Notas iniciais
No começo tudo se encaminha bem, estamos sempre no comando da situação ou acreditamos fielmente nisso, mas aos poucos vamos perdendo o controle e cedo ou tarde acabamos nos chocando contra algo. "Ainda vivo, encarnação Ainda vivo, infâmia Alucinação Heresia Ainda que você corra, o que está por vir? O que há de ser? Porque vamos te caçar sem piedade Vamos te caçar por todo o pesadelo Sinta-nos respirar sobre sua face Sinta-nos mudar cada movimento que traçamos .... A sorte se esgota Você rasteja de volta Mas a sua sorte se esgota" Música: All Nightmare Along - Metallica

Sophie acordou como sempre. Com seus cabelos despenteados e rebeldes. Não importava o que ela fizesse ele sempre ficava assim. Ela tinha se mudado para uma casa perto de um lago. E embora fosse sábado ela não dormiu até tarde, ela nunca dormia até tarde. Simplesmente não aguentava ficar parada sem se ocupar com alguma coisa.

Se sentou numa mesa onde havia todos os equipamentos necessários pra agir como L, Watari havia deixado um carrinho de comida cheio de coisas pra ela. Dentre doces, chocolates, chás, pães... Ela começou a repassar o Caso Kira.

"Um Shinigami deixou cair o caderno e a pessoa que o encontrou parece saber tudo sobre o antigo Kira... E não só isso, mas também sobre L e Near. Como ele pode ter obtido essas informações é o que ainda não entendo... Será que é o mesmo Deus da Morte do Yagami? Mas por que ele o ajudaria quando é só um espectador?

– L. – em W apareceu na tela do notebook. A garota empurrou a cadeira de rodinhas até lá e ligou o seu microfone.

– Sim Watari.

– O senhor Scott Tuner acabou de estabelecer contato.

– Por favor complete a chamada. – uma imagem do rapaz apareceu na tela. Estava sentado em sua mesa de trabalho. O cabelo castanho caiam levemente sobre os olhos escuros. – Bom dia Agente Tuner, fico feliz que tenha aceitado meu pedido.

– Apenas para conversamos. Ainda não disse se aceito, antes quero entender e discutir sua proposta direito. Afinal, sabe da minha situação quanto ao Kira.

– Muito bem, falando tecnicamente então... – ela colocou a xícara na mesa e se concentrou na conversa empolgada. – É um bom agente do FBI e chegou longe para sua idade. Vi que resolveu quase que praticamente todos os casos que recebeu. Sua capacidade dedutiva foi classificada como excelente e por isso gostaria que se juntasse a SPK.

– Entendo que Kira é perigoso, mas por que arriscaria minha vida e reputação desse jeito quando posso continuar meu trabalho aqui onde é mais seguro? – Ele cruzou os braços. – Não tenho obrigação nenhuma de entrar na SPK. – ele sorriu de canto... uma expressão que Sophie já se acostumara.

– É. De fato não tem. Eu disse que era apenas um convite, todos estão aqui por livre e espontânea vontade e concordaram com todos os temos impostos.

– Sendo assim...

– Mas acho que posso convencê-lo Scott. – ela frisou o nome. – Você perguntou quanto a um motivo para se arriscar nesse caso. Bom com sinceridade eu diria que... Porque pode ser divertido.

– O que?

– Ah sinceramente, você tem facilidade em resolver os seus casos porque os criminosos são muito previsíveis e um tanto burros. Não que eu esteja menosprezando seu trabalho, pelo contrário sei bem da sua força, mas não seria mais interessante confrontar alguém de igual capacidade?

– Está me dizendo que só aceitou fazer isso por diversão?

– Sim. Afinal, ser detetive é um hobbie. Claro que há também um acordo internacional de que L combaterá Kira, mas a verdade é outra. Não faço nada disso por ser meu dever ou por senso de justiça. Sou uma pessoa entediada, agora mais do que nunca, que não consegue manter uma conversa de nível com quase ninguém e isso me deprime. Por isso nós Ls somos um tanto quanto antissociais. Então quando Kira me lançou seu desafio eu o aceitei.

– Leva tudo como se fosse só um jogo então... Isso que está fazendo não é justiça.

– Não, não é justiça. Mas se o caso é esse de uma maneira ou de outras vai estar cumprindo seu dever, prendendo um assassino e fazendo justiça.

O rapaz ficou pensativo por um tempo.

Que lunático! Achando que tudo é uma grande brincadeira, que infantilidade. Como pessoas assim acabam se tornando o detetive do mundo? Por outro lado L nunca falha, vai ser isso ajuda. Ainda tenho o hábito de comparar os meus casos a um enorme tabuleiro de xadrez. Vai ver está certo... Nó somos mais parecidos do que parece. Sendo assim ele só pode ser...

– Neste caso é não. – Sophie se sentiu um tanto desapontada ao ouvir aquilo, mas o rapaz continuou. – Se for pelo cumprimento do dever e senso de justiça eu me recuso. Não morrerei só por conta disso. Afinal já há muitos agentes e o próprio L no caso. Poderiam se virar muito bem sem mim. Mas quanto à parte da diversão, de ser um hobbie, enfrentar alguém à altura... Achei esse seu pensamento muito peculiar. Sabe, eu poderia cogitar isso.

