Dear Love

1 31 de Agosto de 2013


Amelia Winston observou a casa da janela do carro, recusando-se a sair.

Como a ruiva odiava os pais naquele momento. Fazê-la entrar em uma cidadezinha no meio do nada era uma coisa, outra era fazê-la se mudar para a “casa mal-assombrada” em Ghost Hill.

A cidade de Moonlight Hollow já fora uma colônia grega, que logo se tornou romana e um tempo depois um feudo. Com os anos se passando ela se estendeu pelos campos e montanhas próximas até que se tornou uma grande cidade quase parecida com Londres, mas não muito conhecida, portanto era entediante.

Um fato interessante sobre a cidade é que, mesmo tão grande e antiga, não tem uma igreja sequer, nem mesmo nos colégios.

Amy suspirou, uma coisa teria que ser boa naquela cidade. Sua mãe por outro lado estava aterrorizada resmungando como uma cidade tão antiga e grande não teria uma igreja. Impaciente, Amelia saiu do carro e caminhou até sua mãe.

- Talvez eles tenham esquecidos de colocar uma. – a ruiva deu de ombros.

- Esqueceram-se de colocar uma igreja? Amelia igrejas eram extremamente importantes em vários séculos, como eles não teriam uma igreja?

Amy apenas revirou os olhos e se virou para o pai.

- Onde estão minhas coisas?

- No seu novo quarto, segundo andar, a primeira porta a esquerda.

A ruiva assentiu e calmamente se dirigiu para seus quartos, as mãos no bolso do moletom verde. Ao chegar a seu quarto avaliou-o com um olhar crítico.

Parecia um quarto de princesa e Amelia Winston definitivamente não era uma princesinha do papai. Mas então ela percebeu que o quarto não era tão claro como um quarto de princesinha do papai seria. A cama era grande de madeira negra com lençóis pretos e roxos, as paredes eram cinza com uma bela estampa que Amy não conseguia entender, havia uma escrivaninha da mesma cor da cama no canto esquerdo do quarto e no canto direito havia um closet. A porta do banheiro ficava ao lado da escrivaninha e Amy não se importou em checar na hora, o mais importante era achar seu celular que acidentalmente havia sido jogado em uma das caixas.

Amy já estava na sétima caixa quando resolveu procurar no closet e, ao abrir a porta, SURPRESA! Havia mais e mais caixas lá, em cima das prateleiras, no chão, debaixo dos cabides. Onde os pais dela haviam achados tantas caixas?

A ruiva optou por uma caixa em cima de uma prateleira, ao puxá-la a garota percebeu que havia algo atrás da caixa, mas não mais uma caixa, um baú de madeira, trancado com um cadeado de ouro e que obviamente não lhe pertencia.

Amelia jogou a caixa no chão, nem se importando se ela podia conter seu celular, e pegou o baú cuidadosamente percebendo que era de fato um pouco pesado. Por que ela desistiu tão rápido de seu celular? Porque ela era curiosa, seu maior defeito era a curiosidade e isso a interessava mais do que o próprio celular, então poderia ser bom, afinal era um baú em uma casa com mais de quinhentos anos.

A ruiva largou o baú em cima da escrivaninha e começou a trabalhar no cadeado, procurando uma chave por todo o quarto, em vão. Cansada de procurar, a tal se jogou na cama colocando as mãos no rosto, irritada.

Pensou que poderia ficar ali e descansar um pouco, mas então ouviu as batidas na janela e se levantou apenas para ver a forma pequena e morena de sua melhor amiga, Vicky Jones.

- AMELIA JESSICA WINSTON, ABRA ESSA PORTA OU EU ACORDO SEUS PAIS. – ela gritou, para ter certeza que seria ouvida.

Amy suspeitava que ela já houvesse acordado seus pais, mas mesmo assim abriu a janela permitindo que sua amiga entrasse.

- O que você quer? – perguntou.

- Sabe o que é um celular? – perguntou Vicky.

- Sabe o que é uma porta? – Amy retrucou.

O quarto mergulhou em um silêncio profundo enquanto as duas se encaravam com olhos venenosos e qualquer um que tivesse visto aquela cena acharia que uma guerra estaria pronta para explodir. No entanto, não explodiu em guerra, e sim em risadas.

