Death Note - O Novo Kira
5 Reunião
Notas iniciais
A reunião da Interpol havia acabado e Aizawa, com seus companheiros, preparava-se para deixar o local. Na opinião do Comissário, os trabalhos foram produtivos, apesar de tudo. Pelo menos ele sabia que trabalharia com mais dois agentes além de sua equipe, e que L estaria com eles. E, acima de tudo, o misterioso detetive parecia ter uma pista sobre Kira.
Mas uma coisa o incomodava e parecia que incomodava também os demais, já que Matsuda fez questão de tocar no assunto em voz alta, no meio da rua:
— Chefe – o rapaz aproximou-se do superor. Parecia receoso – Como vamos explicar para esse novo L como Kira...
— Matsuda, aqui não. – o outro respondeu, sério. Mogi, ao lado do colega, suspirou cansado. Matsuda não aprendia mesmo, não importa o quanto o tempo passasse – Nada de falarmos sobre as investigações no meio da rua! Ficou maluco?
Matsuda assentiu com a cabeça, envergonhado e, para disfarçar, olhou ao redor. Londres, em toda a sua elegância, o cercava, com seus prédios em arquitetura antiga, bem trabalhados, suas janelas amplas e altas e suas ruas repletas de pessoas que iam e vinham, pensando em seus afazeres. O céu claro, apesar de cinzento, não estava feio, ainda era possível vislumbrar, aqui e ali, uma partezinha do céu azul em meio às nuvens leves. A brisa fresca soprava continuamente, agitando os cabelos de Matsuda que, de repente, sentiu certa afeição por aquela cidade repleta de história.
Mas mesmo assim a preocupação não o abandonou por completo.
A equipe japonesa já havia recebido as instruções de L sobre hospedagem, endereço do quartel-general das investigações, locais importantes na cidade... Estavam bem instalados. E agora era o momento de dirigirem-se ao hotel Park Plaza Westminster Bridge, onde ficariam hospedados, para descansarem um pouco. Mais tarde, no mesmo hotel, teriam uma reunião com L e com os agentes britânicos que iriam compor a equipe de investigação do caso Kira.
E, naquele dia, teriam de contar a eles como Kira matava. E era isso que tanto preocupava aquela equipe.
Matsuda ficou imaginando como iriam contar aos agentes britânicos que Kira utilizava um caderno “mágico” cedido por um shinigami para matar. Imaginou a cara de espanto e, quem sabe de incredulidade, dos companheiros ao ouvirem aquilo. Eles acreditariam? Será que L acreditara naqilo? Bem, como sucessor de Near, ele deveria saber de tudo, mas os dois agentes britânicos não sabiam. Como reagiriam? O pior de tudo é que quem contaria aquilo a eles seria Aizawa, provavelmente daquele seu jeito exageradamente direto, o que causaria uma estranheza ainda maior.
Bem, de qualquer forma Matsuda sabia que sua equipe veio munida de todas as provas possíveis sobre a existência e propriedades do Death Note. Aquilo deveria bastar.
O local da reunião da Interpol não era longe do hotel onde ficariam hospedados, por isso os agentes japoneses chegaram em questão de minutos a um amplo prédio, moderno, cujas espaçosas janelas refletiam os céus cinzentos. A entrada moderna contrastava com a arquitetura clássica tão presente no local, mas o requinte do lugar logo impressionou os japoneses.
Após o chek-in, subiram todos para seus respectivos quartos. Enquanto instalavam-se, perceberam que havia um aparelho celular em cima da escrivaninha. Havia também uma carta deixada por L, que apresentava alguns detalhes importantes. A carta dizia:
“Bem vindos a Londres, Agentes.
Deixei esse smatphone para cada um de vocês, para que o utilizem a partir de agora. O aparelho deverá ser utilizado apenas para assuntos profissionais. Podem utilizar seus celulares para assuntos particulares, mas desde que absolutamente necessário. Sinto muito por privá-los do contato frequente com suas famílias, mas é uma medida necessária. Aproveitem esse tempo de descanso para contatá-los, mas evitem falar diretamente do que estão fazendo. Suponho que já saibam de tudo isso, mas é melhor que eu lhes diga, de qualquer forma.
