Notas iniciais
Ok, tecnicamente é sábado. Mas ainda vale u.u
EU SEEEEEEEEEEEEEEI que não postei quinta-feira, mas é que minha imaginação ficou me trollando! Sabe quantas palavras eu escrevi quinta? SETE!
SETE!
E com muito sufoco!
Mas a imaginação voltou e, se Deus quiser, o atraso acaba hoje!
Beeeijos!
♥

– Nath... – Sussurrei, quando nos separamos.

– Delilah, eu não consigo tirar você da minha cabeça. – Ele disse, tomando meus lábios novamente.

Seus lábios eram macios e seu cheiro chegava a me deixar desnorteada. Nathaniel era tudo. E um pouco mais.

Começamos a intensificar o beijo, nossas línguas brincavam, a respiração ficava mais escassa a cada movimento.

Claro que eu hesitava muito. E Marianne? E Brendon?

Mas naquela hora, tudo parecia tão certo, tão... Tão... Sem adjetivos.

Decidi entrar naquilo de uma vez, envolvendo seu pescoço com minhas mãos.

Nós dois ficamos de joelhos, um de frente para o outro, aproveitando o momento. Não parávamos de nos beijar. Eu estava gostando, admito, mas... E quando o beijo fosse interrompido? Tenho certeza que ficaria extremamente tenso, a situação.

Acho que Nathaniel não estava pensando no mesmo que eu. Ele devia estar mais preocupado em deixar o espaço de nossos corpos cada vez mais estreito.

Era exatamente isso que ele fazia. Me puxava mais para si a cada segundo. Quando não havia mais espaço entre nós, ele colocou as mãos em minha cintura e parou o beijo.

Respiramos ofegantes, enquanto olhávamos um para o outro.

É agora. Pensei. Agora que o momento fica tenso.

Mas isso não aconteceu, muito pelo contrário. Nathaniel sorriu e perguntou se era a mesma coisa de beijar o Brendon.

– Não. – Respondi rapidamente, levando a mão à boca logo em seguida. Eu nem havia pensado para responder. – É... Quero dizer...

Ele riu e me beijou novamente, agora me colocando calma e cuidadosamente de costas para o chão.

Seus lábios deixaram minha boca, traçando uma linha de beijos até o colo do meu pescoço. Não sabia o que fazer. Aquilo era traição?

Suas mãos ainda estavam paradas em minha cintura, às vezes brincando com as pontas de meus cabelos loiros.

– Você acha isso errado? – Perguntei, quando ele fez menção de voltar para meus lábios.

– O que? – Ele sorriu, fingindo-se de inocente.

– Isso. – Respondi, enquanto ele apoiava um cotovelo em cada lado de minha cabeça, encostando seu nariz no meu.

– Não. – Ele respondeu honestamente, beijando minha bochecha.

– E Marianne? – Perguntei, sem conseguir tirá-la de minha cabeça.

Nathaniel parou de me beijar e olhou no fundo de meus olhos castanhos.

– O que quer dizer com isso? – Ele franziu o cenho.

– Não acha que está traindo-a? – Perguntei, enrolando uma mecha negra de seu cabelo.

– Você acha que está traindo aquele canalha? – Ele perguntou, fitando-me com intensidade.

– Na verdade... Não. – Mordi o lábio inferior. – Não estamos namorando, ele nunca me pediu em namoro...

Ia continuar, mas Nathaniel me cortou com um selinho inesperado.

– Eu nunca pedi Marianne em casamento. Isso foi ideia do Joshua bêbado. – Ele sorriu. – Se eu não quisesse estar com você agora, Delilah, eu não estaria. Tenho certeza de que você também não estaria aqui deitada se não quisesse.

– A última vez que me obrigaram a alguma coisa, eu não consegui fugir. – Respondi, reprimindo a vontade de chorar.

Ser estuprada não é algo fácil de lidar, ok?

Nathaniel não respondeu, apenas levantou do chão e sentou.

– Não estou te obrigando a nada, Delilah. – Ele disse, abrindo os braços. – Fique a vontade para ir embora ou me expulsar daqui. Já terminamos de pintar mesmo.

