Death Note: Os Sucessores - 2 Temporada
42 Cap. 40: Epitáfio
Notas iniciais

Inglaterra, Cambridge 2038
"So far away from knowing where I'm going
And trying hard to find out who I am"
— Pensei que fosse te encontrar aqui. – o homem de uns cinquenta anos que vestia roupa social disse ao mais jovem em frente ao túmulo. – Em dias como este você parece encontrar tranquilidade aqui.
— É. – Scott respondeu ainda olhando para os túmulos de Misa, Maisy e Sophie. – Apesar de parecer bizarro estar aqui me faz sentir calmo.
— Tem razão. Parece bizarro. – Gordon disse se aproximando. Os dois vestiam roupas parecidas e estavam para ir para uma ocasião especial. – Aqui, tem que usar isso. – ele disse colocando uma flor branca e vermelha no bolso direito do paletó.
— Eu fiquei com medo de colocar em casa e a flor acabar morrendo. Parece que eu tenho esse dom. – seu semblante mudou.
— Ora não faça esse drama Steve. Hoje é um dia especial.
— Steve... – ele fechou os olhos por um momento. – Faz muito tempo que não sou chamado assim.
— O que eu ainda acho um perigo. Sabe-se lá se ainda resta alguma coisa daquele caderno dos infernos.
— O que posso fazer, ainda uso Scott, mas não é o que a minha mãe me deu.
— É, mas sei lá... Ravi Amane... Nunca vai combinar com você e não importa o quanto eu repita, não me acostumo. – Scott sorriu.
— Você não tem jeito Gordon.
— Vamos então. Ficar aqui só vai piorar, onde já se viu ir pro cemitério no dia de um casamento.
— É só que... Maisy e Misa eram tudo o que me restaram e Sophie de certa forma era minha família também. Por que Gordon? Por que tudo o que eu amo tem sempre que ser tirado de mim?
O homem segurou seu ombro.
— A mim você não vai perder... — ele respondia quando foi interrompido.
— Você não pode fazer nada, foi escolha delas. – eles ouviram a voz feminina e Annie se revelou. – Elas e seus joguinhos de mal gosto, divertidos, mas de mal gosto.
— Então mesmo depois de cinco anos você continua vindo aqui?
— O que posso fazer se enterrou minha melhor amiga ao lado dela e ainda mandou trazer o túmulo da Misa pra cá. – a ruiva agora de cabelos curtos se aproximou e depositou flores azuis no túmulo de Sophie. – Para um professor você está usando roupas bem caras Steve.
— Bom te ver também.
Os três olharam o lugar enquanto o vento do outono soprava as folhas no chão.
"They all say that I don't know what I'm doing
I say they don't hardly understand"
— Sabe eu fico pesando que se naquele momento eu tivesse me levantado e a seguido talvez pudesse ter evitado. – disse a ruiva.
— Maisy arquitetou tudo muito antecipadamente. Tanto foi que Sophie só previu no último instante.
— É. Ela fazia jus ao Light. – Annie pareceu irritada. – Desculpe, não foi minha intenção. Mas eu nunca vou vê-las como aliadas ou algo do tipo.
— Tudo bem, você está certa. Ela era um grande gênio como a Sophie. As duas foram únicas cada uma a seu modo.
— Ainda sim é estranho, sei que é idiotice, mas fico pensado que talvez... Quem sabe... – Annie suspirou. – Nunca encontraram os corpos direito. Sayu foi queimada até os ossos e a identificação demorou meses. Da Maisy só acharam a mão e... Você já pensou que...
— Que talvez elas tenham sobrevivido? – Scott disse por fim. – Não sei se isso seria possível, mesmo que sobrevivessem a queda estávamos no meio do oceano, nós quase morremos lá e só ficamos três dias em alto mar. Para duas garotas feridas e sem equipamento seria algo milagroso. Sem falar que se fosse assim pelo menos a Sophie teria aparecido. Mas não há um só dia que eu não deixe a lógica de lado e pense nisso.
Annie o encarou, Gordon assistia a tudo sem chance de argumentar.
— Quando eu achei que ela tinha morrido na TV eu tive um ataque de loucura, mas no final das contas tanto enrolei que Sayu acabou fugindo.
— O que quer dizer?
— Se eu realmente a odiasse ou se culpasse Maisy pela morte dela eu as teria matado muito antes.
— Ainda não entendo.
— No fundo eu não estava suficientemente triste. Talvez soubesse ou tivesse muita esperança de que no fim ela estivesse viva.
— E?
