22 de março (7 meses de gravidez)

— Mais que tanto que o senhor fica nesse quarto? – Perguntei, assim que vi Nathaniel saindo de lá. Seus cabelos e roupas estavam respingados de branco, verde e rosa.

— É surpresa, já falei. – Ele sorriu marotamente, apontando um dedo sujo de tinta para mim.

Esquivei de seu toque e vi que a porta estava somente fechada, não trancada, como sempre ficara.

— Quando poderei ver? – Perguntei, fazendo biquinho.

— Assim que eu tiver acabado.

— E quando vai ser isso?

— Como vou saber? – Ele riu.

— Naaaaaaath! – Fiz manha, dando um passo para mais perto dele.

— Não faz assim. – Ele murmurou, me abraçando.

— Por favor. – Pedi, fazendo mais um beicinho.

Ele sorriu e passou o polegar por ele, aproximando seus lábios dos meus. Beijou-os brevemente, para logo mordê-lo.

— Au. – Reclamei, sorrindo.

— Você não pode entrar ainda. – Ele falou, inclinando a cabeça para o lado.

— Claro que posso. – Falei, dando um passo para frente, forçando-o a ir para trás. – É só você deixar.

— Eu não vou deixar. – Ele empinou o nariz, me fazendo rir.

— Não, não, meu amor. Está errado.

— Ah, é? Por quê?

— Porque você já deixou. – Sorri, me atirando para a porta. Girei a maçaneta e, cambaleando, entrei no quarto, com Nath logo atrás de mim.

— Não! – Ele exclamou, assim que eu olhei para o quarto. – Não era para você ver agora.

As paredes estavam pintadas. Desenhadas, na verdade.

Na parede da janela, havia um barquinho navegando, um lindo sol, uma nuvem sorrindo e, bem grande, escrito “Thi”.

Na parede da porta, um castelo, árvores e uma família compunham o cenário. Grande, em cima de tudo isso, havia o nome “Soph”.

Eu fiquei sem saber se sorria ou chorava. Tinha ficado muito lindo.

Olhei, atônita, para Nath e abri o maior sorriso da minha vida.

— Mas. Que. Coisa. Mais. LINDA! – Exclamei, pulando em seu pescoço.

— Obrigado. Mas não era pra você ver ainda. – Ele respondeu, mostrando a língua.

— Porque não?

— Porque ainda não terminei.

— E o que falta fazer? – Franzi o cenho, olhando ao redor. Estava tudo tão lindo...

— Pintar essas duas paredes. – Ele apontou para as brancas. – Uma vai ficar rosa e outra azul.

— Que lindo. – Falei, levando as mãos à boca. Meus olhos estavam marejados e parecia que ia explodir de felicidade à qualquer momento.

Passei as mãos na barriga e olhei para baixo. Ela estava e-n-o-r-m-e.

— Dee. – Nath chamou. Olhei para ele. – Eu te amo. – Ele disse, se precipitando até mim. Antes de eu poder responder, senti seus braços ao redor de minha cintura, me puxando mais para perto. Meus lábios encontraram os dele e eu passei as mãos em sua nuca, fazendo carinho em seus cabelos.

Nossas línguas brincavam, cada vez mais intensamente. Suas mãos acariciavam minhas costas, enquanto eu o puxava mais para perto.

Apalpei seus ombros, enquanto sentia seu toque ir até minha barriga.

Paramos de nos beijar e eu observei até ele se abaixar e levantar meu vestido, mostrando minha barriga. Ele a beijou e ficou acariciando-a.

— Está linda. – Ele disse, me fazendo sorrir como uma boba.

— Obrigada. – Respondi, acariciando-a também.

Claro que não só a barriga tinha crescido.

Meus tornozelos e pés incharam, meus seios aumentaram, meus dedos ficaram um tanto mais gordinhos e eu comecei a perceber uma coisa que nunca tinha me acontecido antes: Estrias.

Sim, eu as tinha. Nas coxas, na barriga, nos peitos... Eram quase invisíveis, mas ali estavam elas.

Meu rosto continuava como sempre foi, mas tinha muitos traços de cansaço.

E, embora tudo isso, eu estava muito, muito, muito feliz.

Quem disse que ser mãe é fácil? Quem disse que, na gravidez é tudo mil maravilhas?

— Que foi? – Ele perguntou, levantando novamente e abaixando meu vestido.