Por fim, encontrarão o que precisam em seus dormitórios. Utilizem o serviço de quarto com certa moderação, mas não deixem de aproveitar os serviços excelentes que este hotel tem a lhes oferecer. Afinal, dias difíceis virão e eu desejo proporcionar-lhes ao menos alguns momentos alegres para que não deixem Londres com uma má impressão.
Sem mais para o momento, aguardo ansiosamente a presença dos senhores hoje à noite, no local combinado. Descansem bem e apresentem-se com a mente e o coração leves.
Cordialmente
L”
Cada um dos agentes leu a carta do misterioso detetive com um misto de receio e simpatia. Ele fez questão de instalá-los em um bom hotel, com uma ótima localização e com muito conforto. Mas aquela história de ficar sem falar com a família por muito tempo... aquilo lhes pesou no coração.
Kira... mais uma vez ele separava aqueles bravos homens de suas famílias. Mais uma vez ele lhes causava dor, preocupação, ansiedade, mais uma vez suas mulheres, filhos, namoradas, sofriam, sem saber se um dia voltariam a ver seus entes queridos... Essas pessoas tão amadas não mereciam aquilo!
Matsuda suspirou e abriu a janela de seu confortável quarto, olhando para fora. Por um momento o peso no seu coração abrandou quando o jovem olhou para fora.
— Caramba... – o agente sorriu quando deu de cara com a vista privilegiada. A Westminster Bridge, que cortava o rio Tâmisa, terminava bem à frente do hotel e, se Matsuda seguisse por ela, logo estaria à frente do famoso Parlamento e do elegante Big Bem. Se tomasse o caminho da direita, iria parar na famosa London Eye, a maior roda gigante do mundo. Seguindo mais um pouco pela via iniciada na Westminster Bridge, o rapaz encontraria a magnífica Abadia de Westminster, onde reis e rainhas ao longo de mais de um milênio foram coroados.
Mais animado, Matsuda pegou seu smartphone e fez uma ligação. Esperou ansioso, queria que lhe atendessem logo para contar o que estava vendo. A pessoa do outro lado da linha iria gostar tanto das novidades...
— Matsui! – uma garota com voz melodiosa atendeu a ligação. Seu tom era de grande alegria – Como você está? Senti tantas saudades!
— Hinata-chan, eu também! – o agente respondeu afetuoso, sorrindo, com a alma leve – Queria muito que você estivesse aqui comigo. Como estão as coisas por aí?
— Estão tensas – a jovem respondeu, agora menos alegre – A mídia já está noticiando o retorno de Kira por aqui. Por onde você vai o assunto é o mesmo: o novo Kira. Já estou até enjoada.
— Sério? – Matsuda riu, divertido – Por essa eu não esperava, Hinata-chan. Achei que você ficaria empolgada...
— Sabe que não fico mais. – Hinata respondeu, agora decididamente mal humorada – Fui uma idiota por achar que Kira fosse alguma coisa além de um tirano sem alma, alguém que usa as pessoas e depois as descarta, como se apenas ele próprio tivesse algum valor.
O agente ficou por uns segundos calado. Como aquela garota havia crescido nesses dez anos... Ela creceu e amadureceu tanto que às vezes parecia que o havia ultrapassado. Hinata era sua “obra”, como ela mesma costumava dizer, renascida das cinzas para ser uma nova pessoa. Ela havia se levantado como o Sol depois de uma longa e escura madrugada, por isso esse nome lhe caía tão bem. “Em direção ao Sol” era o significado de seu nome em Kanji e, curiosamente, a pronúncia poderia também lembrar o nome derivado do latim “Renata”, ou “renascida”.
Pensando em tudo isso, Matsuda quase esqueceu de que estava em uma ligação, e por isso foi logo trazido de volta por uma Hinata que não parava de chamá-lo:
— Oi! Matsui-chan? Ei, está ounvindo?
— Desculpe! – o rapaz riu envergonhado e voltou a conversar – Só estava pensando em como você mudou, em como está diferente... incrível...
— Por sua causa! – ela respondeu, feliz – E uma vida inteira não seria o suficiente para agradecer pelo que fez por mim. Mas vamos deixar isso para quando você estiver aqui comigo outra vez, sabe que eu prefiro ser carinhosa ao vivo. Então me conte: Londres é uma cidade bonita?