— E... Eu não sinto tal coisa com relação a isso. Mas também não estou triste. Vai ver sou mesmo o monstro que Near tanto tentou enjaular. – a ruiva sorriu. – Bom, eu suponho que você tem um casamento pra ir e nessa beca você deve ter um papel muito importante nele.
— É.
— Até mais Ravi... Ou melhor dizendo Steve. – e caminhou na direção de uma moto.
— Ela me dá arrepios. – Gordon sussurrou enquanto ela se afastava. – A propósito qual foi o nome que Misa deu a Maisy? Você colocou em japonês na lápide.
— Se pronuncia Larine, Larine Amane. Ela não quis o Yagami. – Annie sorriu e parou de repente.
— Com L né? – eles ouviram Annie a suas costas. – Retiro o que eu disse, Misa Amane tem um grande senso de humor. – e assim subiu na moto desaparecendo pelo portão.
— Vamos Ravi. – Gordon chamou. – Max já está esperando na igreja.
— Tem razão.
— Além do mais somos os padrinhos, não podemos nos atrasar senão... – Ele passou o indicador pelo pescoço simulando ter a garganta cortada.
— Pior. A última coisa que quero é ver Inori nervosa, ainda mais hoje.
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Japão, Tóquio
"Everything seems perfect
Everything's okay"
Masao subiu ao palco onde o pai tinha acabado de fazer um discurso para inaugurar o novo prédio especializado em biomedicina robótica das Indústrias Tulevik, que agora era uma grande corporação.
— Masao se importaria de responder algumas perguntas? – os jornalistas que faziam a coletiva de impressa e cobriam os fatos pareciam interessados no garoto de 13 anos.
— Claro que não. – ele falou ao microfone.
— Como um garoto como você foi se interessar tão cedo pelos negócios de seu pai?
— Eu não sei dizer ao certo quando isso começou. Acho que foi logo quando a Tulevik deixou de produzir apenas processadores e computadores e começou a criar suas próteses.
— Você é bastante participativo nos assuntos da Corporação. Isso não atrapalha nos estudos?
— Não. Alias só ajuda. – ele parecia bem a vontade de frente a tantas câmeras.
— Masao você pretende seguir os passos de seu pai? Ele é uma grande inspiração?
— De fato meu pai é uma grande inspiração e eu quero entrar no mundo dos negócios, mas essa não é a única razão. Sabe, é uma história engraçada talvez queiram ouvir. – eles fizeram sinais positivos. – Bom, quando eu era mais novo era um horror na escola e detestava matemática, mas eu tinha uma irmã.
Todos fizeram silêncio se lembrando do trágico acidente que deu fim a vida da jovem Maisy Takeshi que quando foi visitar uma amiga em Tóquio, acabou soterrada no metro que desabou ao tentar fugir através dele da cidade que estava cercada por causa de um fugitivo da polícia.
— Todos sabem, eu sou adotado e tive muita sorte de conhecer a Maisy, ela era uma ótima irmã. Ela me ensinou muitas coisas e sempre dizia que queria fazer algo por esse mundo. Ela era brilhante. Eu sei que não sou como ela, sei que nunca poderei ser, mas quero fazer de tudo para realizar esse sonho. Por isso tenho tanto orgulho do meu pai que introduziu o mercado de próteses mecânicas de alta tecnologia no mundo possibilitando a recuperação de diversas pessoas. E não somente isso, fez com que se tornasse acessível para quem necessitasse criando também programas junto ao governo.
As pessoas o encararam em silêncio absoluto.
— Eu posso ser só um garoto de 13 anos, muitos devem me achar mimado e há quem vá dizer que tudo isso foi ensaiado, mas eu só quero dizer que não importa o tamanho do desafio nós certamente podemos superá-lo através da tecnologia. – ele disse uma das frases da empresa e as pessoas aplaudiram.
Depois das festividades eles voltaram para a casa que haviam adquirido na capital para onde tinham se mudado.
"It will all get better now
At least that's what they say
But I don't see it coming"
— Falou muito bem meu filho. – e pai o cumprimento. – Maisy e todos nós já nos orgulhamos muito de você. – a mãe completou.
— Obrigado. Vou terminar de arrumar minhas coisas para amanhã. – ele se referiu a escola e subiu para o quarto.
Colocava alguns cadernos dentro da pasta quando viu um vulto em meio à cortina da porta da sacada que estava aberta.
— Belo discurso, quase chorei... Quase.
— Haa! – ele se assustou tropeçando e caindo no chão. – Mas que droga. Como você entra assim?
A mulher ergueu um aparelho com tela touch holográfica com barras metálicas. Uma das mais genuínas invenções da Corporação Tulevik.
