Dear Hacker - Duskwood Continuation (Em Revisão)
59 As Faces do Mal
Notas iniciais
Maydol Departamento Penitenciário, 5:50pm
Naquele fim de tarde, o delegado Alan, juntamente com Brandon, chegaram à penitenciária. Após Alan estacionar o carro, ambos saíram e observaram ao redor.
(Alan) — Ela ainda não chegou.
(Brandon) — Aparentemente, não.
(Alan) — Saiba que eu não estou disposto a tolerar atrasos, portanto, se ela não chegar em cinco minutos, entraremos e começaremos.
Brandon o olhou.
(Brandon) — Porque o senhor não manda uma mensagem?
Alan o encarou por alguns segundos, hesitante, até que bufou, pegou o celular do bolso de sua calça e abriu o chat. Ele digitou uma mensagem para Adie e enviou, mas após esperar alguns segundos por uma resposta, voltou a guardar o celular no bolso.
(Alan) — Minha mensagem sequer chegou para ela. Provavelmente, ela está em alguma área sem sinal de internet, o que indica que está longe. Sendo assim, não temos tempo a perder, vamos entrar.
Por alguma razão, Brandon sentiu que algo não estava certo, mas disfarçou suas emoções.
(Brandon) — Certo, senhor Blommgate. Vamos lá.
Eles começaram a caminhar em direção a entrada da penitenciária.
(Alan) — Lamento por você ter vindo atoa, afinal, esse interrogatório não tem nenhuma relação com o seu objetivo.
(Brandon) — Não tem o que lamentar, senhor Blommgate.
(Alan) — Hum…Certo.
Brandon estava claramente intrigado com o atraso de Adie, mas precisou manter-se firme. Depois de mais alguns passos, os dois passaram pelos seguranças da portaria e seguiram para dentro da penitenciária.
Lá dentro, havia uma sala onde os agentes de segurança penitenciária que estavam escalados para cumprir algum turno, guardavam suas coisas e até tiravam seus minutos de intervalo. Ao bater na porta dessa sala, Alan e Brandon foram recebidos por um jovem rapaz de cabelos loiros escuros e que estava uniformizado. Em seu crachá, estava escrito o nome Erick Weber e ele seria o primeiro a ser interrogado.
(Erick) — Por favor, entrem.
Alan e Brandon entraram na sala, onde havia uma mesa quadrada, não muito extensa, mas com duas cadeiras já postas para eles. Após se sentarem de frente para Erick, sem delongas, Alan deu início ao interrogatório.
6:01 pm
Enquanto Alan fazia perguntas ao segurança, Brandon estava com o olhar distante, claramente distraído e pensativo.
6:25pm
Naquela sala, havia um relógio de parede, que estava atrás de Erick, de modo que, do ângulo onde Brandon e Alan estavam, bastaria apenas olhar um pouco acima para vê-lo. Depois de alguns instantes de distração, Brandon notou o relógio, mas ao ver quanto tempo já havia passado, ele suspirou preocupado.
6:43pm
O interrogatório prosseguia, mas o olhar de Brandon era desviado para o relógio a todo instante e, conforme via que o tempo estava passando e Adie não aparecia, sua preocupação aumentava.
7:10pm
Erick estava bastante colaborativo, mas sua postura irreverente intrigou o delegado, que continuava tentando arrancar alguma verdade, mesmo que sutil, dos lábios dele. Para Brandon, o interrogatório estava durando uma eternidade e ele já não disfarçava mais seu desinteresse.
7:22pm
(Alan) — Bem, essas foram minhas únicas perguntas, senhor Weber. Deseja pontuar alguma coisa ou fazer alguma pergunta, policial Brandon?
Brandon estava distraído, olhando para o relógio de parede.
(Alan) — Brandon?
Ele tomou um leve susto.
(Brandon) — Hum? Desculpe, senhor.
(Alan) — Eu perguntei se desejava pontuar algo ou fazer alguma pergunta.
(Brandon) — Ah… não. Eu já ouvi o suficiente.
Apesar de intrigado com a distração de Brandon, Alan logo voltou sua atenção para Erick.
(Alan) — Certo. Obrigado pela colaboração, senhor Weber.
(Erick) — De nada, delegado. – Ele esboçou um sutil sorriso ladino.
(Alan) — Com licença.
