Dear Harry
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Dear Harry
Querida Harry,
Desculpe-me por não ter ido lhe visitar no dia do seu aniversário, mas por que logo Toronto? Não tinha lugar mais longe para passar essa data?
De qualquer forma: sou seu irmão e sinto saudades!
Oh! Sim! Vai tudo bem comigo e com Sherlock. Lembra-se dele? Meu parceiro, dividimos um flat em baker street.
Em fim: Feliz aniversário Harry!
Sito sua falta,
J.W
A mulher de cabelos longos e loiros riu ao terminar de ler o cartão de aniversário. Olhou mais uma vez o cartão, que claramente foi comprado às presas em uma lojinha de conveniência, e se deu ao luxo de rir mais uma vez, oras! Ela sentia falta de seu irmão! Ela tinha o direito de sentir saudades de John! Não o via já algum tempo e agora essa: Parceiro? Passou seus olhos azuis mais uma vez pelas letras de forma de John, tinha que ter certeza que leu certo. Parceiro! Sim, lá estava! John tinha um parceiro! Que coisa maravilhosa! Seu irmãzinho havia arranjado alguém! Ela precisava conhecer esse Sherlock de quem ele falava. Não era a primeira vez que lia ou ouvia falar seu nome, sabia muito bem que ele era. O Detetive que sempre aparecia nos Jornais.
O detetive e o medico blogueiro.
Bom, era ele! Não é?
O homem de quem John sempre falava em seu blog. Sherlock Holmes.
Harriet lia o blog de seu próprio irmão! Ela não era tão desnaturada a esse ponto! A medida do possível ela o acompanhava a distancia, lendo noticias e seguindo seu blog. Não havia muito que fazer, John era certinho de mais e estava chateado com ‘lances relacionado a álcool’. Por mais que pensasse que isso era bobagem da cabeça do irmão, tinha que concordar que ele estava — um pouco — certo. Já há algum tempo tinha arranjado consolo na bebida.
Ah doce liquido entorpecente! Quando bebia exageradas doses era a companhia ideal para esquecer todos os seus problemas!
Cada um deles!
Mas Harry sabia que seu ‘assuntos alcoólicos’ não era o tema mais importante no momento e sim, o novo amor de seu irmão. Sherlock Holmes. Porque ‘parceiros’ significa ‘namorados’, Não é?
John e Sherlock estavam saindo, não é?
Isso é o mais óbvios para se pensar, não é?
Já ficara tempo de mais longe de seu John, precisava vê-lo, reencontrar seu irmão! (E seu mais novo namorado também)
Estava de malas prontas para voltar para Londres! Mais especificadamente: ver seu querido John na 221B da Baker street!
~*~
John estava encarando-o e ele o encarava.
Como sempre.
Isso já havia se tornado normal, encarar um ao outro por longos minutos sem nada para dizer.
Sherlock estava entediado, deveria estar testando alguns reagentes químicos com sangue humano, mas em vez disso estava encarando seu amigo. Era sempre assim: Olhares gritantes e muito a ser dito, mas nem uma palavra pronunciada. Isso deveria o irritar muito, mas por sorte ele amava observar o loiro. Segui-lo com os olhos e anotar mentalmente sua reação.
Observa-lo era... Fascinante!
John era fascinante!
“Eu preciso de meus cigarros John”
“Nada de cigarros Sherlock! Isso faz mal para seus pulmões!”
“Pulmões são chatos! Estou entediado!”
“Não Sherlock! Nem eu nem a Mrs. Hudson vamos falar onde escondemos!”
“Você escondeu na sua poltrona não é? Você é idiota e provavelmente escolheria um lugar obvio!”
“SHERLOCK!” O medico o repreendeu com raiva. “E... eu... não... escondi... na poltrona!”
“Há! Esta na poltrona! Saia daí John!” O detetive tentou puxa-lo do acento, mas o loiro resistiu.
