Antes…
Naquela noite, estando na mina Ironsplinter, Richy, após finalizar sua conversa com Adie e travar a tela de seu celular, o deixou no chão e apalpou o ferimento em seu braço, que sangrava e doía, assim como seu coração, que se corroía com a dor do arrependimento e da frustração. Naquele momento, ele levantou seu olhar, que estava cheio de lágrimas, engoliu seco e suspirou. Em seguida, ele se levantou e seguiu até onde estava todas as coisas que ele usou para tornar seu disfarce mais convincente, incluindo a máscara do homem sem rosto. Ao se aproximar daquelas coisas, ele pegou a máscara e a encarou por um alguns segundos, percebendo que aquilo que ele acreditou que seria a solução, se tornou a sua ruína. A intensidade de sua dor lhe fez perder completamente a vontade de viver e, após colocar a máscara onde estava antes, ele pegou um galão de gasolina, que estava próximo, e o espalhou sobre aquelas coisas e ao redor. Em seguida, ele tirou do bolso um isqueiro da Roger 's Garage e o acendeu. Por alguns segundos, ele encarou a pequena chama do isqueiro, até que suspirou e o soltou no chão, dando início ao incêndio.
As chamas se espalharam rapidamente e a fumaça começou a lhe intoxicar. Após alguns instantes, seu corpo despencou, caindo sentado e ele tossia, enquanto sentia sua vida se esvaindo. Naquele momento, surgiram lembranças dos últimos dias. Hannah apavorada. O ataque a Jessy. Seus amigos escondidos naquela casa distante de Duskwood, também apavorados. As fotos que ele juntou de todos, incluindo as próprias. Estando com os olhos marejados, ele ficou cabisbaixo, enquanto mais lembranças surgiam. O momento em que seus amigos descobriram a arma na casa. Dan lhe atingindo com aqueles tiros, e quando ele revelou a verdade para Adie. Naquele momento, sua visão ficou turva e ele fechou os olhos. As chamas atingiram parte de suas roupas, mas suas forças se esvaíram e ele permaneceu indiferente à dor das queimaduras, já que acreditou que aqueles eram seus últimos instantes de vida. De repente, a dor desapareceu, juntamente com sua consciência.
Do lado de fora, os bombeiros já haviam sido acionados e a preocupação dos policiais era se manterem afastados, pois existia a possibilidade de uma explosão na mina. Por conta da fumaça, eles não notaram que um homem vestido de preto, encapuzado e usando uma máscara que tapava seu nariz e boca, entrou na mina. Aquele homem se aproximou de Richy e logo percebeu que as chamas atingiam a perna direita dele, o que o fez agir rapidamente. Ele arrastou Richy para longe das chamas e tirou seu próprio moletom para apagar o fogo da calça dele. Após apagar as chamas, que já haviam causado um grave ferimento na perna direita de Richy, ele notou um celular que ainda estava intacto, pois estava no local onde Richy estava sentado. Em seguida, ele pegou o celular, o guardou no bolso e começou a arrastar Richy para fora dali. Ele o arrastou para uma pequena passagem secreta, a mesma que o fez chegar até ali, dando-lhes a chance de saírem sem serem notados, mas quando estava prestes a passar pela saída, houve um tremor na mina que o derrubou, indicando o início de um desabamento. Naquele momento, ele precisou agir rapidamente, ou seria o fim para ambos. Ele arrancou a máscara de seu rosto, revelando sua identidade e era Brandon, que se levantou em seguida, estando ofegante. Ele envolveu seus braços por debaixo das axilas de Richy e continuou puxando-o para longe dali. Depois de alguns minutos, Brandon, que já estava extremamente exausto, caiu sentado, amparando o corpo de Richy. Ele respirava pesadamente e, ao olhar a sua volta, notando de onde a fumaça subia, percebeu que estavam consideravelmente distantes da mina e dos policiais, o que lhe permitiu respirar aliviado.
Agora…
Após escutar as palavras de Private, Jake se irritou.