— Muito! – o rapaz ficou empolgado – Caramba, Hinata-chan, esse lugar é demais. Acredita que da minha janela eu posso ver o Big Bem? E tem também...
A conversa seguiu por muitos minutos, com um Matsuda realmente animado conversando com uma Hinata mais animada ainda. Se não fosse pelas batidas sonoras do Big Bem, o rapaz perderia a hora para a reunião. E se não fosse por Kira, Hinaata poderia estar ali, desfrutando daquela vista, daquele luxuoso hotel, absolutamente feliz, como ela merecia estar depois de tudo pelo que passou.
E ao desligar, Matsuda sentiu um aperto no peito por ter que ficar longe daquela a quem ele amava tanto. Como ele havia pensado mais cedo, não era justo que Kira o separasse das pessoas a quem amava. Essa loucura precisava acabar, o mundo precisava viver em paz!
L pensava justamente nessa questão enquanto segurava uma pedrinha de cristal transparente entre os dedos, virando-a de lá para cá de acordo com a claridade. A luz, decomposta pelo material prismático, tornava-se multicolorida, faiscando alegremente e projetando pequenos fachos no rosto da jovem que a segurava.
O misterioso detetive L era na realidade uma garota de no máximo uns vinte e poucos anos, criada no mesmo orfanato que serviu de lar aos seus antecessores: a Wammy’s House. Ela não lamentava o fato de ser órfã, pois a vida que havia escolhido para si era arriscada, e Claire Alice Lee não achava justo expor entes queridos àquela rotina de incerteza e apreensão que era a vida de uma detetive como ela. Por isso ela sentia muito por cada um dos familiares e amigos dos agentes que agora encontravam-se em Londres prontos a arriscarem suas vidas em uma missão difícil como era aquela.
Para não dizer que Claire não tinha ninguém, ela tinha um amigo querido, que a auxiliava em tudo: Watari estava lá para ela. Não o primeiro Watari, que auxiliara Ryuzaki em suas investigações. Era outro, que também havia adotado aquele codinome. O homem, idoso porém ainda cheio de vigor, fazia questão de tratá-la como uma filha, ao que ela muito agradecia. E ele era, ao mesmo tempo, um valioso aliado, com sua bondade, sagacidade e temperamento sereno e analítico.
Agora Clarire estava diante de um espelho, olhando para sua figura delicada com um certo senso crítico. Ela não era uma garota incomum, na verdade a Inglaterra estava cheia de pessoas como ela, com seus cabelos loiros, pele clara e olhos azuis. Ela não tinha um ar excêntrico nem manias aparentes, além do costume de revirar sua pedrinha de cristal enquanto observava as faíscas multicoloridas rebrilharem. Claire não tinha os olhos de iris dilatadas de Ryuzaki e nem o jeito estranho de sentar de Near. Se os agentes a vissem, certamente não imaginariam que ela era L.
A verdade é que Claire, apesar de genial, não tinha a experiência ou a aparência dos antecessores, mas sua autoconfiança era grande. Mesmo tendo certeza de que não se parecia em nada com uma detetive excêntrica e genial, mesmo tendo certeza de que os agentes que a auxiliariam não entenderiam de imediato que ela era a comandante daquele caso, Claire não se sentiu desestimulada.
Fazer justiça era para ela mais importante que a opinião dos outros sobre si mesma, por isso ela faria o que tinha que ser feito mesmo que as pessoas não soubessem sua identidade ou não achassm que ela estava à altura do codinome L.
Mal sabia Claire que era mais parecida com Kira do que imaginava.
***
Às sete horas em ponto a equipe japonesa dirigiu-se à sala de reuniões indicada por L. Lá estariam os agentes britânicos dos MI-5 e 6, bem como o porta-voz de L, que todos já sabiam tratar-se de um senhor de nome Watari.
Aizawa, à frente do grupo, abriu a porta utilizando seu cartão magnético e olhou em volta assim que entrou. Uma sala confortável, não muito mobiliada, apenas o essencial. Uma mesa redonda, contendo copos de água e blocos de papel. No canto da sala havia uma cafeteira, de onde se podia sentir um gostoso aroma de café, além de uma garrafa de chá, junto de pequenos cubos de açucar para os mais exigentes.
