Death Hero Academy
3 III
Notas iniciais
A máscara de abóbora caiu no chão. As mãos do homem de terno tremiam. Straw, ao seu lado, olhava-o, ligeiramente confuso. Sem jeito, ele se aproximou, e abraçou-o por cima dos ombros. Estava chorando.
— Acabou, Straw — com uma mão, ele segurava com carinho o pulso do rapaz. Com a outra, enxugava suas lágrimas — está tudo terminado. Ele se foi.
— Si… sim…
O homem de terno se livrou delicadamente dos braços de Straw, e logo os dois estavam de frente um para o outro. Suas mãos fortes acariciavam o rosto magro e fundo à sua frente — este rosto, por sua vez, o veria com uma enorme cicatriz que partia do seu nariz e atravessava sua face. Beijaram-se.
— Pare, Toguchi. Nós conseguimos. Isso não é motivo para chorar. Fora que… lágrimas não tem um sabor muito bom.
Ouviram-se reclamações. Os quatro reféns, caídos no chão, tentavam levantar-se, fortemente amarrados pelas cordas.
— Ei, To-toguchi! De… desamarra aí!
— Desculpe atrapalhar os dois pombinhos…
Toguchi se aproximou, o rosto aberto num caloroso sorriso. Desamarrou com esmero cada um daqueles ‘reféns’. Quando estavam libertos, por fim, mostraram uma carranca para a dupla de vilões.
— Então, é isso? All Might já era?
— Sim, meus camaradas — suas palavras estavam cheias de emoção — e agora, nossos amigos… estão livres do medo. De todo o medo.
— S-sei não, v-viu, Toguchi…
O olhar do vilão se aguçou. Seu semblante parecia mais sério. Straw se aproximava, curioso.
— Se-será q-que va-vai tu… tudo mudar, assim? Ele po-pode s-ser o Símbolo da Paz, mas…
— É só um herói.
— É que-questão d-de te-tempo até q-que o mu-mundo p-per… perceba isso.
Ficaram em silêncio. Toguchi olhou para o teto, secando as lágrimas que remanesciam em seus olhos. Se desfez de sua gravata, e ficava cada vez mais a vontade em seu terno. Suspirou. O gago, Koji, deu um passo para trás, se redimindo, mas seu companheiro permaneceu firme.
— A gente tá aqui pela grana, sabe… não nos leve a mal. Não temos grandes ambi…
E Straw desferiu um soco na face do refém que falava.
— Vocês são menos que lixo — os outros três que restaram se precipitaram para atacá-lo. Eles o cercaram completamente, chutando-o, socando-o. Logo, Straw era um corpo puído, caído no chão.
O refém que recebeu o soco se colocou a frente dos demais, e agarrou Toguchi pelo colarinho.
— Cadê. A. Nossa. Grana?!
— Você ainda tem um chance, Miguri. Você tem uma chance de parar de pensar pequeno…
— Eu quero que se foda! — Miguri socou seu rosto, irritado. Os três farsantes logo atrás vibravam — me dá o dinheiro que você prometeu, ou a gente vai ‘caguetar’ você!
Toguchi olhou no fundo dos olhos do homem que lhe ameaçava. Estava com medo, nitidamente… mas não tardou, e começou a rir, a gargalhar.
Quando Miguri cerrou o punho, algo tocou seu pescoço. Um cipó. Seu corpo foi puxado violentamente para trás, colidindo com um pilar — antes que pudesse alcançar o chão, afundou completamente num portal lilás.
— Que merda é essa?! — Um dos farsantes remanescentes olhou para baixo, onde Straw deveria estar… e aquele não era ele.
[Straw
Peculiaridade: Espantalho
Pode deixar réplicas do seu próprio corpo, feitas de cipó, materializados através da gordura do seu corpo — talvez por isso seja tão magro!. O seu corpo original aparece não muito longe do lugar em que a réplica foi colocada]
— Ai, ai — com um lenço escarlate, Toguchi limpava o sangue em seu rosto — vocês são um sarro. Existe um motivo para que vocês sejam subordinados — deu um passo à frente — e nós sejamos os chefes.
Os três olharam arregalados para o pilar onde o amigo havia desaparecido — olharam para trás, e viram Straw, seu rosto macabro parcialmente escondido pela escuridão, parecia cada vez mais esquelético. Correram. Mas Koji teve o azar de tropeçar em um cipó propositadamente colocado por Straw. Os outros dois desapareceram em pleno ar.
Toguchi se aproximou do homem caído, e segurou seus cabelos volumosos.
— Me… me per-perdoa, To-to-gu-guchi… e-eu… e-eu s-só precisava do di-di-nhei…
— Dinheiro. Eu te darei uma chance de viver — Toguchi sorriu, como uma mãe sorriria para o filho recém-nascido — você será perdoado, amigo. Todos os seus pecados caíram como uma pluma… leve… quase inexistente.
— Ent… ent-tão po-por fa-favor… m-me de-deixa ir…
— Sim, claro… Eu só preciso que você diga meu nome completo.
Straw não segurou o riso.
— N-não… p-pare…
Toguchi enfiou o rosto do gago no chão, e ele literalmente afundou. Seus gritos não podiam ser ouvidos — não nessa dimensão. Noutra, porém, ele griatava para um penhasco, em que o fundo era distante, mas visível: estalagmites, pontiagudas o suficiente para perfurar a carne.
