Death

6 A mentira x O carinho


—Sou obrigado a carregar um fardo tão grande? –Murmurou Leon encarando o céu. –Nenhum dos dois lados me aceitaram agora. Estou sem um lugar para ir.

—Você pode vir comigo.

Leon foi se virando lentamente e arregalou os olhos ao ver uma mulher de cabelos negros e olhos azuis, pele tão pálida quanto a cor branca, sua aparência era idêntica a de alguém que conheceu muito bem como “mãe de sua dona”, engolindo em seco com um pavor inimaginável calculou rapidamente na cabeça como aquilo era possível, até não encontrar marcar em seus pescoço deixando-o aliviado.

—O que foi? –Perguntou ela, séria. –Você falou que queria um lugar, se quiser ficar como um guarda para mim.

—Eu não luto...

—Não é o que diz essa arma em suas costas.

“Havia me esquecido dessa praga...”, Leon fechou os olhos por um segundo e tentou imaginar como sua dona conseguia guardar mais de cem armas desde espadas até canhões dentro de seu estomago, ao voltar a abrir colocou as mãos no bolso e caminhou até ao lado daquela que oferecia ajuda.

Ambos caminharam até uma casa longe de tudo. Nada simples. Uma casa de vidro de dois andares, sem portão aberto a roubos, única diferença era os selos expostos nos muros e nas paredes da casa, fazendo-o engolir em seco. Medo? Não, repulsa, pessoas que sabem demais, sofrem o mesmo tanto...

—Relaxe. –Comentou ela entrando na casa. –Não funciona à sua espécie.

—“Espécie” –resmungou ele, entrando. –Acha que sou o que um rato?

—Não. –Disse ela surgindo do nada na frente dele.

—Cara- -Ele caia no chão, desesperado.

—Já vi que és relaxado... O que faria se eu fosse uma perseguidora maníaca doida para mata-lo?

—Fugiria ? –A resposta saia como uma pergunta.

—Fugir não é a melhor opção.

“Eu sei, mas não tenho escolha”, Leon olhava toda a casa dela, não parecia que precisava de ajuda para algo, porém... Lhe chamava atenção uma ampulheta com a areia chegando ao fim com uma mão quase coberta, se perguntou o que era.

—Se quiser tomar banho, terá que deixar sua arma no quarto dos hóspedes.

—Não vou.

—Está fedendo.

—Tsc. Eu não...

Ela cruzou os braços e encarou-o, até o momento que deixou a arma no sofá e caminhou até o banheiro, quando sumiu de vista com o som do banheiro, suspirou e murmurou algo para si mesma voltando seu olhar para a ampulheta, desesperada.

Leon se lavava quando pode ouvir o som de um disparo, decidiu ignorar até terminar de enxaguar o cabelo, notou os fios chegando perto dos ombros, e pelo toque na face o envelhecimento, depois que ela morreu a imortalidade estava abandonando-o e provavelmente deixaria os outros que já serviram à ela. Ao desligar o chuveiro, se enrolou na toalha apenas para se secar e deixou-a no chão, colocando um shorts, um casaco preto de couro com cauda cuja a marca nas costas era o mesmo de sua dona, por quê?

—Garota?

Ele notou que tudo estava diferente na casa, as paredes negras, várias escadas. Trincou os dentes, sabia que não deveria ter deixado a arma no sofá, como iria lutar agora?

—Socorro! –gritou ela.

Sem demora, ele correu até onde a voz vinha, mas nada, retornou ao mesmo lugar. Coçando o canto do olho, acabou por bocejar rapidamente enquanto fechava os olhos e cruzava os braços. Ficou ali por minutos, talvez horas, chegando a se sentar de tão cansado que havia ficado.

“Você já passou por isso né?”... “Pense... Pense...”

De repente em sua mente veio a forma de uma foice de quatro lâminas.

“É isso!”

Leon se levantou rapidamente e sentiu a cauda flutuar enquanto surgia um símbolo mágico abaixo de si.

—Eu sou um Devil, servo da Ira e da Preguiça, devolva-me o que me pertence, serei jus ao pagamento de tornar-me o sucessor!

Graaawr.

Um pequeno grunhido vinha logo atrás de si mesmo, mas não se virou, apenas ergueu a mão para frente pegando um bastão.

Por que está indo salvá-la?

Ignorou Leon.

Você sabe que foi ela quem criou esse labirinto.

Diga-me.

Leon desfazia o símbolo mágico.

Diga-me Ira!

—“Acredito que até a última alma pode ser salva.”

Salvação? Ficar com aquela garota fraca queimou seus miolos não é mesmo?

