Death - Jily
3 Junho 1980
Notas iniciais
Estava deitada na cama lendo mais um profeta diário, um dos jornais bruxos mais sensacionalistas dos últimos tempos, quando James chega no quarto com um pedaço de torta de morango e leite quente.
Me sento, e olho para ele sorrindo.
— Achei que o Harry estivesse com fome…
— Você deveria parar de achar que o bebê é menino – digo pegando o pedaço de torta de sua mão — E quem garante que o nome será Harry?
— Eu tenho certeza que nosso primeiro bebê é um garotinho, Lily! – meu sorriso se alarga com a sugestão de que teríamos mais filhos posteriormente — Fora que o nome Harry foi você que sugeriu…
— Não pode usar minhas palavras contra mim, Potter— ele se senta ao meu lado e deixa um beijo na ponta do nariz, colocando a mão sobre minha barriga.
— Então não fale bobagens, Potter.
James então se abaixa e beija a barriga, enquanto sussurra conversando com ele.
— Sua mamãe é teimosa, mas eu sei que você é um menininho que se tiver sorte terá os cabelos ruivos e olhos verdes igualzinho a ela — afago o cabelo do meu marido enquanto tomo meu copo de leite com a outra mão. Sinto o bebê chutar a mão de James e ele levanta o rosto com um sorriso cínico na cara.
— Sabe, eu não queria que o bebê tivesse cabelos ruivos...— James arqueia a sobrancelha e eu continuo a falar — Adoraria que ele tivesse o cabelo igual ao seu, aliás se ele for a sua cara seria perfeito. Você é lindo James Potter.
— Você acabou de dizer ELE! Eu sabia que você também acha que é um menino! — ele chega próximo a minha boca e deixa um selinho demorado.
— Eu acabei de te chamar de lindo e tudo que você filtrou foi a forma que chamei O BEBÊ — enfatizo a palavra bebê e ele revira os olhos.
— Você me chama de lindo sempre, não seria novidade Lírio – ele dá de ombros e beija a ponta do meu nariz.
Quando iria retrucar ouço a porta da nossa casa bater, James se levanta alerta e pega sua varinha. Eu procuro a minha com os olhos até que a visualizo na cômoda perto da porta. Meu marido olha para mim e entende o recado quando indico com a mão onde estava minha varinha, ele anda em passos lentos e sucintos até onde ela estava, então a pega e arremessa para mim. Me obrigou a colocar a torta de lado e me levantar.
Chego próximo a James e a batida na porta se intensifica.
— Acho melhor você ir lá amor, pode ser um de nossos amigos. – sussurro.
Ele assente e desce as escadas indo ver quem era. Estou tremendo, estamos de certa forma vulnerável nessa casa, porém poucas pessoas sabem que moramos aqui, apenas amigos e alguns membros da Ordem. Por ser um bairro trouxa é difícil que outras pessoas do mundo bruxo saibam… mas isso não tira o medo que estou sentindo, ou o medo que vi nos olhos de James quando ele escutou a primeira batida. Afinal, quando as pessoas vêm nos visitar sempre há alguma tragédia envolvida, ou novidades nem um pouco divertidas.
Quando as batidas pararam, escuto a voz de Dumbledore, enfim solto o ar que estava prendendo, mas a apreensão não sai do meu peito.
Desço as escadas e vejo que ele me esperava juntamente a James, sentado na poltrona próximo a lareira, não apenas Dumbledore estava na sala, vi também Sirius, Remus, Peter, Marlene, e por fim Frank e Alice… isso seria alguma espécie de reunião que eu não estava sabendo? E como Alice veio se ela não pode aparatar? Seria tão sério ao ponto de ela se arriscar a usar uma vassoura?
— O que está acontecendo? — olho pra todos ali e vejo em seus rostos que eles parecem tão perdidos quanto eu.
— Não sabemos Lils, mas aparentemente essa é uma mini reunião da ordem…— Marlene fala aparentemente ressentida.
— E não poderia acontecer na sede da ordem não? — James que estava calado até então, pergunta.
— Me perguntei a mesma coisa — disse Frank, vi ele olhando ressentido para Dumbledore, entendo sua raiva. Alice não deveria se arriscar vindo até aqui.
Ninguém fala mais nada por alguns segundos, então suspirou audivelmente, e me dirigi até a sala de jantar, chamando todos para sentar-se à mesa.
— Ótimo, já que estão todos aqui, receio que chegou a hora de contar-lhes o motivo dessa reunião um tanto inesperada — Dumbledore falou. Debaixo daqueles oclinhos meia lua, vi seus olhos tempestuosos, como se estivesse triste ou preocupado.
— Coisa boa é que não é — comentou Sirius.
— De fato, Sr Black. Há uma profecia [...] — Ele explica cada detalhe e eu fico cada vez mais enojada, meu bebê ou o bebê de Frank e Alice poderia morrer.
