Death Game

12 O último suspiro de um gênio


Enquanto isso Harrison se levanta aos poucos depois do chute potente de Alice.

- Aquela vaca, eu vou matar ela quando sair daqui.

Quando se colocou de pé, deu um pontapé na porta e a derrubou com facilidade.

- Agora, onde é a merda da saída?

Harrison observou as outras portas e entrou na primeira da esquerda para a direita. Lá dentro havia uma escada. Sem hesitar, ele começou a subi-la, quando chegou no fim, viu outro lance de escada e um número desenhado na parede: 9.

- Que diabos de número é esse?

Harrison subiu o outro lance de escadas. Quando terminou ainda havia outro lance e novamente tinha um número desenhado na parede, mas agora era o 10.

- Ah já sei. Acho que esse número significa o andar que eu to. Legal, vou até o último para ver o que tem lá.

Harrison subiu até o último andar esperando algo em especial, mas era um andar como qualquer outro. Corredores, salas, poeira.

- Que bosta de lugar, é tudo a mesma porcaria.

Ele caminhou por um corredor vazio até chegar em uma sala gigante. Não havia nada lá. Estava vazio, a não ser por um tubo estranho que lembra um escorregador que estava situado no fim da sala.

- Que lixo é aquele?

Harrison foi rapidamente para lá, mas foi parado por um ser que bloqueou o caminho. Era uma criatura estranha, seu corpo era roxo e estava vestida com um lençol branco. Imediatamente ela começou a cantar uma canção macabra.

- Para de cantar seu lixo humano, ta estragando meu ouvido.

A criatura percebeu que Harrison não demonstrou o mínimo sinal de medo pela canção.

- Você não está com medo de mim? – Perguntou a criatura curiosa.

- Por que eu ia fica com medo de um lixo como você, seu otário.

Harrison partiu pra cima da criatura e a espancou sem dó, despedaçando seu corpo.

- Dá próxima vez usa esse lençol pra enfia na boca.

Agora sem o obstáculo, Harrison finalmente chegou ao tubo.

— Certo aonde essa droga termina? Se não for na saída quebro isso sem pena.

Harrison que nunca foi muito de pensar em seus atos se atirou dentro do tubo. No começo ele era reto e Harrison caiu em uma incrível velocidade, depois vieram várias curvas chegando a fazer três giros completos, após todo esse sofrimento ele caiu no duro e gelado chão.

— Porcaria de escorregador – Disse Harrison chutando o tubo com raiva.

Ele olhou em volta e viu três portas. Na da esquerda estava escrito “Inferno”, na do meio “Saída” e na da direita “Abismo”.

— Finalmente achei a merda da saída, se ficasse aqui mais um pouco ia quebrar todo esse lugar.

Harrison pegou a chave e abriu a porta escrita “Saída”. Quando saiu, viu ao fundo Alice, Scott e Palmer, sem pensar ele disparou em direção de Alice.

— Hora da vingança sua mula

Harrison derrubou-a no chão com uma voadora certeira. Palmer correu e segurou Harrison.

— Calma Harrison, se fizer alguma coisa te expulso do jogo e isso serve pra qualquer um, não quero brigas por aqui.

— Dane-se o jogo, acha que eu to ligando pra isso?

Scott abaixou e socorreu Alice.

— Você está bem senhorita Alice?

— Ai, ele me pegou em cheio.

Alice sentia uma dor insuportável nas costas.

— O que você fez pra ele? – Perguntou Scott

— Não fiz nada, ele está maluco.

— Não fez nada? Vou te bater até a morte.

Scott se levantou.

— Vai ter que passar por cima de mim.

— Isso vai ser fácil seu inútil

Scott partiu pra cima de Harrison, mas foi segurado por Alice.

— Scott não faz isso, você vai ser desclassificado.

— Mas ele te bateu senhorita Alice.