(Jake) — Porque você simplesmente não aceita que eu não tenho mais disposição para ouvi-lo?! Abra logo essa porta e me deixe partir em paz!
(Private) — Não! Entenda que você jamais ficará em paz, se não souber o que realmente aconteceu.
(Jake) — E o que mais eu preciso saber?! Já ficou claro que eu sou o único que está totalmente vulnerável dentre os 3.
(Private) — Não seja injusto, Jacob. Eu acreditei que depois de ver o vídeo, você ao menos teria a capacidade de reconhecer que Kalih não é como você idealizou. Afinal, você esteve com… – Ele foi interrompido pelo seu celular que começou a tocar e logo o pegou do bolso de sua calça.
Por alguns segundos, ele encarou a tela, que mostrava o nome de quem o ligava e Jake se inclinou discretamente para frente, vendo um nome familiar.
(Jake) — Espera… Alan Blommgate?!
Private se assustou e logo guardou o celular no bolso.
(Jake) — Isso quer dizer que… que você se encarregou de me entregar?
Private suspirou.
(Private) — É óbvio que não. Eu jamais faria isso.
Jake franziu o cenho, intrigado.
(Jake) — Eu não entendo…
(Private) — Você entenderia, se me deixasse explicar.
Jake bufou, desviou o olhar e se recostou no banco do carro. Naquele momento, Private o observava pelo retrovisor e, ao notar e também observá-lo por alguns segundos, Jake começou a estranhar o fato daquele olhar parecer familiar.
(Private) — Bem, acho que seria melhor conversarmos em outro lugar. O que acha? Ainda estamos muito perto da casa onde os seus amigos estão.
Jake permaneceu encarando-o pelo retrovisor e Private desviou o olhar, ligou o carro e arrancou com o mesmo. Naquele momento, Jake, que sequer protestou, percebeu que aquela voz também era familiar e, ao tentar buscar em sua memória onde havia ouvido-a antes, se lembrou de algo.
Flashback on
(Cena do Capítulo 51 — Um Brinde aos Corações Partidos)
(Jake) — Quem é você?!
Jake apareceu na entrada da sala sem que ninguém notasse e, ao ouvir sua pergunta, Brandon logo o olhou.
(Dan) — Ih, ferrou.
(Adie) — Jake! – Ela sorriu.
Ele, porém, não deu atenção e olhava fixamente para Brandon.
(Jake) — Vamos, me responda... – Ele se aproximou. — Quem é você e porque estava acariciando o rosto dela?
Os dois ficaram frente a frente.
(Cena do Capítulo 52 — Mentes Inquietas)
…
Brandon e Jake se encaravam fixamente, enquanto Adie os olhava com preocupação.
(Brandon) — Hum... – O policial esboçou um sutil sorriso debochado. — Fique tranquilo, senhor... Jake?
Jake não disse nada.
(Brandon) — Não é comigo que você tem que se preocupar, afinal, eu sei muito bem o que posso fazer ou não. Mas se aceita um conselho, é melhor que não deixe sua namorada sair sempre sozinha, pois lá fora, tem muita gente mal intencionada de verdade.
Jake arqueou uma de suas sobrancelhas, intrigado.
(Brandon) — Com licença. – Ele olhou para Adie. — Tenha uma boa noite, senhorita e... – Ele olhou para Dan. — Se cuida, senhor Anderson.
Antes de seguir até a porta, Brandon passou uma breve olhada intimidadora em Jake, que o olhava com raiva, e saiu.
Flashback off
Após essa lembrança, Jake arregalou os olhos, extremamente surpreso.
(Jake) — Você...
Private o olhou pelo retrovisor novamente.
(Private) — O que?
(Jake) — É claro… – Ele desviou o olhar por um breve momento, perplexo. — É por isso que o delegado estava ligando agora a pouco.
Private desviou o olhar em direção a estrada.
(Jake) — Você é o suposto braço direito dele… o policial Brandon!
Private continuou indiferente, sem esboçar nenhuma reação que pudesse confirmar que Jake estava certo.
