Dear Love

6 Capítulo 6


No dia seguinte, acordamos abraçadas. Meu coração ainda batia forte. Sua cabeça estava aconchegada ali, parecia que gostava de ouvir as batidas do meu coração que ainda não sedia.

Tive pena de te acordar, parecia que estava tendo um ótimo sonho. Estávamos tão aconchegadas que parecia que dividíamos o mesmo corpo.

Com um pouco de custo, consegui tomar coragem para lhe acordar. Coloquei meu rosto na altura do seu. Dei-lhe um selinho e disse sorrindo.

- Bom dia. Temos que acordar senão chegaremos atrasadas na escola.

- Se pudesse ficaria assim o resto do dia.

Ela me abraçou com força. Acariciei seus cabelos.

- Era o que eu mais queria...

Dei-lhe um beijinho na testa, acariciei sua face e disse.

- Mais infelizmente não podemos faltar. Não quero que fique com notar ruins por minha causa.

Sorri, e levantei. Ela enfiou a cabeça no travesseiro como se negasse se levantar.

- Anda Sany! Senão eu vou ter que te tirar daí a força!

Ela olhou pra mim com um sorriso meio malicioso e disse.

- Então vem...

Sorri, e então subi em cima dela, beijei-lhe o pescoço e fui puxando a levemente para fora da cama. Tomamos banho, e em seguida fomos tomar café. Depois do café, seguimos direto para a estação.

Por mais que o tempo passasse meu coração estava acelerado, e eu estava eufórica. Acho que finalmente consegui ser feliz de verdade. Sempre fui uma garota tão fria, fechada, sem amigas, sem objetivos... Quando a conheci, foi quando realmente vi que minha vida começou de verdade. Tenho muito que agradecê-la.

O Trem chegou, entramos e nos sentamos de mãos dadas. Chegamos a estação do colégio, e então seguimos com os passos um pouco mais acelerados. Normalmente chegávamos um pouco mais cedo, e achamos que estávamos atrasadas. Chegamos ao colégio, os portões já estavam abertos e havia um pouco de movimento lá dentro. Seguimos então para um lugar onde não havia muita gente. As outras alunas passavam, olhavam, cochichavam... E nós ali, de mãos dadas, inocentemente conversando.

O sorriso não sai do meu rosto, meu coração já se acalmara. Mas o sentimento dentro de mim era tão diferente para mim. Sentia-me renovada. À vontade era de beijá-la ali mesmo. Mas infelizmente se o fizéssemos seriamos expulsas. Eu não me importaria, mas não quero atrapalhar os estudos de Sany.

O sinal tocou, nos despedimos e seguimos para nossas salas.

Depois de aulas cansativas, o sinal para o intervalo tocou. Sai da sala, e fui me encontrar com Sany. Chegando no pátio onde nós costumava-nos encontrar, mas não a vi lá. Achei estranho e comecei a ficar preocupada. Fui ao lugar onde quase ninguém ia, para ver se estava por lá. Chegando lá, a vi rodeada de garotas falando e falando. Fechei a cara, e friamente fui enfrentá-las.

- O que está acontecendo aqui?

- Nós só estávamos falando para sua namoradinha que já sabemos do caso de vocês duas.

- E por acaso acham errado duas pessoas se amarem?

- Não, mas sim duas pessoas do mesmo sexo.

Minha cabeça começou a ferver de raiva. Minha vontade era de dar um soco naquelas menininhas, filhinhas-de-papai.

- Então vieram aqui falar que tem preconceito... E que não vão aprovar nosso caso, é isso?

- Exatamente.

- Pois fique sabendo que não precisamos da sua aprovação, e da aprovação de ninguém para ficarmos juntas.

- Mais estarão muito encrencadas se a diretora souber...

Comecei a ficar cada vez com mais raiva, por nossa situação em risco por causa de seus pensamentos preconceituosos? Queria matá-las ali mesmo, não ligava de ser presa, desde que Sany esteja bem.

- Então vocês vieram aqui só para acabar com a felicidade de duas garotas que se amam?

- Sim.

- Qual é a graça que você vê em fazer isso?

- Não sei, acho que não tenho nada melhor para fazer.

- Talvez você devesse arranjar uma vida pra poder cuidar, em vez de cuidar de nossas vidas!

Peguei a mão de Sany e sai correndo, sem que elas nos visse entramos no banheiro e nos trancamos no ultimo boxe.

- Sany, você está bem?

- Estou sim... – Ela estava chorando.

Tentando acalmá-la dei-lhe um selinho, e a abracei.

Ficamos ali até o sinal soar. Voltamos para a sala. Quando o sinal do fim da aula tocou, peguei minhas coisas o mais rápido que pude e fui buscar Sany em sua sala. Ela estava na ultima carteira perto da janela, arrumando o material atrapalhadamente.

- Sany, o que foi?

Disse chegando perto para ajudá-la.

- Eu estou com medo Yunna! E se aquelas meninas falarem alguma coisa com a diretora? – Disse ela me olhando amedrontada, com olhos lacrimejantes.

- Fique tranqüila Sany, seja lá o que elas pretender fazer, elas não têm provas. E se tivermos que enfrentar a diretora, enfrentaremos juntas.

Ela me olhou com os olhos um pouco mais tranqüilos, enquanto uma lágrima escorria no seu rosto. Coloquei as mãos na sua face, secando as lágrimas.

- Eu te amo Sany, não deixarei que nada de ruim aconteça com você.

- Obrigada Yunna! – Ela me abraçou com força, como se pedisse apoio. Seu coração estava disparado, ela colocou a cabeça no meu ombro enquanto acariciava seus cabelos.

- Vamos enfrentar isso juntas Sany. – Sussurrei.

Descemos para ir embora, e encontramos com aquelas filhinhas-de-papai, paradas de um lado do portão, encarando-me.

As olhei com olhar de desprezo, e vi a “chefona” engolir constrangida, enquanto passávamos de mãos dadas em direção a estação.

- Sany, você quer ir dormir na minha casa hoje? Estou com medo de deixá-la sozinha em casa.

- Não precisa Yunna, eu não quero incomodar, eu ficarei bem em casa.

- Você não incomoda Sany. Eu quero ficar com você, por favor...

- Ok, ok. Eu vou. – Ela sorrio.

Fomos para minha casa. Tomamos um banho, e em seguida fomos dormir. Foi um dia bastanta amedrontador, digamos assim.

Abracei-a para que não tenha mais medo de nada, perto de mim você estará segura, querida Sany.

Notas finais
Esse ficou maior que o outro *-*'~
/apanha