— Isso não importa, não vale a pena jogar fora todo o seu esforço. Você batalhou muito para chegar até aqui. Não desista do jogo por causa disso.

— Se é assim que a senhorita deseja.

Harrison se soltou de Palmer sem nenhuma dificuldade e acertou um soco em Scott que nem se mexeu. Nos minutos seguintes, Harrison espancou Scott com toda a sua força.

— O que houve fortão? Não ia me bater?

Scott não respondeu.

Harrison gargalhou.

— Fracote, fracote, fracote.

— Muito bem Scott, não deixe levar pelas provocações. – Disse Alice

Harrison acertou uma cotovelada em cheio no nariz de Scott fazendo-o sangrar, depois socou sua cara interruptamente durante muito tempo e finalmente parou.

— Pronto, já descarreguei toda a minha raiva, se me ameaçar de novo eu te mato seu fracote.

Scott não respondeu, ele estava caído com o corpo totalmente sangrando. Quando Harrison se afastou Alice foi socorrê-lo

— Você é um teimoso mesmo né? Vou ter que te expulsar. – Disse Palmer

— Expulsa, dane-se, não tenho medo de você.

“Não vale a pena estragar meu lindo jogo por causa de uma briga, no futuro ele vai ter o que merece.” Pensou Palmer.

— Muito bem, te darei mais uma chance, mas que isso não se repita.

— Acho bom mesmo seu medroso de merda.

— O que? Você não vai fazer nada? Isso não é justo – Disse Alice

— Cale a boca Alice, se não vou ter que te expulsar. – Disse Palmer um pouco mais rígido.

“Droga, o que está acontecendo aqui? Os dois estão fazendo algum tipo de complô?” Pensou Alice se contendo.

“To ficando de saco cheio desses participantes, os da edição passada eram bem mais fáceis de lidar. Não posso mais ser bonzinho com eles.” Pensou Palmer

Enquanto isso Baxter caminhava por um corredor completamente forrado por carpete. Sua cabeça dava várias voltas. Quem pegou Gordon? Voltariam para buscá-lo também? Onde estavam as chaves? Como será que estavam os outros? Ele estava com dor de cabeça, esfregou sua mão empoeirada na testa e percebeu que estava quente o suficiente para estar com febre.

“Por que comigo? Meu corpo é frágil e ainda com todos esses acontecimentos não posso garantir que eu saia vivo daqui.”

Ao fim do corredor havia uma porta solitária. Feita de madeira e revestida por um pano branco todo rasgado. Baxter hesitou um pouco, mas depois a abriu. Nos segundos seguintes ele preferiu não ter feito isso. A sala estava repleta de câmaras de gás com corpos dentro. Baxter arregalou os olhos.

— Corpos... – Ele passou os olhos pelas câmaras e uma chamou sua atenção. Não pelo fato dela ser três vezes maior do que as outras, mas porque ele conhecia o corpo que estava lá dentro. – GORDON!!

Ele correu até a câmara do amigo e começou a bater nela com força.

— Gordon, responda, RESPONDA.

Talvez fosse por causa do medo, mas apenas quando bateu pela vigésima vez no vidro que ele reparou nos pulsos de Gordon. Não, eles não haviam sido cortados, haviam sido arrancados com agressividade. Ele sentiu seus olhos ficarem úmidos.

“Não posso chorar, preciso ser forte.” Pensou Baxter esfregando os olhos. “Preciso seguir em frente”

Ele olhou em volta e viu que no fundo da sala tinha uma mesa cheia de recipientes com líquidos coloridos.

— Química, sou bom nisso. Será que eles fazem algum experimento aqui?

Ele se aproximou e checou todos os recipientes um a um.

— Fetato de soja, Hidrofilina, Acepto... – Ele murmurava para si mesmo enquanto contemplava os líquidos.

O silêncio dominava a sala enquanto Baxter tentava se lembrar da decomposição de cada item ali. Até que de repente a porta se abrira. Era um esqueleto que empunhava uma espada. Baxter deu salto.