(Jake) — O que evidencia o grande covarde que você é!
Private suspirou, denotando serenidade.
(Private) — Bem, o que posso dizer? Talvez… que não fomos devidamente apresentados. – Ele abaixou o capuz de seu moletom, deixando evidente sua identidade.
(Brandon) — Mas devo admitir que, agora que você conseguiu descobrir quem eu sou, estou aliviado em poder conversarmos frente a frente, sem dissimulações.
Jake bufou, balançando a cabeça em negação e desviou o olhar
Antes…
Depois de tudo que aconteceu na mina, Richy acordou em um hospital, que ficava um pouco distante de Duskwood. Ao olhar a sua volta, por um breve instante, ele acreditou ter conseguido se livrar de sua própria vida, porém, ao tentar se mexer e ser acometido por uma forte dor na perna direita, ele percebeu que ainda estava vivo e sujeitado a dores físicas e emocionais. Ao sentir a dor, ele gemeu e logo se lembrou de tudo que havia feito, o que fez com que uma imensa tristeza tomasse conta de seu coração. A tristeza veio acompanhada de uma imensa frustração, pois sua tentativa de acabar com a dor, havia falhado. Além dessas emoções, uma dúvida surgiu: Como eu sobrevivi?! Mas não demorou muito para que ele descobrisse a resposta.
(Brandon) — Embora seja uma pergunta tola, como se sente? – Ele estava sentado ao lado da cama, observando-o.
Richy se assustou e logo viu aquele homem de cabelos e olhos castanhos, semblante gentil e trajado como um policial.
(Richy) — Q-Quem é você?!
(Brandon) — Ainda é cedo para responder essa pergunta.
(Richy) — Eu não entendo… O que houve na mina?! Como eu sobrevivi? Isso não pode estar acontecendo! – Ele tentou se levantar, mas foi paralisado por uma intensa dor em sua perna direita novamente e logo voltou a se deitar. — Ai! O que… O que houve com a minha perna?!
Enquanto Richy se contorcia de dor, Brandon se levantou e caminhou até a janela do quarto, ficando de costas para ele.
(Brandon) — Eu o aconselho a apenas descansar no momento. Em breve, você descobrirá as respostas que tanto deseja.
(Richy) — Eu não deveria ter sobrevivido! Eu… Eu não quero mais viver. – Ele tapou o rosto com as mãos, inconformado.
Brandon se virou, olhando-o.
(Brandon) — Eu sinto muito.
Richy tirou as mãos do rosto, respirando pesadamente.
(Richy) — Quem me tirou da mina?
(Brandon) — Isso é irrelevante.
(Richy) — Não, não é! Por favor, me diga quem foi.
Brandon ficou em silêncio, encarando-o.
(Richy) — Não me diga que… que foi você…
Brandon suspirou.
(Brandon) — Sim, fui eu.
Richy ficou extremamente surpreso e seus olhos marejaram.
(Richy) — Mas… Porque?!
(Brandon) — Porque você é importante para alguém que eu já vi sofrer demais por falta de respostas, e eu não poderia permitir que ela carregasse o peso de não ter conseguido fazê-lo mudar de ideia.
Richy levantou a cabeça para olhá-lo, estando com o cenho franzido.
(Richy) — O que?! Quem é essa pessoa?!
(Brandon) — Adie.
Richy arregalou os olhos.
(Richy) — O-O que?! – Ele desviou o olhar por um breve momento, totalmente incrédulo. — I-Isso não faz sentido... Ela nem mesmo me conhece pessoalmente, a ponto de sofrer demasiadamente com a minha decisão!
(Brandon) — Hum, você é muito mais insensível do que eu pensava.
(Richy) — Não se trata disso. Eu apenas... não imaginava que ela se importava tanto assim.
(Brandon) — É... Eu também não imaginava, mas percebi que ela tem um bom coração e, por isso, decidi protegê-la de mais uma frustração.
(Richy) — E quem é você?
