Death Note: Os Sucessores - Caso Especial
4 Parte 4: Encontrou Diamante – Avance três casas
Notas iniciais
Inori se trancou no quarto tentando entender aquela situação. De uma hora pra outra ela passou de uma simples universitária para alvo número um. Se jogou na cama e fechou os olhos tentando dormir, mas tudo o que vinha na sua cabeça eram as cenas daquela noite. Começou a se questionar se teria visto mais coisas, se algum detalhe importante pudesse estar gravado na sua memória e ela se recusasse a mostrar.
Afinal, depois de passar por um trauma como quando era criança agora era mais do que natural que ela tendesse a retrair as coisas, a ficar paranoica e agir de forma estranha.
Meu subconsciente... poderia ter mesmo visto...
Com esses pensamentos atormentando sua cabeça ela se levantou da cama pegando o notebook, sentou no tapete no centro do cômodo, com as penas cruzadas colocou um travesseiro no coloco e começou a pesquisa tudo sobre as mortes...
P.O.V Inori
Não sei por que, mas resolvi investigar mais sobre aqueles crimes que estavam interferindo no meu cotidiano. Comecei a relacionar tudo sobre o caso. Primeiro vi as notícias sobre o corpo encontrado em Yoyogi. O fato de ser chamado de Caso do Alquimista fazia todo o sentido.
Acontece que o corpo da garota se deformou de uma maneira inexplicável, segundo os legistas. Seu rosto ainda estava identificável, mas o restante do corpo parecia cera e se derreteu.
Em alguns fóruns já se discutiam sobre isso e eu consegui encontrar sobre o primeiro assassinato. Tratava-se de uma jornalista chamada Shiori Sasaki de 23 anos. Seu corpo foi encontrado no apartamento que dividia com o noivo totalmente nu e petrificado. O homem de 27 anos foi levado sob suspeita. Também dizia que teve os cabelos raspados antes de ser morta. Não havia sinais de arrombamento.
Em seguida veio o segundo homicídio. Dessa vez era uma colegial de 14 anos chamada Misaki Kinoshita, seu corpo foi encontrado no vestiário do clube onde praticava natação, era uma eximia nadadora que já havia competido e ganhado três prêmios. Segundo a perícia ela foi amarrada pelos pulsos e tornozelos e então morreu enquanto sofria o processo de biopsia. Ou seja, ela foi aberta viva e depois costurada. Quando os legistas fizeram novamente o processo, agora já com o corpo morto, fragmentos de diamantes foram encontrados no seu interior, mas o mais bizarro é que não foram colocados lá, seus órgãos começaram a se tornar diamantes.
E por fim vinha Izume Nakajime que foi a encontrada no parque e nada mais era que uma estudante que tocava guitarra e sonhava em ter sua banda.
— Todas são garotas, e estudavam em Keio. – busquei a ficha da jornalista. – Sasaki se formou lá. Esse padrão é meio sem nexo... – murmurava alto enquanto Hime ficava em cima do notebook. – Tem alguma coisa faltando. E como alguém transforma uma pessoa em pedra e outra em diamante? – encarei minha amiga de penas. – Alquimia não existe. Mas e se existisse...
Peguei Hime e fechei o notebook.
— Estou ficando maluca, não estou? – a cacatua mordiscou meu dedo. – Alquimia é uma ciência que diz que a matéria pode ser transformada, né. – levantei e comecei a andar de um lado pro outro. – Seguindo a lei de Lavoussier se nada se perde e tudo se transforma, contato que um objeto mantenha sua massa ele pode ser transmutado para outra forma.
Passei as mãos nos cabelos agora soltos e bagunçados.
— Ainda não faz sentido, não tem como simplesmente mudar a forma das coisas muito menos fazer pessoas virarem pedras. – estava distraída e me recordando da noite passada, o carro, um Jeep pra ser exata, um homem de sobretudo e óculos, mas além disso os cabelos compridos, penteados e jogados pra trás. Nas mãos.. Luvas! Estava inerte nesses detalhes quando ouvi uma batida na porta.
— Seu celular. – Maxiez me entregou o aparelho quando abri. – Alguém estava te ligando.
— Ok! Obrigada. – disse num tom de tédio e fechei a porta de novo. Olhei no registro e retornei a chamada.
