Death Note: Os Sucessores
18 Preparativos
Notas iniciais
– Você só pode ter enlouquecido. Criar um Kira falso quando já tem um para se preocupar. – Near falava fingindo estar bravo.
– Foi o único jeito de convencer a localização para a polícia. Eu sabia que Kira não cairia no mesmo truque. Além disso, como mais chamaria sua atenção N?
– Chamar minha atenção... Parece uma garotinha mimada.
– Deve haver alguma verdade nisso. – eles fizeram silêncio.
– Não fez tudo isso para receber lição de moral, não é mesmo L.
– Ainda tem jeito Near. – ela sorriu. – Claro que não, afinal você não pode falar sobre mentiras depois do que fez, não é?
– O que você quer de mim? — ele perguntou impaciente.
– Quero que abra mão dela. – Near se espantou, não esperava aquilo. – Perca a propriedade.
– Hum... – Ele se limitou a murmurar. Por que está falando de forma tão indireta?
– Não se preocupe farei com que não esqueça. – ela continuou.
– Esquecer tudo seria melhor, seria mais fácil.
– E desde quando trilhamos pelo caminho mais fácil? Eu discordo disso.
– Como sempre. Pra que precisa disso?
– Tenho um plano para pegar Kira.
– Então já descobriu quem é?
– Tenho meus suspeitos. – disse. E como nunca errei antes.
– Hum... Vou pensar nisso com cuidado. Volto a te ligar.
– Certo. Obrigada Professor.
– Sophie... Não seja como Ryuuzaki e... Só... Quero dizer... Saia dessa viva, está bem?
– Este é o plano. Espero ter sucesso.
– Eu também.
– Falando assim até parece que se importa.
– Não se iluda. – ele forçou a voz. – É que se você morrer vou ter que voltar a ser o L ou treinar outro detetive. Isso seria terrível. Sem falar o quanto seria complicado já que para o resto do mundo eu estou morto.
Ele riram. Near nunca admitiria qualquer sentimentalismo, mesmo para ela. Só uma pessoa conseguia chegar nesse lado dele.
– Está certo.
– Até breve. E boa sorte Detetive. – Near desligou.
E dessa vez L não deu a última palavra. Porque dessa vez não tinha nem sabia o que dizer. Sorte não costumava ser um ponto forte para ela.
– Sophie não está se arriscando demais? – Watari perguntou depois que ela lhe pôs a par da situação. – Maisy, Near, Scott... Principalmente Scott.
Droga. Por que foi mencionar a Maisy. – ela pensou, mas guardou seu pânico para si mesma.
– Entendo sua preocupação Watari, mas confio nele.
– Certo. Você é o detetive. E quanto a Kira?
– Falta pouco para que eu descubra quem ela é e então a capture. Na verdade... Acho que não estou querendo acreditar no meu suspeito. – ela o encarou. – Watari você acha que os filhos tendem a seguir o caminho dos pais?
– Na maioria das vezes. Sendo assim... Acha que ele... Quem é seu suspeito L?!
– Não é seguro falar nomes assim. E como não tenho certeza é melhor não acusar ninguém.
– Você fala como se alguém pudesse nos ouvir.
– É. Acontece que tenha a impressão de estar sendo observada.
– Impossível. Temos um excelente sistema de segurança. Saberíamos se alguém entrasse.
Mesmo se fosse um Shinigami? – pensou
– É, deve ser paranoia minha. Mesmo assim... Vou subir.
– Isso. Descanse um pouco, criança.
– Está bem, vou tentar.
E voltou para o sótão. Pensou em Near, Kira, Amane, Scott, Maisy...
Detesto está errada, mas às vezes tenho medo de estar certa. Não quero desconfiar de Scott, mas também não posso negar seu passado. Assim como não posso negar o de de Maisy. E quando ele souber que ela é minha suspeita de ser Kira? Não, quando ele souber que ela é o Kira, porque como ele mesmo já me disse anteriormente eu não costumo apontar para a pessoa errada.
E se ele também... Mas se fosse o caso a essa altura ele já poderia ter me matado se quisesse. Poderia ter me matado há muito tempo. E tem também o shinigami dela, com certeza é ele o par de olhos que sinto que me perseguem. Sendo assim tenho que continuar minha interpretação. Já não sei mais se ele está ajudando ela ou se é mesmo só um espectador.
É, não tem jeito. Vai ter que ser assim. Vou ter que ariscar esse movimento nesse jogo de xadrez. É como eu sempre digo. Existem duas maneiras de se sobreviver: ou você segue as regras ou aprende a quebrá-las.
E eu definitivamente não sou do tipo que acata ordens.
Ryuk se cansou de observá-la. Depois que Maisy foi dormir, mais cedo que o normal, ele se entediou e saiu voando pela cidade. Voltou ao parque onde havia descoberto L e seguiu pelo caminho que a vira correr antes e olhado de casa em casa finalmente a encontrou.
