Death Note: Ω
16 Capítulo X: Reação (Sion)
20h49 — 2º de agosto de 2026
Quarto de Sion, Residência Kujō, Okazaki — Kyoto
Sion
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Sion entrou em seu quarto, silencioso em seus passos. Levou a mão fechada à boca e deu um arroto contido; depois, soprou com força o odor da comida em seu hálito, na tentativa de limpar o ar ao seu redor.
Ele olhou em volta, considerando suas opções. Sobre a escrivaninha, o celular estava apoiado em um suporte, com a tela voltada para a cadeira; logo ao lado, a guitarra descansava no próprio suporte, com a trava de segurança fechada ao redor da base do braço.
Ele alongou os braços, entrelaçou os dedos e os estalou, tensionando também os músculos dos ombros. Depois, sentou-se na cadeira.
Pegou o celular do suporte e digitou na busca do navegador: “L declaration Omega”. A busca resultou em algumas notícias: “Plataformas removem listas de possíveis alvos após alerta de L”; “Governos prometem investigar fóruns ligados a Ômega”; “Seguidores de Ômega acusam L de proteger autoridades corruptas”; “Prisões são realizadas após divulgação de lista de alvos”.
É, L...
Parece que agora estamos mesmo duelando.
Ele abriu outra aba e digitou: “Omega cult protests”. Vídeos surgiram: pessoas com cartazes; gente gritando em ruas estrangeiras; pessoas vestidas inteiramente de preto protestando; em outros lugares, pessoas vestidas inteiramente de branco.
Ele clicou em uma reportagem. “País declara estado de emergência após morte súbita de ministro acusado em fóruns pró-Ômega”.
Sion leu um pouco da matéria, depois rolou a tela em tédio.
A fundo, leu sobre manifestantes contra militares, oposições acusando o governo e o governo acusando extremistas, seguidores de Ômega celebrando a morte enquanto famílias pediam calma, até jornalistas dizendo que o risco de guerra civil aumentava.
Sion releu uma certa linha.
O risco de guerra civil aumenta...
Ele cerrou os olhos, respirou fundo e os abriu. Curvou-se e, enquanto largava o celular no suporte, pegou a guitarra e ligou o amplificador. Dessa vez, sem fones de ouvido.
O chiado do mau contato interferiu no ambiente por um instante, até que ele ajustou o plugue na entrada. Pressionou as cordas, e elas soaram em distorção.
Sion tirou a palheta de entre as cordas, próxima às tarraxas, e posicionou a guitarra no colo. Ao terminar, voltou-se ao celular.
Ele colocou para tocar o vídeo da declaração de L, em que a fala estava em inglês com legendas em japonês. Deu play.
No começo, L disse:
“Esta declaração é direcionada a governos, plataformas digitais, órgãos de imprensa e cidadãos de todas as nações.”
Quando L terminou a frase, Sion deu quatro pisadas no chão, iniciando um riff em seguida: era a introdução de “Seven Nation Army”, do The White Stripes. Acompanhou o ritmo com o pé.
Enquanto isso, L dizia:
“Publicar nomes como possíveis alvos de Ômega não deve ser tratado como opinião, protesto ou especulação política.”
Nesse meio-tempo, Sion seguiu repetindo o riff.
Já L, por sua vez:
“A partir deste momento, qualquer divulgação pública de nomes com a intenção de submetê-los ao julgamento de Ômega deve ser encarada como colaboração com homicídio.”
Sion usou o outro pé para dar ênfase à caixa da bateria imaginária durante a brincadeira.
Chegou o momento em que L disse:
“Não importa se a acusação é verdadeira. Nem mesmo importa se a pessoa acusada é poderosa, impune ou moralmente repulsiva.”
Nisso, Sion alternou para o riff seguinte — o que vai do agudo ao grave, antes de sustentar a primeira nota do riff inicial.
L, enquanto isso:
“Ao publicar um nome para que seja morto, o usuário deixa de ser observador e passa a atuar como facilitador.”
Sion, ainda pressionando a quinta e a quarta cordas nas casas referentes às primeiras notas do riff inicial, percorreu a mão pelo braço da guitarra até as primeiras cordas e, ali, iniciou o solo da música, repleto de notas agudas.
Naquele momento, inúmeras batidas vieram à porta. Sion percebeu que alguém o chamava, mas isso não lhe importou. Continuou tocando.
As batidas prosseguiram, mais intensas.
— Si! — gritou Mio, do lado de fora.
Ele não deu a mínima, demonstrando total investimento no solo da música.
Mio desistiu de bater e abriu a porta, encarando-o enquanto ele tocava.
Sion foi para as notas ainda mais agudas do solo e só parou depois de tocar os acordes finais. Sustentou a última nota. Só então encarou Mio. Por fim, sorriu.
Ela, no entanto, aparentava estar com raiva.
Ele, ainda sorrindo, perguntou:
— Que foi?
Ela puxou a porta pela maçaneta, batendo-a.
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