(Brandon) — Se conforme apenas em saber que sou um policial que sabe de tudo que você fez e, caso tente algo contra ela, não pensarei duas vezes antes de lhe prender.
Richy bufou, balançando a cabeça em negação.
Agora…
Na cabana, Adie estava com o olhar distante, tentando assimilar as informações que acabara de receber sobre Brandon, enquanto Richy, pensativo, se lembrava de cada detalhe da história de ambos.
(Richy) — Acredito que o fato dele ser um policial e saber de tudo, me fez respeitar o pedido sobre você, mas não posso mentir, eu nunca consegui compreender exatamente o porquê dele protegê-la tanto, a ponto de colocar a própria profissão em risco.
Adie voltou a olhá-lo e franziu o cenho.
(Adie) — Como assim te fez respeitar o pedido dele sobre mim? Basta olhar a sua volta, vendo onde estou agora, para saber que você não se preocupou tanto assim com o fato dele ser um policial.
(Richy) — Certo, me desculpe. Devo corrigir minha fala. O fato dele ser um policial, me fez respeitar o pedido sobre você… até um certo momento.
(Adie) — E o que mudou tudo?
Richy suspirou.
(Richy) — Bem, essa é a parte complexa da história.
Ele ficou com o olhar distante por alguns segundos, enquanto Adie encarava-o com curiosidade.
Enquanto isso, Depois de alguns minutos de um silêncio ensurdecedor, Brandon parou o carro em frente a uma casa não muito extensa e aparentemente abandonada em meio a floresta.
(Brandon) — Chegamos. – Ele olhou Jake pelo retrovisor. — Prefere me ouvir aqui mesmo ou podemos entrar?
(Jake) — Hum, ainda estou aguardando que você me dê um bom motivo para escutá-lo.
(Brandon) — Adie. O motivo de maior importância para nós dois.
Jake bufou e desviou o olhar por um breve momento.
(Jake) — O que mais eu preciso saber? Que vocês dois planejaram tudo desde o início?
(Brandon) — As coisas são muito diferentes do que realmente aparentam ser.
(Jake) — Você só está tentando livrá-la, porque muito provavelmente está interessado por ela! Eu me lembro bem da maneira em que o surpreendi olhando-a e tocando o rosto dela naquela noite.
(Brandon) — Esse é o seu problema, Jacob. Mesmo sendo dotado de uma inteligência invejável, sua incapacidade de reconhecer e domar suas próprias emoções, fazem com que você seja impulsivo no pensar, no falar e até mesmo no agir, em determinadas situações. Em outras palavras, você só enxerga aquilo que está diante do seu nariz, sem pensar que sua interpretação dos fatos possa estar equivocada.
Jake o encarava com raiva, até que fechou os olhos por um breve momento e respirou fundo, se acalmando.
(Jake) — Certo… tudo bem. Apesar disso já não fazer mais diferença para mim, já que está insinuando que eu estou errado em pensar que você sente algo pela… por ela… me explique o motivo de sua demonstração de carinho naquela noite.
Brandon deu uma leve risada.
(Brandon) — Está tentando enganar a si mesmo com esse papo de que não se importa.
(Jake) — Pare de enrolar e diga logo!
(Brandon) — Primeiramente, vamos entrar na casa, pois há algo que eu gostaria de lhe mostrar, antes de responder suas perguntas.
Jake pensou por alguns segundos.
(Jake) — Tudo bem.
Brandon abriu a porta do carro e saiu. Em seguida, ele abriu a porta de trás para que Jake saísse.
(Brandon) — Acho importante ressaltar que se pensar em fugir, o mais prejudicado será você.
Jake arqueou uma de suas sobrancelhas e saiu do carro, olhando-o de um jeito intimidador.
(Jake) — Suas ameaças não me assustam.
Brandon o olhou por um breve momento, com um ar de sarcasmo, até que desviou o olhar em direção ao carro e o trancou. Em seguida, ele caminhou em direção à entrada da casa e Jake o seguiu. Ao se aproximarem, ele destrancou a porta e ambos entraram na casa. Jake começou a observá-la, intrigado, e Brandon seguiu até as escadas, que ficavam logo à frente.
