Deathmatch: Jogo da Sobrevivência
3 A Estratégia de Alma
Na manhã seguinte, Vincent acordou e pela primeira vez notou que havia uma câmera apontada para ele no teto de seu quarto.
— Ah, é mesmo... Estão nos assistindo na Internet... Espero que pelo menos estejam aproveitando o show.
Vincent saiu do quarto. Ao fazer isso, notou que no final do corredor, Valentina estava observando algo.
— Ei, Valentina...
Valentina se virou.
— Ah, oi Vincent... Bom dia...
Vincent notou que o que Valentina observava era um enorme quadro na parede, que ia do chão até perto do teto. A figura era um castelo.
— Esse quadro é enorme...
— É, mas eu gosto... Esses cenários que lembram contos de fantasia me agradam bastante.
— Ah, sim, você é atriz, não é? Deve gostar desse tipo de cena.
— Bem, por enquanto eu apenas atuo em teatros... Mas meu sonho é um dia trabalhar na Televisão.
Naquele instante, uma voz ecoou de um alto-falante que estava no canto da parede.
— Atenção! Vincent e Valentina, não toquem ou danifiquem os quadros ou qualquer item desse laboratório! Se fizerem isso, serão duramente castigados... Mas se quiserem, talvez suba nossa audiência! Hehehe...
Vincent se virou para Valentina.
— Eu acho melhor nos afastarmos daqui.
— Concordo...
Os dois resolveram sair do corredor e foram até a sala de jantar.
— Ei, bom dia! — Disse Joel.
Todo mundo estava reunido na mesa. Era hora do café da manhã. A mesa estava cheia com vários pães torrados, leite, suco, manteiga e café.
— Ei, quem preparou tudo isso? — Perguntou Vincent.
— Eu... Bem, na verdade eu tive uma grande ajuda... Certo? — Disse Zero.
Emily olhou para Zero e sorriu.
— Ei! Emily te ajudou? — Perguntou Valentina.
— Uau, isso é impressionante! Você gosta de cozinhar, Emily? — Perguntou Vincent.
Emily pegou seu bloco de notas e escreveu.
— [Sim, eu adoro! :-) ]
Vincent sorriu. Diana, Sérgio e Joel já estavam sentados.
— Ei, sentem-se! — Disse Diana.
— Nós temos sorte de ter alguém tão dedicado quanto Emily para fazer isso por nós. — Disse Sérgio.
Zero olhou para Sérgio com certo desprezo.
— Ei... Eu ajudei.
Sérgio riu.
— Ela fez quase tudo sozinha, Zero.
Zero decidiu não argumentar. Todos se sentaram e tomaram o café da manhã em paz. Porém, mais tarde, o grupo se reuniu na sala para uma discussão mais séria...
— Então... Todos dormiram bem? Nenhum evento estranho ou algo do tipo? — Perguntou Sérgio.
Diana negou com a cabeça.
— Estamos todos vivos, então é seguro dizer que tudo correu bem, não?
— E a Alma...? Alguém viu ela novamente? — Perguntou Joel.
Todos negaram.
— Com certeza ela está nos observando agora... Afinal, há câmeras espalhadas em cada cômodo desse laboratório. — Disse Vincent.
— Eu odeio saber que estamos sendo vigiados à todo momento... — Disse Valentina.
Zero, que estava sentado no sofá, tomou a palavra.
— Se realmente isso é um Reality Show sendo transmitido pela internet, não vai demorar muito até a polícia ficar sabendo, não é?
Aquilo fez todos se virarem para Zero.
— Ei... Isso é verdade... Digo, o que ela está fazendo não pode ser legal, não é? — Perguntou Joel.
— Claro que não... Afinal, matar alguém não é algo que você transmite na internet e todo mundo fica calado, não é? — Disse Diana.
— Ela deve ter algo planejado... — Disse Sérgio.
Vincent se virou para Sérgio.
— Como assim? Você quer dizer, um plano para driblar as autoridades?
— Ela deve estar preparada se houver uma invasão nesse laboratório. Eu diria até que... Ela deve ter ameaçado as autoridades.
Valentina se assustou.
— Como... Como assim?!
Sérgio cruzou os braços.
— E se houver algo perigoso nesse laboratório? Algo que ela pode usar como arma para impedir que a polícia sequer nos procure?
No momento em que Sérgio terminou, a grande televisão na frente do sofá se ligou exibindo estática por alguns segundos... Até que Alma apareceu.
— Plim!! Resposta correta!!
Todos se espantaram ao ver Alma na TV.
— Talvez eu não deixei algo claro pra vocês... Se a polícia, ou qualquer autoridade tentar mover um dedo para tirá-los daqui e estragar meu Reality... Tem um enorme explosivo plantado no subsolo desse laboratório que eu posso detonar de onde estiver!
Um frio percorreu a espinha de Vincent.
— Um... Explosivo... Meu Deus...
— Precisamente... Eu não quero fazer isso, e acho que nem as autoridades... Então espero que todos colaborem.
Um instante de silêncio se seguiu.
— Ah, a propósito... Tem um presentinho pra vocês atrás do sofá!
Zero, que estava sentado, se levantou.
— Atrás do sofá? — Perguntou Zero.
Emily foi até atrás do sofá e se abaixou.
— Tem alguma coisa aí, Emily? — Perguntou Valentina.
Emily se levantou e trouxe uma caixa azul com um laço vermelho. Havia a silhueta de um gato preto desenhada na caixa.
— Eu não abro! Pode ser uma armadilha. — Disse Diana.
— Eu gosto de receber presentes, mas esse aí... Eu dispenso, obrigado... — Disse Joel.
Alma riu.
— Não se preocupem, uma das regras do jogo é que o apresentador não pode ferir os participantes.
Emily entregou a caixa para Vincent.
— Ok... Vamos ver...
Vincent tirou o laço da caixa e o entregou para Emily. Em seguida, retirou a tampa. Para sua surpresa, dentro da caixa havia não uma... Mas sete armas. Vincent colocou a caixa no chão e todos olharam.
— Cada revólver possui apenas uma bala, e tem um para cada participante. Eu espero que saibam usá-los bem, hehe... Ah, eu pensei em dar "munição infinita", mas aí não teria graça... Hahahahaha!
A TV se desligou sozinha. Vincent olhava sem saber o que fazer para todas aquelas armas.
— Isso... Isso é um absurdo... — Disse Diana.
— Opa!! Essas armas são de verdade?! — Perguntou Joel.
Zero acenou positivamente.
— Eu já estive em uma guerra e sei muito sobre armas... Esses revólveres são todos reais, eu posso garantir.
Sérgio cruzou os braços.
— Bem... Ela realmente tem pressa, não?
— Não... Eu não vou dar esse prazer pra ela! — Disse Vincent.
— Então, o que faremos?
Sérgio pensou.
— Vamos colocar essa caixa em algum lugar afastado e escondido. Ninguém toca nessas armas.
Todos concordaram.
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