Me levantei depressa e fui para cozinha, ouço Alice chorar e Sirius xingar. Arrastados de cadeira e qualquer outro barulho que me distraia. Poucos minutos depois, Marlene chega onde eu estou e me abraça, de início é difícil por causa da barriga, mas mesmo assim o abraço é caloroso. Eu não derramo nem sequer uma lágrima.
— Vai ficar tudo bem Lils — Lene sussurra em meu ouvido.
— Não. —ela fica tensa por alguns momentos —Enquanto ele existir, nada ficará bem. Eu vivo em constante medo de alguém chegar aqui com a notícia que você morreu Lene, viver assim é cansativo.
Marlene ia me responder, mas foi atrapalhada por gritos na sala.
— EU NÃO VOU PAGAR PRA VER, ALVO — James grita para Dumbledore, este por sua vez permanece impassivél. — MEU FILHO NÃO É PROPRIEDADE SUA, NEM SEQUER SABEMOS SE ESSA PORRA DE PROFECIA É REAL OU NÃO.
Eu ia me intrometer, mas Marlene segura meu braço indicando Frank com o queixo. Frank sempre tão sereno parecia prestes a bater em Dumbledore.
— Há maneiras mais eficazes do que um feitiço Fidelius, professor — Disse Remus, apaziguando a situação — Sabemos da existência da sala precisa em Hogwarts, podemos nos proteger lá… Lily e Alice podem sair da Inglaterra por um momento, podemos fazer tantas coisas…
— Não seria coerente, Sr Lupin.
— NÃO SERIA COERENTE? — foi a vez de Frank explodir — MINHA FAMÍLIA SENDO AMEAÇADA DE MORTE DIRETAMENTE, NÃO É MOTIVO O SUFICIENTE?
Alice se encolhe a cada grito do marido, como se estivesse vendo pela primeira vez a fúria dele, vou até ela e ponho os braços em seus ombros.
Dumbledore nem sequer pisca, apenas olha para Frank como se tivesse compaixão e fala:
— Senhores, em outro momento oportuno falarei melhor com vocês, agora sairei para que os ânimos sejam acalmados — e então aparatou, sem direito a resposta.
— Eu vou deixar vocês sozinhos pessoal— Peter que até o momento estava calado, fala, e também aparata.
Após ele, todos saíram, até restar na sala apenas eu, James, Frank e Alice.Minhas mãos ainda permaneciam nos ombros dela, quando ela falou;
— Precisamos ir…
— Vocês deveriam dormir aqui — digo.
Ela nega com a cabeça.
— Acho que nossos maridos precisam ficar sozinhos conosco — ela diz, indicando ambos com a cabeça.
— Você vai ir de vassoura?
— Frank não deixaria.
— Nem eu — ela sorri.
Ela vai até Frank, que estava em pé olhando para algum ponto fixo, como se estivesse fora de órbita, e pega sua mão.
— Precisamos usar sua lareira, Lils — eu balanço a cabeça e pego o pó de flú.
— Cuidado com estrunchamento— aviso, ela assente e se vai.
Agora estamos a sós, apenas eu e meu James.
Ele agora está sentado, seu peito sobe e desce freneticamente, e eu vou até ele.
James raramente perde o controle de si mesmo, mas quando isso acontece é frustrante e triste não poder tirar sua dor.
Eu me sento no sofá, e coloco sua cabeça no meu colo, ele chora como eu nunca o vi chorar antes. Totalmente vulnerável.
— Até quando eu terei que perder quem eu amo? — ele pergunta em meio a soluços — Eu não posso perder vocês Lírio…
Eu afaguei seu cabelo, e não o respondi, pois eu não tenho resposta para aquilo, estamos em guerra, e o bem nunca vence realmente.
Ele ainda chorava, enquanto eu ficava ali o acalentando, onde derramei a única lágrima que me permiti.
Após um momento longo de silêncio, James interrompe com um suspiro frustrante e mais uma indagação.
— Qual o problema de Dumbledore? – Abaixo os olhos para ele e vejo ele me olhando, seus olhos ainda estavam vermelhos de chorar — Lily, eu acho que ele quer que nós enfrentemos Voldemort, acho que ele quer nosso bebê ou o de Alice e Frank.
— Não fale isso James! Dumbledore nunca nos usaria dessa forma.
— Lily é uma guerra. Ele faria de tudo para que isso acabe, até entregar nossos filhos, ou treiná-los para que derrote você-sabe-quem— James levanta a cabeça do meu colo quando percebe que eu fiquei calada por muito tempo, me recuso a acreditar em algo assim.
Talvez eu tenha falado isso em voz alta, pois James assentiu e me abraçou.
No abraço dele eu me permiti desmoronar, mas na minha cabeça só ficava repetindo em loop infinito a única pergunta que eu faria: "Por que isso está acontecendo conosco"
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