(Brandon) — Me acompanhe, por favor.
Brandon começou a subir os degraus e Jake o seguiu. Ao chegarem no andar de cima, havia dois quartos e Brandon se aproximou de um deles. Havia pouca iluminação nos corredores e, quando Brandon abriu a porta do quarto, Jake se surpreendeu com a claridade incomum que veio de lá, já que as luzes ainda estavam apagadas. Ao se aproximar da porta e observar melhor, Jake viu que aquela iluminação vinha de um computador com duas telas grandes, que estava ligado sobre uma mesa e havia uma cadeira em frente.
(Brandon) — Reconhece o lugar?
Jake entrou no quarto, observando tudo detalhadamente, até que compreendeu onde havia visto aquele cenário antes e olhou para Brandon.
(Jake) — Então… esse foi o cenário daquele vídeo…
Brandon assentiu com a cabeça.
(Brandon) — Sim. Mas além disso, aqui também foi o cenário de um outro momento importante e que definiu o seu futuro.
(Jake) — Hum, a que futuro você se refere? A esse?
(Brandon) — Não. Ao contrário, era exatamente para evitar o que está acontecendo agora, mas… eu não sei exatamente onde tudo mudou.
(Jake) — E você espera mesmo que eu acredite nisso?
Brandon suspirou.
(Brandon) — Jacob, acredite, eu entendo perfeitamente como está se sentindo, pois tudo também está doendo em mim.
(Jake) — Não! Você não tem ideia alguma de como eu me sinto! De repente, eu perdi absolutamente tudo que dava sentido a minha vida!
(Brandon) — E eu também!
Jake franziu o cenho.
(Brandon) — Quando ela desapareceu, também levou consigo tudo pelo qual eu lutei tanto, durante todo esse tempo.
(Jake) — E pelo que você lutou? Sendo que você foi o menos prejudicado de todos!
(Brandon) — Você está enganado! Eu me arrisquei extremamente e tive que deixar para trás coisas e pessoas importantes. Tudo isso, para conquistar a confiança dela e protegê-la do pior.
Jake balançou a cabeça em negação, estando completamente confuso.
(Jake) — Cara… Por favor… Esclareça logo que tipo de relação você tinha com ela, pois essa dúvida está me deixando ainda pior.
Brandon pensou por alguns segundos, até que suspirou.
(Brandon) — Eu estava tentando ir por partes, mas… Se isso é o que você precisa saber para que possa ouvir todo o resto, então… eu digo.
Apesar de sua expressão extremamente séria, o olhar de Jake expressava curiosidade.
(Brandon) — Acredite, nossa história é bastante semelhante, Jacob.
Jake arqueou uma de suas sobrancelhas
Antes…
Após vários longos dias no hospital, Richy recebeu alta e, após se vestir com roupas limpas, uma calça e um moletom preto, que Brandon havia levado no dia anterior, ele estava sentado na cama, enquanto uma enfermeira tirava a agulha de soro de seu braço. Naquele momento, a porta do quarto foi aberta por Brandon, que entrou.
(Brandon) — Bom dia.
(Enf. Kelly) — Bom dia, senhor! – Ela esboçou um sorriso simpático e finalizou seu trabalho com Richy. — Com licença. – Ela se retirou do quarto.
Brandon se aproximou de Richy, que olhava-o com estranhamento.
(Brandon) — Está pronto para irmos?
Richy franziu o cenho.
(Richy) — E para onde pretende me levar?
(Brandon) — Para um lugar seguro.
Richy encarava-o desconfiado.
(Brandon) — Eu sei que você não vai confiar em mim, mas, acredite, eu não vou prendê-lo, e você não tem outra opção, senão, vir comigo.
Richy suspirou e desviou o olhar por um breve momento.
Alguns minutos mais tarde, Brandon e ele chegaram a uma casa abandonada na floresta e Richy a observou, intrigado. Ao entrarem, Richy, que estava com seu braço direito envolto nos ombros de Brandon para se apoiar, avistou a escada que os levaria para o andar de cima.