Sentado em uma cadeira voltada para a porta de entrada havia uma figura misteriosa, que utilizava um sobretudo marrom, chapéu e óculos de grau. Assim que a equipe japonesa entrou na sala, ele se levantou e prestou uma reverência aos recém chegados à moda do Japão. Em seguida, abriu seu notebook, que emitiu um brilho intenso. Na tela, a inicial L, em fonte Old English, destacava-se contra o fundo branco.
— Bem vindos, senhores. – Watari começou a falar com sua voz pausada e grave. Uma aura de confiança espalhou-se pelo local assim que o homem abriu a boca. Ele lhes lembrava algo como um sacerdote, ou um sábio e Matsuda, que assistira a trilogia “O Senhor dos Anéis” recentemente, lembrou-se de uma versão estilo “Sherlock Holmes” do mago Gandalf – Por favor sentem-se, fiquem à vontade. Os agentes britânicos chegarão em alguns minutos. Eles pediram desculpas pelo atraso, mas parece que novas ocorrências relacionadas a Kira chegaram para eles agora mesmo. Peço que tenham paciência e aceitem uma xícara de café enquanto esperam.
Diligente, o homem dirigiu-se à cafeteira e encheu algumas xícaras com o café recém passado e saboroso, servindo os agentes com presteza e simpatia. Os homens agradeceram educadamente e saborearam a bebida.
— Como devem saber – Watari continuou a falar enquanto saboreava sua própria porção de café – sou Watari, assistente de L. Desempenharei as mesmas funções que meu antecessor e os auxiliarei no que precisarem.
— Obrigado – respondeu Aizawa, com polidez – Esperamos também auxiliar L e a Grã-Bretanha da melhor forma possível, prendendo Kira logo.
— Tenho certeza de que, com a ajuda dos senhores, conseguiremos concluir esse caso, por isso mais uma vez agradecemos pelo auxílio tão prontamente prestado.
Os japoneses inclinaram a cabeça respeitosamente, não deixando de notar que aquele homem era bastante cortês. Gostaram dele, esse novo Watari parecia ser uma pessoa de grande valor, com a mesma fibra do seu antecessor, além de possuir, em tese, um coração bastante gentil. Se ele fosse realmente tudo o que aparentava ser, Watari seria de fato um grande aliado, além de um bom amigo.
Mas os anos de serviço haviam ensinado aqueles homens a não confiar facilmente em alguém, ainda mais à primeira vista, por isso a equipe japonesa guardou para si suas boas impressões, decidida a avaliar aquele homem com muita cautela. Afinal... Light Yagami também parecia uma boa pessoa enquanto fazia parte da equipe de investigação...
Os minutos transcorreram com certa lentidão e foi com um sobressanto que os agentes japoneses ouviram a porta da elegante sala de reuniões abrir-se novamente. Por ela entraram duas pessoas: um rapaz alto e moreno, de olhar sereno mas muito sagaz, vestido em um elegante terno negro, e uma moça também vestida com um terninho negro e elegante, seus cabelos ruivos presos em um rabo-de-cavalo. Os dois recém chegados eram os agentes requisitados por L, os quais completariam a equipe de investigação do caso Kira.
— Boa noite, senhores – os britânicos cumprimentaram os presentes com polides e tomaram seus lugares à mesa.
— Por favor, desculpem o atraso. Novos assassinatos, ficamos na agência para recolher os dados. – o rapaz desculpou-se, olhando para cada um dos presentes.
— Fomos informados, não se preocupe. – Watari respondeu – Mas agora podemos começar. L, estamos prontos.
Do notebook saiu uma voz mecanizada, a mesma que falara na reunião da Interpol, mais cedo. Todos prestaram atenção.
— Boa noite, senhores. Como sabem, eu sou L, e comandarei as investigações do caso Kira a partir de agora. Antes de tudo, porém, peço que cada um se apresente, por gentileza, assim nos conheceremos melhor.