— Inori-chan cadê você? Tô aqui na entrada do auditório.
— Hã? Ah! Ayato-kun... Eu não vou para a palestra.
— Uê, por quê? Você está bem?
— Sim, mas é que quando vim para casa para almoçar achei a Hime desmaiada e quase tive um ataque. Então a trouxe no veterinário, ainda não sei o que é.
— A Hime? – ele pareceu preocupado por um momento, mas então ficou meio desconfiado. – E cacatuas desmaiam?
— Eu também não sabia.
— Aham! Então eu te empresto as anotações depois.
— Ótimo, fico te devendo. – acho que não devia ter falado aquilo.
— Irei cobrar. – pude sentir que ele ria do outro lado e desliguei. Hime estava na minha frente, na cabeceira da cama com o pescoço virado e as penas eriçadas. – Ora, eu precisava de uma desculpa.
Voltei a me deitar na casa tentando organizar meus pensamentos até que finalmente comecei a entrar num estado de sono que ao invés de me tranquilizar só fez mais e mais coisas passarem pela minha cabeça.
Barco... Colete... Casas de várias cores, o teste, Einstein.... Parque Yoyogi... Carro... Homem... Corpo... Placa... Vulto entre as árvores... Assassinatos... Alquimista... Transmutação... Petrificação... Sem cabelo... Diamantes... Água!
—------------------------------
Em uma mansão perto do mar em Nagoya, região de Tokai
Watari entrou no cômodo com mais um carrinho de guloseimas enquanto a garota continuava sentada em frente a várias telas de computador. A sua direita havia inúmeras pastas amarelas, a sua esquerda um microfone.
— Sophie o comissário de polícia está pedindo seus relatórios e opinião sobre o caso. Disse que é inconcebível que L fique tantos dias sem reportar ou dar noticias a polícia, afinal você está no comando das investigações.
— É, eu sei. Mas no momento de nada adiantaria falar com eles. Minhas teorias são demasiadas fracas e prepotentes. Seu me pronunciar posso acabar por arruinar a reputação do L.
— Ao que se refere? – o homem perguntou.
— Na Wammy’s House nós aprendemos a nunca fechar a mente para nenhuma ideia por mais absurda que ela seja. Tudo é relevante até que você comprove com 100% de certeza que não seja mais útil para a atual situação. – a garota levou o polegar aos lábios. – Sendo assim e sabendo da existência dos cadernos assassinos eu só posso deduzir que este serial killer é um alquimista de verdade.
— E a polícia certamente não aceitará isso, pelo menos não sem provas concretas.
— Exato.
— Mas os corpos não são prova o bastante?
— Uma boa observação Watari, talvez você esteja mais detetive do que mordomo, meu amigo. – ela girou na cadeira e sorriu de canto. – Os corpos podem de fato ser uma prova, ainda mais se considerarmos que ninguém conseguiu definir como eles sofreram as transmutações...
— Mas...? – foi a vez dele sorrir.
— Mas eu não consigo acreditar que a pessoa por trás disso tenha tal poder, meu instinto me diz que tudo não passa de um truque de mágica para chamar a atenção. Agora mesmo os olhares do mundo estão no Japão e nessa série de assassinatos. Também está acontecendo, como sempre, uma diminuição da aprovação e confiança na polícia e no L. Nada que eu me importe.
Ela se levantou e caminhou até a janela encarando o lago calmo do lado de fora.
— Um padrão sutil aos olhares alheios é isso que ele está fazendo, mas tenho certeza que por trás disso deve haver uma razão. Watari você conhece os princípios básicos de uma investigação?
— Claro. Descobrir quem cometeu o crime, como cometeu o crime e porque cometeu o crime.
— Infelizmente eu não tenho nenhuma pista para nenhum desses princípios. – ela colocou as mãos dentro dos bolsos da blusa de frio. – Isso é um terrível problema. Parece que terei que mudar meus métodos. E acho que comecei a fazer isso com a única testemunha que talvez possa me oferecer algo. – ela voltou a mesa e pegou uma das pastas amarelas. – Então, o próximo passo será interrogar Inori Saito.
— Os relatórios dizem que ela não conseguiu ver quase nada e a polícia a liberou sem mais expectativas.