A garota sorriu. Exatamente como pensei. Ele ainda se parece comigo, com Near e com L.

– Neste caso, irá se juntar a nós?

Ele suspirou e pensou um minuto, depois olhou fixamente para a câmera do notebook.

– Sim, irei. Mas tenho algumas condições.

Claro que tem. É um jogador.

– Quais?

– Vou querer trabalhar diretamente com você, nada de notebook vamos nos falar frente a frente. Afinal estarei me arriscando por você. Se você é o Rei desse jogo de xadrez não me contentarei em ser só um peão. Quero saber quem afinal está do outro lado da tela.

– Parece bem justo. Farei assim daqui pra frente então, afinal todos foram escolhidos e estão aqui se arriscando, merecem esse voto de confiança.

– Obrigado. Então vamos caçar Kira.

– Vou providenciar o pedido formalmente e tão logo aceitem, você pegará o primeiro voo para o Japão e se instalará na Central de Operações.

– Está certo. Sempre bom negociar com você L.

– Nos veremos em breve.

E desligaram, a imagem de Watari apareceu na tela de repente.

– Sophie vai mesmo revelar que é você?

– Não exatamente. Lembre-se ele exigiu falar comigo pessoalmente, ficar frente a frente. Apenas isso. – o homem sorriu do outro lado. – Watari e quanto aos policiais japoneses que pedi que contatasse?

– Bom, os senhores Mogi e Aizawa aceitaram imediatamente e prometeram fazer todo o possível. Já o senhor Matsuda recusou alegando que passar o horror de enfrentar Kira uma vez foi o bastante.

– Entendo. Ele tem suas razões.

– Ainda podemos contatá-lo sempre que necessário, sendo da policia ele tem que nos dar informações.

– É podemos. Watari ajude todos lá na central e providencie a transferência de Scott Tuner, eu vou sair. Qualquer coisa entre em contato.

– Claro. Posso perguntar aonde vai L?

– Digamos que estudar umas estratégias de batalha.

Ela desligou, terminou de comer e se trocou. Foi até um parque próximo onde as pessoas se reunião para jogar xadrez. Escolhera aquela casa porque o bairro era bem acolhedor.

Kira é um bom jogador, preciso praticar também.

– Hana? – uma garota chamou e Sophei se virou. – Que estranho te encontrar aqui. Não sabia que frequentava o lugar.

– Oi Maisy. – Sophie cumprimentou a colega de escola. Mas não gostou daquela situação, encontrar alguém conhecido por ali não era o ideal. Ela olhou pra uma barraquinha próxima e teve uma ideia. – Não frequento o lugar só vim comprar uns Dorayaki*. E você?

– Venho sempre que posso jogar xadrez. Que tal uma partida?

Droga, o que ela faz nesse bairro? Não posso jogar com a Maisy ela vai perceber que não sou quem aparento ser e isso pode acabar com meu disfarce de L. Talvez seja mais prudente recusar. Por outro lado eu adoro um desafio e não quero parecer medrosa, principalmente para ela. Na verdade poderia té testá-la e no final perder.... Mas se entrar nisso vou ter que encarar outro problema: o fato de que odeio perder, principalmente no xadrez.

Ela sempre se sai tão bem nas provas e eu fico me controlando para não levantar nenhuma suspeita ou atenção sobre mim, mas eu cansei disso, afinal ela só é estudiosa. Odeio sempre ter que perder. Ela pode ser boa aluna, mas nunca chegar aos meus pés, nunca poderá vencer a inteligência de Kira. ... Mas que irritante, afinal por que é que Ryuk está rindo tanto?

Notas finais
*O Dorayaki é um tipo de panqueca recheada com doce de feijão (anko) ou com creme muito comum no Japão.Leia mais: http://www.sashimisecret.com/2008/05/dorayaki-comida-japonesa-tambem-tem-doce/ "Ryuk: Hana... A garotas de cabelos negros. Ela me lembra o L em muitas coisas e também esconde seu nome verdadeiro. Ela definitivamente esconde alguma coisa, mas ainda não sei o que é. Maisy parece gostar dela, mas não de um jeito bom, como amiga, ela não tem amigas. Não deixa que sentimento ou relação nenhuma a atrapalhe. Ela parece gostar de superá-la, desafiá-la, se mostrar melhor. Não se conforma que alguém possa ser mais esperta que ela e embora Hana não seja a melhor aluna Maisy insiste em implicar com a garota já que tem que se manter sempre abaixo dela, se esconder em sua sombra para poder realizar seu plano. Inveja, orgulho... Vai ver é isso. Aqueles sentimentos humanos que já iniciaram diversas guerras. Mas Hana não tem cara de quem aceita provocação, de quem aceita perder. Hehe Duas cabeças duras, duas mentirosas, quase parece Light e Ryuuzaki. Vai ser bom assistir isso. Hehe"