Dear Kurt
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Assim que chegou na escola, Kurt correu para o seu armário. Estava atrasado novamente. Pelo menos aqueles brutamontes estavam na aula, tinha menos chance de ser atingido por um deles.
Quando puxou seu livro de espanhol, um envelope caiu no chão. Abaixou-se para apanhá-lo do chão, e o olhou curiosamente. Não lembrava de ter guardado um envelope no seu armário.
E se fosse algo da NYADA? Será que algum professor tinha assistido seus vídeos cantando? Rachel ia se morder de inveja. Mas... Não tinha nada escrito no envelope.
Enfiou na bolsa junto de seu livro e correu para a sala de aula. Mr. Schue iria perdoá-lo.
- Com licença... – Disse ao entrar na sala de aula. – Me desculpe pelo atraso.
- Estava dando a bunda, princesinha? – Gritou um garoto do fundo, fazendo todos rirem.
- Já chega, classe! Estou cansado dessas piadinhas idiotas! – O professor explodiu. – Sente-se, Kurt.
- O-Obrigado. – Sussurrou, as lágrimas querendo sair.
Sentou o mais longe possível daqueles idiotas. Logo que o professor virou-se para o quadro, Kurt tirou o envelope da mochila. Abriu cuidadosamente, tirando uma folha dobrada de dentro.
“Querido Kurt:
Você pode achar que sou louco, mas eu estou completamente apaixonado por você.
Já fazem algumas semanas que estudo aqui, mas acho que você nunca me notou. Não lhe culpo, afinal, passo maior parte da manhã matando aula no banheiro.
Não exatamente. Eu gosto de estudar, mas eu odeio as pessoas. São todas estúpidas e preconceituosas. No meu primeiro dia de aula fui jogado contra um armário, e não foi uma coisa tão legal.
Sei que você sofre praticamente todos os problemas que sofro também. Pessoas te maltratam por causa da sua homossexualidade, e isso é algo ridículo. Você é uma pessoa maravilhosa, não entendo como podem fazer isso com você.
Sempre tive muita vontade de ir falar com você, mas nunca tive coragem. Fui desenvolvendo essa paixão retardada apenas ao te espiar no banheiro (apenas te via se lavando, não espiava quando você ia fazer suas necessidades) e ouvir suas conversas com Cedes. É, assumir que está apaixonado por meio de uma carta é meio estúpido hoje em dia. Sem contar que você nem sabe que eu existo.
Odeio vir para a escola, e tenho certeza que você também não gosta. Mas acho que podemos nos ajudar, e fazer dessas horas que passamos aqui na escola a melhor parte do dia.
Quando alguém jogar um slushie em você, pode me pedir ajuda, tudo bem? Não precisa chamar Mercedes. Ah, por sinal, foi ela quem colocou essa carta no seu armário (ela ficou super animada ao saber que gosto de você).
Adoraria ser seu amigo, você não faz ideia.
Com amor, B.”
- B.? – Kurt exclamou, atraíndo olhares.
- Algo errado, Kurt? – Mr. Schue perguntou para o aluno.
- Sim, eu gostaria de ir ao banheiro.
- Pode ir. – O homem abriu a porta, e Kurt saiu correndo da sala.
Foi para o banheiro o mais rápido que pôde. Queria muito saber quem era esse garoto misterioso. Ninguém nunca havia se apaixonado por ele, dá pra acreditar?
Entrou no banheiro, e foi abrindo as portas das cabines, uma por uma, até chegar na última. Quando empurrou a porta, um garoto moreno o olhou com os olhos cheios de lágrimas.
Ele estava usando uma camisa listrada, gravata-borboleta e suspensórios verdes, uma calça branca justa e... Uma grande quantidade de gel.
- K-Kurt? – Ele limpou as lágrimas com as costas das mãos.
- B.? – Kurt falou sem fôlego, estava com a respiração um pouco descontrolada por ter corrido.
Blaine sorriu fraco antes de se levantar.
- Blaine Devon Anderson. — O moreno esticou a mão, mas Kurt o puxou para um abraço.
- Não chore, baixinho. Eu adoraria ser seu amigo.
