Death Note: Ω
2 Capítulo I: Lar (Sion)
17h18 — 21 de junho de 2026
Residência Kujō, Okazaki, Sakyō-ku — Kyoto
Sion
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A frente da casa Kujō surgia atrás do muro baixo de pedra e madeira. Tinha um portão largo e pesado e uma pequena câmera junto ao interfone.
O carro parou diante do portão. Primeiro desceu o motorista, depois Sion.
O motorista abriu o porta-malas e retirou a cadeira de Mio. Destravou-a, abriu-a, conferiu as rodas e a posicionou ao lado da porta dela, antes de se afastar um curto passo para trás.
Mio abriu a porta por conta própria. Sion ficou perto.
Ela apoiou uma mão no banco, a outra no braço da cadeira, e passou o corpo de um assento para o outro. A manta escura veio depois, puxada para cobrir as pernas. O livro continuava sob ela.
— Eu posso empurrar — disse ele.
— Não perguntei.
— Não foi uma pergunta…
— Pior ainda.
O motorista lhes deu uma reverência de despedida. Sion retribuiu, curvando levemente a cabeça. Mio sorriu em despedida.
Ela ajustou as luvas e impulsionou a cadeira em direção ao portão. Sion caminhou ao lado dela.
Vista de fora, a residência parecia antiga. O caminho de entrada, ainda úmido da chuva, era feito de pedra. À esquerda e à direita, um jardim ocupava os arredores da estradinha. A grama baixa ainda brilhava com gotículas sobre as lâminas; entre ela, flores rosas e amarelas cresciam em canteiros. Bordos pequenos acompanhavam o muro.
Mio passou por tudo sem olhar. Sion notou o jardim e inspirou mais fundo para absorver o aroma das flores.
O portão interno abriu com um ruído baixo. O motorista ficou para trás.
A residência Kujō se estendia horizontalmente: telhado escuro, madeira antiga, vidro fosco e corredores amplos. Era uma casa térrea, de passagens largas e portas deslizantes. A entrada dava para um genkan tradicional, onde os sapatos ficavam organizados em nichos baixos ao lado de um banco estreito.
Mio entrou primeiro. Sion tirou os sapatos depois dela. Dentro, o ar era mais seco. A casa cheirava a madeira, chá e um leve resquício de chuva. A luz vinha de longos painéis voltados para o jardim interno.
À frente, estendia-se o corredor principal. À esquerda, a sala de tatame; à direita, a sala de estar, com um sofá escuro, uma mesa comprida e uma parede inteira de estantes. Mais adiante, depois de uma porta de correr, começava o escritório de Mio: monitores, servidores discretos atrás de painéis acústicos e cabos escondidos atrás da mobília.
Ela parou no corredor antes de virar para o próprio escritório.
— Se você cruzar a minha porta, o laser te mata — brincou Mio. Porém, fechou a cara em seguida.
Sion piscou lentamente, descartando a brincadeira. Olhou para a manta sobre as pernas dela.
— O que você viu de tão interessante nessa coisa?
— Ainda não sei — respondeu ela. — Pretendo descobrir.
Por um instante, nenhum dos dois disse mais nada. Enquanto isso, a chuva voltou a beijar o jardim, leve demais para ser ouvida.
Sion olhou para o corredor, para as portas largas, para toda uma estrutura arquitetada em prol da necessidade condicional de Mio. Depois olhou para a manta de novo e manteve o olhar ali.
— Tchau — disse Mio, virando a cadeira em direção ao escritório.
Ele direcionou o olhar até ela. Ameaçou dizer algo, mas engoliu as próprias palavras antes que saíssem.
Ela entrou, virou a cadeira para fechar a porta e sumiu. Ele, no entanto, permaneceu estático no corredor.
Mio está calma demais.
Ela só fica assim quando já está convicta de algo.
Mas aquele livro…
É ridículo.
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