Death And Rose Petals
1 No Air ...
Notas iniciais
A rua estava deserta , e um frio que se fazia sentir nos ossos ecoava na quinta avenida norte , arrepiando até o intimo de Dylan . Ele poderia pressentir as gotas de chuva que cairiam do céu acinzentado , poderia , mas não notou . Eram coisas demais a pensar , tiros no escuro seriam mais precisos que ele naquele momento . Por mais que se esforça – se , ele não conseguia . Apenas um rosto o deixaria feliz , apenas um toque de Cole Sprouse o tranquilizaria , o amor entre ambos não poderia ser maior , amor ao qual Cole protestava ser fraternal , pena que em seu âmago , o sentimento era outro , não muito diferente , mas intensificamente maior . Como aquilo poderia ter chegado a aquele ponto ?
Ao observar tudo aquilo , pequenas fagulhas de emoção brotavam em minha mente , eu não queria , eu não poderia querer , mas era forte demais . Corri pelas casas a minha volta , até que enfim cheguei na esperada .
- O que aconteceu?
Um misto de preocupação , alivio e desaprovação passou pelo rosto de mamãe em questões de segundos depois de ela abrir a porta ao soar da campainha .
- Mãe , eu ... Sinto muito , mãe , é que ... Bem , eu estava andando na chuva .
Mamãe fez sua melhor cara de sarcasmo .
- Dylan , estórias são seu ponto fraco assim como a fraqueza do fogo é o ar .
Pensei um pouco , aquilo que mamãe disse era o provável resultado de se abrir um biscoito da sorte chinês . Acabei por respondendo – a :
- Mas o fogo não pode existir sem o ar , ele precisa de oxigênio para ter ... acho que se chama combustão .
Mamãe olhou para mim , dizendo :
- Tanto faz , li isso um num desses biscoitos chineses . Agora , vai lá pra cima e tire essa roupa molhada , tome um banho quente e durma um pouco .
- Como se eu pudesse dormir ! — , eu disse mais como um pensamento do que um comentário , mas mamãe escutou .
- Desculpa , mas acho que não entendi – ela disse , mal se virando para mim .
- Vou subir – foi a única coisa que respondi .
Subi as escadas rapidamente , ignorando o corrimão . Tirei as roupas encharcadas , e enchi a banheira até a borda de agua morna , o entrar ali eu queria poder me fundir a aquela agua , e esquecer meus problemas . Eu não devo ter passado muito tempo ali , quando ouvi alguém pedindo para entrar .
- Dylan ? – Uma voz que muita se parecia com a minha perguntou , como que se perdendo em um ponto cego .
- Entre logo , Cole !
Cole abriu a porta e olhou todo o perímetro do banheiro , como se esperasse ver mais alguém ali . Ao perceber , logo tratei de alfineta – lo .
- Eu não sei se você sabe , mas só tenho 14 anos , ainda não posso trazer garotas pra dentro de um banheiro .
Cole me olhou , e me deu um sorriso antipático , respondendo :
- Mamãe disse que entrou um morcego na casa , estou verificando .
Fingi inspecionar o banheiro com os olhos .
- Bem , como vê , não há morcegos aqui .
- Morcegos , não , não vi nenhum ... Mas vi uma grande ratazana albina . – Eu realmente esperava que ele não caísse nessa .
- Urgh , odeio ratazanas ... onde você a viu ? – Pela cara que ele fez , ele realmente tinha nojo de ratazanas .
- Ela está aqui na minha frente , falando comigo ! Então , porque você não sai logo daqui , em ?
Cole foi se aproximando da banheira e se ajoelhou ali do lado .
- Não me retiro porque essa é a ratazana mais linda que eu já vi na minha vida . – ele estava falando isso num tom estranhamente carinhoso . Pra variar , eu tinha que responder :
- Sabe que as maneiras de você se auto – elogiar são até criativas , já que se você dizer que eu sou lindo , logo , está dizendo que você é lindo , pois somos exatamente iguais , sendo as ...
- Eu estou dizendo que sou lindo ? – Cole me interrompeu – É , você realmente não entende o que quero .
- E o que você quer ?
Cole finalmente percebeu a roupa molhada ali no chão .
- Dylan , mamãe disse que você estava na chuva ... – O seu olhar havia mudado .
- O que isso importa ? É que não teve tempo de eu chegar em casa .
Cole estava olhando nos meus olhos , mas eu desviei .
- Pena que sei quando você mente . O que aconteceu ? Eu sei que você só toma banho de chuva quando esta triste .
Cole sentou num canto da banheira , e começou a acariciar meus cabelos , ora formando círculos , ora puxando – os levemente para trás . Logo começou a acariciar também meu rosto
- Por que ? – a pergunta veio do nada , mas Cole sabia bem do que eu estava falando .
- Eu ... realmente não sei . talvez porque eu esteja no seu destino mais do que você pensa , talvez eu tenha que cuidar de você , sempre .
Olhei – o , como se olhasse uma arvore morta .
- Temos a mesma idade , não seja ridículo .
Ele foi se aproximando , devagar , no meu ouvido , senti sua respiração , e sussurrou :
- Sou mais forte , tenho que te proteger ...
Por algum maldito motivo , me arrepiei , ondas frios e quentes passavam pelo meu corpo , pelinhos se eriçaram . Eu o olhei , e novamente como que por uma ligação , ou talvez nem tanto , talvez fosse o fato de eu ser tão previsível as vezes , e totalmente imprevisíveis em outras , o importante é que Cole notou o que eu iria fazer .
Colocando o dedo indicador levantado teatralmente , ele disse :
- Dylan , não ... Não , não , nem pense niss ...
- Ah , sim , maninho , Cole , sim ... – Interrompi – o .
E antes que Cole pudesse se levantar dali , eu o segurei pelo braço e o puxei para dentro da banheira , molhando – o completamente . Nós nos olhamos e começamos primeiro aos risos , depois fomos as gargalhadas . Aos poucos , por quanto as gargalhadas lhe atacavam a barriga , Cole não mais se segurou e caiu sobre mim , abraçando – me . E , ao tentar se levantar , um olho se prendeu ao outro , Cole reparou nos meu olhos , e eu nos dele . Rei de esmeraldas . Era assim nossos olhos , pequenos narizes levemente arrebitados se tocaram , e por um momento , apenas um momento , foi o necessário para nossos lábios se buscarem , eram como as marés formadas pela lua , tudo se atraia , e quando finalmente nossos lábios se tocaram , nossos olhos fechados , o silencio , lábios tão macios , eu lembrei de rosas ... Como que em um encanto que se quebra , me levantei num repente e corri para meu quarto . Cole , ainda me parecia atordoado , num estado de semi – inconsciência . E eu , no nosso quarto , chorava com as velhas fotos do pai . Pensei no que o cole havia dito , o que ele queria , tomar o lugar do papai ? Isso ele nunca conseguiria ! . Eu nuca deixaria ! Cole nunca me faria esquecer o pai . Mas , no fundo , Cole também deveria sofrer com a morte do pai , ainda sim cuidava de mim , ele sempre estava ali , cuidando de mim , dando tudo que eu precisasse , sempre tão ...
Não posso pensar muito nisso , ou vou enlouquecer . E aquele beijo ? Que droga foi aquela ?
Por aquele momento , tudo por aquele momento , me senti tão seguro .
Não , é idiotice , tudo não passava de um desequilíbrio hormonal desses que é normal acontecer na puberdade , sim , era isso , haveria de ser isso ...
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