Nenhum deles deu seu nome verdadeiro. Apresentaram-se um a um e, quando foi a vez dos ingleses, os agentes do Japão viram o rapaz apresentar-se como “Agente Luke Fordring, do MI-5” e a moça como “Agente Eileen Phoenix do MI-6”
Watari sorriu ao ver que L havia se calado. Os japoneses imediatamente sorriram por não terem caído no mesmo truque duas vezes. O primeiro L já havia feito essa pegadinha de apresentação e eles lhe deram seus nomes verdadeiros sem pensar duas vezesm o que lhes rendeu uma irritante reprimenda. Mas dessa vez eles perceberam a intenção do detetive e imediatamente deram os nomes falsos que haviam recebido naquela época.
L voltou a falar e, pelo visto, estava satisfeito.
— Muito bom, vejo que esão precavidos. Fizeram bem em não dizerem seus nomes verdadeiros. Afinal, é de Kira que estamos falando e, nesse caso, todo cuidado é pouco. Por isso, sem mais delongas, vamos passar à apresentação do caso.
Aizawa notou uma gota de suor lhe descendo pela testa. Agora ele deveria dizer àqueles desconhecidos que seu alvo matava utilizando um artefato sobrenatural. Como diria isso de uma forma que não parecesse louco? Matsuda e Mogi, da mesma forma, estavam tensos. Explicar o Death Note para o governo japonês havia sido uma tarefa extremamente ingrata, algo que lhes havia rendido vários olhares de desaprovação e de dúvida. E havia demorado para convencer as autoridades de que aquela história irreal era a verdadeira. Por isso o segredo de Kira havia sido tão bem guardado, para que o mundo não achasse que a nação japonesa havia deixado a razão de lado, falando em seres sobrenaturais e cadernos mágicos. Seria um escândalo para o Japão.
Mas aquela era a hora de colocar todas as cartas na mesa, então o Comissário respirou fundo e abriu a boca para falar.
— Senhores, deixem-me explicar então... – ele começou, mas L o interrompeu na mesma hora.
— Deixe isso comigo, Aizawa-san – todos os japoneses olharam com espanto para a tela do notebook – Meus antecessores mantiveram um registro sobre o caso Kira, por isso eu já sei de tudo o que envolveu o Death Note.
— Death Note? – Fordring estranhou o nome.
— Senhores, peço que abram suas mentes, pois o que lhes contarei agora ultrapassa os limites da razão. O modus operandi de Kira envolve forças que não são de nosso mundo, porém cada palavra que eu disser encontrará o mais amplo respaldo nas provas trazidas por Watari e nos depoimentos dos respeitáveis agentes japoneses. Peço que prestem muita atenção. De acordo?
Os agentes britânicos concordaram, sentindo um misto de curiosidade e apreensão. L, sem perder tempo, começou a explicar:
— Senhores, a arma de Kira chama-se Death Note. Como o nome sugere, trata-se de um caderno no qual as vítimas têm seu nome escrito. Ao escrever um nome, tendo em mente o rosto da pessoa a quem quer matar, o possuidor desse objeto pode lhe causar a morte, além de controlar sua causa e circunstâncias. O dono original do Death Note é uma criatura chamada de “shinigami, um deus da morte. No passado, um desses shinigamis, de nome Ryuuk, deixou seu Death Note cair na terra e, dessa forma, o primeiro Kira o encontrou. E agora outro Death Note está em nosso mundo, infelizmente. Nossa missão é encontrar Kira e o Death Note e destruir esse objeto. E levar Kira à justiça.
— Caramba. – Fordrong suspirou, impressionado – L, você sabe que sou religioso, acredito na existência do sobrenatural. Mas isso é a coisa mais bizarra que eu já ouvi.
— Concordo com Fordring – Phoenix completou. Estava pálida – Quero dizer então que Kira tem um caderno que causa a morte e um shinigami como bichinho de estimação? Aliás, para mim, shinigamis eram apenas personagens de anime. Não sabia que eles existiam.
— Sim, eles existem – Aizawa foi quem falou – mas pelo menos não interferem diretamente nas ações de Kira, limitando-se apenas a observar. Mas mesmo assim, só pelo fato de permitirem aos humanos que carreguem seus Death Notes, já são perigosos o suficiente. Aliás, aqui está um d retrato do shinigami Ryuuk, desenhado por nossa equipe.
Fordring e Phoenix olharam par ao retrato e torceram o nariz. Ryuuk tinha de fato uma aparência ssustadora, e um calafrio desceu pela espinha da jovem agente.
