Notas iniciais
Demorei mais do que o previsto para postar, aconteceram muitas coisas. Bom, é isso... START!

“Há um ditado judaico-russo que pôde ser adaptado para o xadrez: o amador estuda a partida do mestre e a aprecia três vezes. Primeiro, quando vê a partida. Segundo, quando lê os comentários. Terceira, quando entende o que aconteceu.”

P.O.V Mello

L havia nos passado grande parte das instruções alguns dias antes e para maior segurança nós iríamos em horários e companhias aéreas diferentes. Near foi o primeiro a sair do orfanato, algumas horas depois Roger bateu na porta apressando Matt. Eu seria o último a chegar lá. Não achei ruim, ele pensou bem não deixando eu e Near sozinhos.

Assim depois de 12 horas em um avião eu desembarcava. No meio do caminho uma aeromoça a serviço do L preparou meu disfarce. Na permiti que tocassem no meu cabelo então estava de peruca curta, preta e olhos castanhos com roupas mais sociais. Cheguei ao hotel onde meu acompanhante, um polícial da Interpol levava a mala para mim.

— Arthur! – a conhecida voz me chamou pelo nome falso. – Finalmente. – me virei e vi Matt. Ele estava com os cabelos castanhos e maiores que de costume, os olhos pretos e a pele muito branca.

— Ei Johnny. – olhei pra roupa dele. – Por que o uniforme?

— Vai haver uma confraternização aqui no hotel, é melhor e se trocar. – caminhamos até o elevador. – Eu vim dar uma olhada enquanto o Charles se arrumava. – ele se referia a Near. Entramos no elevador rumo ao 3° andar.

— Estou morto de cansaço, temos que ir nisso?

— O diretor disse que era uma boa ideia. – era assim que iríamos nos referir ao L.

— Neste caso...

O elevador abriu, o lugar desde o salão de entrada estava movimentado, havia 100 escolas ali, 300 crianças no total, além de professores e diretores. O hotel fora fechado especialmente para o torneio. Os policiais que nos acompanharam seriam nossos professores e frequentariam certos ambientes que não conseguiríamos acesso. Também estavam ali para nos proteger.

Entramos no quarto. Era grande e estava bem iluminado. Havia três camas opostas à porta da varanda com armários entre elas. Acima das cabeceiras havia algum tipo de abajur. Na lateral havia uma porta que devia dar acesso ao banheiro, perto da sacada havia um sofá com mesa de centro. Near estava sentado nele lendo um folheto em japonês. Seus cabelos estavam curtos e quase loiros, os olhos claros e a pele mais morena.

— A sua é aquela. – Matt apontou para a primeira cama e Paul McGarder agora meu professor e guarda costas levou a bagagem até lá.

— Onde esta Karen e Alfred? – Paul perguntou.

— Estão se arrumando também. O diretor nos ligou mais cedo e disse que deveríamos ir nesta confraternização para conhecer os adversários e o ambiente. Não é todo dia que sem vem ao Japão. – Matt falou.

— Certo, vou me arrumar também. Pegamos vocês em cinco minutos. – ele saiu do quarto em direção ao da frente.

— Se apresse. – Matt falou, eu fui até a mala e peguei o uniforme bagunçando um pouco as outras coisas. Depois corri pro banheiro. Estava cansado, mas repassei mentalmente as instruções que L nos deu alguns dias atrás....

Estávamos na sala de Roger com ele e Watari. Como sempre Matt ficava entre mim e Near.

— Pode levantar certa suspeita voos separados, afinal somos da mesma escolas e time. – Matt falou.

— Pensei nisso e programei para que estivessem ocupados com provas ou apresentação de trabalhos. Watari, os envelopes. – o homem nos entregou envelopes marrons. – Aí dentro encontrarão suas identidades falsas, com histórico. Memorizem tudo, por favor.

Começamos a ler, não havia foto, mas todo o resto estava preenchido.

— Ao embarcarem estarão acompanhados de um policial que se passará por professor. Eles serão responsáveis por vocês e garantirão sua segurança. Os escolhi pessoalmente, são de minha total confiança. – L continuou. – Eles ajudarão na investigação e qualquer avanço que obtiverem comuniquem a eles. Ah! Sim, dentro do avião uma agente disfarçada de aeromoça irá cuidar dos seus disfarces e colocar a foto nos arquivos.

— L... – Matt voltou a falar. – Já que isso vai ser em Tóquio vamos ter que jogar Shogi?

— Acredito que haverá tabuleiros de xadrez japonês, mas apenas para divertimento. As partidas oficiais serão de xadrez clássico. O que me leva a explicar as regras. – olhamos para o monitor meio confuso. – Esse torneio esta sendo oferecido pela escola Kaiou e patrocinado por várias empresas de modo que não acontecerá como nos eventos tradicionais.

Primeiramente será disputado em times de três alunos sendo necessário duas vitórias para avançar. A cor das peças será decidido por sorte ou acaso. Contudo os jogadores podem escolher como isso será feito, há as opções de ímpar ou par, cara ou coroa, mas o que os japoneses mais gostam, jo-ken-po

— Jo-ken-po? – Matt não conhecia o termo.

— Pedra, papel ou tesoura. – falei.