(Richy) — Bem... Eu estou sendo otimista para acreditar que terá algum quarto aqui embaixo e que não precisarei subir essas escadas.
(Brandon) — Hum… Eu sinto muito em ter que acabar com o seu otimismo.
Richy bufou.
(Richy) — Oh, céus...
Alguns minutos depois, após passar por aquela árdua subida, Brandon o guiou para dentro de um dos quartos, da qual tinha uma cama de solteiro, uma mesa de cabeceira e uma cômoda. Naquele quarto, também havia uma janela, que estava fechada. Brandon o ajudou a se sentar na cama e Richy, estando com uma expressão de dor, suspirou aliviado por finalmente poder repousar.
(Brandon) — Como pode ver, não é um hotel 5 estrelas, mas é um bom lugar para que você se mantenha escondido.
(Richy) — Até quando?
(Brandon) — Até você se recuperar totalmente e decidir o que quer fazer, desde que continue cumprindo com o nosso combinado.
(Richy) — Isso não faz sentido! Seria muito melhor ter me deixado morrer, já que ela nunca vai saber mais nada sobre mim.
Brandon arqueou uma de suas sobrancelhas.
(Richy) — Me desculpe, mas eu simplesmente não consigo agradecê-lo por ter me salvado. Eu estou completamente perdido e, a essa altura, Adie já está tendo que lidar com a ideia da minha morte e eu sei que ela vai superar tudo bem rápido.
Brandon bufou.
(Brandon) — Preste atenção, pois eu só vou explicar uma única vez, Richard. Infelizmente, eu não posso impedir que ela sofra no momento com a ideia da sua morte, mas é exatamente por isso que estou lhe dando uma oportunidade única de se reencontrar e repensar suas ações daqui para frente, para que um dia eu possa contar a verdade para a Adie e vê-la feliz, por perceber que conseguiu convencer o amigo a se tornar alguém melhor.
Richy o encarou por alguns segundos, pensativo, até que suspirou e ficou cabisbaixo.
(Richy) — Me diz uma coisa... – Ele voltou a olhá-lo. — Como ela é?
Brandon franziu o cenho.
(Richy) — Qual é a cor dos cabelos dela? Dos olhos? Quanto ela tem de altura? Como… – Ele esboçou um doce sorriso. – Como é a voz dela?
Brandon arqueou uma de suas sobrancelhas.
(Brandon) — Hum... Isso é sério?
(Richy) — É claro que é. Eu... Eu só gostaria de poder vê-la um dia.
Brandon permaneceu encarando-o por alguns segundos, pensativo, até que suspirou.
(Brandon) — Se é isso mesmo que deseja, use esse tempo de recuperação para criar um novo objetivo de vida e reerga-se.
Richy suspirou.
(Richy) — Certo.
(Brandon) — Eu tenho que ir. Tem água nessa caixa térmica. – Ele apontou para a caixa que estava no chão, ao lado da cama. — Voltarei mais tarde para trazer comida.
Em seguida, Brandon seguiu até a porta e saiu do quarto, enquanto Richy continuou pensativo. Após ele fechar a porta, Richy tentou se acomodar na cama cuidadosamente, com uma sutil expressão de dor. Após conseguir subir um pouco mais na cama, ele se inclinou para o lado, para alcançar a mesa de cabeceira e abriu a gaveta, notando estar vazia.
(Richy) — Hum… Isso vai ser muito divertido. – Ele bufou, passando as mãos no rosto e recostou sua cabeça na cabeceira.
Mais tarde, Brandon retornou e além de trazer comida, também trouxe o jornal do dia e alguns livros para que Richy se distraísse.