“SHERLOCK EU NÃO VOU TE DAR!!” O moreno tentou mais uma vez tira-lo da li, puxando-o pela cintura. John dessa vez resistiu com mais força então o maior acabou caindo sobre si.
E por azar (ou sorte) do destino Mrs. Hudson abriu a porta do apartamento de ambos deixando entrar sua mais nova visitante:
Harriet Watson. Sua irmã gargalhava com a sena, já a senhora ao seu lado morria de constrangimento (e felicidade).
“É amm...” Balbuciou o detetive ainda em cima do menor. “Não é um bom momento para receber clientes. John recomponha-se!”
“Haha, ora isso se percebe!” Ela pousava as mãos sobre a boca para esconder a risada.
“Sherlock... essa não é uma cliente... Conheça minha irmã: Harry!” O detetive a olhou novamente: altura consideravelmente baixa, cabelos loiros que lembravam o tom da areia, olhos azuis. Parecia-se muito com John.
“Prazer conhecê-lo Sherlock!” Ela abriu um sorriso encantador semelhante ao do seu Watson. “Acho que cheguei a uma hora ruim. Talvez seja melhor eu voltar mais tarde e deixa-los terminar seus... assuntos”
“HARRY NÃO É O QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO!” Exclamou o pobre John naufragado em desespero e constrangimento.
“Todas as frases mentirosas começam com: Não é o que você esta pensando”. Ela riu ainda mais, estava se divertindo muito com a situação.
“Sua irmã tem razão John. Normalmente pessoas mentirosas costumam usar essa frase como justificativa. Mesmo não sendo muito efetiva” Constatou Sherlock ao sair de cima do loiro, caminhando até a jovem mulher para complementá-la.
“EU NÃO SOU GAY!!”
Sherlock nada disse, mas harry e a Mrs. Hudson gargalharam.
“NÃO RIAM! Foi um acidente!”
“A o que devemos sua visita?” O moreno perguntou.
“Semana retrasada foi meu aniversário, mas eu estava no Canadá então não pude ver meu irmão. Então, duas semas depois: aqui estou eu!” Ela sorriu e levantou os braços em sinal de entusiasmo. “Mas pelo jeito minha chegada foi inoportuna!”
“Não faças piadinhas Harry!” John a repreendeu.
“Minha nossa! Mal venho te visitar e já levo bronca! Seu meio-metro!”
“Não me chame de meio-metro! São três centímetros de diferença!”
“Mesmo assim sou maior! Seu Tyrion!”
“Eu o que?!”
“É um anão de game of thrones!”
“Eu não sou anão! E eu também não assisto isso ai que você falou!”
“Sem cultura!”
“Desocupada!”
Enquanto isso o moreno apenas observava a sena com um discreto sorriso. Pelo visto a visita inesperada seria algo muito produtivo, nem sequer vinte minutos ela havia chegado e John já tinha mostrado um lado infantil e casual que Sherlock podia jurar que não existia. Analisar sua paixão platônica, porem completamente secreta, em tais situações seria no mínimo... Instrutivo.
~*~
Harry estava na cozinha do Flat conversando com Mrs. Hudson, já que alguém chamado Lestrade (um inspetor da policia ou algo assim) havia chamado os dois para um caso, então, sem pestanejar, John a abandonou e foi seguir Sherlock. Ela bem que tentou acompanha-los, mas o que poucos sabiam é que John é um irmão superprotetor. Por isso vivia brigando e desaprovando as atitudes dela, e agora graças a isso ela foi obrigada a se confinar em uma cozinha com uma senhora muito simpática para conversar sobre chá!
Harriet se perguntava se em algum momento da vida ela já quis tomar um porre tão grande como ela queria agora. Ah... O que ela não faria por um gole de Gim!
“E então querida, acho muito bom você ter vindo visitar John. É muito bom ver a família!”
“Hãm? Ah sim é sim! É muito bom saber que ele está bem com... Sherlock... também...”