— Feio, hein. – disse ela, com uma careta – Pelo menos ele só observa as ações de Kira.Seria terrível se ele saísse por aí matando também. O pânico e o caos tomariam conta do mundo.
— Mas ele pode agir. Ainda há a possibilidade de Kira ter os Olhos de Shinigami... – Mogi chamou a atenção do grupo. L grunhiu.
— Sim, há mais esse detalhe. Um shinigami pode ver o nome de uma pessoa só olhando para ela. Se ele der esse poder a Kira, ele não precisará saber nossos nomes verdadeiros e torna-se, dessa forma, duas vezes mais perigoso. O custo para obter esse poder é alto: metade da expectativa de vida do humano, mas não temos como garantir que esse Kira não se importe de perder metade do resto de sua vida para concluir seu plano.
— É... – Fordring suspirou – a coisa é realmente séria. Mais séria do que imaginamos.
— E, para piorar, esse novo Kira parece ser esperto até demais. – L completou – Analisando as mortes, não identifiquei qualquer padrão. Os agentes japoneses sabem que Kira, no passado, matava os criminosos apenas escrevendo seu nome, raramente descrevendo causas e circunstâncias específicas. Isso acontece porque, se o possuidor do Death Note escrever apenas o nome da vítima, ela morrerá de uma parada cardíaca em 40 segundos. Por isso conseguiu-se traçar logo um perfil do assassino de acordo apenas com os horários das mortes das vítimas. Mas hoje esse padrão não se repetiu. Kira, pelo visto, percebeu que pode manipular a causa e a hora das mortes, e fez um trabalho bastante eficiente. As mortes ocorrem em horários aleatórios, de causas aleatórias. Aliás, as coisas são tão aleatórias que não podemos nem sequer atribuí-las toddas a Kira.
Silêncio total por alguns segundos. Isso ninguém sabia, nem mesmo os investigadores japoneses.
— Como assim, L? Quer dizer que esse Kira aprendeu a utilizar o Death Note tão bem que conseguiu nos despistar? – Matsuda perguntou, alarmado.
— Pior que sim, Matsuda-san. – L respondeu, desanimada – Por isso tenho certeza de que esse novo Kira é uma pessoa bastante analítica e cuidadosa. Ele, seja quem for, tomou cuidado na hora de agir. Se não fosse por um detalhe, eu não saberia nada sobre ele.
— Que detalhe? – Mogi perguntou, curioso.
— As primeiras vítimas de Kira foram três celebridades inglesas de fama mundial e, por sinal, com um índice de aprovação baixíssimo em certos grupos de pessoas. Mulheres inglesas de perfil bastante puritano as odeiam, e Kira pareceu encaixar-se nesse perfil. Por isso suspeito que Kira seja uma mulher inglesa e de perfil extremamente puritano, daquelas pessoas que fazem questão de declarar seu ódio a tudo o que consideram errado.
— Resumindo: Kira é uma mulher inglesa daquelas que sai na rua só apontando o dedo e falando mal da vida alheia, que adora julgar e condenar as pessoas e que, por isso não sabe o que significa a palavra “tolerância”. – Phoenix concluiu
— Isso aí – a detetive confirmou – E digo mais: a morte das celebridades ocorreu justamente no momento em que um telejornal, transmitido apenas para a região de Londres, noticiou um dos escândalos que elas provocaram. Kira estava apenas testando o caderno naquele momento e, vendo que havia funcionado, tentou novamente, dessa vez assassinado toda a lista de bandidos publicada em um jormal vendido apenas enssa região também. As mortes, aliás, ocorreram na ordem de publicação dos nomes no folhetim. Depois disso, tudo mudou e Kira tornou-se cuidadosa. Mas as pistas que ela deu já serviram para que eu pudesse traçar ao menos parte do seu perfil.
— E agora, o que faremos com isso? – Fordring perguntou – Se eu conheço você, L, você tem um plano.
— Pretendo intimidar Kira. – L declarou, convicta. Todos arregalaram os olhos – Preciso saber até que ponto Kira é vulnerável.
— O que vai fazer? – todos perguntaram quase ao mesmo tempo, curiosos.