[Toguchi Jigen
Peculiaridade: Portal Dimensional
Pode criar portais, num raio de dez metros do seu próprio corpo, que levarão aqueles que passarem para uma outra dimensão. Toguchi não pode escolher o destino de suas vítimas.]
Retirou o rosto. Colocou a boca no ouvido de seu subordinado:
— Vamos, o perdão é simples de ser conquistado. Tudo que eu preciso… é de um gesto. Diga meu nome. Me preencha de prazer.
O gago engoliu em seco.
— To… Togu…
— Demorou demais — e então, em alguma dimensão paralela, Koji foi dilacerado pelas pedras pontiagudas.
•••
—E quem é esse tal de All Might?
—Nós também não sabemos.
Shinigami-sama tinha, por trás da máscara, um semblante confuso. Jamais vira algo parecido; desaparecimentos eram incomuns, mas compreensíveis... só que aparecimentos, dentro da Death City, eram inadmissíveis! Não sentia nenhuma interferência maligna, seja de bruxa, seja de algo pior... mas sentia, sim, uma estranha energia, que não sabia identificar o que significava.
—Bem —coçava a cabeça, pensando —nesse caso, a única coisa que se pode fazer é trazer o rapaz para cá. Talvez seja um artesão. Muito embora eu lembre a face de cada aluno nosso, e posso garantir, eu nunca vi mais gordo!
Maka, que até então estava de frente para o espelho, virou para trás. O rapaz disse que se chamava Izuku Midoriya, e estava atrás de alguns sujeitos que ela nunca ouvira falar: Kacchan, Iida, e não menos importante, All Might (que ele ficara surpreso de nem Maka, e nem Soul, conhecerem esse nome).
—Certo —Maka disse, ainda um pouco aturdida —tentarei levá-lo com a gente. Infelizmente não conseguimos nenhuma alma hoje...
—Hohoho! Fique tranquila, Maka-chan! Te darei um desconto! Só traga o rapaz em segurança, e ficará tudo bem!
A artesã arriscou um sorriso.
—Logo logo ele estará aí. Até mais, Shinigami-sama!
—Bye bye~♥
E a imagem do Deus da Morte se apagou no espelho.
—E aí—disse Soul—o que ele disse?
—Para que o levemos para Shibusen.
—Não... eu—finalmente Midoriya tinha falado mais alguma coisa. Sua voz estava fraca e tímida, mas ainda tinha um resquício de vontade—não quero dar trabalho. É só eu saber de onde eu vim, e...
—Sinto muito, Izuku-kun, mas o Shinigami-sama é a autoridade máxima da Cidade da Morte—disparou Maka, como se ditasse um verbete de um dicionário—se recusarmos uma ordem sua...
—Poupe o rapaz de sua breguice, Maka. Anda, Izuku. Você vai gostar do lugar.
—Sim... obrigado.
Deku ainda estava acanhado, mas não via opção a não ser seguir os dois. Seguiram o caminho da rua principal, que levaria até Shibusen. Seguiram em silêncio, a não ser pelos roncos de barriga de Soul, que não consumia almas fazia três dias.
—Então—Maka tentava quebrar o gelo—o que significa essa sua roupa? De onde você veio é comum se vestir assim?
—N-na verdade não... é meu traje de herói.
—Há! Eu disse, Maka, era uma festa a fantasia.
Midoriya fitou Soul, ao ouvir seu comentário, com certa estranheza. Não saberia reagir se estivessem apenas tirando sarro dele.
—Não... não tinha festa nenhuma. Eu sou um herói de fato. Quer dizer... eu pretendo ser.
—Ah, sim, claro... herói... qual seu superpoder?
—Soul! Pare de ser mal educado!
O aspirante a herói engoliu seco.
—É segredo...
Soul desviou o olhar, com desdém, e disse que imaginava que fosse mesmo.
Não tardou que os três vissem as grandes velas que circundavam Shibusen, e a enorme caveira de sua arquitetura. A U.A não é tão majestosa, pensou Midoriya, boquiaberto. Soul abriu um sorriso cheio de dentes.
—Eu disse que iria gostar! Vamos, anda, Shinigami-sama espera por você.
Era quase meia-noite, e nenhuma vivalma estaria nas ruas aquela hora. Mas antes que pudessem entrar no colégio, se surpreenderam com a presença de algumas silhuetas ali. Maka e Soul pararam. Midoriya se viu obrigado a parar também.
—O que foi? São inimigos?
—Não... pior que isso—disse Maka, revirando os olhos. Logo a frente, passos puderam ser ouvidos, até se transformarem numa corrida... e como se fosse um coral, Black Star gritou seu próprio nome. Contudo, surpreendentemente, o jovem Midoriya não se atentou a isso... mais além, estava Bakugo, que lançou um olhar de desaprovação para o jovem escandaloso, e disparou contra ele.
Maka e Soul ficaram boquiabertos, mas Tsubaki fez um gesto para que eles não se preocupassem (mesmo com o corpo de Black Star repleto de queimaduras no chão).
O herdeiro do One For All deu um passo a frente, com os olhos brilhando, e seu colega de turma veio em sua direção. Não se sabe porquê, mas Midoriya esperava uma reação diferente: o querido "Kacchan" acertou-lhe com um soco no rosto.
—Onde foi que você se enfiou, seu merda?!
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