— Você sabe japonês Mello? – L perguntou.

— Não muito.

— As línguas oficiais serão japonês, inglês e francês. Creio que não terão muita dificuldade, grande parte dos estudantes falam inglês. Bom, passado o sorteio o vencedor escolhe a cor que deseja jogar. Haverá grandes apostas durante as partidas. É assim que os patrocinadores e anfitriões arrecadarão dinheiro.

— Então como devemos jogar? – Near perguntou.

— Preciso que se destaquem apenas o suficiente para que se tornem uma ameaça ao Herstmore College e eles tentem comprá-los.

— Então temos que chegar as finais. – o albino continuou. – Não deve ser difícil.

— Eu espero que não, mas de qualquer forma não os subestimem. Tentem se aproximar dos alunos, obter informações, mas não se comprometam. Acostumem-se com os nomes falsos e peço também que não levem nada que possa se vincular a vocês. Portanto, Mello não coma chocolates em público, aliás, seria ótimo se não os consumisse em momento algum.

— O torneio dura quinze dias, sem problemas. – respondi tentando mesmo acreditar nas minhas palavras.

— Certo. Near, creio que não terá problemas em deixar todos os seus brinquedos e jogos.

— De maneira alguma.

— Muito bem o que realmente me preocupa agora. – pude sentir o ruivo ao meu lado prender a respiração perante as palavras do detetive. – Matt, seu Game terá que ficar também.

Matt suspirou tentando fingir decepção, mas assim como eu estava aliviado. No final das contas ele estava mesmo conseguindo enganar o L quanto aos cigarros. Mesmo assim eu nunca perdoaria Alice por ter oferecido, incentivado e ensinado isso a ele.

— Tudo bem, acho que vamos todos estar ocupados o suficiente para sentir falta disso.

— Agradeço aos três, logo as roupas e uniformes irão chegar juntamente com as malas, passaportes e tudo o mais necessário. Desde já deixarei estes cintos com vocês. – Watari nos estendeu cintos de couro que me pareciam bem normais. – Eles são partes do uniforme, mas usem-nos sempre, caso estejam em perigo basta apertar a fivela e um sinal de emergência será mandado diretamente para mim. Esse caso é importante, mas a segurança de vocês sempre estará em primeiro plano. Peço que acima de tudo tenham cuidado. É sempre melhor viver para lutar no outro dia. – nisso eu e L éramos extremamente parecidos, mas de um jeito diferente, eu não me importava com consequências, para mim era mais como sobreviver a todo custo para continuar lutando.

De qualquer forma nós assentimos e pegamos tudo prontos para sair.

— Ah! Matt! Fique um pouco mais. Há algo que quero lhe falar em particular. – Near e eu nos levantamos e saímos para o corredor. Ele seguiu em frente e eu me sentei na recepção esperando pelo ruivo. Cerca de 10 minutos depois ele saiu.

— O que ele queria com você? – Matt parecia exausto e meio abatido.

— Me deu um ultimato. Ou eu paro de fumar ou ele me mandará de volta pra Alemanha. E dessa vez para um internato.

— Ele te disse isso? – falei surpreso. Bom, mas não dava pra enganar por muito tempo o L ainda mais debaixo do nariz dele.

— Não com essas palavras, mas foi basicamente isso. Tenho que aguentar só o tempo do torneio e quando voltar ele disse que vai me mandar pra tratamento. – o ruivo parecia irritado e saiu pisando duro pelo prédio.

— Você vai fumar o quanto puder nesse tempo, não é?

— Só não posso ser pego nem cheirar a fumaça lá no Japão. – ele disse entre os dentes. – Moleza.

— E quanto a Alice e os outros viciados?

— Ele não falou nada e eu também não. Duvido que ele não saiba. Então por que implicar logo comigo?

— Pra evitar uma tragédia maior. Se ele não tomasse uma atitude não ia demorar até que eu espancasse a Alice. – Matt riu e eu relaxei um pouco.

♘♞♘♞

— Arthur? – Matt bateu na porta. – Eles chegaram.

— Tô indo. – calcei os sapatos e me olhei no espelho uma última vez. Estava bem diferente, principalmente pra quem nunca me viu.

Sai do banheiro já com o uniforme que consistia em uma calça social num tom pastel, blusa mais escura rumo ao azul com o nome bordado na lateral esquerda. No meu caso Arthur Hampton. Um casaco marrom com o emblema e sapatos escuros. No Japão também era verão, mas o ar condicionado tornaria a vestimenta confortável.

Nossos professores por assim dizer estavam no quarto. O meu policial encarregado era Paul MacGarder, um nome falso provavelmente. O de Near era Alfred Brown e o de Matt era Karen Millear. Foi ela que começou.

— Será uma espécie de pré-abertura. Nós iremos ficar na frente com o corpo docente, muitos alunos tentarão intimidar ou medir a força de vocês. – a voz deles era calma, mas bem firme. Não me causava medo ou imposição se era o que pretendia. – Não criem confusão.

— Ok. – respondemos. E assim começou o caso que mudaria nossas vidas e todo o curso do jogo.

Notas finais
Capítulo curto, só pra explicar mesmo como vai funcionar o Torneio e se familiarizarem com os personagens. Até a próxima.