Dali em diante, começou uma sequência de dias monótonos. Richy acordava e olhava para o relógio analógico, que tinha sobre a mesa de cabeceira, e 7:00 am era o horário que seu cérebro, ainda acostumado com sua rotina de trabalho da Roger’s Garage, o despertava todos os dias. Ao lado do relógio, sempre havia um copo de café, um sanduíche de queijo e os remédios que ele precisava tomar, juntamente com o jornal do dia, que Brandon havia passado para lhe deixar. Por alguns dias, ele foi notícia da primeira página dos jornais, mas o que lhe intrigava, é que a matéria que citava o incidente na mina, dizia que seu corpo havia sido encontrado apenas no dia seguinte, perdido na floresta, e que ele havia tirado sua própria vida com um tiro na cabeça. Todas as vezes que Brandon passava para lhe deixar o almoço, algo para o café da tarde ou o jantar, ele tentava conseguir informações de como estava tudo lá fora. Porém, sendo sempre muito reservado, Brandon trocava poucas palavras e mal respondia suas perguntas.
Em uma tarde nublada, eram 4:36 pm e Richy acabara de finalizar a leitura do último livro que havia naquela pequena coleção. Após fechar o livro, ele bufou, o deixou sobre a cama, observou à sua volta por alguns segundos, como se procurasse alguma ocupação a mais, mas ao perceber que não havia mais nada além daquilo, ele começou a se esforçar para ficar de pé. Tais esforços ainda lhe causavam dor, mas ele persistiu em sua tentativa e conseguiu ficar de pé. Em seguida, ele começou a dar passos lentos, mancando e se escorando na cama, até que conseguiu se aproximar da porta do quarto. Ele caminhou pelo pequeno corredor que o levou até a escada e, ao chegar no topo e observá-la por alguns segundos, se deu conta do imenso desafio que seria descê-la. Porém, apesar da dor que sentiria, ele estava determinado a sair daquela realidade monótona. Após um suspiro determinado, ele se apoiou no corrimão com as duas mãos e desceu o primeiro degrau cuidadosamente, fazendo uma expressão de dor, mas assim seguiu até o último, o que levou alguns minutos. Ao chegar em baixo, ele suspirou aliviado e olhou para o lado esquerdo, onde havia uma entrada que parecia ser da cozinha. Em seguida, ele olhou para o lado direito, onde era a entrada para uma pequena sala desarrumada e decidiu seguir até lá. Caminhando lentamente, Richy chegou a sala e a observou de canto a canto, notando uma pequena estante, aparentemente vazia, com duas gavetas e pequenas portas na parte de baixo. Além da estante, não havia muito no que reparar, já que tudo estava literalmente abandonado. Sem muita demora, ele se virou para sair, mas um barulho lhe chamou a atenção. O barulho pareceu ter vindo da pequena estante e era familiar, parecia um celular recebendo uma notificação de mensagens. Ele olhou em direção, intrigado, e depois de alguns segundos, o barulho se repetiu, o que lhe deu a certeza de que se tratava de uma notificação de mensagem sendo recebida por um celular, que estava dentro daquela estante. Ele logo se virou e seguiu até ela e, ao se aproximar, abriu a primeira gaveta, notando estar vazia. Ao abrir a segunda, ele viu o celular que, naquele momento, acendeu a tela por receber mais uma mensagem, o que o fez se surpreender ao notar que se tratava de seu próprio celular. Obviamente, Brandon o guardou ali acreditando que pela dificuldade que Richy tinha para andar, ele jamais desceria as escadas e o acharia. Naquele momento, estando extremamente surpreso, Richy destravou a tela de seu telefone e viu que quem o contatava por mensagens era um de seus amigos, Derick, que lhe dizia o quanto sentia sua perda. Após um suspiro entristecido, Richy se virou e caminhou para fora da sala. Ele seguiu em direção a porta da casa e, ao se aproximar, colocou o capuz de seu moletom, para que não fosse reconhecido, caso alguém aparecesse pela floresta, guardou seu celular no bolso de sua calça, abriu a porta e saiu, seguindo para um lugar qualquer.
