Death And All His Friends
1 Prólogo
Notas iniciais
Tudo havia acontecido de maneira tão rápida. Shuichi não sabia há quanto tempo estava preso naquela cidade abandonada. Nem mesmo podia dizer com precisão quando fora a última vez que havia visto Rantaro junto deles, vivo... Eram dezesseis no primeiro dia. Porém, esse número foi diminuindo cada vez mais conforme o tempo ia passando, fato esse que tornava difícil manter uma visão positiva do futuro, imaginar que tudo iria acabar bem e que o derramamento de sangue não seria mais necessário. O detetive sabia, mais que qualquer outra pessoa ali, que desistir não era uma opção. Fazer isso seria aceitar a morte de todos seus amigos e permitir que a pessoa por trás daquele massacre saísse impune. Shuichi certamente não pensava que o jogo de assassinato fosse terminar tão cedo, mas lá estavam eles. Eram apenas cinco agora, e estavam prestes a presenciar o fim da pessoa que representava o desejo de manter aquele show acontecendo: Tsumugi Shirogane, a Cosplayer Ultimate. Ninguém desconfiava que alguém tão doce e "normal" como ela fosse capaz de tamanha crueldade. De ver várias pessoas morrendo sem mover um dedo para ajuda-las. De fazer tanto esforço somente para impedir o encerramento de um estúpido programa de televisão, que surpreendentemente fazia um enorme sucesso entre os jovens. A garota soube mentir e esconder sua verdadeira personalidade de uma maneira quase perfeita.
Mas o mundo queria que Danganronpa acabasse. Aquele reality show já havia feito vítimas demais. Aproximadamente cinquenta e três temporadas até agora: em todas elas pelo menos uma pessoa havia morrido. Os estudantes que restaram não podiam fazer nada além de assistir a Kiibo, o Robô Ultimate, levantando voo para demolir a pequena cidade que se localizava dentro da redoma de vidro. Se esse era o desejo do lado de fora, então não havia motivo algum para ir contra a destruição do programa. Afinal, tudo aquilo não se passava de uma mera ficção, uma mentira contada a eles desde o primeiro momento em que pisaram no colégio. Uma mentira que talvez tenha se tornado real demais. E se eles também eram personagens fictícios, manipulados a mudarem suas personalidades com o intuito de contar uma história para o mundo, então não seria um problema se eles também acabassem sendo destruídos juntos da Academia Gifted Inmates.
O detetive deixou sair um pequeno suspiro enquanto escutava o som de tiros e explosões do lado de fora. Era estranho pensar que talvez aquele podia ser o seu último dia nesse planeta. Kiibo... E a audiência não tinham a intenção de matar os demais, mas com o robô voando de um lado para o outro, atirando em todas as direções, era difícil ter certeza de que nada iria os atingir. As construções já estavam caindo aos pedaços. Uma delas, inclusive, bem em cima de Tsumugi. Ninguém imaginava que aquela garota de cabelos azuis pudesse ser tão fanática com o programa, não se importando que diversas pessoas iriam morrer de verdade apenas para entreter os telespectadores.
Nem Shuichi, Himiko ou Maki sabiam o que pensar no momento. Talvez devessem estar felizes sabendo que conseguiram, de certa forma, vingar a morte de seus amigos. Mas os três simplesmente não conseguiam sentir nada. E o que deveriam sentir após descobrirem que nem mesmo sabiam quem eram de verdade, fora de Danganronpa? Não tinham memórias de seus amigos e familiares, e todas as coisas que pensavam ser verdade eram obra do reality show. Um passado fictício para pessoas que se tornaram fictícias. Eram apenas personagens, criados para morrer e servir certo propósito na história. e nada mais que isso. Se ninguém lembra de suas existências, então nem mesmo podiam ser considerados humanos de verdade; não eram muito diferentes do robô agora. Os três sentiram o chão tremendo, em consequência do enorme buraco que Kiibo havia criado nos prédios do lado de fora. Estava claro que todas as construções ao redor deles iriam desabar em breve. E em uma última tentativa de destruir a Academia Gifted Inmates sem que mais alguém se machucasse, Kiibo jogou-se contra o vidro, explodindo uma parte do domo e deixando para trás apenas um enorme feixe de luz.
O que o robô de cabelos brancos não esperava é que os três alunos restantes estavam perto demais dele na hora em que isso aconteceu. Shuichi virou-se para o lado, quase perdendo o equilíbrio por conta do tremor causado pela explosão, conseguindo enxergar uma das paredes de concreto vindo na sua direção, em uma velocidade rápida demais para o garoto conseguir desviar. E, de repente, a visão do detetive havia se escurecido completamente.
Mas, para a surpresa do moreno, aquela cena de destruição não seria a última coisa que ele veria. Ainda não era a sua hora de morrer. Shuichi não estava disposto a seguir a morte e todos os seus amigos.
Notas finais
06/06/18 - Correção de alguns erros gramaticais, adição de um novo parágrafo
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