“Você quer me perguntar se eles são um casal não é?” A senhora perguntou sorrindo. “Vamos querida pegue mais um biscoito!” Ela empurrou o prato na mesa para mais perto da loira. “A resposta é sim! Agora se eles estão juntos... Bom, infelizmente não!” Harry olhou-a sem compreender. Como podiam ser um casal, mas não estarem juntos?
“Hã?”
“Bom eles são muito próximos e agem como um casal, sempre com muita intimidade. Eu acho que meus menininhos se completam!” Ela deu risadinhas “Mas como nem tudo na vida são flores, eles insistem em negar o que sentem um pelo outro! Chega a ser deprimente essa insistência que eles têm. Queria tanto que tudo se resolvesse entre os dois...” Agora a loira compreendia muito bem o que ocorria. John amava e era amado, mas por meros empecilhos estavam fadados nunca demonstrarem esse amor. Empecilhos os quais apenas existiam na cabeça dos dois. Como sua irmã ela não podia deixar isso acontecer! A felicidade de John era prioridade! Estava decidido: ela iria juntar os dois! A grande Harriet Watson atacaria de cupido!
~*~
Já era a madrugada do dia seguinte quando os dois chegaram exaustos na 221B da Baker Street e John apenas queria tomar um banho, tirar toda aquela lama de seu corpo e ir dormir.
“E então, Rapazes? O que aconteceu de bom?” Ela perguntou.
“Fomos perseguidos pelo assassino de aluguel em um terreno lamacento. Pobre homem, mal ele sabia que John tem uma mira excelente!” Ele sorriu de canto para o loiro. “Ou quase. Ele errou um dos tiros e depois acertou a perna do assassino. Mas pelo menos o pegamos!”
“Eu não errei! Nós estávamos correndo no meio da lama!” John defendeu-se “Eu não estou a fim de discutir com vocês. Vou tomar banho e ir para meu quarto!”
“Bom, quanto a isso John... Ficarei no seu quanto, então até minha visita acabar você dormirá com Sherlock! Quero dizer: No quarto dele!”
“Mas o que?! Harry eu estou cansado! Eu preciso dormir!”
“Bons sonhos! No quarto dele!” Ironizou. “Ah, antes que eu me esqueça: hoje esta meio frio então peguei todos (os poucos) cobertores reservas, então você não vai poder forrar nada no chão para fazer uma cama improvisada! Durmam bem! ” E foi embora para o quanto de seu irmão deixando um detetive e um medico muito confusos e cansados na sala.
~*~
Ambos estavam no quanto do moreno John de pijama e Sherlock de... Oh não! Apenas de cueca! Mas que cena! Tudo o que o menor queria era descansar um pouco e agora isso! Como poderia dormir sabendo que dividiria o quanto com isso! Sherlock semi-nu! Se isso tudo não tivesse sido causado pela peste chamada Harry, ele poderia jurar que era mais um de seus sonhos. Mais um daqueles sonhos que ele tanto tentava esquecer. “Oh deus por que agora?!” Ele pensava enquanto tentava não encarar o corpo do outro.
“Eu sei o que você esta pensando” O mais alto pronunciou “Não. Eu não vou botar uma calça. Você sabe que eu durmo nu, inclusive esse meu habito já foi o agente causador de muitas das cenas que sei que você deseja esquecer, mas fiz um esforço e coloquei essa coisa para dormir. Então não reclame!”
“Eu Não disse nada.”
“Mas pensou! Se quiser pode dormir na cama”
“Não! O quanto é seu, a cama é sua. Eu durmo na sala.”
“Ambos sabemos que você vai morrer de frio antes que o dia amanheça. Eu durmo na ponta e você na outra.”
“Você não esta sugerindo que dividiremos a mesma cama? Esta?”
“Tem idéia melhor?”
“Não, mas...”
“Bons sonhos John! Não esqueça de apagar a luz do seu lado da cama.” O detetive deitou-se puxando o cobertor para si.
Com muita relutância o loiro deitou-se ao seu lado.
Alguns longos minutos se passaram e nem um dos dois consegui pregar os olhos.
“John? Você ainda esta acordado?”