— Hum... Eu pedi a Nevidim que descobrissem o passado dela. Segundo os relatórios quando ela tinha oito anos de idade sofreu um acidente de barco enquanto estava num acampamento de férias. O colete salva vidas ficou preso na embaçarão que afundou. Ela quase morreu afogada, segundo o monitor ele a salvou quando já estava desmaiada e depois dos primeiros socorros a enviaram para o hospital. Alguns colegas da cidade onde morava afirmam que depois disso ela não chegava perto nem de uma banheira e desenvolveu uma certa hidrofobia.
— Certo ela tem um trama de infância, mas como isso se encaixa nessa investigação?
— Simples, Inori Saito foi e ainda é a pessoa com o Quociente de Inteligência mais elevado de todo o Japão. – a morena sorriu. – Claro que tenho convicção de que eu, Scott, Annie e até mesmo Maisy Takeshi estamos acima dela assim como também certos criminosos, mas como nenhum de nós faz os teste, não deixa isso claro ou perceptível para os outros nos forçando a parecer comum ela é agora a melhor aluna do país. Mesmo que ninguém saiba disso já que os pais e ela própria pediram sigilo absoluto. Só algumas notas de certas provas podem levantar alguma suspeita e ela toma cuidado para se fazer passar por uma simples universitária também.
Watari abriu a pasta e observou a foto da jovem.
— Eu acredito que parte de suas habilidades cognitivas despertaram depois do acidente. Muitas pessoas traumatizadas têm efeitos como pânico e pesadelo, mas no seu caso a falta de oxigênio despertou algo em seu cérebro. Ainda no hospital enquanto se recuperava ela resolveu o teste de Einstein com perfeição. Esse teste consiste num raciocínio lógico e complexo e segundo o próprio Einstein apenas 2% da população mundial conseguiria resolvê-lo. Se levarmos em conta que a Wammy’s House tem cerca de 0,8% das crianças órfãs mais inteligentes da Terra, a Nevidim mais 0,5% dos agentes mais brilhantes e o outros 0,7% estão espalhando por aí Inori Saito é o que a Nevidim chama de Solver, alguém capaz de decifrar enigmas e alcançar um nível de raciocínio lógico acima da média. Porém ela não exerce esse dom, ela o bloqueia e se continuar assim é provável que no futuro ela tenha apenas dois destinos. – a morena ergueu os dedos. – Alcançar o ápice de sua mente ou sucumbir a ela e perder todas as suas capacidades de discernimento. De qualquer forma se ela conseguisse controlar bem sua mente ela poderia se lembrar de cada mínimo detalhe daquela noite e com isso eu poderia chegar até o assassino.
— E como fará para ela se lembrar do que aconteceu?
Sophie ficou calada um momento e quando voltou a abrir a boca o som do celular de Watari a desconcentrou. Ele atendeu e em seguida a encarou sério.
— Mais uma vítima?
— Não exatamente. Como você pediu a Nevidim mantém tanto Maisy, Scott e Annie sob certa vigilância e...
— Watari detesto quando fica dando voltas. O que aconteceu? Algo relacionado com Maisy Takeshi?
— Não. É a Annie... Ela sumiu. – Sophie caminhou e se sentou na cadeira com as sobrancelhas cerradas. – Segundo os colegas de trabalho Amanda Mizuho bateu seu ponto no hospital e cerca de duas horas depois seu irmão ligou pedindo informações sobre seu atraso. As medidas foram tomadas e para todos os efeitos ela está de licença e apenas demorou mais que de costume. Claro que Charlie e Blair não puderam ser enganados.
— Ligue para o Fawkes e coloque-os sobre custodia da Nevidim, quero alguém acompanhando cada passo deles. E agora meu objetivo mudou, deixarei Inori Saito de lado por um tempo e irei até a casa da Annie. Dê um jeito para que Charlie e Blair saíam, prepare um atestado médico para a escola, eu vou providenciar as passagem vamos embarcar no primeiro voo para Tóquio.
— Entendido. – o homem deixou a pasta sobre a mesa e se retirou.