—Não. –Ele batia com o bastão na parede derrubando todas até chegar na claridade da realidade. –Apenas fez-me mais forte e de mente tão aberta, que não caio mais em ilusões como antes. –Leon girou o corpo e com uma lâmina da foice recém formada cortava a ilusão de ótica encarando de frente a garota também golpeada com uma expressão de medo.

—O que você é?!

—Criação da Ira junto da Preguiça, servo da Ira e agora o novo portador de dois pecados, Ira e preguiça. –Ele girou a foice entre os dedos, mania de sua mestra. –Você desmaterializou minha arma, não é?

—P-perdão...

—Não existe perdão perante a morte.

—Há... Haha... eles sabem que você está aqui! Eles irão vir para mata-lo e salvar-me!

—Tolice...

—O... que... ?

Leon jogou a foice na ampulheta quebrando-a ouvindo o grito de desespero da mulher.

—minha irmã! Era o preço salva-la! Não! E agora!?

—Agora... –Sussurrou ele, erguendo a mão fazendo-a retornar, colocando as quatro lâminas uma perto da outra no corpo da mulher. –Pagará um preço por ter me enganado...

—Me perdoa... –Choramingou ela.

—Belas últimas palavras.

Puxando a lâmina Leon não ceifou o corpo físico, mas sim o espiritual, tornando-a nula para retornar ao mundo dos mortos, se é que ela estivesse morta. Ele encarou o corpo caindo sem vida no chão e percebeu o local sumir como uma ilusão. Ao desfazer a foice suas mãos passaram a tremer até trincar os dentes.

—Belo show. –murmurou um rapaz batendo palmas rapidamente. –Bravo! Bravo! Não mais esperado daquele que traiu os sete!

Continuava trêmulo.

—Sabe o que mais? –Surgiu ele ao lado de Leon, sussurrando em seu ouvido. –É aqui onde você morre e eu ganho três pecados.

Ganância... Viu? O que lhe disse?

“Cale-se”.

—Ora, ora, ficará quieto?

Agora morreremos sem ter realizado o desejo de nossa mestra!

“Cale-se!”

—Bom, queria mais diversão... Já que é assim... –Ele afastava a mão. –O coração é a melhor parte para se devorar de um de nós..!

Morremos.

“Eu matei alguém... Eu matei.. Eu...”

—Death! –Gritou uma voz feminina.

“Quem?”

De repente um vento ergueu a ganância e uma ruiva surgia em frente de Leon, em seguida uma morena. Aquela ruiva usava uma calça social e camisa masculina além do penteado também do gênero, seus olhos verdes encaravam com ira o pecado. Já a morena, olhos azuis, marcas no pescoço, sim... era ela... agora ele se recorda...

—Lu...na... –Murmurou ele.

—Shiu... –Luna o abraçou e tampou seus olhos. –Durma... Descanse...

—A outra é...

—O espirito independente de sua dona...

—Ora sua pirralha! Morrerá! –Se jogou em pleno ar na direção da ruiva que sumia de repente.

—“Nop”. –Disse ela ao lado dele.

—Como?!

Asas de dragão surgiam nas costas dela junto de escamas em seu braço direito, socando o rosto do outro.

Dragões são seres místicos, não idiotas.., , surgiam as runas para as tais palavras.

—Maldita... Eu voltarei! –Gritou ele, desaparecendo.

A ruiva socou o próprio punho e grunhiu baixo.

Pode vir, novamente dita em runas.

—Como sempre monologa... –riu Luna.

—Lu...na.. –Leon afastava as mãos da mesma e encarava a ruiva por um momento –Espirito... Independente...

—Sim, aquela que vive por mais um tempo por ser algo que é, não aceitou interferências de outros clãs como sua dona. –Ela acariciava o rosto dele e sorria novamente. –Luna Fallent... Akhira Yagami...

—Eu sei... –Murmurou ele, sorrindo forçado enquanto sentia as lágrimas caírem. –É ilusão?

—Não...

—Se for uma ilusão... não quero sair.. nunca mais... –Foi dizendo até desmaiar nos braços da morena.

—Que coisa... –Ria Luna.

—Sofreu. –Murmurou Akhira, séria.

—Sofreu.. –confirmou Luna, abraçando-o forte. –Mas o darei minha benção, assim como dei a ela..

—Si?

—A mim mesma? –Luna sorriu para Akhira. –Realmente, ela foi criada no meu corpo, mas somos almas separadas, não por que nosso pai ... Meu pai não desejou, mas sim por que ela não queria ficar só. Então deixou-me assistindo as aventuras e sempre opinando, conversando...

—Sei.

—Eu sei que você sabe... Mas Leon não sabia disso... Que quem o salvou de lá fora eu... Ou não se lembra de cara, apenas sabe por ser meu pai quem disse...

—Vamos.

—Vamos...

—Casa.

—Sim, vamos para casa. Mesmo que brevemente...