— Nunca devia ter te dado isso. – disse Masao. – Um dia ainda te pegam hackeando o sistema e vamos todos estar ferrados.
— Tsc! – ela se sentou na cadeira em frente a escrivaninha do garoto. – Graças a mim isso foi desenvolvido e relaxa está falando com a sua grande, incrível e brilhante irmã. – ela fingiu interpretar o garoto.
— Eu não falo assim.
— Então assista na TV de novo. Mas fracamente deve estar certo. – Maisy falou tirando a luva da mão direita. – Porque fiz tudo isso só com a esquerda e olha que sou destra. – ela revelou a prótese mecânica que tinha no lugar da mão. Era de última geração e tirando a cor meio azulada acinzentada e alguns fios conectivos que eram visíveis através da membrana de proteção parecia uma mão real.
— Ai, ai. – Masao suspirou e pegou o estojo de ferramentas. – Como você estragou dessa vez?
— Peguei algo pesado.
— Aham. Sei. – wle examinou. – Fico imaginando com ficou a cara da pessoa que teve a infelicidade de cruzar seu caminho. – Maisy sorriu. – Você ainda vai se matar de verdade assim. – ele continuou.
— Não. Não até ela voltar.
— Ela? Quem?
— Não é nada. Coisa minha. – ele começou a fazer os reparos.
— Papai disse que estão quase desenvolvendo uma prótese que contem todas essas funções e é idêntica a pele. Se tudo correr bem falamos com o Trevor pra colocar em você e então não precisará usar as luvas, se preocupar com detectores de metais e etc.
— Será ótimo.
— Quanto ao discurso na TV... Eu estava falando sério.
Maisy o encarou de maneira tão maternal que se pegou surpresa.
"Why can't they remember
What I'll never forget"
— Neste caso pare de me engrandecer Masao. Não sou a perfeição que você imagina.
— Eu não entendo. Você está viva, mas me faz mentir pros nossos pais e o resto do mundo. Por quê? E como perdeu sua mão? Por que viver em segredo? O que você tanto esconde afinal Maisy?
Ele terminou e ela ergue a mão abrindo e fechando.
— Você ainda é muito jovem, um dia talvez eu lhe conte toda a verdade. Por enquanto saiba que você é o melhor irmão do mundo.
— Ah! É? Diz isso pro Scott, ou já se esqueceu dele? – ela ficou estática encarando o vazio.
— Ainda não já que você sempre fica me lembrando. – ela se levantou pegando o aparelho de novo. – De qualquer forma é graças a você que eu continuo inteira. Obrigada Masao.
— Disponha. Mas saiba que não é justo. Conte ao Scott também, ele é um cara legal.
— Certo. Pensarei no assunto. – e como sempre sumiu pelo jardim.
Scott... Não, ele não pode saber. Nenhum deles pode. Porque se souberem que sobrevivi será questão de tempo até encontrá-la e então vão interferir no nosso jogo de novo, não é mesmo Sophie? Entretanto... Isso poderia ser útil para trazê-la de volta. Ah! Que se dane, prefiro continuar com minha vida calma por enquanto.
E mais uma vez Maisy saiu as ruas onde era os olhos e ouvidos de uma certa Detetive da polícia japonesa com quem tinha um acordo. Ela funcionava como uma espécie de espiã, encontrava e se infiltrava em máfias, gaangs e assim arruinava cada uma delas já que a policial os levava para prisão. Em troca Kerli Matsumoto a tornou invisível, lhe deu uma nova identidade e meios suficientes para sobreviver mesmo que a margem da lei.
Pois no submundo já se espalhava o boato de uma pessoa que vinha ajudando a polícia, mas não seguia seus princípios. Matava quem fosse necessário, obtinha as informações de qualquer jeito e nunca era pega ou descoberta. Era um verdadeiro gênio e quando se perguntavam quem poderia ser alguns questionavam o que aconteceu com L e seus agentes que simplesmente desapareceram. Seria essa pessoa um novo, modificado talvez até melhorado L? A duvida permaneceria.
How these dreams can come undone
When you're young
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Brasil, Rio de Janeiro – Centro de Pesquisas Clinicas
Daniel Dalstrin estava em seu laboratório verificando antigos registros tanto profissionais quanto pessoais. Foi quando encontrou as primeiras gravações sobre Marine.
“– Hoje, 22 de maio de 2033, exatamente um mês atrás eu e meus assistentes encontramos uma garota próximo ao litoral do Rio de Janeiro flutuando em um bote salva vidas. A trouxemos para o hospital. Como a encontrei resolvi visitá-la alguns há alguns dias e... Acho que me deparei com a coisa mais improvável que eu já vi na vida.
