ANOS DEPOIS

— Ãh... Ahh!! O quê?!

Vincent acordou assustado. Ao olhar ao redor, notou que aquele não era seu quarto. Era um quarto totalmente branco.

— Onde... Onde eu estou...? Ai!!

Ao se levantar, sentiu uma pequena dor em seu pescoço.

— O que aconteceu comigo...?

Em sua frente, havia uma porta. Lentamente, ele se aproximou e a abriu. Em seguida, encontrou um corredor com outras portas, provavelmente mais quartos.

Não havia ninguém por perto. No entanto, havia uma porta no final do corredor que parecia levar para uma área aberta.

— ...Olá?! Tem alguém aqui?!

Ninguém respondeu. Como aquela situação estava começando a assustá-lo, ele resolveu se apressar até a porta no final do corredor. Ao abrí-la, encontrou uma escadaria que levava para algo que parecia ser uma grande sala. E haviam mais pessoas por lá.

— Quem... Quem são vocês?!

Haviam seis pessoas no total. Vincent desceu as escadas. O primeiro a se pronunciar foi um homem que usava um uniforme de soldado.

— Ah, então você acordou...? Acho que só faltava você...

Vincent esfregou o rosto. Em seguida, uma mulher de cabelos vermelhos que aparentava não ter muito mais de vinte anos se pronunciou.

— Putz... Mais um agora... Afinal que diabos está acontecendo aqui?

Um outro homem, de óculos, foi o próximo a falar.

— A sua dúvida é a mesma de todos nós... Mas afinal, porque não nos apresentamos logo?

A próxima a falar foi outra mulher, que usava um vestido.

— Boa ideia... Vamos, aproxime-se, novato.

Vincent, que apenas observava a situação, se aproximou. Um outro homem, de cabelos castanhos resolveu se pronunciar primeiro.

— Bem, se me dão a honra de começar... O meu nome é Joel. Eu tenho 29 anos e sou humorista. Prazer em conhecê-los.

O homem com roupa de soldado, foi o próximo:

— Meu nome é Marco, tenho 37 anos e sou um soldado como já deu pra perceber pelo meu uniforme. Todo mundo me chama de "Zero", porém.

A garota ruiva se espantou.

— Zero...? Isso soa meio negativo, não?

— Pois é... Mas é um apelido que pegou por causa do meu primeiro uniforme, que tinha um "zero" estampado.

Vincent resolveu finalmente falar.

— Bem... Meu nome é Vincent, eu tenho 38 anos e sou advogado.

A mulher de vestido deu sequência.

— Meu nome é Valentina, sou atriz e trabalho em teatros. Tenho 30 anos, a propósito.

A garota ruiva foi a próxima.

— Meu nome é Diana, tenho 25 anos, embora muitos dizem que eu pareço mais jovem. Sou apenas uma garota qualquer que gosta de fazer o que quiser.

Vincent notou pelo tom de voz de Diana que ela parecia meio... Difícil.

O homem de óculos deu sequência às apresentações.

— Meu nome é Sérgio, tenho 34 anos e sou repórter.

— Emissora local? — Perguntou Valentina.

— Não. Eu sou repórter de uma rádio.

Todos se espantaram.

— Ninguém mais ouve rádio?

— Bem... Acho que não está mais entre os costumes das pessoas. — Respondeu Valentina.

Naquele instante, todos notaram que havia alguém que ainda não havia dito nenhuma palavra... Uma pequena garota de longos cabelos loiros que estava afastada do grupo.

— Ei... Só falta você. — Disse Vincent.

— Qual o problema dela? — Perguntou Zero.

— Vamos lá, amiguinha... — Disse Joel, chamando-a.

A garotinha se aproximou.

— Qual o seu nome? — Perguntou Valentina.

No entanto, ao invés de dizer algo, a garota retirou um bloco de notas de seu bolso e começou a escrever.

— [Emily]

Naquele instante, Vincent se espantou.

— Espera... Ela...

Emily voltou a escrever.

— [Eu só consigo me comunicar assim]

Todos ficaram em silêncio. Aparentemente, Emily não tinha o dom da fala.

— E... Qual a sua idade? — Perguntou Zero.

Novamente ela voltou a escrever.

— [13]

Diana cruzou os braços.

— Bem... Acho que isso fecha as apresentações...

— Sim, mas... O que viemos fazer aqui mesmo? Alguém se lembra? — Perguntou Sérgio.

Naquele instante, Vincent foi tomado pelo medo. Será possível que ninguém se lembrava?

— Ei, vocês... Também perderam a memória?

— Adivinhou. — Respondeu Diana.

Joel esfregou o rosto.

— Ah, cara... Se isso for alguma piada de algum programa humorístico... Não tem graça...

De repente, quando Joel terminou sua frase, uma voz ecoou pela sala.

— A-Hahahahahaha!!

Uma voz ecoou pela sala. Era uma risada feminina. Bem alta.

— Ei!! — Gritou Vincent.

— Quem está aí?! — Gritou Valentina.

O grupo todo sentia estar sendo observado.