"Eu não consigo acreditar que já faz 6 anos...

Desde aquele fatídico dia, estou tentando aos poucos esquecer tudo. Antes de morrer, minha mãe me disse que eu devia acreditar em um futuro melhor. Que um dia eu me tornaria alguém muito importante. E tudo de ruim ficaria para trás.

Bem... É por isso que estou aqui hoje, no AZURA, o Laboratório de Pesquisas e Estudos mais popular da região. Eu acho que meus conhecimentos de biologia podem ser aproveitados.

Agora é torcer..."

Uma jovem garota se aproximou de um enorme laboratório. A porta se abriu e ela entrou, sendo recebida por um homem mais velho.

— Bom dia, eu... Eu me chamo Alyssa, tenho 19 anos e estou buscando uma chance de trabalhar aqui.

O homem pegou um papel que Alyssa lhe entregou.

— ...Alyssa Marques...

— Sim, eu acabei meus estudos e estou buscando me aperfeiçoar em Biologia.

O homem leu com atenção tudo que estava naquele papel.

— ...Alyssa Marques... O seu nome é bem... Conhecido.

Alyssa baixou a cabeça.

— Por favor, senhor, eu... Eu não quero falar sobre isso.

O homem olhou para Alyssa com certa tristeza.

— Desculpe, Alyssa... Meu nome é Eric.

— Prazer em conhecê-lo.

Os dois trocaram um aperto de mãos.

— Vejamos, você tem bastante estudo nessa área. O que eu tenho aqui pra você, no entanto, é o grupo de aprendizes. É formado por maiores de 18 anos que possuem interesse em começar uma carreira nesse laboratório. Você aceita?

Alyssa sorriu.

— Claro que aceito! Obrigada!

"Consegui! Eu passei pelo primeiro desafio! Agora é hora de conhecer meus colegas de trabalho... Espero que sejam legais..."

Alyssa usava uma roupa branca com um crachá que dizia "Alyssa Marques" e entrou em uma sala. Três outros jovens estavam lá, duas garotas e um garoto.

— Com licença... Eu sou a nova estudante... — Disse Alyssa.

Uma das garotas se animou.

— Uau, uma novata! Bem-vinda, meu nome é Anna!

A outra garota se aproximou.

— É sempre bom receber gente nova por aqui! Venha, eu me chamo Natasha.

Ela puxou Alyssa pelo braço até se juntar ao grupo. Foi a vez do garoto se apresentar.

— Eu sou Júlio, o único garoto daqui... Bem, desde que o Matheus foi promovido semana passada...

Alyssa sorriu.

— Eu sou Alyssa... Prazer em conhecê-los.

"Tudo correu perfeitamente bem na apresentação! Estou super ansiosa para começar meu trabalho aqui."

Alguns dias se passaram. Alyssa estava testando alguns líquidos em tubos de ensaio quando Natasha se aproximou.

— Ei, Alyssa...

— Hum...? O que houve?

Natasha coçou a cabeça.

— A Anna estava me contando que... Você é aquela garota cujo pai... Você sabe...

Alyssa parou o que estava fazendo.

— Eu... Eu não quero falar sobre isso, desculpe.

— Eu sei, mas... Se você quiser conversar com alguém, nós estaremos aqui, Ok? Mais do que colegas de trabalho, somos todos amigos nesse laboratório.

Alyssa se virou para Natasha e sorriu.

— Obrigada!

— Sem problemas, eu fico feliz que você confia na gente.

Alyssa baixou a cabeça.

— O meu pai fez uma viagem à trabalho, e quando voltou, alguém implantou drogas em sua bagagem no avião... Ele foi capturado e enviado para execução, depois que o maldito presidente aprovou a pena de morte!

Natasha se espantou.

— Ei, cuidado... Esse ódio todo não vai te fazer bem...

Alyssa balançou a cabeça.