“...Sim...”
“Oh bom, então não estou sozinho”
“Não...”
“Isso é um pouco amm...”
“Estranho?”
“Exatamente” O detetive virou-se para que pudesse ficar de frete para o outro. “Você quer dormir não quer?”
“Mas é claro que quero Sherlock! Mas... não consigo...”
“Oh, entendo. Mas tente assim mesmo.”
John o olhou com um rosto indignado. Resolveu ignora-lo e se virou de costas. Tentou forçar seus olhos a dormir e depois de incontáveis minutos de fracasso e pensamentos no moreno, adormeceu como uma pedra. Já o outro permaneceu acordado por horas observando o sono pesado do homem em seu lado, pensado em como compartilhar a cama com ele era prazeroso. Pensou em como queria ter a sorte de ver essa cena todas as noites.
Deveria agradecer a Harry por essa oportunidade maravilhosa.
~*~
John acordou de tarde sentido aquela maravilhosa sensação que apenas quem passa a noite com a pessoa amada pode conhecer. Não eles não haviam feto nada de mais nessa madrugada fria, apenas enquanto dormiam abraçaram um ao outro, ou melhor: John enfurnou-se entre os braços do moreno e este simplesmente não soube o que fazer, bom, não que ele quisesse fazer algo para impedi-lo, pelo contrário: abraçou-o e adormeceu tranquilamente sentido a respiração leve do menor sobre seu peito.
Ao acordar e deparar-se com a entranha situação que se encontrava, corou bruscamente, tentou separar-se do detetive sem ser notado, mas já era tarde de mais.
“John...?” O moreno disse seu nome em uma voz rouca e sonolenta abraçando-o em seus braços com um pouco mais de força.
Se as bochechas do loiro já estavam vermelhas antes, agora se encontravam no mais puro rubor. O que Sherlock pensou que estava fazendo abraçando-o daquele jeito?
“SHERLOCK!”
“JOHN!”
“O QUE VOCÊ ACHA QUE TA FAZENDO?!”
“Foi você que começou!”
“Não é isso o que parece! É melhor não falarmos sobre isso! Entendeu?!” John Advertiu.
“Tem razão” O moreno concordou. “Mas você chuta quando dorme!”
“Calado Sherlock!”
“E ronca um pouco também...”
“EU DISSE CALADO! Esquece o que aconteceu!” O menor saiu do quarto batendo a porta com força. Sherlock havia conseguido irrita-lo, e ele sabia muito o bem o porquê de tanto estranhamento e Oh, por deus! Os resultados foram melhores do que qualquer um que o detetive pudesse prever! Definitivamente Harry era a melhor coisa que havia acontecido na Baker Street em muito tempo!
~*~
O clima na mesa da cozinha era pesado: Os homens evitavam trocar olhares entre si e Harriet tinha que aguentar os olhares raivosos de seu irmão para consigo. Ela só tentou fazer o que achava certo! Forçar os dois a dormirem juntos! (Pareceu uma idéia muito plausível na cabeça dela)
“As torradas da Mrs. Hudson são muito gostosas!” Ela disse tentando puxar assunto.
“São torradas de pacote e geléia de potinho. Tudo comprado numa mercearia” John disse serio tomando cuidado para falar apenas o necessário e nada mais. Ele estava irritado com a situação.
“Mesmo morando na Inglaterra eu nunca fui a Millennium Whell...”
“E eu que moro em Londres também nunca conheci. Aquela fila é continental, não sei por que os turistas esperam tanto tempo para dar um passeio em uma roda gigante”
“Não seja rude John! Eu iria. Inclusive: todos vamos!” A loira anunciou com um sorriso no rosto.
“Não vamos não! Eu tenho que trabalhar!”
“Mrs Hudson disse que hoje você não faz plantão”
“Mas tenho que resolver casos com Sherlock”
“Vocês arranjaram algum cliente para hoje?” Virou-se para Sherlock.
“Ammm... Ah... Não”
“Perfeito! Então vamos todos sair!”