Mesmo sentindo dor na ferida em sua perna, ele caminhou por uma longa distância, até que em certo momento, seu celular emitiu novamente um som familiar, dessa vez, que indicava que a bateria estava fraca. Ele tirou o celular do bolso de sua calça e o olhou, notando haver apenas 2% de carga.
(Richy) — Droga…
Ele destravou a tela de seu celular e ligou o GPS, para saber exatamente onde estava, porém, mesmo vendo a localização, ele não sabia para onde ir, mas voltou a caminhar, mesmo que sem rumo. Quando estava escurecendo, ele se recostou em uma árvore e se sentou no chão. Ele estava pálido, com sede, dor e um extremo cansaço. Naquele momento, ele olhou para o céu e as palavras de Brandon lhe vieram à memória.
Flashback on
(Brandon) — … mas é exatamente por isso que estou lhe dando uma oportunidade única de se encontrar e repensar suas ações daqui para frente, para que um dia eu possa contar a verdade para a Adie e vê-la feliz, por perceber que conseguiu convencer o amigo a se tornar alguém melhor.
Flashback off
Os olhos dele marejaram e ele os fechou por um breve momento.
(Richy) — Eu sinto muito por te decepcionar, Adie.
Depois de alguns instantes, ele se levantou com dificuldade e voltou a caminhar sem rumo. Ele olhou a própria localização no celular novamente, que ainda tinha 1% de bateria e, ao notar onde estava, se surpreendeu e um ar de esperança surgiu em seu olhar.
Agora…
(Richy) — Naquele momento, eu percebi que estava perto dessa cabana e, desde então, fiz daqui meu esconderijo.
Adie olhava-o fixamente e arqueou uma de suas sobrancelhas, parecendo não compreender algo.
(Adie) — Certo… mas eu continuo sem entender o que o levou a começar a me perseguir.
Richy desviou o olhar por um breve momento.
(Richy) — É que… É confuso. E agora que eu estou diante de você, olhando em seus olhos, ficou ainda pior.
(Adie) — Mas eu preciso saber! Eu estou tão confusa quanto você.
Ele suspirou e ficou cabisbaixo.
(Richy) — Certo... – Ele voltou a olhá-la. — Bem, alguns minutos depois que eu cheguei aqui na cabana, recebi algumas mensagens de alguém que se identificava como Jaden.
Adie ficou surpresa.
(Richy) — E… foi a partir daquele momento que tudo mudou para mim.
Adie engoliu seco.
Enquanto isso, Jake ainda tentava entender as falas de Brandon.
(Jake) — Seja mais específico.
(Brandon) — Bem… Você se lembra de quando a Adie acreditou que você tinha uma relação com a Hannah? Antes de você revelar que ela era sua meia irmã.
(Jake) — Sim. O que tem isso?
(Brandon) — Veja só que curioso. Você está fazendo o mesmo que ela neste momento.
Jake franziu o cenho.
(Brandon) — A única diferença é que, diferente da Adie, que questionou você e não a própria Hannah, você está questionando o meio irmão dela, ao invés dela mesma.
Ao decifrar as palavras de Brandon, Jake ficou surpreso.
(Jake) — E-Está dizendo que… Você e a Adie…
(Brandon) — Sim, somos meio irmãos, assim como você e a Hannah.
Jake ficou boquiaberto e desviou o olhar por um breve momento.
(Jake) — Mas… porque ela não me disse nada?! Eu confiei nela para revelar o meu segredo sobre a Hannah e a Lilly.
(Brandon) — Entenda, as circunstâncias foram completamente diferentes.
Jake passou as mãos no rosto e ficou com o olhar distante por alguns segundos.
(Brandon) — Será que agora você pode me ouvir sem resistência?
Jake voltou a olhá-lo.
(Jake) — Para que isso seja possível, eu preciso que me responda uma outra pergunta.
(Brandon) — Certo. O que quer saber?
(Jake) — Qual era a relação da Adie com o Jaden?
Brandon suspirou e ficou cabisbaixo por um breve momento.
(Brandon) — Eles eram… noivos.
Jake ficou surpreso novamente e sua respiração ficou claramente mais pesada.
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