Acontece que quando cheguei ao hospital apesar dos ferimentos e hematoma ela estava muito bem, só que por alguma razão não conseguia se lembrar de nada, aliás não sabia nada. Não sabia seu nome, não sabia quem éramos, não sabia nem mesmo falar. Era como se estivéssemos lidando com um recém nascido só que... — ele sorriu. – Esse lutava kung fu.”
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“– 28 de maio de 2033, eu resolvi me responsabilizar pela garota que não aparece em nenhum banco de dados como se não existisse. Ela é um caso muito interessante, apesar de ser como um bebê há momentos que ela parece recuperar a memória ou ter algum discernimento. Bom, eu dei a ela algo para desenhar e ela pareceu estranhar os lápis, as cores, tanto é que me preocupei com a sua visão, mas o que me impressionou é que depois de alguns minutos ela estava desenhando com perfeição os mesmos símbolos, aliás, as mesmas letras.— ele pegou as folhas mostrando para a câmera. – A, L, M, N, S e W. Assim mesmo, em ordem alfabética. Eu não sei explicar, ela não fala uma palavra se quer.”
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“– 01 de janeiro de 2034. Depois de meses consegui a guarda de Marine, já que ela apresenta a mentalidade de uma criança de 5 anos, embora sua idade cronológica na verdade é entre 16 e 19 anos. Eu e meu amigo Afonso conseguimos lhe ensinar a falar e o mais incrível em menos de um ano ela também está lendo e escrevendo. A última façanha dela foi falar em outras línguas. Ela não sabe explicar como faz isso, mas estava falando em francês, escrevendo as letras japonesas e cantando musicas internacionais com perfeição. Apesar das minhas alegações para consegui sua guarda perante a justiça nenhum exame comprovou com exatidão dano cerebral ou doença mental. O que será que houve com a memória dela?”
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“– 06 de setembro de 2035. Esqueci de mencionar o fato, mas decidimos que o dia 28 de maio será o aniversario de Marine, também escolhemos esse nome porque ela parecia sempre muito obcecada pela letra M e por termos a encontrado no mar. Ela evolui muito em pouco tempo. Já está lendo livros complexos, nos estudos já está quase ultrapassando o ensino médio e não há uma só vez que eu consiga vencê-la no xadrez ou qualquer outro jogo que, aliás, ela parece gostar muito. Seu discernimento está quase que praticamente equivalente ao de um adulto, contudo é como se ela tivesse que ter reaprendido tudo no mundo então há coisas que a principio são completamente estranha para ela ao mesmo tempo que podem ser triviais para nós nessas horas a internet se tornou a sua melhor amiga.”
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“– 09 de outubro de 2037. Marine tem uma mente muito elaborada mesmo com a amnésia que continua até hoje. Já não mostra nenhum traço de quando a encontramos assustada como um bichinho selvagem. Mas por não se lembrar de nada nunca sei qual seu limite e verdadeira capacidade. É ótima em todas matérias, sua memória capta tudo com precisão e já concluiu o ensino médio, ao mesmo tempo é muito solitária. É até sociável, mas não se aproxima muito de ninguém como se não estivessem ao seu nível ou se não confiasse neles e parece estar sempre triste. Uma tristeza estranha, que aparece de repente como se quisesse se lembrar de algo ruim que aconteceu... Eu não sei ao certo. Talvez seja por não saber quem é e de onde veio. Na verdade começo a pensar que talvez ela ter se esquecido do passado possa ser uma dádiva.”
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"You give what you give 'cause they make you"
— Dr. Dalstrin. – o estagiário chamou o importante cientista e pesquisador do Centro de Pesquisas Clínicas. – Ela está aqui. Parece importante.
— Tudo bem. Obrigado Julio. – o homem devia ter 30 e poucos anos, deixou o microscópio e pendurou o jaleco branco.
Se encaminhou até a sua sala particular que ficava um pouco distante do laboratório.
— Que surpresa agradável. – ele disse abraçando Sophie. – Veio dar uma bisbilhotada no lugar?
— Mais ou menos. – ela falou se sentando na cadeira em frente à mesa dele. – Isso acabou de chegar lá em casa. – ela entregou o envelope para ele.
— É do Japão. Da Tokyo Zokei University. – ele viu o emblema. – E o que diz?
— Eu não sei, não abri ainda. Queria fazer isso junto com você.
— Ora então vamos abrir logo. – ela pego e abriu calma e tranquila como sempre. Daniel por sua vez estava animado e ansioso.
