Na manhã seguinte, Vincent acordou e pela primeira vez notou que havia uma câmera apontada para ele no teto de seu quarto.

— Ah, é mesmo... Estão nos assistindo na Internet... Espero que pelo menos estejam aproveitando o show.

Vincent saiu do quarto. Ao fazer isso, notou que no final do corredor, Valentina estava observando algo.

— Ei, Valentina...

Valentina se virou.

— Ah, oi Vincent... Bom dia...

Vincent notou que o que Valentina observava era um enorme quadro na parede, que ia do chão até perto do teto. A figura era um castelo.

— Esse quadro é enorme...

— É, mas eu gosto... Esses cenários que lembram contos de fantasia me agradam bastante.

— Ah, sim, você é atriz, não é? Deve gostar desse tipo de cena.

— Bem, por enquanto eu apenas atuo em teatros... Mas meu sonho é um dia trabalhar na Televisão.

Naquele instante, uma voz ecoou de um alto-falante que estava no canto da parede.

— Atenção! Vincent e Valentina, não toquem ou danifiquem os quadros ou qualquer item desse laboratório! Se fizerem isso, serão duramente castigados... Mas se quiserem, talvez suba nossa audiência! Hehehe...

Vincent se virou para Valentina.

— Eu acho melhor nos afastarmos daqui.

— Concordo...

Os dois resolveram sair do corredor e foram até a sala de jantar.

— Ei, bom dia! — Disse Joel.

Todo mundo estava reunido na mesa. Era hora do café da manhã. A mesa estava cheia com vários pães torrados, leite, suco, manteiga e café.

— Ei, quem preparou tudo isso? — Perguntou Vincent.

— Eu... Bem, na verdade eu tive uma grande ajuda... Certo? — Disse Zero.

Emily olhou para Zero e sorriu.

— Ei! Emily te ajudou? — Perguntou Valentina.

— Uau, isso é impressionante! Você gosta de cozinhar, Emily? — Perguntou Vincent.

Emily pegou seu bloco de notas e escreveu.

— [Sim, eu adoro! :-) ]

Vincent sorriu. Diana, Sérgio e Joel já estavam sentados.

— Ei, sentem-se! — Disse Diana.

— Nós temos sorte de ter alguém tão dedicado quanto Emily para fazer isso por nós. — Disse Sérgio.

Zero olhou para Sérgio com certo desprezo.

— Ei... Eu ajudei.

Sérgio riu.

— Ela fez quase tudo sozinha, Zero.

Zero decidiu não argumentar. Todos se sentaram e tomaram o café da manhã em paz. Porém, mais tarde, o grupo se reuniu na sala para uma discussão mais séria...

— Então... Todos dormiram bem? Nenhum evento estranho ou algo do tipo? — Perguntou Sérgio.

Diana negou com a cabeça.

— Estamos todos vivos, então é seguro dizer que tudo correu bem, não?

— E a Alma...? Alguém viu ela novamente? — Perguntou Joel.

Todos negaram.

— Com certeza ela está nos observando agora... Afinal, há câmeras espalhadas em cada cômodo desse laboratório. — Disse Vincent.

— Eu odeio saber que estamos sendo vigiados à todo momento... — Disse Valentina.

Zero, que estava sentado no sofá, tomou a palavra.

— Se realmente isso é um Reality Show sendo transmitido pela internet, não vai demorar muito até a polícia ficar sabendo, não é?

Aquilo fez todos se virarem para Zero.

— Ei... Isso é verdade... Digo, o que ela está fazendo não pode ser legal, não é? — Perguntou Joel.

— Claro que não... Afinal, matar alguém não é algo que você transmite na internet e todo mundo fica calado, não é? — Disse Diana.
— Ela deve ter algo planejado... — Disse Sérgio.

Vincent se virou para Sérgio.

— Como assim? Você quer dizer, um plano para driblar as autoridades?

— Ela deve estar preparada se houver uma invasão nesse laboratório. Eu diria até que... Ela deve ter ameaçado as autoridades.

Valentina se assustou.

— Como... Como assim?!

Sérgio cruzou os braços.

— E se houver algo perigoso nesse laboratório? Algo que ela pode usar como arma para impedir que a polícia sequer nos procure?

No momento em que Sérgio terminou, a grande televisão na frente do sofá se ligou exibindo estática por alguns segundos... Até que Alma apareceu.

— Plim!! Resposta correta!!

Todos se espantaram ao ver Alma na TV.

— Talvez eu não deixei algo claro pra vocês... Se a polícia, ou qualquer autoridade tentar mover um dedo para tirá-los daqui e estragar meu Reality... Tem um enorme explosivo plantado no subsolo desse laboratório que eu posso detonar de onde estiver!

Um frio percorreu a espinha de Vincent.

— Um... Explosivo... Meu Deus...

— Precisamente... Eu não quero fazer isso, e acho que nem as autoridades... Então espero que todos colaborem.

Um instante de silêncio se seguiu.

— Ah, a propósito... Tem um presentinho pra vocês atrás do sofá!

Zero, que estava sentado, se levantou.

— Atrás do sofá? — Perguntou Zero.

Emily foi até atrás do sofá e se abaixou.

— Tem alguma coisa aí, Emily? — Perguntou Valentina.

Emily se levantou e trouxe uma caixa azul com um laço vermelho. Havia a silhueta de um gato preto desenhada na caixa.

— Eu não abro! Pode ser uma armadilha. — Disse Diana.

— Eu gosto de receber presentes, mas esse aí... Eu dispenso, obrigado... — Disse Joel.

Alma riu.

— Não se preocupem, uma das regras do jogo é que o apresentador não pode ferir os participantes.

Emily entregou a caixa para Vincent.

— Ok... Vamos ver...

Vincent tirou o laço da caixa e o entregou para Emily. Em seguida, retirou a tampa. Para sua surpresa, dentro da caixa havia não uma... Mas sete armas. Vincent colocou a caixa no chão e todos olharam.

— Cada revólver possui apenas uma bala, e tem um para cada participante. Eu espero que saibam usá-los bem, hehe... Ah, eu pensei em dar "munição infinita", mas aí não teria graça... Hahahahaha!

A TV se desligou sozinha. Vincent olhava sem saber o que fazer para todas aquelas armas.

— Isso... Isso é um absurdo... — Disse Diana.

— Opa!! Essas armas são de verdade?! — Perguntou Joel.

Zero acenou positivamente.

— Eu já estive em uma guerra e sei muito sobre armas... Esses revólveres são todos reais, eu posso garantir.

Sérgio cruzou os braços.

— Bem... Ela realmente tem pressa, não?

— Não... Eu não vou dar esse prazer pra ela! — Disse Vincent.

— Então, o que faremos?

Sérgio pensou.

— Vamos colocar essa caixa em algum lugar afastado e escondido. Ninguém toca nessas armas.

Todos concordaram.