Death Struggle

1 Capítulo Único.


"Talvez haja alguma coisa que você tem medo de dizer, ou alguém que você tem medo de amar, ou algum lugar que você tem medo de ir. Vai doer. Vai doer porque é importante." — John Green

A menina seguia o fluxo de pessoas calmamente. Seus cabelos negros sendo molhados pela chuva que caía do céu. Ela se sentia invisível no meio de tantas pessoas. Umas choravam, outras clamavam por algo a um deus, outras apenas queriam poder ir embora daquele ambiente maçante. E ela perguntava-se: “O que estou fazendo aqui?”. Realmente, ela não obteria resposta. Cutucou uma senhora, que carregava uma rosa vermelha na mão.

“Senhora, sabes o porquê de eu estar aqui?”

E a mulher, como se nada tivesse ouvido, continuou a fazer seu percurso. A menina queria entender o que estava acontecendo. Do que as pessoas estavam indo atrás, e o porquê de tanto sofrimento. Um frio percorreu sua espinha e ela abraçou seu próprio corpo, deixando com que uma lágrima caísse.

“Por que estou chorando?” – Pensou.

Também tinha a consciência de que não receberia resposta daquela questão. Um quebra cabeça formava-se em sua cabeça. Por que tantos porquês e a falta de suas respostas?

Finalmente a multidão reuniu-se em um local. Uma capela.

Curiosa, a menina entrou no local. Observou face a face, e percebeu que todos os presentes ali estavam realmente abalados.

“Quem morreu?” – Perguntou-se, enquanto sentava-se isolada num banco do local.

O Padre começou a proferir palavras de afeto à família que sofrera a perda. Algumas citações da bíblia foram ditas, e depois de tal ato as pessoas começaram a chorar mais e mais.

A menina moveu-se impaciente no banco. Quem tinha morrido? O que estava havendo?

Levantou-se de seu lugar e foi até o meio da capela. Ficou parada ali por longos segundos, mas não conseguiu a atenção de ninguém. Todos pareciam ignorar a pequena menina de cabelos negros. Sentou-se no chão e bufou.

“Mas que merda!” – Falou consigo mesma.

Levantando o olhar as pessoas que teimavam em ignorá-la, percebeu rostos conhecidos ali. Sua mãe, seus amigos, alguns conhecidos, parentes. Agora ela tinha medo. Sabia que alguém especial tinha morrido, mas ela não sabia dizer quem.

Nesse momento, sentiu-se culpada por todas as vezes que tentou tirar sua vida.

Ela havia tentado, e quase conseguido tantas vezes se suicidar... E agora via todos que ama sofrerem por alguém que morreu. Queria abraçar todos ali, porém não podia. Aproximou-se de sua mãe e abraçou-a com força, mas nada a mãe fez. Continuou abraçando com a mesma, uma sensação estranha de vazio percorrendo todo seu corpo. Voltou seu olhar à missa e ouviu as palavras do padre:

“Um futuro tão digno pela frente... Tantos sonhos, conquistas a serem feitas. Ouvíamos a falar sobre teus ídolos, sobre Brandon, seu namorado, sobre sua faculdade, sobre os textos que havia escrito...”

Após ouvir esse trecho, obrigou a mente a trabalhar em alguém que pudesse ser assim, que pudesse ser exatamente desse jeito. Mas nada parecia faze-a lembrar de alguém. Passaram-se minutos desde então, e quando finalmente voltou a realidade, a missa já havia cessado e agora as pessoas estavam a observar o corpo.

Apressadamente e empurrando as pessoas disfarçadamente, conseguiu chegar até o caixão.

Não conseguia ver o rosto da pessoa ainda, mas quando finalmente conseguiu focaliza-lo, não conseguiu crer no que via.

Agora entendia o porquê de ter sido ignorada, de tantas lágrimas e de tantos rostos conhecidos.

Quem havia falecido era ela, e agora a única coisa que fazia com que ela estivesse ali, observando tudo, era sua alma.

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