— E então, o que diz?
— Fui aprovada.
— Você conseguiu. – ele se levantou erguendo os braços. – Conseguiu, conseguiu. Marine você entrou na Zokei.
Ele a abraçou de novo e falava empolgado andando de um lado para outro.
— Isso é incrível, claro que você ia passar. É um gênio e minha filha... E espera.. Isso significa que vai se mudar para o outro lado do mundo.
— É. – eles voltaram a se sentar, o homem retornou seu semblante sério.
— Você tem certeza que é isso que você quer?
— Claro que sim.
— É que eu fico preocupado. Não entenda mal, mas você não tem exatos 20 anos, há tanta coisa nesse mundo e você pode não consegui...
— Exatamente por isso. Eu quero sair daqui e conhecer o mundo. Tentar descobrir quem eu sou, de onde vim e o que aconteceu comigo. Sei que fica preocupado por não saber exatamente o que posso ou não fazer, mas eu tenho confiança que ao menos posso morar sozinha no exterior. – ela começou. – Eu preciso disso, descobrir a verdade e cursar arte é o meu sonho. Além do mais eu sinto que tenho algo a ver com aquele país.
— Acha que suas memórias estão voltando?
— Não sei, os poucos flashs que tive nesses anos são muito confusos, mas talvez lá eu encontre respostas. Quero saber como posso falar mais de oito idiomas, lutar três tipos de artes marciais, entender tão bem física, química e matemática. Eu sei que acha tudo estranho e eu também acho. Quando estou diante de um problema a formula surge na minha cabeça automaticamente isso é... Assustador e ao mesmo tempo ótimo. Sem mencionar que desde que acordei no Brasil tenho uma memória perfeita, fotográfica.
— Poderíamos descobrir juntos. Você é uma pessoa fantástica em todos os sentidos e eu aprendi muito com você.
— Sei que se preocupa comigo Daniel e lamento por não poder ser sua filha, tenho que seguir meu caminho. Garanto que quando descobrir a verdade será o primeiro a saber. – ela estendeu a ele outro papel. – Então... Pode me emancipar?
Ele encarou o papel e pegou a caneta com um sorriso fraco.
— Você planejou tudo isso não é? Já esta com as malas prontas eu aposto.
— Eu sabia que ia entrar e torcia para convencer você.
— Sempre foi boa em ler as pessoas. – ele assinou o papel. – Me mantenha informado Marine.
— Será que você pode me enviar uma cópia de tudo o que tem sobre mim?
— Com certeza.
— Obrigada, você foi um ótimo pai que me ensinou tudo. Saiba que sempre serei agradecida por isso.
— Me lembro de quando falávamos algum assunto e você me saia com um argumento brilhante e um modo de pensar único. – ele encarou os olhos de gelo dela. – Mas tem razão, é hora de descobri de onde têm eles, precisa reentender o mundo e talvez mudar de opinião. Só... Tenha cuidado.
— Eu prometo. – ela o abraçou, mas no fundo pensou: Não se ganha nada nesse mundo sem correr riscos Daniel. Você me julga uma simples garotinha com uma mente avançada, mas no fundo eu sei que sou bem mais do que isso. Só tenho que descobrir o que. Saber como e de onde tenho tanta convicção e confiança. Preciso decifrar os meus flashs de memória que nunca contei a você e nem sei por que. Talvez porque apesar de tudo não confio nem mesmo em você. Tenho que entender isso, entender o que é a mansão cheia de câmeras, o fogo destruindo o prédio, as peças brancas e pretas caídas no chão, aquele toque nos meus lábios e principalmente os olhos castanhos e puxados que me encaram com tanto ódio e ternura.
"Trapped inside a place that won't take you"
— Faça uma boa viagem. – ele lhe entregou o papel e Sophie embarcou naquele mesmo dia para Tóquio onde estudaria Desing Gráfico.
De longe Lawliet observava a garota algumas vezes andar pelo campus, frequentar as aulas e fazer seus desenhos e jogos. Ficava se perguntando se ela acabaria se encontrado com seu passado e se isso ativaria sua memória já que ele foi o responsável por apagá-la, ela não deveria ter nem mesmo flashbacks.
"They want you to be what they make you"
Será apenas questão de tempo? E mesmo que encontre algum deles será que se lembraria? E se ela se lembrasse o que faria? É... O shinigami estava errado, ficar aqui observando os humanos sem poder participar não é nada interessante. É agonizante.
"It's already over and done
It's already over and done
When you're young"
(When You're Young — 3 Doors Down)
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