Death - Allison Argent

1 Death - Por Allison Argent


Notas iniciais
Minha primeira one-shot.
Espero que gostem e, se puderem, compartilhem comigo suas opnies.

-Estou morta?- perguntei, mesmo sabendo que a resposta talvez nunca viesse.

A sala em que eu me encontrava era grande e quadrada, eu apostava que a extensão fosse de no minimo cinquenta metros. As paredes estavam tingidas em um tom branco, sem manchas ou sujeiras. O ar era fresco e úmido, algo que estranhei pois não haviam janelas ou tubos de ventilação. Nenhuma porta a vista.

Uma pequena tevê, uma mesa, uma xícara e uma poltrona formavam uma confortável sala de estar. Assim como tudo no lugar, os móveis eram brancos.

-Onde estou?- perguntei, novamente, ao além.

A tevê ligou, para o meu espanto. Onde raios eu estava?

Sentei-me na poltrona e, então, um pequeno controle remoto surgiu na mesa, junto de uma pequena quantidade de fumaça. O controle tinha apenas três botões denominados A, B e C. Apertei o primeiro.

A tevê emitiu alguns barulhos estranhos antes de exibir a imagem de Scott segurando o meu corpo sem vida. Ele estava chorando.

-Allison…- ele murmurava, soluçando. -Não… Allison…

Arrepiei-me lembrando da sensação de ter uma espada fincada em minha barriga e, ao olhar novamente a figura de Scott, tive de segurar as lagrimas. Torcia para que eu somente estivesse em um coma, trancada dentro de minha própria mente. Talvez assim eles pudessem me salvar da mesma maneira como salvamos Stiles.

Como num filme, a imagem que a tevê exibia rápidamente tornou-se Lydia. Ela estava abraçada a um desmaiado Stiles, chorando.

Respirei fundo. Qual era o ponto de tudo isso?

Novamente, a imagem transformou-se em outra pessoa: meu pai. Um misto de surpresa, tristeza e choque estampavam sua face.

Um calafrio percorreu a minha espinha. Eu não podia morrer e deixa-lo sozinho, eu não podia!

-Não…Não…- murmurei, beirando o choro. Peguei o controle remoto e apertei novamente o botão A, na esperança de que a tevê se desligasse. Obviamente isso não aconteceu, então, apertei o botão B.

A tevê emitiu um chiado e exibiu, para a minha surpresa, a figura de Scott sentado numa carteira. Ele estava na escola.

-Bom dia alunos… e, ah!- reconheci a voz de meu ex-professor enquanto a “câmera” virava-se para a porta. -Temos uma aluna nova.- ele deu uma olhada num papel em sua mesa. -Srta. Argent, sente-se por favor.

A minha figura rapidamente arranjou um lugar atrás de Scott. Ele virou-se para mim e entregou-me uma caneta. Murmurei um “obrigado”.

Tudo aconteceu exatamente como eu me lembrava, quase como se a tevê captasse as minhas memórias. O que é isso? O que estava acontecendo? Que lugar era este?

Com um flash a imagem mudou e agora a tevê exibia eu e Lydia numa loja, fazendo compras. Sorri.

A tevê transitou e exibiu diferentes dias, anos talvez, da minha vida diversas vezes. Cada vez cavando mais e mais fundo dentro de minhas memórias. Eu sorria, gargalhava e me divertia.

Bem, pelo menos até a cena seguinte.

A memória estava desfocada, talvez por eu ter preferido esquecer tal episódio e enterra-lo numa cova mental. Tudo o que eu pudê observar com clareza foi Peter fincando as garras no pescoço de minha tia, Kate.

Tomada pela raiva, joguei o controle no chão e, então, a tevê desligou-se. Eu não iria mais apertar um único botão daquela coisa.

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Minutos, horas, dias, anos…. Quem estava contando? Tudo o que eu sabia era que muito, muito tempo havia se passado desde que a tevê se desligara e, o mais estranho de tudo isso, é que eu não sentia fome, sede ou sono.

Era entediante. Não havia nada que eu podia fazer além de reviver as memórias em pequenos filmes na minha mente (nada comparados a definição HD da tevê) e contar os segundos que se passavam.

Por fim, desisti. Não havia outra saida. Agarrei o controle remoto e então, respirando fundo, apertei o terceiro botão, C.

Tudo ficou preto.

Não, não desse jeito. Eu não desmaiei. As paredes e móveis brancos foram substituidos por um vazio, uma sala totalmente preta, mas com iluminação vindo de sabe-se-lá-Deus-onde. Eu não sabia a dimensão da sala, se era estreita ou infinita. Tudo estava tão estranho.

