Dear Love
9 Capítulo 9
No final daquele lindo dia no parque, fomos para nossas respectivas casas. Essa noite não dormimos juntas. O que foi um pouco estranho admito. Tinha me acostumado a passar noites inteiras dormindo ao lado da pessoa mais importante pra mim, e acordar cedo só para ficar olhando ela dormir. Dormi até bem para quem está longe do seu amor. Mais continuei acordando cedo. Mais cedo do que de costume.
Levantei, peguei meu celular, ainda eram 3:13 da manhã. Cedo, muito cedo. Depois de ver que horas eram, eu cai na cama, e ali fiquei por uns 40 minutos, olhando para o teto branco-amarelado e pensando no dia perfeito que tinha passado, e os outros momentos perfeitos que tive desde que Sany entrou em minha vida. Até decidir ir tomar um banho. Estava cansada, mais não conseguiria pegar no sono de novo. A vontade de ver Sany era tão grande que eu nem conseguia dormir. Peguei uma roupa qualquer, era sábado e felizmente não tinha aula. Fui para o banheiro e me olhei no espelho. E falei comigo mesma.
- Como Sany conseguiu gostar de mim? O que eu tenho demais para ela ter se interessado...? – Eu olhei para mim mesma. Não conseguia acreditar que Sany conseguiu olhar pra mim com outros olhos, sentir por mim uma coisa diferente do que ela sentia pelas amigas. Não acreditava que ela conseguiu me amar.
Olhei dentro dos meus olhos diante daquele espelho. Sim, havia brilho em meu olhar. Desde que conheci Sany, ele está assim. Brilhando como uma estrela, como o reflexo do luar numa lagoa. Um brilho que nunca antes tinha visto nesses olhos castanhos tristes. Um olhar que até então só refletia tristeza, e agora reflete os sentimentos de alguém apaixonado.
Nunca imaginei viver um momento assim. Nunca imaginei que veria cores ao amanhecer. E que veria a noite como uma coisa bonita, e não um sinônimo de tristeza e melancolia.
Passei a ver um mundo de outro modo. Passei a ver um lado da vida, sentir e viver algo que para mim era desconhecido. Inalcançável. E descobri que até mesmo eu que nunca tinha sentido a felicidade, podia um dia alcançar meu objetivo, e me sentir viva, feliz e radiante. Poderia sentir o vento em meu rosto, a garoa, e sorrir. Mas que eu consegui, finalmente, graças a Sany.
Meu coração palpitava em lembrar do seu sorriso. Do seu beijo, dos seus olhos direcionados aos meus.
Já não agüentava mais esperar para vê-la. Mas tinha que esperar, afinal, ela nem deveria estar acordada ainda. Então entrei para o chuveiro. Coloquei numa temperatura razoavelmente quente. E entrei. E enquanto a água morna escorria pelos meus cabelos até o chão, eu fechei os olhos tentando relaxar. Afinal, com toda aquela confusão com aquelas filhinhas de papai que tentavam estragar a felicidade alheia por mera teimosia. Simplesmente me deixava muito nervosa. E precisava realmente relaxar. Eu abri os olhos e visualizei os ladrilhos com desenhos de pequenas flores cor de rosa, e galhos que davam a sensação de balançar com o vento. Depois de alguns minutos debaixo dali, me lavei e sai finalmente do boxe. Coloquei a roupa. Uma calça jeans preta e uma camiseta branca com um arco-íris estampado. Sai do banheiro e abri a janela do quarto, que estava incrivelmente abafado. O céu ainda estava escuro, mais bem ao longe no horizonte podia se ver um pouco da luminosidade do sol que se forçava a sair. Não sei quanto tempo fiquei ali parada em frente a janela, admirando o horizonte sem sol. Que agora, alguns minutos depois, o sol já estava metade para fora. Quando percebi que estava plantada na janela a algum tempo, comecei a arrumar a cama. Guardei as roupas que estavam jogadas ao chão e desci para preparar meu café da manhã. Minha mãe ainda não estava acordada, fiquei aliviada, confesso. Não gosto de encará-la. Ela sempre tenta fazer o papel da mãe que nunca foi pra mim. Parece que tenta consertar o estrago que já fez em mim.
Abri a geladeira procurando algo que possa ser chamado de café da manhã. Achei um saquinho de leite, e uma caixa de cereais no balcão de mármore. (Sim, minha casa era uma casa estilo ocidental. Minha mãe não agüentava viver numa casa estilo oriental.) Peguei os cereais e o leite e coloquei na mesinha de centro que ficava entre a TV e o sofá. Depois voltei para cozinha, peguei uma tigela e uma colher e voltei para sala. Liguei a TV no canal de notícias e coloquei os cereais e o leite na tigela. Depois de alguns minutos enrolando pra comer, eu levantei e levei a tigela para a pia, aproveitei e lavei tudo que estava lá dentro. Depois guardei o cereal e o leite e subi para terminar de me arrumar para ir buscar Sany. Não tínhamos planejado nada para hoje. Então pensei em irmos ao supermercado para fazer as compras aqui pra casa e depois sairmos para algum lugar que ela quisesse ir. Então subi e calcei meus all star preto. Peguei meu celular que estava ao lado do computador e minha blusa de frio preta, e sai do quarto. Tranquei a porta do quarto como habitual e guardei a chave em um vaso que tinha ao lado da porta. Desci discando o telefone do celular de Sany. Já eram 7h22 e provavelmente Sany já estaria acordada a essa hora. Peguei meu chaveiro e dinheiro para fazer compras e sai de casa. Não arriscaria dar de cara com minha mãe essa hora da manhã reclamando por estar com ressaca. Sai e fui andando pelo quintal em direção ao portão, em um caminho feito de pedras no chão, que guiavam até o portão preto. Estava com o celular ao ouvido esperando que ela me atendesse. Estava abrindo o portão quando finalmente ela atendeu.