Annie... Uma vez ela me disse que o conto de Ícaro era uma referência usada para a transmutação humana na história da alquimia, sendo assim será que ela chegou perto demais do sol? Mas ela não queria se envolver no caso, se descobriu algo porque não me informou? Droga, éramos um bom time e sem eles é como se eu não conseguisse mais visualizar a situação. O que eu não estou vendo? O que o Near faria? — ela suspirou. – Mantenha a calma Sophie, não fique emotiva agora, ela é Annie Tabolt vai ficar bem e... — ela passava as mãos na cabeça quando interrompeu seu raciocínio. – Cabelo... A primeira vítima teve os cabelos cortados e a segunda teve os órgãos transformados em diamante. É isso!
—------------------------------
Osu Shopping Street de Nagoya
— Puxa você viu isso, estão falando que há mais assassinatos do tal alquimista. – a garota escutava enquanto andava pela calçada.
— Ouvi dizer que ele transmuta as pessoas para qualquer matéria. – vez ou outra ela diminuía o passo para escutar o que os outros por perto estavam dizendo.
— A polícia está perdida, nem o L sabe quem ele é ou como faz isso. Esse cara já deve tá velho e acabado.
— Quem será próxima vítima? Por que ele está matando essas pessoas inocentes?
— Será que são inocentes mesmo? Quem garanta que não tem alguma coisa no seu passado e é alguém se vingando?
— Ainda bem que parece que ele está ou pelo menos só ataque em Tóquio.
A jovem de cabelos castanhos e presos em uma rabo de cavalo tinha a cabeça baixa e as mãos dentro do bolso traseiros da calça, se deteve numa banca e pegou o jornal lendo a manchete.
Corpo de Izume Nakajime encontrado em Parque Yoyogi.
O caso continua sem avanços segundo o boletim da polícia. O detetive L não fez nenhuma declaração e o Alquimista das Trevas continua à solta.
— Tsk! – Maisy resmungou devolvendo o jornal e continuando a caminhada. Alquimista? Não importa, esse cara é só mais um assassino entre tantos outros que deviam sumir. L... Você não serve pra nada. Este mundo está podre de novo.
—------------------------------
Em algum lugar...
A ruiva entreabriu os olhos tentando focalizar a imagem, um cheio terrivelmente conhecido lhe despertou. Em meio a todos os maus odores ali um se sobressaia para ela. Sangue. Se remexeu sentindo algo macio à suas costas e recobrou parte da consciência.
Mas que porcaria é essa?— ela tentou passar as mãos nos olhos, mas constatou que tinha os braços presos para trás por alguma coisa metálica, provavelmente correntes. – Era só o que me faltava.— quando a luz se ajustou ela viu que as lâmpadas ali eram fracas e davam aspecto sombrio ao lugar.
Na sua frente encostado na parede de metal havia um vulto alto, mas indescritível. Sua voz soou e ela não soube se por conta da tonteira que sentia por ter sido sedada o timbre lhe pareceu tão rouco e assustador.
— Você é uma garota estranha. – foi o que ele pronunciou no mais perfeito inglês. – Parece ser tão honesta, tão certa, ter a conduta perfeita, tanto é que eu não pude chegar a você até agora. Contudo por mais que você fuja e corra pra longe do passado acaba deixando pegadas no caminho Amanda.
O que? Como assim? Esse cara... Será que ele está envolvido com a máfia que eu destruí? Com alguma das pessoas que eu matei? Mas então ele está atrás de mim, por que assassinou aquelas garotas inocentes? Não faz sentido... Amanda?!?! Então... Não pode ser. Amanda nunca teve passado, não um verdadeiro só o que ele pensa que sabe. Agora faz sentido, de fato o padrão de mulheres com ligações a Universidade de Keio não é uma pista qualquer é a chave de tudo.
— É. Eu concordo. – foi o que ela respondeu. – As pessoas dizem que não é o passado que nos define e sim nossas escolhas. No meu caso então eu só posso dizer que mantenho as minhas escolhas do passado. – ela conseguiu se levantar e encarar com um leve sorriso de canto o homem que se mantinha nas sombras. – Você está cometendo um grande erro. – ele estranhou a garota não estar assustada ou mesmo falar tão calmamente e começou a se perguntar os verdadeiros significados daquelas palavras.
Alquimista das Trevas... Alguém com a capacidade de transmutar... Você já era cara. Que se dane. Vai virar é um alquimista morto.
Fale com o autor