Um clarão de luz cegou-me por uns instantes e, então, flutuando a minha frente estavam as palavras “Você esta morta”. Assim que tentei toca-las, elas desapareceram.

Um profundo sentimento de tristeza apoderou-se de mim. O que eu faria agora? Eu não podia morrer, eu não queria morrer. Eu tinha tanta coisa para fazer ainda, tenho apenas 17 anos! Meu pai, Scott, Lydia, Isaac… eu não posso deixa-los desse jeito.

E minha vida? Tantas coisas não terminadas, tantas respostas não dadas. Como eles irão destruir o nogitsune sem minha ajuda? Quero dizer, como eles irão fazer isso? Tudo o que eu mais quero é um meio de ajudar, eu quero continuar a fazer parte da vida deles! Não quero que eles vivam sem mim, eu quero estar presente, quero saber sobre as vidas de meus amigos até os cabelos acobreados de Lydia tornarem-se cinzas. É quase como se tivessem arrancado o livro mais envolvente de minhas mãos enquanto eu mal havia chegado na metade. Eu não posso deixa-los continuarem sem mim, mesmo soando egoista, eu não quero.

“Eu posso lhe mostrar” com um clarão, as palavras surgiram flutuando a minha frente. Desta vez, não tentei toca-las.

-Mostre-me.- digo, para o nada.

Eu desmaio.

Ao abrir os olhos a primeira coisa que noto é a figura de Scott: suas feições estavam mais maduras, a barba por fazer parecia aspera e a gravata, definitivamente, não lhe caia bem.

De repente ele sorri. Um sorriso tranquilo e feliz, um sorriso puro. -Meu meninão! Como foi a escola?- ele diz para a criança que acaba de pular em seus braços. Me assusto.

-Foi bem, papai, foi bem.- a criança diz.

Tudo fica escuro novamente e então eu vejo Lydia num jardim. Ela parecia a mesma, não havia mudado muito.

Duas meninas, uma ruiva e outra morena, brincavam próximas a ela. Seriam essas suas filhas?

-Amor, o jantar esta pronto.- fico boquiaberta ao ver Stiles sentando-se atrás de Lydia, e sorrio ao ve-los trocar um selinho. Ela escolheu bem. -Vamos crianças!

-Ah não papai.- diz a morena. -Quero brincar mais.

-Você quer brincar, é?- Stiles diz, então anda em direção a meninha e ela sai correndo. Quando ele finalmente consegue pega-la no colo, deita-a no chão e começa a fazer cosquinhas. A menina chora de tanto gargalhar.

Minha visão escurece e então, quando abro os olhos, estou numa sala sofisticada. Paredes beges e móveis luxuosos chamavam a minha atenção.

Isaac aparece em cena e atrás dele, Kira, a recém-conhecida de Scott. Eles estavam extremamente arrumados, pareciam estar indo para algo tão chique quanto a cerimônia do Oscar.

-Estou bonita?- Kira pergunta e Isaac sorri e, então, a beija.

-Sempre.- ele responde.

Eu desmaio e acordo na sala preta, novamente.

-NÃO!- eu grito, desesperada. -Eu não quero morrer… Eu quero fazer parte de tudo aquilo, quero ter o meu futuro, a minha história… Quero fazer parte da história das pessoas que eu amo!- grito novamente, mas ninguém me ouve e, se ouve, opta por me ignorar.

Me encolho no chão, não achando parede alguma para me apoiar. Enrolo meus braços em minhas pernas e sinto lágrimas escorrerem pela minha face.

\\~\\

Meu nome é Allison Argent e, quando era pequena, imaginei como seria minha morte. “Seria dolorosa ou tranquila? Alguém realmente sentiria minha falta? Eu teria flores no meu tumúlo?” foram algumas das minhas dúvidas. Felizmente, não perdi muito tempo da minha vida divagando sobre isso.

Eu morri jovem, é verdade. Perdi grande parte da minha vida graças ao ser que fincou uma espada em meu estomago, mas, sabe de uma coisa? Eu não me importo. Não mais.

Se eu queria ter um futuro e partilha-lo com as pessoas que eu amo? Este ainda é o meu maior desejo, mas nunca poderá ser realizado, pois, depois de anos presa neste lugar eu finalmente percebi a verdade sobre o destino, sobre a história do mundo, sobre a morte. Sobre a minha morte.

Quando nós morremos nossos amigos e familiares ficam devastados; há um enterro e, por meses, pessoas levam flores ao seu caixão. Mas então, elas superam.

Isso mesmo, elas superam. Elas esquecem você, agem como se você nunca tivesse existido, práticamente.

E essa é a mais pura verdade sobre a morte: quando você morre, a história continua.

A história apenas não precisa mais de você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!