- Alô? Yunna? Oi!
- Oi meu amor! Te acordei?
- Não não. Já estava acordada a algum tempo. Acabei de sair do banho.
- A sim.
- O que vamos fazer hoje? – Perguntou ela empolgada.
- Era isso que eu ia perguntar. Eu preciso fazer umas compras no supermercado porque a geladeira da minha casa esta vazia. E sei que se eu não fizer as compras, minha mãe é que não vai fazer.
- Hm, então pode me buscar na estação daqui alguns minutos? Ai nós podemos ir no supermercado ai perto e poupar o dinheiro da sua passagem.
- Tudo bem! Eu já sai de casa, não quero dar de cara com a minha mãe. Provavelmente ela está de ressaca de novo.
- Ela bebeu de novo?
- Eu não ouvi nada ontem à noite. Provavelmente já chegou em casa bêbada. Mas tudo bem.
- Então eu estou saindo daqui agora está bem? Devo chegar ai daqui uns 30 minutos.
- Tudo bem, eu vou passar na loja de doces agora.
- Vai comprar bombons?
- Vou sim, estou com uma vontade imensa de comer chocolate. Aliás, qual você mais gosta?
- Eu gosto de bombom de morango e de cereja! São meus preferidos.
- Então tá bom, te vejo daqui a pouco. Te amo Sany. Beijo.
- Também te amo, beijo.
Desliguei o celular e guardei no bolso da blusa. E fui em direção a loja de doces. Que ficava na esquina do quarteirão. E entrei na loja, a decoração era harmoniosa. Tinham corações rosa e vermelhos espalhados por toda loja. Corações de pelúcia na vitrine. O que me deu uma idéia muito boa. Perguntei para a vendedora se tinha bombons com recheio de morango e cereja. E pedi para colocá-los em uma caixinha de presentes. Uma caixinha vermelha com um laço marrom que dava um efeito bonito. Comprei outros bombons de outros sabores para comer no caminho. Paguei e sai da loja. Fui direto para a estação, que não era tão perto assim. Uns 15 minutos depois cheguei na estação. Não estava com pressa então não andei rápido. Cheguei lá e para não ter que pagar uma passagem para passar das roletas e esperar Sany quando sair do trem. Eu me apoiei ali mesmo numa parede de onde eu conseguia ver todos que desembarcariam do trem e comi alguns bombons. Fiquei ali por uns 10 minutos até avistar Sany saindo do trem. Acenei para que ela me visse. Então ela veio correndo e me abraçou. Um abraço rápido, não gostávamos de expor muito nossa relação em público. Saímos então de mãos dadas na direção ao supermercado. Que por sua vez, não era muito longe dali. Assim que chegamos ao supermercado fomos em direção a área de gelados, bebidas, etc. Como nós também não somos de ferro, compramos alguns refrigerantes. Duas garrafas pra ser mais exata. Então seguimos andando pelos corredores apanhando comidas nas prateleiras, yakisoba, pão, temperos, macarrão, molho, sushis em bandejinhas, molhos, etc. Pegamos tudo que precisávamos e fomos em direção ao caixa. Depois de alguns minutos de espera finalmente conseguimos pagar e sair dali, carregando várias sacolas.
E voltamos para minha casa. Chegando lá, ainda não havia sinal da minha mãe. Provavelmente ainda estava desmaiada na cama com dor de cabeça e sérios problemas emocionais. Pegamos as compras e Sany me ajudou a colocar tudo em ordem. Então finalmente saímos de casa. Ainda não sabíamos o que íamos fazer. Fomos então caminhando pela calçada em direção ao metrô, pensando no que poderíamos fazer. Poderíamos alugar um filme. Ou ir ao cinema. Shopping ou em um lugar bonito e confortável de ficar. Mas como era sempre eu que na maioria das vezes escolhia o destino. Deixei Sany escolher o que fazer.
- Você escolhe.
- Maiis eu não sei! – Ela fez uma cara de criança birrenta e olhou pra mim como se eu a fizesse chorar.
- Ah! Não faz essa cara vai! Você sabe que eu não resisto. – Nós rimos. Eu coloquei meu braço em volta de seu pescoço a puxando pra mais perto de mim. Seguimos andando então. – Hoje é sua vez de escolher o que fazer. Não adianta fazer essa cara fofa, você não vai conseguir nada.
Fiz uma cara de má. Como se a obrigasse a escolher. Por fim decidimos ir para uma praça que tinha perto da casa de Sany. Primeiro passamos em uma loja para comprar refrigerantes e algum lanche para nós. A praça era bonita. Tinha grandes árvores com flores rosa — bebê que dançavam com o vento. Vários bancos de madeira escura, que ficavam em volta de um lago central. Era harmoniosa e muito aconchegante. Sentamos então na grama e pegamos nosso lanche. Ficamos olhando o movimento da praça e o balançar das árvores com o vento. Ficamos ali muito tempo, deitadas na grama após o lanche. O único problema era que não podíamos nos beijar ali. A praça era perto da casa de Sany, e ela conhecia muitas pessoas ali.
Depois de muito tempo deitadas ali apenas observando o que estava ao nosso redor. Levantamos e decidimos ir para a casa de Sany. Depois de andar quatro quarteirões chegamos a casa de Sany. Não havia ninguém lá, o que era muito bom, confesso. Não que eu não gostasse da mãe dela...Mas eu realmente preferia assim. Pegamos alguns filmes e ficamos ali o resto do dia, deitadas na cama dela. Até que pegamos no sono. Juntas novamente... Como é bom dormir com ela ao meu lado.
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