Notas iniciais
Mais uma vez avisando... "Essa história não é minha" ... Ela é da Lia Habel, traduzida pela Ana Luisa Astiz. Pelo fato de que alguns não conseguirem ler online ou algumas outras pessoas não conhecerem, estou postando aqui. Se vocês não gostarem, me avisem, e se gostarem, por favor, comentem. Tudo depende de vocês ^-^

Annie

" Para minha mãe, que me ensinou cedo que damas de verdade podem dar ordens, cavalheiros de verdade podem acatá-las e zumbis de verdade não comem cérebro. "

- Lia Habel


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Bram POV


Fui enterrado vivo.

Quando o elevador rangeu e parou no meio do poço de rocha, soube que tinha sido enterrado vivo. Aprisionado milhares de metros abaixo da superfície da terra e centenas acima do fundo, pendurado em uma gaiola de três por três metros, nas entranhas da mina. Eu havia ficado tão aliviado de conseguir trabalho ali.

Levantei e puxei para o lado meu melhor amigo, Jack, para bater no botão de controle do elevador. Soquei até machucar a mão. Nada. A luminária de vidro que balançava no teto piscou á medida que o querosene acabava, como se tentasse adiar sua própria morte com explosões exageradas de vida.

O medo se tornou uma coisa sólida, queimando-me por dentro, algo com vontade própria torturando minha carne, acelerando meu coração e fazendo minha pele ficar pegajosa de suor. Vomitei no chão, dobrado sobre mim mesmo. Jack, calmamente sentado ao meu lado com as órbitas dos olhos ensanguentadas e o corte aberto na garganta, parecia zombar de mim, zombar da minha tentativa de resgatá-lo. Parecia um palhaço macabro de trem-fantasma. A represa arrebentou, e eu finalmente comecei a gritar. Com Jack. Com Deus. Com tudo. Não havia nada mais a fazer além de gritar. Eu não havia gritado quando os monstros nos atacaram. Nem quando tive que fugir deles, ou lutar contra eles, ou quando arrastei o Jack até o elevador, com o sangue jorrando do buraco aberto no pescoço dele. Tudo aconteceu tão rápido que não tive tempo de gritar.

Os monstros. Loucos, animalescos, descoloridos, arrebentados e desfigurados por se arremessarem contra suas vítimas como uma pessoa aprisionada abaixo da superfície de um lago congelado, depois de bater contra o gelo na busca desesperada por ar ... só dentes e famintos ...

Escorreguei contra a parede do elevador e cobri o rosto com as mãos ensanguentadas, que coçavam. O cheiro do sangue me nauseou. Recostei-me, mas não senti alívio. O elevador estava encharcado com o sangue do Jack. Eu estava encharcado com o sangue do Jack. Havia mais sangue no meu colete do que o que restara, estagnado, nas veias dele. Meu velho relógio barato estava empastelado de sangue. Até a câmera digital ainda presa na mão fechada dele estava empastelada de sangue. Droga de geringonça neovitoriana. Eu sempre reclamava de Jack ser tão apegado a essa câmera. Não dava nem pra tirar as fotos lá de dentro, não sem um computador, e ninguém por aqui tinha um computador. Se o xerife por acaso ficasse sabendo que tinha entrado contrabando na casa dele, o Jack estava perdido — então, pra quê correr o risco?

Ainda assim, ele tinha tanto orgulho da câmera, e das fotos instantâneas que tirava. E eu posava pra ele, obediente, toda vez que me pedia.

Devagar, tremendo, soltei a câmera dos dedos grudentos do Jack.

A luz enfraqueceu. Tentei não by Text-Enhance\">entrar em pânico. Descobri como ligar a câmera, na fútil esperança de que as teorias conspiratórias fossem verdadeiras — que os neovitorianos fossem capazes de rastrear cada pequena porção de tecnologia que o povo usava, cada letra digital, praticamente cada pensamento. Não se dizia que eles punham chips nos seus cidadãos, marcando-os como se faz com gado? Talvez funcionasse, se o contrabandista que tinha atravessado a fronteira com a câmera não tivesse mexido com ela e eliminado a tal função. Talvez.

No mínimo eu podia gravar uma mensagem.

Quando descobri como se fazia para gravar um vídeo, a luz morreu, me deixando em uma escuridão, perfeita, quase palpável. Engoli um soluço e falei alto, a garganta em carne viva, a voz parecendo a de um fantasma na tumba.

– Se esta coisa está funcionando... meu nome é Bram Griswold. Tenho dezesseis anos. É... 4 de julho de 2193. Eu moro na Fazenda Griswold, Long Road, West Gould, Plata Ombre, no Brasil controlado pelos punks. Trabalhava aqui, na mina Celestino, para ajudar minha mãe e minhas irmãs... E essas coisas, essa gente... eles estavam comendo... comendo o Jack...

Comecei a chorar. Cravei as unhas nas feridas, nos lugares onde os monstros haviam mordido, tentando desesperadamente que a dor me ancorasse na realidade, para fazer a minha mente voltar da beira do abismo.

Não funcionou.

Disse aquilo.

– Tenho certeza que vou... morrer aqui. Emilly, Addy... sinto muito — Lágrimas escorreram até a minha boca, um alívio estranho depois do gosto de vômito. — Sinto muito.

Notas finais
Então esse foi o prólogo gente, sinceramente espero que vocês tenham gostado e irão me apoiar a continuar postando essa história, sei que vão gostar dela do mesmo jeito que gostei. Primeiro capítulo vai depender de vocês, se gostaram, por favor, não deixem de comentar.

Annie
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.