Death Note: Ω

8 Capítulo V: Padrão (Mio)


14h59 — 22 de junho de 2026

Escritório de Mio, Residência Kujō, Okazaki — Kyoto

Mio

---

Mio estava focada no laptop. Nodus permanecia parado ao lado dela, assistindo-a trabalhar.

Duas batidas soaram à porta.

— Mi? — a voz de Sion surgiu abafada.

— Entra — respondeu ela, alta e claramente.

Sion correu a porta para o lado. Travou quando viu Nodus.

— Ah… — fez uma pausa. — Oi.

Nodus virou o rosto para ele.

— Olá — respondeu, sério, mas com uma leve entonação receptiva ao final.

— Si… — chamou Mio. — Vem cá.

— Hm?

Ele se aproximou. Mio girou um pouco o laptop em sua direção.

Na tela, havia uma página simples: um mapa, um ponto marcado e uma cidade escrita logo abaixo.

"Tokyo, Kantō — Japan"

Ele pensou.

— Não estamos em Tóquio — disse, semicerrando os olhos.

— Pois é.

Ela fechou a sessão, abriu outra e aguardou alguns segundos. O mapa mudou.

"Singapore — Singapore Republic"

Sion absorveu a mudança e piscou algumas vezes, tentando entender.

— Você mudou a nossa localização?

— Mais ou menos.

Ela abriu uma terceira sessão.

"Austin, Texas — United States of America"

Sion olhou para ela.

— Estamos invisíveis.

— Errado.

Ela apoiou os dedos ao lado do touchpad.

— Isso mostra por onde parecemos sair. Não onde estamos.

Sion olhou para Nodus, que retribuiu o olhar. Depois voltou a atenção para Mio.

— Mas ajuda?

— Contra páginas, sim. Contra qualquer análise preguiçosa. Mas não contra alguém com autoridade, tempo e motivo.

— Então de que ajuda?

Ela girou o laptop de volta para si.

— Isso nos compra tempo.

Nodus inclinou levemente a cabeça, atento.

— Muita gente tenta ficar invisível. Só que costuma ser mais eficiente parecer irrelevante. Entendeu?

Sion olhou para a tela.

— Tóquio, Singapura e Austin… E, se você fizer de novo, vai aparecer outra cidade?

— Isso. Respostas diferentes para a pergunta errada.

— E a pergunta certa?

Sion virou a cabeça para ela, esperando uma resposta. Nodus também pareceu intrigado.

— Quem repete o padrão.

Sion a encarou em silêncio. Nodus olhou para o livro sobre a mesa. Mio sorriu discretamente.

— O que implora que eu te diga: celulares não entram nisso. Nada que tenha conta pessoal ou rotina. Então não pesquise nada no seu celular. Nada.

Sion desviou o olhar. Piscou repetidas vezes antes de voltar a fitá-la.

— Mio?

Ela ergueu as sobrancelhas, aguardando.

— Eu meio que… pesquisei umas coisas.

Ela estendeu a mão, pedindo o celular. Ele olhou para a palma dela. Nodus acompanhou a interação.

— Ficou na cama…

— Então traz.

— Tá, mas… antes, me escuta.

Ele caminhou até o centro do escritório e sentou-se no carpete. Nodus o observou. Mio conteve a frustração e girou a cadeira em sua direção.

— Eu tive uma ideia…

Dali em diante, Sion explicou seu plano. Mio ouviu atentamente. Nodus também.

{17 MINUTOS DEPOIS}

Ao fim da conversa, Nodus olhou para Mio.

— Vamos precisar de um carro… e de vários aparelhos — disse ela.

— Eu compro. Apenas laptops?

— Sim, desde que sejam de segunda ou terceira mão. Apenas usados. Mas eu te ajudo. Vamos comprar em dias diferentes, em lugares diferentes, um único item por vendedor. Tudo em lojas físicas.

Sion assentiu.

— Agora pega o seu celular e faz um backup do que for pessoal. Fotos, contatos… coisas comuns. Depois limpa qualquer rastro do navegador: histórico, cookies, tudo. Não é mágica, mas ajuda.

— Tá.

— Depois reseta o celular… e não procura mais merda nenhuma sobre o livro, Kira ou religião.

— Tá bom. Foi mal…

Ela negou com a cabeça, amenizando, e suspirou.

— Só não vacila de novo.

Nodus alternou o olhar entre os dois, que compartilharam um breve silêncio.