Death
1 Amor
Notas iniciais
A fumaça saia de minha boca e aquela sensação horrenda de dentro de mim, não havia sido uma noite facil e ainda estava começando, estava no meu primeiro cigarro da noite, era a ultima coisa que me lembrava antes do pesadelo começar! Um barulho estrondoso vindo da porta da frente, gritos, e um choro desesperado. Eu sabia quem estava chorando, mas não fui lá ver o que estava acontecendo, não me importei com o que estava acontecendo, era só mais uma briga como qualquer outra não era? NÃO! Dessa vez tudo estava diferente. E "ele"começou a rir, seu riso me fez congelar, mais gritos, isso não é normal, dessa vez não é normal, não assim,algo esta diferente. Me aproximo do topo da escada e posso ver,as cortinas, todas manchadas de sangue, ele havia passado de todos os limites dessa vez, não é? Desci as escadas devagar, vendo uma sombra formada na parede, a sombra 'dele', com uma faca em mãos. Seguindo a trilha de sangue pude ver algo que um dia foi um corpo humano, estava jogado em um canto da sala, como uma decoração, as gotas de sangue pingavam e manchavam ainda mais o tapete da sala de estar. "Retalhada". Meus olhos se arregalaram.
"Ele não ira nos fazer mal, é só mais uma briguinha da casal, não se preocupe" Ela me dizia todas as noites antes de dormir.
Ela mentiu!
Mas mentiras em minha volta, olha onde eu vim parar por causa delas?!
E agora eu estou paralisada, na frente de algo que um dia me abraçou para me acalmar a noite, dizendo que tudo ficaria bem. Eu estou alucinando de novo? Será o efeito da bebida de novo? Mas eu me sinto tão lucida, como nunca estive! Sinto uma mão em meu ombro e me viro, ele esta sorrindo pra mim, e esta com um brilho assustador nos olhos, tento fugir, mas é inútil ele me arrasta para perto de janela, me mostrando as ruas vazias e chuvosas, estávamos sozinhos, todos da vizinhança estavam comemorando o carnaval na avenida, do outro lado da cidade, ele havia planejado tudo.
Maldito!
Deixo uma lagrima escorrer por meu rosto, este seria meu fim. Suas mãos me envolveram em um abraço, ele me disse em um sussurro rouco e malicioso, que cuidaria bem de mim. Meu corpo é jogado no chão e sinto uma forte dor nas costas, minha pele rasgando e pedassos de vidro perfurando minha carne, "ela tentou lutar", minhas costas ardiam por causa do vidro, ele se aproxima de mim, seu olhar malicioso em cima de meu corpo, eu apenas fechei os olhos esperando tudo aquilo acabar, não seria a primeira vez que ele fazia isso comigo, mas temia que fosse a ultima, não que eu gostasse, muito pelo contrario, mas isso significa que continuaria viva, choro mais me lembrando de por que isso estava acontecendo.
Sempre perguntava a ela por que de nunca irmos embora, e sua resposta tola e sonhadora sempre era " Eu o amo tanto, sei que ele sente o mesmo, ele é um homem bom, em alguma parte de seu coração, e eu o acharei, e tudo vai ficar bem de novo!" óh mãe, por que acreditar nisso? Olha onde paramos por esse seu sentimento tolo.
Ele já parou de se divertir, e isso me assusta, sinto uma faca rasgando minha barriga, e começo a gritar, e chorar ainda mais. E neste momento, o desespero invadiu minha alma, e pela primeira vez em todos esses anos de sofrimento, tive que implorar pela vida, quase sem força para falar, tentei apelar para o seu emocional.
"por favor... pai" foi o que eu disse antes de sua faca tocar a pele do meu peito esquerdo, "socorro" sussurro antes de sentir aquela dor infernal, mais que logo passou. E eu não sentiria mais nada desse dia em diante. E agora estou sentada, em um canto escuro qualquer, de um beco qualquer, e as memorias de minha vida passam em minha mente, sorrio ironicamente, pois em todas elas, desde a infancia, não fui feliz, nem por um instante, nunca soube e nunca saberei o que é esse sentimento que lhe custou a vida mãe. "Amor"!
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