- Eu estou tentando achar meu celular. – respondeu Amelia sorrindo para a amiga.

- Ah. – Vicky apenas assentiu, sentando-se na beira da cama da ruiva.

- Não vai me ajudar? – Amy se virou para a morena.

- Eu preciso?

- Claro que sim, é da minha vida que estamos falando!

Vicky deu de ombros.

- Aposto que não checou antes de colocar nas caixas.

Amelia sorriu. Sua amizade com Vicky era das mais estranhas, elas se conheciam desde pequenas e desde então estiveram sempre juntas, no entanto Amy se mudou para a Escócia por dois anos e não conseguiu manter contato com Vicky, a não ser por cartas. Foi uma felicidade para a ruiva quando a casa na montanha ficou disponível para venda.

Amy estava tão preocupada com suas memórias que não notou que Vicky vasculhava suas coisas.

- Arranjou um novo hobby? – perguntou a garota de óculos sorrindo ao olhar os quadros.

- Não havia muito que fazer, a escola era um tédio e eu não tinha amigos, melhor do que nada, não acha?

A jovem Jones riu.

- Sem dúvida.

Um dos quadros chamou a atenção da morena, que o levantou dos demais o fitando por certo tempo.

- Quem é?

A pintura era de um jovem bonito, provavelmente da mesma idade que elas ou mais velho.

- E eu achando que você não gostava de ninguém.

- Não gosto. – a ruiva balançou a cabeça.

- Então poderia me apresentar ao seu amigo, eu te imploro?

- Vicky Jones está tão desesperada assim?

A morena riu.

- Claro que não, mas olhe para esse quadro, ele é lindo.

- De certo modo. – Amy suspirou – Provavelmente só alguém que eu criei na minha cabeça.

- Bem, eu adoraria entrar nessa cabeça maluca que você tem. – sorriu Vicky.

Amelia a abraçou.

- Senti sua falta – disse.

- Eu também.

Elas se separam e a morena, animada como um esquilo vasculha o quarto com seus olhos gigantes, até que eles repousam sobre o baú deixado na escrivaninha.

- O que é isso? – ela se aproximou.

- Um baú velho, provavelmente os antigos donos devem tê-lo esquecido. – a ruiva dá de ombros.

- Eu acho que não – Vicky segura o cadeado com as duas mãos, analisando a fechadura. – Eu acho que alguém colocou aqui para que fosse encontrado.

- Como você sabe?

- Porque está aberto. – disse como se fosse óbvio.

Amelia piscou um olho de cada vez, pensando em como dizer isso gentilmente para Vicky.

- Vicky, não está aberto, eu já tentei de tu...

Mas antes que pudesse terminar, o barulho da tampa de madeira anunciando que havia atingido seu limite chamou sua atenção.

- Hum... Vou deixá-la com suas cartas, boa noite. – disse a morena saindo, finalmente, pela porta do quarto.

Amy sentou-se em sua cadeira, esquecendo-se das caixas, esquecendo-se que no dia seguinte teria aula. Ela só tinha olhos para todos aqueles envelopes, alguns velhos outros mais recentes. Delicadamente, retirou o primeiro envelope que achou endereçado para “Meu Querido Amor”, e duvidou que a pessoa que escrevera essas cartas pudesse ser muito inteligente. Claro que antes de chegar a uma conclusão, ela checou outras cartas, todas endereçadas para o mesmo destinatário “Meu Querido Amor”, quem quer que fosse.

Suas mãos se dirigiram para o envelope com a aparência mais precária, preparando-se para abrir o que estava selado.

Não, pensou parando a si mesma, não posso invadir a privacidade de quem quer que seja.

No entanto a curiosidade foi maior do que sua decência, por isso fechou os olhos e em um movimento rápido, porém suave, abriu o envelope.

Como o esperado, lá havia uma carta que, sem pensar duas vezes, Amy desdobrou o papel, mas as palavras que leu, não foram, de modo algum, esperadas.

Notas finais
Se estiver confuso pode falar, sempre posso explicar o que precisar.