Dear Sophia
14 XIII
Notas iniciais
Mil perdões por não ter postado sábado.
Só Deus e meu noivo sabem como minha vida está corrida nesses últimos dias!
Mas a partir de sábado agora, tudo volta ao normal...
Mil desculpas.
Sério!
Em compensação, posto dois capítulos ainda hoje.
Ok?
*---*
Beijos!
(Prometo que, quando conseguir, tiro o atraso de TODOS os banners!)
– Hn... Alícia? – Chamei, enquanto fazia as unhas, sentada no chão.
– Sim? – Ela respondeu, trocando os canais da TV.
– Posso te fazer uma pergunta? – Pedi, cravando os olhos na ruiva.
– Vá em frente...
– Qual o nome do seu primo?
Ela me olhou, confusa.
– Henry, por quê?
– Henry? – Estreitei os olhos. – Você tem outro?
– Bom... Tem o Ulisses, o John, o Brendon... – Ela deu de ombros.
– Espera aí... Brendon? – Repeti, confirmando o que estava pensando há muitos dias. – Porque nunca me contou?
– Que eu tinha um primo chamado Brendon? E isso é importante por que...?
– Você sabe quem fez aquilo comigo, Ally? – Perguntei, apoiando a cabeça no sofá.
Ela parou para pensar.
– Não. Eu... – E, como num estalo, ela arregalou os olhos e me olhou. – Ah meu Deus. Vamos Delai, diz pra mim que não é meu primo. – Ela pediu.
– É ele sim. – Encolhi os ombros.
– Ai Deus... Mil desculpas!
– Não. Tudo bem. – Dei de ombros, enquanto acabava de pintar a unha e fechava o vidro de esmalte. – Conversei com ele esses dias.
– E o que ele falou? – Ela perguntou, esquecendo completamente da televisão.
– Que quer morar comigo. – Encolhi os ombros.
– E você? O que disse?
– Eu meio que... Aceitei... – Murmurei.
– Oh... Acho que a Mirella vai gostar de saber disso. – Ela sorriu, mas eu sabia que ela não estava achando graça nenhuma.
Ficamos em silêncio por um bom tempo. Até que ela disse:
– E quando você vai?
– Não sei, pra falar a verdade. Quando ele achar a casa que está procurando.
– E vocês poderão pagar?
– Ele garante que sim... – Murmurei, enquanto levantava do chão. – Vou me trocar e sair.
– Aonde vai? – Ela perguntou, me olhando.
– No médico. – Respondi, indo para o quarto.
– Quer que eu te leve?
– Não. Não é longe daqui. Pego um taxi.
~♥~
Não sei por que eu ainda continuava indo em médicos que meu irmão arranjava pra mim. Acho que para não deixá-lo triste, ou algo assim.
– Delilah Lilith Phelps. – Chamaram, enquanto eu aguardava na sala de espera.
Levantei da cadeira e segui o homem de jaleco branco.
Entramos em uma sala e eu sentei na cadeira, de frente para a mesa dele.
– Então. Creio que já está a par da situação. – Ele disse, enquanto sentava na minha frente.
– Depende da situação. – Respondi.
– Seu irmão me ligou, e me disse que a senhorita sofreu um grande trauma recentemente. – Ele disse, mexendo em alguns papéis.
– Não estou traumatizada. – Fechei a cara.
– Isso é muito bom. – O doutor murmurou, passando os olhos em uma das folhas. – Mas creio que o agressor deixou algo que a faça se lembrar do ocorrido.
– Hn... É. – Respondi, me sentindo pouco confortável.
– Mas é aí que está o erro, Srta. Phelps. – Ele disse, cruzando os dedos e olhando para mim.
– E qual seria esse erro? – Perguntei, meio que com medo da resposta dele.
– Poderia me dizer com quantas semanas a senhorita está?
– Ah... Umas cinco, mais ou menos... – Respondi.
– Cinco? Hnn... Interessante. – Ele disse, se levantando da cadeira e indo até um armário.