Ela falava ao telefone e pela conversa que ele pegou no final Near estava vivo. Então por que ela é o L? Isso o intrigou. Mas uma coisa o preocupou, de acordo com a sua conversa com Watari, Maisy poderia estar na sua lista de suspeitos.
Se Maisy não encontrar e matar logo L, vai acabar sendo pega.
Depois ela foi para o sótão da casa e começou ler relatórios, ver o vídeo de Misa e outras coisas referentes ao caso. Quando começou a teclar no computador Ryuk se entediou de vez. Mesmo falando todas as línguas dos humanos ele não conseguia entender o que estava na tela. Acontece que a mensagem, conforme era escrita ia se codificando.
O shinigami se entediou logo daquilo e diversas vezes ele teve a impressão de que ela o observava. E como estava quase amanhecendo ele abriu suas assas e voou de volta para o quarto de Maisy que, ironicamente, dormia como um anjo.
O alarme despertou assustando Ryuk que comia as maçãs que estavam na cesta em cima da escrivaninha. Maisy apertou os botões até ele desligar. Estava com os cabelos soltos e bagunçados. Eles eram castanho claro, iam até os ombros e eram cortados em forma de V deixando uma franja menor. Ryuk olhou no relógio.
– Maisy. – ele chamou. – Seu despertador está errado. Só tem que estar na escola daqui a duas horas.
– Não vou a escola hoje. – ela respondeu bocejando.
– Então por que acordou tão cedo.
– Justamente para não ir. Tenho que fingir que estou doente para os meus pais. É o único jeito de ficar em casa.
– Certo. E como vai fazer isso?
– Primeiro tenho que ficar com febre e pegar um resfriado.
Ela desceu até a cozinha e pegou uma bolsa térmica que ficava no congelador para o caso de alguém se machucar. Como era o caso do seu irmão mais novo.
Colocou numa panela com água e levou ao fogão para ferver.
– Por que não usa o mi... Micro-ondas? – perguntou Ryuk.
– Porque alguém pode acordar com o barulho. Falando nisso, fica lá no corredor de cima e avisa se alguém levantar.
– Ai... Tá bom. – o shinigami flutuou e atravessou o teto. Ficou vigiando o restante da família.
Enquanto a bolsa térmica esquentava Maisy colocou uma blusa de lã com capuz, calça moletom, botas para neve e luvas. Desceu até o porão onde começou a correr na esteira da mãe.
Depois de dez minutos, apesar do tempo frio, estava com muito calor, vermelha e suando. Voltou a cozinha pegou uma cadeira e abriu o congelador. Abaixou o capuz e enviou a cabeça lá dentro.
– Maisy o que está fazendo? – Ryuk a assustou e ela bateu a cabeça no freezer.
– Ai! Ryuk... – ela passou a mão na cabeça. – Estou pegando um resfriado. Não disse pra você ficar de olho lá no corredor.
– Estão todos dormindo não se preocupe. Está o maior tédio ver aquilo.
– Não importa. Volte lá e vigie eles. – ele reclamou, mas foi.
Depois disso Maisy pegou a forma de gelo, tirou alguns cubos e colocou num saco para gelo. Com um pegadorr de salada ela retirou a bolsa térmica, agora quente, da panela e colocou debaixo do travesseiro.
Tirou a roupa quente e colocou sua camisola novamente. Pegou um termômetro e deitou na cama esperando enquanto tentava não ligar para o calor.
Algum tempo depois Ryuk entrou no quarto.
– Todos continuam dormindo.
– Ótimo. Feche a janela pra mim. – ele atendeu ao pedido. – De acordo com o termômetro estou com quase quarenta graus de febre, perfeito.
– Não sabia que humanos aguentavam tanto calor.
– Não aguentamos. Geralmente é nessa hora que as pessoas entram em convulsão. – ele ficou olhando pra ela com cara de desentendido. – Elas desmaiam Ryuk.
– Ah! Tá. Mas você está bem.
– Sim primeiro esquentei o termômetro na lâmpada do abajur e depois coloquei na boca. Assim é que vou fingir minha febre.
– E a gripe?
– Aqui. – ela pegou um saquinho de pano que tinha uma tampa branca pela a qual se colocava gelo. – Colocando esse gelo na testa perto do nariz vai me fazer ficar uma aparência de gripada, com o nariz escorrendo. A desvantagem é que vou ficar com dor de cabeça, mas nada que eu não possa aguentar. – ela deitou a cabeça fechando os olhos.
– E pra que tudo isso? Esqueceu de estudar pra alguma prova?
– Me poupe Ryuk. Acontece que preciso de tempo e de um álibi para que meu plano funcione.
– Que plano?
– Bom Ryuk... Creio que vou te entreter bastante. – ela abriu os olhos e levantou a cabeça olhando para ele. – Hoje vou caçar o L.
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