— O que faz aqui garoto? – Disse o esqueleto com a voz rouca.

— Nada eu só estava vendo isso aqui... – No mesmo momento ele parou de falar.

“Espera um pouco, se eu juntar a Hidrofilina com o Heroalismo e adicionar algumas pitadas de sal posso fazer um líquido capaz de queimar qualquer matéria. Isso é terminantemente proibido. Mas as situações que estou me obrigam a fazer isso.”

— Idiota, vindo aqui apenas adiantou sua morte. – Disse o esqueleto partindo pra cima de Baxter com a espada em punho.

Baxter saltou para baixo da mesa e escapou da lâmina por um triz.

“Droga, preciso distraí-lo.”

Ele saiu pelo outro lado da mesa e correu para o outro lado da sala.

— Volte aqui seu verme – Gritou o monstro.

Passando o olho desesperadamente pela sala Baxter avistou um extintor.

— Perfeito!

Ele fugiu da lâmina novamente, dessa vez ela chegou mais perto, depois foi até o extintor e o tirou da base usando toda a força que tinha.

O esqueleto começou a gargalhar.

— Acha que um extintor vai adiantar contra mim?

— Usado da maneira correta não, mas quem sabe da maneira errada?

Ele levantou o extintor na altura da cabeça e no limite de sua força acertou em cheio na cabeça do esqueleto que caiu imediatamente.

— Pronto, agora preciso preparar a arma que vai salvar a minha vida.

Ele foi até a mesa e pegou os recipientes. Por curiosidade os dois que foram pegos por Baxter eram os únicos de cor preta. Ele pegou um recipiente vazio e com extrema cautela colocou nove gotas do Heroalismo e quatro da Hidrofilina. Uma pequena explosão fez o recipiente parecer uma chaminé de tanta fumaça que saía de lá.

— Não é bom respirar essa fumaça. Em certa dose ela pode matar – Disse Baxter tampando o nariz.

Ele pegou o sal e colocou todo o pote dentro do recipiente. O líquido começou a borbulhar. Somente quando o tampou com uma pequena rosca que pode destampar o nariz.

— Legal agora quem entrar no meu caminho vai morrer.

Quando se preparou para fazer mais uns dez daqueles, veio uma grande decepção – acabou o sal.

— DROOOGA. O que eu vou fazer agora? Tenho só um recipiente, não é o suficiente. – Disse Baxter se lamentando. – Não há outra escolha, não deve mais haver nem uma pitada de sal nessa casa. Preciso usar isso aqui muito bem.

Antes de sair da sala Baxter deu mais uma olhada em Gordon.

— Não se preocupe amigo, vou vingar sua morte – Disse Baxter decidido – Pode ter certeza!

Ele nunca se sentira tão determinado dês que entrara naquele jogo. Suas pernas não tremiam, sua cabeça não estava confusa e pela primeira vez tinha confiança em si mesmo. Ele correu pelo corredor enquanto gritava para os monstros aparecerem.

— Venham seus fracotes, estão com medo de mim? Venham que farei pedaçinhos de vocês.

Ele entrou em um salão gigantesco com um belo lustre no meio e forrado de ponta a ponta com um bonito tapete cor de vinho, provavelmente aquele era o salão principal da casa. E para a sua surpresa, lá haviam mais de trinta monstros enfileirados. De assombrações assustadoras até esqueletos, de monstros deformados até demônios com ternos, havia de tudo naquela sala. E o surpreendendo mais ainda, tinha também um humano lá no meio e foi esse que deu um passo a frente e começou a falar.

— Olá Baxter Bancroft. Eu sou Blake. Sou a entidade maior de todos os zumbis nessa casa. – Ele tomou fôlego e voltou a falar – Harrison, Alice e Scott conseguiram fugir, infelizmente. Portanto, todos os monstros dessa casa redirecionaram sua atenção para você.