"NÃO!"
"Sim! John você me deve isso depois daquele cartão de aniversário frustrante que recebi!"
"Meu presente não foi frustrante!"
"Claro que foi! Passamos um longo tempo sem nos ver e você só me escreve aquilo? Mereço um presente descente!" Ela fez biquinho e fingiu-se de decepcionada, sabia que John nada podia fazer contra sua carinha de vítima.
"Ok. Se não se sentiu feliz com o meu cartão vou sair com você. Tudo bem?"
"Nós três veremos o rio Tâmisa!" Ela disse com um largo sorriso no rosto.
"Três?" Questionou Sherlock.
"Sim" Ela respondeu. "Nós três senhor Holmes!"
~*~
Pobre John, Pobre Sherlock: Obrigados a atender os caprichos de uma mulher complicada cheia de excentricidades. O detetive na imensa fila para um dos pontos turísticos mais concorridos de Londres se perguntava por que se sujeitou a isso. Aí se lembrou: Oh sim, John!
Harriet era esperta, pelo visto muito esperta. Há algumas horas ele havia percebido quais eram suas verdadeiras intenções. Não se irritou, achou uma atitude divertida. Esperava algo semelhante vindo de sua senhoria, mas da irmã de John? Harry realmente tinha iniciativas esquisitas.
"John chegamos tarde na fila e, portanto nossa vez vai demorar muito para chegar. Vá nos comprar café, por favor.”
"Por que eu Sherlock?"
"Porque foi sua culpa termos chegado tão atrasados!"
"Mas a culpa foi da Harry! Ela que demorou horas para se arrumar!"
"Sua irmã, sua culpa" Sherlock respondeu indiferente.
"Vocês dois estão mancomunados contra mim!" John protestou sem qualquer gota de esperança, Saiu da fila e foi procurar a cafeteria mais próxima.
~*~
"Vai ficar me encarando o tempo todo?" Harry perguntou. Os dois já estavam esperando John há alguns minutos. "Você quer me perguntar o que eu to tentando fazer com você e o John não é?"
"Eu sei o que você acha que esta fazendo"
"Você está zangado?"
"Não"
"Você concorda?"
"Não é uma coisa que se possa dizer sim"
"Mas também não me disse não. Então você concorda"
Mas alguns minutos e John ainda não chegou. A cafeteria deveria estar lotada, naquela hora sempre lotava.
"Você gosta dele?"
Sherlock se espantou com a pergunta. "Você é sempre tão inconveniente assim?"
"Porque você não deduz isso?"
"É sim. O tempo todo. E sempre dá um jeito mudar as coisas ao seu favor, mesmo que precise distorcer tudo..."
"Hey! Desse jeito eu pareço uma maluca!" Ela brincou.
"Eu não disse que isso era ruim. Acho que é por isso que John gosta tanto de você"
"Eu sei. Ele gosta de pessoas que tomam a iniciativa"
Sherlock a observou calado por alguns segundos. Ela tinha razão e o detetive sabia, na verdade sempre soube, mas nunca foi tão fácil quanto parecia.
“Você sabe que se John descobrir o que você esta fazendo ele vai ficar com muita raiva. De nós dois”
“Ele sempre ta com raiva de mim. ‘Trinta e oito anos e nem uma maturidade’. É o que ele sempre diz. Ah! Trinta e nove agora. Completei trinta e nove anos de irresponsabilidade. Parabéns pra mim!" Ela bateu palminhas e abriu um sorriso irônico. “E você? John anda te enchendo muito o saco?”
“Não posso dizer que não. Ele ainda reclama quando deixo partes de corpos humanos espalhados pela casa, ele diz que eu faço isso de propósito para irritá-lo. John nunca esteve tão certo! A cara de raiva dele não tem preço. Eu podia colocar tudo na geladeira, mas assim é mais divertido. Uma vez deixei globos oculares no quarto dele... A reação de John foi impagável”
Ambos riram e se divertiram muito contando fatos divertidos sobre John. A cada palavra do moreno Harriet apenas confirmava o que já sabia: Sherlock Holmes amava seu irmão. E se ele dissesse isso há John, o próprio não poderia negar seus sentimentos. Era tudo tão estupidamente simples! Porque eles precisavam complicar tanto?