Sorri. Ele era inacreditável.

Levantei também e o beijei.

Todos nós temos o direito de ser feliz, não?

~♥~

“Dezesseis de setembro”

– Sabe o que me deixa puta de verdade? – Perguntei à Samantha. – Ser pauta em conversas alheias.

– Calma, Lilah. – Ela riu. – Mas é que é novidade ainda... Sabe? Aliás, como vai o Cusfofo?

– Não sei... – Suspirei, passando a mão na barriga. – Não sei nem se ele existe, Sammy.

– Como assim? – Ela perguntou, boquiaberta.

Contei que o médico havia pedido outro exame e que eu ainda não havia mexido no envelope.

– E porque não abriu, filha de Deus? – Ela perguntou, ainda pasma.

– Não sei... – Encolhi os ombros. – Acho que vou deixar para o médico abrir mesmo.

– Para de ser boba, Delilah! – Ela disse, enquanto eu abria meu armário.

Não respondi. Destranquei a fechadura e me deparei com uma pilha de folhetos caindo aos meus pés. No fim do corredor, várias garotas riam.

Sabe o que me deixou nervosa de verdade? Saber que Sarah O’Doley, Mirna Pond e Elizabeth Gordon estavam na rodinha.

E pensar que já considerei essas duas como melhores amigas...

– Lilah... – Ouvi Samantha murmurar. – Vê sobre o que são esses panfletos...

Peguei três. Um era diferente do outro.

O primeiro era a respeito de roupas infantis, principalmente bebês. O segundo era uma propaganda de um psiquiatra. E o terceiro... Falava sobre aborto...

Peguei os panfletos e amassei, jogando uma bola enorme no lixo do corredor.

Creio que Samantha estava imaginando a cabeça do Brendon, pois as bolas que ela fez estavam muito bem amassadas.

– Vou para a aula. – Encolhi os ombros, pegando o caderno de literatura.

~♥~

“Querido Cusfofo”

Comecei outra gravação.

“Faz uma semana que... As coisas estão estranhas. Estou trabalhando em uma lanchonete, recebi um cheque do meu pai, comprei uma casinha, pintei-a... Comecei a conversar com Nathaniel, o moço que me achou no... Er... Beco. E, há uma semana, eu tive um... Momento com ele.”

Sorri.

“Isso, definitivamente, não é a coisa certa para se contar para o filho... Mas... Nem sei se você existe mesmo, Cusfofo. Nem sei por que estou fazendo esse vídeo. Acho que para desabafar mesmo... Estranho, cada vez que faço uma gravação, minha vida está de um jeito.”

Ri por uns instantes. Depois suspirei e olhei para a lente da câmera.

“Está tudo muito difícil. Não tenho notícias de minha mãe, o que é milagrosamente esquisito. Ela não é uma mulher que se esconde facilmente. Talvez tenha notícias dela logo, logo. Aliás, amanhã saberei se estou falando sozinha ou se alguém, no momento inexistente, verá esses vídeos futuramente. É estranho não saber o futuro. É ainda mais estranho SABER, mas... Mesmo assim... Daqui a pouco começo a filosofar, já estou até vendo.”

Sorri novamente.

“Não sei, mas... Sinto que eu tenho vocês dentro de mim. Sabe? Como se você... Meu bebê... Já fizesse parte de mim. Acho que já te amo, Cusfofo.”

Passei as mãos inconscientemente na barriga.

“Não sei se suportaria saber que você não faz parte de minha vida. Depois de tudo o que já passei... Eu QUERO ter você em minha vida. QUERO estar grávida... Só... Não quero que o Brendon seja o pai. Para mim, meu filho, ou filha, é perfeito. Mesmo que lhe falte uma mão. Para mim, a mãe, sempre vai ser perfeito. E ser concebido por um estupro...”

Suspirei.

“Estou falando bobagens, não? Não sei nem se você está dentro de mim... Porque falo tudo isso?”

Passei a mão na nuca, fechando os olhos.

“Bom, hoje é dia dezesseis de setembro de 1996. Boa noite, meu bebê.”


Notas finais
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