— Amanhã eu vou fazer um pronunciamento. Em rede mundial. – a detetive respondeu.
— Como Ryuzaki fez? Vai enganar Kira para que ele tente pegar você? – Matsuda perguntou, lembrando-se de como o antigo L havia enganado Light de forma tão genial e, dessa forma, descoberto sua localização e provado como as mortes eram de fato assassinatos e como Kira poderia matar à distância.
— Não, dessa vez é diferente, não é necessário levar Kira ao erro. Eu pretendo saber se Kira é frio o suficiente para aturar uma provocação em rede mundial. Vou deixar que ele saiba tudo o que sabemos sobre ele, para ver o que ele fará. Dependendo de sua reação, terei mais dados sobre sua personalidade.
— L, ele pode se precaver ainda mais se fizer isso. Não tem medo de que Kira se esconda e nos despiste mais ainda? – Aizawa questionou, preocupado.
— Mais do que Kira já se precaveu impossível, Aizawa-san. Essa Kira é esperta, ela não deixou nada vazar sobre si após testar o Death Note, o que não me dá pista alguma se ela é uma estudante, uma executiva ou uma senhora aposentada, por exemplo. Por isso, vou trabalhar com o que é possível no momento, montando seu perfil completo para, dessa forma, saber qual será meu próximo passo. Por isso peço que aguardem a reação de Kira, após meu pronunciamento amanhã, para continuarmos os trabalhos. De acordo? Garanto que valerá a pena.
Todos concordaram e, em seguida, a detetive vltou a falar, após um bocejo.
— Então, senhores, por hoje é só. – Claire finalizou – O dia de hoje foi agitado, cheio de informações novas, de agitação e, para meus companheiros ingleses, cheio de fatos novos necessitando urgentemente serem digeridos com calma. Acabamos por aqui, mas nos reuniremos assim que Kira responder, ou não, ao meu pronunciamento.
— Mas L, a situação não exige nossa dedicação integral? Ainda podemos trabalhar mais. – Aizawa questionou.
— Descansar também é uma forma de comprometer-se como caso, Aizawa-san. Afinal, “corpo são, mente sã”. Agora vamos, não quero nenhum zumbi sonâmbulo na minha equipe. Andem, já para a cama. Amanhã temos que conversar, afinal eu tenho um plano em mente.
Foi impossível questionar e, vencidos, apesar da curiosidade e do sentimento de urgência em começar logo a trabalhar para capturar Kira, os agentes foram saindo um a um da sala de reuniões, decididos a dar ouvidos ao conselho de Claire e descansar.
Era assim que L trabahava: cuidava daqueles que o auxiliavam, para que não sofressem mais do que o próprio caso já impunha. Não era necessário perder noites de sono ou momentos de refeição. Todos ali precisavam estar com a saúde em dia ou então suas mentes não funcionariam com todo o seu potencial e, consequentemente, Kira teria vantagem sobre eles.
“L é mais sábia do que eu pensava. Se tivéssemos descansado mais naquela época, teríamos pegado Kira mais cedo. Tudo estava tão assustadoramente claro o tempo todo...” Aizawa pensava enquanto dirigia-se ao seu quarto “ Se eu não estivesse tão sobrecarregado, teria certamente notado há mais tempo o quanto você era suspeito, Light Yagami!”
Enquanto isso, Claire gravava uma mensagem, ensaiando cuidadosamente um discurso. Amanhã seria o dia em que confrontaria Kira pela primeira vez, e ela desejava que a hora finalment chegasse.
— Vou pegar você, Kira. Só queria ver a sua cara quando assistir meu pronunciamento. Ou será que você vai ser tão fria a ponto de me ignorar? Sim, “fria”. Eu sei que você é uma mulher. Aliás, sei mais do que você pensa sobre você. E vou saber muito mais nos dias que virão.
E, após concluir seus trabalhos, a detetive deitou-se para dormir. O dia de amanhã seria agitado.
Lily saberia que a maior detetive do mundo estaria na sua pista. O que ela faria? Responderia? Ficaria calada?
Não importava. Claire Alice Lee não precisava de uma resposta para tirar conclusões. Lily esaria em uma armadilha quer ela quisesse quer não.
E dessa armadilha não haveria escapatória.
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