- Você plagiou essa frase de mim! – Blaine riu, os braços ao redor da cintura de Kurt.
K&B
Os meses se passavam rapidamente, e a amizade de Kurt e Blaine crescia cada vez mais. Agora eles eram melhores amigos, e enfrentavam o bullying juntos.
Às vezes Kurt precisava cancelar algo com Mercedes para sair com Blaine, mas a negra não se importava. Ela queria muito que os dois ficassem juntos – sempre que os dois apareciam juntos ela gritava “Klaine!”, o que fazia ambos corar, mas sorrirem como loucos.
Naquela tarde tinham combinado de terminar o trabalho de biologia na casa de Kurt, mas uma tempestade começou. O castanho achou que Blaine não ia aparecer, mas o barulho da campainha fez ele mudar de ideia.
Kurt abriu a porta, encontrando um Blaine encharcado. Puxou o moreno para dentro de sua casa, o levando para o quarto.
- O que diabos você está fazendo, Kurt?
- Você precisa de um banho! Não quero que fique resfriado. – O mais velho respondeu, escolhendo algumas roupas em seu closet.
- V-Você vai me dar banho? – Blaine perguntou, e quase pôde ver Kurt corando, mesmo ele estando de costas.
- Não, seu bobo. – Ele jogou algumas roupas para o moreno. – Acho que essas servem em você.
...
Kurt rolava de rir na cama, enquanto Blaine estava parado na porta, de braços cruzados. Aquilo não tinha graça.
- Você... Ai meu Deus, você parece um palhaço com essas roupas, baixinho! – Kurt gritou, soltando uma gargalhada ainda mais alta.
- São suas roupas! E eu não sou baixinho! Você que... É alto demais, seu idiota. Agora pare de rir e vamos fazer a droga do trabalho.
- Tudo bem. – Os dois sentaram na cama de Kurt, com as pernas cruzadas. – Me desculpe, Blaine, mas você realmente-
- Eu entendi. – O moreno interrompeu, revirando os olhos. – Hey, você percebeu que hoje faz um ano que começamos a conversar?
- Que você me mandou aquela carta. – Kurt sorriu apaixonadamente, folheando o livro da escola.
- Que eu estou apaixonado por você. – Blaine respondeu rapidamente, sem nem perceber o que havia dito. Quando percebeu, olhou para Kurt, que estava com uma sobrancelha arqueada. – Que eu... Me apaixonei por esse livro, ele é muito bom. – O moreno levantou seu caderno.
- Blaine, isso é o seu caderno. – Kurt mordeu a bochecha para não rir do estado que o amigo estava — totalmente corado.
- É? Então... Parece que você me pegou... – Disse sem graça, rindo de cabeça baixa. – Mas eu não tinha nada para esconder, eu citei naquela carta, e acho que você já tinha percebido a maneira que eu-
Blaine foi interrompido pelos lábios de Kurt sobre os seus. Droga, ele estava esperando por esse beijo desde que vira o garoto pela primeira vez. Os lábios dele eram ainda mais macios do que ele imaginava, e – para um primeiro beijo – suas bocas estava encaixando muito bem.
- Fique quieto, Blaine. Você fala demais quando está nervoso.
- Mas-
Kurt o beijou novamente.
- Shh. Está tudo bem. Você não percebeu ainda?
- O quê?
Mais um beijo.
- Eu estou totalmente apaixonado por você.
- Você... Oh meu Deus, isso é sério? – Perguntou, tapando sua boca com as mãos.
- Ah, meu querido Blaine. Estou começando a duvidar de sua inteligência. – Ambos riram. – Eu te amo. Muito.
- Eu também te amo. – Os dois se abraçaram. – Você quer ir no baile de formatura comigo?
- Achei que nunca perguntaria. – Kurt sorriu. – Com uma condição.
- Qualquer coisa.
- Posso ir como seu namorado?
Blaine beijou o “amigo”.
- Isso responde sua pergunta?
Agora namorado. Talvez eles não precisassem daquele trabalho estúpido. Só queriam aproveitar enquanto Burt não estava em casa.
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