— Eu sei, mas... É tudo que eu sinto agora. Desculpe, eu quero voltar a fazer meus testes.

Natasha acenou positivamente e se retirou.

"Natasha, Anna e Júlio são pessoas legais. Eu estou gostando de trabalhar com eles.

Hoje eu tenho uns testes extras que eu quero fazer. Vou ficar no laboratório até mais tarde. Felizmente eles garantem acesso 24 horas por dia aos seus estudantes."

Alyssa fazia anotações em uma folha de caderno. Havia um rádio ligado na mesa. Júlio entrou.

— Alyssa, eu já vou indo. Você fica?

— Sim, eu quero terminar isso hoje.

— Tudo bem! Não esqueça de trancar tudo quando sair, Ok?

— Ok, boa noite, Júlio!

— Boa noite!

Júlio se retirou. Alyssa se aproximou de uma gaiola no canto da sala onde havia um gato preto.

— Olá, gatinho... Eu vou precisar do seu DNA, tudo bem?

Com cuidado, Alyssa usou uma tesoura para cortar alguns dos pelos do gato.

— Miau!!

— Ei, calma... Eu prometo que já vou te soltar, tudo bem?

Alyssa riu para o gato. Em seguida voltou para a mesa e colocou os pelos do gato em um frasco de vidro. Em seguida, despejou um líquido estranho dentro.

— Ok... Se meus testes estiverem certos, o DNA do gatinho junto com essa fórmula vai resultar em algo... Interessante. Agora, vamos aquecê-la...

Alyssa colocou o frasco na mesa e acendeu um fogo que havia em baixo do suporte. Em seguida, prestou atenção no rádio.

— E agora, recebemos aqui no estúdio uma ligação do próprio Presidente.

Alyssa se virou rapidamente para o rádio, esquecendo totalmente da fórmula.

— Ele vai responder perguntas dos telespectadores em um minuto!

— Desgraçado... — Disse Alyssa.

O telefone do rádio tocou.

— Boa noite, qual a sua dúvida para o Presidente?

— Boa noite, meu nome é Murilo... Eu queria saber o que o Presidente tem a dizer sobre o incidente que resultou na pena de morte para um inocente 6 anos atrás... Eu soube que a verdade veio à tona no começo desse ano.

Alyssa arregalou os olhos.

— Veja bem, Murilo... Nós definitivamente não vamos remover a pena de morte! O que aconteceu 6 anos atrás é um preço à se pagar, mas eu tenho certeza que no futuro vamos todos presenciar os benefícios para o país! — Respondeu o Presidente.

Essa fala fez Alyssa perder a respiração.

— Desgraçado... Maldito!!

Alyssa jogou o rádio longe. O mesmo bateu na estante derrubando vários frascos de vidro.

— Aaargh!!

Alyssa jogou todos os frascos da mesa longe. O gato na jaula se assustou, mas não tinha pra onde fugir. Alyssa foi até ele e o libertou. Rapidamente o felino correu para fora da sala.

— Ele pensa que o meu pai era um pequeno preço para o seu projeto de matar todo mundo que cometer crimes no país...?! Foi isso que eu entendi...?! Maldito!!

Alyssa pegou um vidro com algum líquido dentro e arremessou com força. Porém, ela não percebeu que o havia jogado em direção à mesa onde seu experimento ainda estava se aquecendo. O líquido se esparramou e para seu azar, era inflamável. A mesa começou a pegar fogo.

— Essa não!!

Alyssa removeu o extintor que estava atrás da estante de seu suporte e correu até a mesa. Porém, no caminho, escorregou nos líquidos dos frascos que haviam caído da estante. A garota caiu e bateu a cabeça na mesa. O frasco com seu experimento se desprendeu do suporte e caiu em sua cabeça. O líquido escorreu em seu rosto.

— Droga... Cof...

Alyssa chegou a engolir seu próprio experimento. Mas a pancada na cabeça a fez perder a consciência.