— Nada não. – Sorri, abraçando-o.

— Fala. – Ele sussurrou em meu ouvido.

— Te amo. – Falei, olhando em seus olhos verdes.

— Eu também te amo, Delilah. – Ele sorriu.

Naquele dia, trouxemos o sofá para o quarto dos bebês e ficamos ali, sentados, observando as paredes e conversando.

— Que acha do exame de DNA? – Ele perguntou, enquanto estava sentada, com as pernas em seu colo.

— O que tem?

— Vai querer fazer?

Passei a mão nos cabelos e olhei para meu namorado.

— Não sei, Nath. Porque faríamos? – Perguntei, estreitando os olhos.

— Porque você sabe que há sim a possibilidade de serem meus filhos. – Ele respondeu, colocando o cotovelo direito na parte de cima do estofado do sofá.

— Mas e se não forem? – Perguntei, levantando uma sobrancelha. – Claro que tem a possibilidade, mas e se realmente forem filhos do Brendon? Você vai ficar puto, Nathaniel.

— Mas e se forem meus filhos? – Ele insistiu.

— Amor, me escuta. – Falei, sentando com um tanto de dificuldade. – Eu sei que...

— Não, não, Dee. – Ele pegou em minhas mãos e olhou no fundo de meus olhos. – Me escute você. Teve um cientista um dia que pegou um gato e uma bomba com 50% de chance de explodir e 50% de chance de não explodir. Ele colocou os dois em uma caixa blindada, à prova de sons e tudo mais. Como ele consegue saber se a bomba explodiu, matando o gato, ou não?

— Abrindo a caixa. – Falei, franzindo o cenho.

— Exatamente. – Ele continuou olhando para mim seriamente. – Só poderemos saber se os dois são meus filhos ou não, se fizermos esse exame. Se não forem, sim, eu ficarei triste, mas não deixarei de amá-los, pois eu ainda sou o pai deles. Mesmo que adotivo.

Não consegui articular nenhuma palavra. Apenas fiquei olhando para ele.

— Claro que, se você não quiser, não fazemos. – Ele encolheu os ombros e soltou minhas mãos.

Fui até ele e sentei em seu colo, olhando-o fixamente.

— Eu te amo, Nath. – Falei, acariciando sua bochecha. – E é claro que eu gostaria muito que eles fossem seus filhos. E, se isso acontecer, quero um documento comprovando.

— Então vamos fazer? – Ele perguntou, os olhos verdes brilhando intensamente.

— Claro. – Sorri, encostando meus lábios delicadamente nos dele.

Logo paramos o beijo, e eu encostei a cabeça em seu ombro.

Nathaniel ficou fazendo cafuné em mim por um longo tempo.

De repente, ele levantou cuidadosamente e me deitou no sofá.

— Aonde vai? – Perguntei, sentando corretamente.

— Espera aí. – Ele disse, indo até o corredor. Virou à esquerda e deve ter entrado no quarto.

Fiquei olhando para as paredes, sorrindo bobamente com os desenhos lindos que ele tinha feito.

— Voltei. – Ele anunciou, entrando no quarto.

Esperei para vê-lo sentando ao meu lado, mas isso não aconteceu. Em vez disso, para meu total espanto, Nath se aproximou de mim e me deu um beijo na testa. Ele se ajoelhou com uma perna e apoiou o cotovelo na outra, que estava levantada.

Arregalei mais ainda os olhos e fiquei muito mais surpresa quando vi uma caixinha preta de veludo ser aberta para mim. Dentro, havia um anel lindo.

— N-Nath! – Gaguejei, levando as mãos à boca.

— Delilah Lilith Phelps, eu sei que essa não é uma aliança de noivado, mas... Quer casar comigo?

Eu não sabia se chorava, se pulava, se ria, se abraçava, se rolava ou se gritava. A única coisa que consegui fazer foi balançar a cabeça afirmativamente.

Ele pegou minha mão esquerda e colocou o gatinho enrolado em meu dedo.

Sorri largamente e o abracei.

— Eu te amo. – Ele disse. – Mais do que tudo.

— Eu também te amo, Nath. – Falei, sorrindo muito. – E é claro que eu quero casar com você.

Notas finais
Paredes dos quartos:
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http://www.youtube.com/watch?v=AtlBeqVC4sc&feature=youtu.be
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Meu namorado que fez, não é lindo? ><'
Beijos
♥