"Sim” Sherlock disse. “A pergunta que você me fez antes... A resposta é sim”
“Qual pergunta? Eu lhe fiz muitas!”
“Aquela sobre eu... e John e bem... Oh, lá vem ele!"
O loiro chegou com três cappuccinos entregando dois deles à Sherlock e Harry.
"Então" Começou a puxar assunto. "Sobre o que falavam enquanto eu estava fora?"
"Planos de dominação mundial!" A mulher brincou.
"Haha! É sério! Me digam. Meu melhor amigo e minha irmã tanto tempo sozinhos é preocupante!"
"Ela me contava fatos curiosos de sua adolescência. Disse que você tinha mania de compra apenas cuecas vermelhas. Eu disse que você ainda tem essa mania"
John ficou constrangido. "Não falem sobre isso! E parem de reparar nas minhas roupas intimas! Os dois!"
Mas algumas horas e a noite caiu, pelo menos estavam perto de chegar.
"Harry me lembre de nunca mais te levar para um lugar desses. Não aguento mais esperar" Disse John.
"Nem eu! Eu preciso ir ao banheiro!" Ela disse pousando as duas mãos na barriga.
"Você quer deixar para outro dia?" John pergunta aflito.
"NÃO! Eu volto daqui a pouco! Aguardem-me na fila!" Ela piscou discretamente para o moreno "Vê resolve alguma coisa Sherlock!" E foi embora deixando um John muito confuso e alarmado para trás.
O tempo passou e Harry não voltou. A fila já havia chegado ao inicio e John já estava preocupado com sua irmã.
"Ela insistiu tanto para virmos aqui e agora foi embora. Preciso saber se ela está bem"
"John ela havia reclamado de cólica comigo" O moreno mentiu. "Não é uma boa idéia ir falar com ela agora. Vamos"
"Não podemos. Estamos aqui pela Harry”
"Já é nossa vez e ela não vai chegar a tempo... Se quando chegarmos em casa eu ter que ouvir como você desperdiçou seu dia nessa fila..."
O loiro suspirou insatisfeito "Ok, você me convenceu, vamos logo"
Haviam entrado em uma das cabines e agora observavam a paisagem juntos.
John se lembrou de um vez ter ouvido Harry falar que sempre quis vir na Millennium Whell com sua ex-noiva, mas nunca teve a oportunidade. Agora sabia o porquê: Tudo era realmente lindo, a vista de Londres lá de cima era maravilha, era tudo muito romântico...
"A cidade é linda vista de cima" Disse John.
"De fato. Principalmente de noite..."
"..."
"John"
"..."
"Sobre hoje de manhã..."
"Tudo bem Sherlock, aquilo foi um acidente"
"Não foi não John" O moreno se inclinou até que seu rosto ficasse da altura do de John e o beijou. No começo era apenas um roçar de lábios em que o loiro não participava, mas eis que ele passa a corresponder o gesto do outro.
Sherlock passou suas mãos pelo pescoço do médico que entrelaçou seus braços pela cintura do moreno.
Permaneceram com beijos leves e ternos e não notaram que a volta na roda gigante avia acabado. Só foram perceber quando um funcionário os chamou para descer da cabine e dar lugar à outro casal.
Ao saírem encontraram Harry do lado de fora.
Rindo
Agora John finalmente compreendera o ocorrido.
Era Harry o tempo todo:
No quarto, forçando-os a dormir juntos;
Na fila, tramando as escondidas com Sherlock ;
Fazendo com que dividissem um passeio romântico na roda gigante...
Como ele foi tão bobo por não ter percebido?
“John eu...” A loira tentou se explicar.