— Todos os monstros estão aqui nesse salão? – Perguntou Baxter

— Exatamente.

Se estivesse sem o recipiente na mão essa seria a pior coisa que poderia lhe acontecer, mas como estava com ele essa era a melhor coisa.

— Mas por que vieram todos pra cá? Um só não seria o bastante para me matar?

— Os vários corredores e salas dessa casa já não tem mais sentido se o único alvo está aqui. Por isso todos vieram, todos querem te matar. Se tivesse escapado primeiro que os outros teria se salvado. – Blake ajeitou seu paletó e tornou a falar – Com isso anuncio aqui oficialmente que o jogo acabou. Você não tem mais escapatória. Trouxe até a chave aqui, ela já não serve mais pra nada.

Blake tirou a chave do bolso e a segurou em uma maneira que todos no recinto pudessem apreciar seu brilho.

“Nossa, não podia ser melhor” Pensou Baxter

Logo, ele começou a contar o número de monstros que ele teria que matar em apenas 50 ml de líquido.

— Não adianta mais Baxter, desista, você não tem chance contra nós. – Disse Blake calmamente.

Baxter começou a pensar. Sua mente trabalhava de uma maneira doentia atrás de uma saída. Até que falou:

— Então é assim... acabou....

Baxter deu as costas para Blake, abriu o recipiente e jogou todo o líquido no tapete.

— Que líquido era esse? – Perguntou Blake

Baxter começou a se aproximar de Blake devagar enquanto este por sua vez apreciava o líquido esparramado no tapete.

— É o líquido que vai levar vocês pro inferno – Disse Baxter se virando para Blake e enfiando o recipiente vazio em seu olho, depois furtando a chave de sua mão e fugindo do salão rapidamente.

O tapete começou a esquentar até entrar em chamas. Blake caiu no chão atordoado enquanto esfregava seu olho. Os zumbis ignoraram Baxter e foram socorrer seu mestre, mas não tiveram tempo para nada. Em menos de um minuto o salão já estava todo em chamas.

— O menino usou o Heroalismo, a Hidrofilina e o sal de uma maneira estupenda mestre. Conseguiu vencer todos os zumbis. – Disse Alden em cima de uma árvore bem longe da casa.

Palmer que estava do lado dos outros três participantes caiu na gargalhada.

— Era isso que eu esperava dele. É realmente um gênio.

“Agora preciso achar a saída” Pensou Baxter enquanto corria por um corredor. Ele nunca se sentira tão bem, tinha matado todos aqueles monstros apenas com a inteligência, sem usar um pingo de força. Ele desceu dois lances de escadas, passou por mais duas salinhas pequenas, três corredores até que chegou a uma sala sem portas, mas havia um alçapão.

“Onde será que isso dá? Seja onde for eu não vou ser atacado por monstros, posso ficar mais tranqüilo”

Ele abriu a tampa e desceu. Lá em baixo era escuro, tudo que ele pôde ver eram mais escadas. Ele foi descendo e descendo por vários minutos, até chegar a uma pequena salinha com uma porta escrita bem grande “SAÍDA”! Ele respirou fundo, pegou a chave e abriu a porta. Quando saiu, viu Palmer, Harrison, Scott e Alice parados no pequeno jardim da casa, provavelmente estavam esperando por ele.

— Você foi demais, Baxter, tenho que admitir – Disse Palmer animado

— Obrigado – Disse Baxter

— Muito bem, infelizmente Gordon não teve a mesma sorte que vocês e foi morto. – Disse Palmer

— Ele morreu? – Perguntou Alice incrédula

— Bem feito, aquele gordo mereceu. – Disse Harrison sem demonstrar comoção.

— Como você sabe que ele morreu? – Perguntou Baxter

— Eu tenho meus truques, vamos agora para a próxima prova, estão prontos? – Disse Palmer se animando.