Fiquei em silêncio, apenas observando-o.
– Você tem certeza do resultado, senhorita? – Ele perguntou, ainda mexendo no tal armário. Fiquei com medo que ele aparecesse com algum tipo de remédio contra depressão.
– Me chama de Delilah, por favor. – Pedi. Já estava farta de ser chamada de senhorita Phelps. Passei dezesseis anos sendo chamada assim. – E, bom... Todos os médicos que eu passei afirmaram.
– E quando você recebeu o primeiro resultado, senh... Delilah? – Ele perguntou novamente, voltando para a cadeira e trazendo um livro pequeno e grosso com ele.
– Acho que depois de três dias do ocorrido... – Respondi, tentando ler o título do livro que ele folheava. Algo sobre gravidez.
– Interessante. – Ele murmurou. – Muito interessante.
Ficamos em silêncio novamente.
Tentei me ocupar, olhando para as paredes e os móveis.
Inútil.
Era tudo branco.
– Leia esse trecho aqui, Delilah. – Ele disse, mostrando o livro aberto, e apontando para um texto pequenino.
Olhei para a folha e li o título: “Semana a Semana”
Embaixo, havia uma pequena estrofe, que eu li em voz alta:
– “A fecundação, isto é, o encontro do óvulo com o espermatozoide, ocorre ao fim da segunda semana, geralmente na trompa.”
– Ou seja, como você pode ter recebido a notícia depois de três dias, se o óvulo não havia sido nem fecundado ainda? – O médico perguntou, sorrindo brevemente.
– Mas, doutor, eu juro para o senhor. – Disse, olhando dele para o livro. – Assim que eu acordei no hospital, o médico disse que eu estava grávida. E depois eu ainda fiz mais cinco exames de sangue, e deu positivo...
– Com quantas semanas você fez os exames? – Ele perguntou, franzindo o cenho.
– Acho que eu fiz dois exames com duas semanas, um com três e um com quatro. – Respondi, olhando a página do livro.
– Com licença. – Ele pediu, e eu entreguei o livro pra ele.
O doutor ficou em silêncio por bastante tempo, folheando as páginas. Até que suspirou e me mostrou outro trecho.
Li em voz alta:
– “A placenta ainda se desenvolve. Ela trará oxigênio e nutrientes para o embrião, além de produzir os hormônios da gravidez (progesterona e estrogênio). Ela está ligada ao embrião pelo cordão umbilical, em formação como a rede vascular, que fará trocas com o sangue materno.”
– “Ela trará oxigênio e nutrientes para o embrião, além de produzir os hormônios da gravidez (progesterona e estrogênio).” – Ele repetiu. – A partir de semana passada que sua urina e seu sangue começaram a liberar o resultado.
Fiquei em silêncio, encarando o livro, tentando digerir as informações.
– Então quer dizer... Que todos os exames que fiz... F-Foram mentira? – Perguntei.
– Bom... – Ele murmurou, fechando o livro. – Diria que... Você foi enganada.
Olhei para ele com minha melhor cara de ironia.
– Sério mesmo? – Perguntei.
– Mas isso não é coisa que se faça... – Ele disse, me ignorando. – Alguém deve ter pagado muito bem à todos esses médicos, para que falem isso.
Na mesma hora dei um sorriso de escárnio e cruzei os braços.
– Mas é claro. – Disse, olhando para a mesa. – Isso é bem a cara dela...
– Desculpe? – Ele juntou as sobrancelhas.
– Eu sei quem fez isso. – Respondi. – Minha mãe. Ela sempre dizia que eu iria aprender a lição, de um jeito ou de outro. Mas é claro. Como pude ter sido tão cega? Isso é tão óbvio! – Bati na minha própria testa
– De qualquer modo... – Ele disse, decidido a me ignorar. – Preciso que você faça um exame de sangue o mais rápido possível, e traga para mim. A partir de agora que teremos certeza absoluta.
Notas finais
Até daqui a pouco!
♥
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