“Você mentiu pra mim. Quis bancar uma de cupido mesmo tendo a chance de estragar a minha amizade com Sherlock” Ele apontou para o moreno ao seu lado. “E você sabia Sherlock! Você sabia! Você também mentiu para mim! TODOS QUEREM ME FAZER DE BOBO AGORA?”
“John” O detetive segurou sua mão calmamente. “Quando estávamos lá em cima... Depois do beijo. O que eu te disse?”
“Você disse: John Watson. Acho isso um desperdício da minha inteligência, mas eu amo você! Com todas as palavras e idiotices de um bobo apaixonado, eu amo você! ”
“Você acha que eu menti?”
“Não... Repetir que me amar é uma idiotice foi algo um pouco cruel, mas você não é a pessoa mais empática do mundo! Isso é exatamente o que você diria.”
“Então concordamos que Sherlock ama meu irmão, mas é recíproco?” Ela perguntou com os olhos azuis brilhantes de excitação, dos três era ela quem mais ansiava pela resposta do loiro.
“Por Deus sim! É claro que eu amo! Mas nunca mais façam isso comigo de novo! Principalmente você Harry!”
A Watson mais velha riu. “Agora posso ver vocês se beijando de novo? Quero usar a câmera do meu celular!”
“HARRY!”
“Que foi?!”
~*~
Duas semanas haviam se passado e com elas o tempo de Harriet na Baker Steet.
De uma forma ou de outra ela não podia ficar ali para sempre! Estava na hora de dizer adeus...
Sherlock havia lhe dito tchau com um sorriso e um sincero 'muito obrigado', Mrs. Hudson havia se despedido com muitas lágrimas e pedido de retorno, agora faltava John, seu irmão, seu principal motivo por ter vindo.
"Então... Acho que vou para a Austrália dessa vez!"
"Nunca consegue ficar parada em um mesmo lugar não é?"
"E você? Consegue viver sem emoção por muito tempo? Nossa família nunca foi muito ‘caseira’ John"
"Vai demorar muito para voltar a te ver?"
"Depende de quando você vai enviar seu convite de casamento!"
"Sempre as mesmas piadinhas bobas..." O loiro ironizou.
"Dessa vez não foi uma piada" Ela riu e abraçou o irmão.
"Posso te perguntar o porque? Disso tudo sabe?" Ele a olhou com curiosidade.
"Eu pensei que soubesse. Você é meu irmão e eu te amo, quero tudo de bom pra você. Eu não queria que acabasse como eu: arranjando consolo em uma garrafa de bebida só por que seu romance não deu certo." Ela disse com lágrimas nos olhos. "É muito triste quando isso acontece John! Ninguém merece passar por isso! Eu sei que você me acha uma garota irresponsável que nunca consegue botar a cabeça no lugar e sei que você desaprova meu comportamento tão desapegado de tudo e de todos, mas no fundo eu só quero achar alguém! Igual a você que achou o Sherlock! Será que é pedir de mais?" Ela chorava e tentava secar as lágrimas com as pontas dos dedos. “Não é não. Você sempre foi a mais esperta dentre nós dois. Você vai achar alguém tão bom quanto!”
“Hahaha! Você pode ser um amorzinho quando bem entende! Só me promete uma coisa John: Quando eu encontrar alguém, se eu encontrar alguém, você vai fazer de tudo pra as duas fiquem juntas viu? Vai agir que nem a ‘maluquinha da Harry’ mesmo que eu comece a agir que nem o ‘mal-humorado do John’ Você vai inventar desculpas, ser tão pirado quanto eu nesse aspecto! Mas vai me ajudar viu?!”
“Eu vou sim. Assim que você achar alguém especial eu vou ser até mais chato e maluco que você! Juro que em menos de uma semana as duas vão casar!”
“Olha que eu vou cobrar viu! Eu preciso ir, meu táxi já chegou.” Eles se abraçaram mais uma vez e se despediram com essa promessa. A promessa de que inverteriam os papeis. Harry seria quem esta em busca do amor e John seria seu cupido atrapalhado...
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