Death Note: Ω

14 Capítulo VIII: Filtro (Near)


Data e horário indisponíveis

Sede da SPK — Local não divulgado

Near

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A tela principal ainda estava dividida em cinco, cada uma exibindo a transmissão de uma das cidades: Nova Iorque, São Paulo, Londres, Tóquio e Seul. Em uma das telas, a imagem estava pausada no Ω; em outra, no ~π. As outras três repetiam a transmissão.

Near sentava-se quase de cócoras, enrolando uma de suas longas mechas de cabelo no dedo indicador enquanto assistia aos vídeos. Seus olhos, porém, permaneciam fixos no ~π.

Rester voltou de uma mesa próxima, trazendo o tablet consigo. Lidner permanecia à direita de Near.

— L — disse Rester. — As empresas dos painéis entregaram o que tinham. Logs, registros dos players, arquivos recebidos e cópias internas dos vídeos.

Near voltou parcialmente o rosto para ele.

— Os vídeos não eram idênticos — continuou Rester. — Bom, para o público, sim. Mas, tecnicamente, não. Cada cidade recebeu uma versão ajustada ao próprio painel: resolução, corte, brilho, entrada de legenda, taxa de quadros...

— Então foram cinco entradas? — Near se ajeitou. — Hm.

Lidner percorreu os olhos pelas três telas em que os vídeos ainda eram exibidos por completo.

— As legendas não parecem ter sido traduções automáticas. Há escolha regional e controle de leitura — disse ela.

— Correto — respondeu Rester. — Legendas localizadas.

Near observou as linhas por alguns segundos.

— Ela queria ser entendida corretamente.

Rester voltou o rosto para ele.

— Ela?

Near não respondeu.

— Como já confirmamos, a falha antes do símbolo durou três segundos e cento e quarenta e um milésimos — disse Rester. — Em todos os cinco vídeos.

— Sim — disse Near. — Isso indica que não tenha sido apenas uma assinatura, mas um hábito.

As três telas em que o vídeo ainda rolava avançaram até a acusação contra o presidente americano.

Lidner acompanhou as legendas.

— O eixo da mensagem é japonês — disse ela. — Fala sobre Kira, a-Kira, TV Sakura, o leilão...

— Concordo — disse Rester. — Mesmo que o horário coincida com a madrugada japonesa, é viável. Não prova uma origem exata, mas também não a descarta.

Near voltou as mãos à mesa, pegou uma rainha branca e a colocou atrás de dois peões brancos caídos.

— Também acho que estejam no Japão — disse ele.

Lidner virou o rosto para Near.

O tablet de Rester vibrou. Ele o olhou.

— L.

Near manteve os olhos na rainha.

— Sim?

— Três mortes confirmadas.

Near ergueu o pescoço, olhando para o nada.

— Quais?

Rester transferiu as informações para uma tela lateral.

— Nova Iorque, Londres e Seul.

Três nomes apareceram, acompanhados de fotos públicas, cargos e das primeiras notas de imprensa.

— Colapso súbito, todos eles — disse Rester. — Em dois casos, parada cardíaca preliminar. No terceiro, emergência cardíaca antes da confirmação oficial.

Lidner cruzou os braços. Near pegou três peões pretos e os deitou sobre a mesa.

— Algo em São Paulo? — perguntou Lidner.

— Em apuração — respondeu Rester. — A informação é contraditória. A assessoria negou, depois cancelou a agenda. Há um hospital privado envolvido.

— Em Tóquio? — perguntou Near.

— Nenhuma confirmação oficial. Há relatos de colapso súbito, mas nada concreto ainda.

Near colocou dois peões pretos em pé ao lado dos três caídos. Em seguida, avançou um pouco a rainha sobre a mesa.

— Três mortes... — disse Lidner.

— Não. Cinco mortes — afirmou Near.

Rester não respondeu.

Em outra das telas laterais, os fóruns continuavam crescendo. Listas, dossiês, acusações, traduções, pedidos e montagens.

Near levou um dedo à boca enquanto observava os fóruns.

— Eu cometi um erro. Devíamos ter fechado isso antes.

Lidner o fitou. Rester permaneceu acompanhando o tablet.

— Ômega pediu nomes ao público. Eu esperei para observar o fluxo. Foi útil... mas também foi caro.

— Não havia base legal clara antes das mortes, L — disse Lidner.

— E agora há cadáveres — respondeu Near.

Silêncio.

Lidner quebrou a quietude.

— Ainda podemos reduzir.

— Sim. Separar curiosos de cúmplices.

Ele pegou um cavalo branco e o colocou distante dos peões pretos, próximo à rainha branca.

— Ômega e Pi precisam ler as acusações. Vamos dificultar isso.

Lidner compreendeu.

— Mesmo sem algum IP útil?

Near levou o polegar à boca novamente.

— Ela entraria nas mesmas categorias. Também ignoraria fofocas. Deve procurar nome completo, rosto, fonte e confirmação. Provavelmente some depois das mortes.

Lidner soltou os braços e estalou o pescoço, movimentando a cabeça.

Rester disse:

— L, não seria fácil para os fanáticos simplesmente migrarem para lugares fechados?

— Seria. Não sabemos se Pi acessaria a deep web ou a dark web, mas... podemos mantê-las sob vigilância também. E, de qualquer forma, isso filtraria boa parte do que há na camada rasa da internet.

Rester digitou uma anotação no tablet. Levantou a cabeça.

— Pretende fazer uma declaração do L?

— Sim. Mundial. Em todas as emissoras abertas líderes de audiência do planeta — disse Near.

— Citará Ômega?

— O mínimo possível.

— E Pi?

Near olhou para o canto inferior direito de uma das gravações, onde ~π permanecia pausado.

— Não diremos nada sobre Pi. Ela quer muito saber se foi vista. Não saciaremos essa dúvida.

Rester perguntou:

— Texto da declaração?

Near respondeu sem tirar os olhos da tela.

— Publicar nomes como possíveis alvos de Ômega deve ser encarado como colaboração com homicídio. Plataformas, governos e órgãos de imprensa devem tratar listas públicas como facilitação direta.

Rester registrou a declaração no tablet.

Near pegou a rainha branca de outrora, arrastou a cadeira com os pés até o outro lado da mesa e colocou a peça sobre o centro do Japão em um mapa impresso que havia ali.

Tudo insiste em voltar para o Japão...