Notas iniciais
Bu!
Como vão?^
Não, eu não morri xD
Espero que gostem dos próximos capítulos.
Beijos ♥

- Querida Sophia, querido Thiago... – Parei, olhando para a lente com olhos marejados. — Eu... Eu não sei o que fazer...

Olhei para minha barriga, vendo a camiseta que tinha pontos molhados em cima da gigantesca montanha que ela tinha se tornado. Eu não conseguia mais olhar meus pés ao ficar em pé. Eu me sentia uma baleia. Uma baleia gorda, feia, chorona, com problemas demais para uma adolescente de 16 anos e sem um namorado.

- Vai com calma, Dee. Respira. É sua última gravação. – Ouvi JJ, que estava atrás da câmera velha que tínhamos encontrado.

Respirei fundo, sequei as lágrimas e levantei a blusa. Parecia que eu ia estourar a qualquer momento. Aquilo era belo e aterrorizante ao mesmo tempo.

- Estão vendo esses desenhos? Tia Sammy quem fez. Essa princesa aqui do lado direito da barriga é a Soph. O que provavelmente seria um marinheiro no universo da minha irmã, é o Thiago. — Sorri, mostrando os desenhos feitos à tinta que eram para me alegrar. — JJ trouxe o médico da família para me ver. Fiquei sabendo que posso dar à luz a qualquer hora. Estou morrendo de medo.

- Você sabe que vai ficar tudo bem. – Meu irmão apareceu de trás da filmadora e deu um de seus sorrisos confie-em-mim.

- Certo, certo. Isso não me ajuda muito...

Bateram na porta do quarto e logo em seguida Samantha entrou, segurando uma bandeja com uma xícara com algo fumegante, uns biscoitos e um pedaço de chocolate.

- Sabe, eu ia trazer sorvete, por que dizem que cura choro, mas sejamos sensatos, ta muito frio pra ficar gelando a boca, né?

Ela se sentou ao meu lado e sorriu pra mim, enquanto eu pegava a xícara. Meus dedos estavam quase congelados.

- Está melhor, meu bem? – Perguntou, enquanto eu assentia brevemente com a cabeça. Provei o chá e queimei minha língua, fazendo uma careta. Os dois riram.

- Obrigada.

Minha irmã sorriu e me deu um beijo na bochecha.

- Você acha que já está em condições de me explicar como o farei sofrer? – Jason perguntou, me fazendo rir, mas com um pesar no coração.

- Sabe... Agora sou só eu... – Falei pausadamente, tentando registrar aquilo em minha mente.

- Para de ser besta, Delilah. Você sabe muito bem que ainda tem eu e o JJ. – Sammy falou, fazendo cara feia.

- Eu sei, eu sei. – Encolhi os ombros, sentindo uma lágrima escorrer por meu rosto, a qual a garota limpou com delicadeza. – Mas eu digo... Meus filhos vão nascer sem pai... – Minha voz foi afinando ao longo da frase, chegando a falhar, então tive que respirar fundo para conseguir continuar.

- Vá com calma. Temos todo o tempo do mundo pra você.

Assenti e esperei o nó na garganta se desfazer. Não aconteceu. Abri a boca, mas senti os olhos quase transbordando, somente esperando uma palavra pra recomeçar a chorar, então a fechei novamente.

- Olha... – JJ falou, chamando minha atenção. – Só... Não perca as esperanças, tá Lilah? Você está linda, mesmo com uma barriga de dez quilos. O Brendon é um idiota, mas isso não quer dizer que todos sejam assim.

- Você viu as fotos. – Samantha respondeu, ecoando meus pensamentos. – Você entregou a ela. Como pode dizer o nome do Brendon e não o do Nathaniel?

- Bom... – Ele passou a mão nos cabelos, suspirando cansadamente. – Vocês duas bem sabem que eu sou muito chato com vocês namorando, como se eu fosse o pai de vocês. E eu gosto do Nathaniel, embora tudo isso. Acontece que você não ouviu a parte dele da história, Dee... Você não sabe realmente o que aconteceu aquele dia. – E continuou falando, quando fiz menção de interromper. – Não, não sabe, não adianta retrucar. Eu to muito chateado com ele, é verdade. Mas não podemos julgar por um lado só da história, Lilah. Não dá...

Olhei para o chão, sentindo o olhar dos dois em mim. Meu irmão tinha razão. Eu não tinha pensado nisso, mas era muito difícil saber o que pensar no momento.

- Não perca as esperanças. – Ele repetiu.

Olhei para a câmera, engolindo o choro e respirando fundo.

Passei a mão na barriga e senti um dos dois chutando. Isso fez uma lágrima saltar de meus olhos, mas de felicidade.

Sem falar nada, peguei a mão de minha irmã e coloquei no local. Ela abriu um largo sorriso e olhou para mim com os olhos brilhando.

- Delilah isso é... – Ela começou a falar, mas eu a interrompi.

- Uma... Uma contração. – Falei, escorregando da cama para o chão. Meu ventre parecia estar sendo revirado. Gritei e comecei a ficar ofegante, enquanto meus irmãos, em estado de choque, não sabiam o que fazer. – Meu Deus... – Falei, ofegante, enquanto as pontadas se tornavam cada vez mais fortes e insistentes.

- Sammy... – JJ disse, apontando para mim. Ou para minhas pernas, ou para o chão, eu não tinha certeza.

- Ai meu Deus, Lilah, sua bolsa estourou! – Ela disse, saindo correndo do quarto.

Eu ofegava e colocava as mãos na barriga como se fosse apaziguar a situação de algum jeito. JJ se ajoelhou ao meu lado e começou a falar para eu me manter calma, que tudo ia dar certo. Acho que estava falando aquilo para si mesmo, eu não sei, estava preocupada em não desmaiar com a dor.

Tudo o que aconteceu em seguida foi muito rápido. Me vi em uma maca, vi uma ambulância, meus irmãos em pânico, vislumbrei o que parecia minha mãe com seu marido, mas por muito tempo eu só me concentrei em um teto branco, um colchão desconfortável e o movimento da ambulância que não ajudava muito em aliviar a dor.

Eu sentia minhas calças molhadas, não conseguia desgrudar a mão do ferro da maca, eu sentia que ia cair dali a qualquer momento, minha respiração ofegante... Eu estava morrendo de medo.

E só quando me levaram para dentro do hospital que eu percebi que estava dando falta de alguém. Eu queria que aquele idiota de olhos verdes que eu tanto amava estivesse ali para segurar minha mão, mesmo com tudo. Eu queria que ele falasse como tudo ia ficar bem...

Foi quando recomecei a chorar.

Notas finais
:3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.