Alan e Brandon se levantaram e ambos saíram da sala dos seguranças. Erick, que os acompanhou com os olhos, após eles saírem, esboçou um sutil sorriso malicioso e pegou um cigarro do bolso de sua camisa.
Caminhando em direção a saída, Brandon estava calado e cabisbaixo, enquanto Alan o observava discretamente.
(Alan) — É… E ela não apareceu. Está vendo o porque eu não queria que ela fizesse parte disso?
Brandon o olhou com raiva.
(Alan) — Essa atitude só deixa evidente a tamanha irresponsabilidade dela com algo tão sério e que, curiosamente, está relacionado com a perseguição que ela sofre. O que dificulta que eu acredite que ela está sofrendo tanto quanto diz.
Brandon bufou, balançando a cabeça em negação.
(Brandon) — Sinceramente… Porque ao invés de continuar falando asneiras, não vamos procurá-la? Ela nunca faltou a um combinado que tenha feito com o senhor, o que indica que algo realmente sério possa ter acontecido.
Alan franziu o cenho.
(Alan) — E porque eu faria isso?!
(Brandon) — Porque o senhor é o delegado de polícia dessa cidade e deve se preocupar com o bem estar dos habitantes da mesma!
Alan o olhou com raiva.
(Alan) — Você sabe muito bem que em casos de desaparecimento não podemos fazer nada enquanto não completar 48 horas.
(Brandon) — Eu não me importo com essas regras, afinal, não sou um policial!
Brandon apressou seus passos e saiu da penitenciária, enquanto Alan o olhava com raiva. Depois de alguns instantes, o delegado chegou ao estacionamento e o avistou próximo ao seu carro, olhando em direção a rua, e se aproximou dele pelas costas.
(Alan) — Eu não entendo. Porque está tão preocupado com a senhorita Folsham?
Brandon bufou e continuou de costas para o delegado.
(Alan) — Já cogitou a possibilidade dela simplesmente ter decidido não vir? Sem se importar com o que eu ou você pensaríamos.
Brandon se virou, olhando-o com raiva.
(Brandon) — Eu estou consciente das inúmeras possibilidades que possam justificar a falta dela, mas nenhuma dessas possibilidades me impedem de procurá-la para ter certeza do que realmente aconteceu. E caso o senhor, ao invés de fazer algo realmente útil, decida continuar aí, pensando o pior sobre ela, eu vou buscar o meu carro na delegacia e vou procurá-la, sozinho.
Alan franziu o cenho e permaneceu encarando-o por alguns segundos, até que bufou.
(Alan) — Tudo bem. Se é tão importante para você, entre no carro.
Sem perda de tempo, Brandon foi para o carro e Alan entrou logo em seguida.
Enquanto isso, na casa dos amigos, Jake estava em seu quarto e acabara de trancar a porta do mesmo. Após ter feito isso, ele seguiu até sua cama, tirou de debaixo dela uma mala e colocou sobre a mesma. Em seguida, ele foi até sua cômoda de roupas, abriu a primeira gaveta, pegou algumas peças e se dirigiu até a cama, arrumando-as na mala. Depois de alguns segundos, ele repetiu o mesmo processo de ir até cômoda e pegar mais algumas peças de roupas, porém, ao se virar para guardá-las na mala, ele notou que algo caiu no chão. Ele deixou as peças de roupas que segurava sobre a cama e se abaixou para pegar o objeto que havia caído. Era uma medalha dourada com a letra A, destacada em pedras brancas, que pertencia a Adie. Ao olhá-la, Jake estranhou o fato dela ter saído sem a medalha, pois era algo incomum. Mas, depois de alguns segundos, ele esboçou um sutil sorriso e a colocou sobre a cômoda, para que pudesse entregá-la quando Adie retornasse. Em seguida, ele retomou a arrumação de sua mala.
Estando na estrada já há alguns minutos, Alan e Brandon seguiam em silêncio. Brandon estava com o olhar focado na estrada e o delegado, enquanto dirigia, o olhava discretamente, ainda intrigado com a preocupação que ele estava demonstrando por Adie. Embora ele já suspeitasse que Brandon tivesse sentimentos por ela, sua atitude demonstrava que poderia haver algo a mais.
(Alan) — Sinceramente, eu nunca estive tão curioso a respeito de algo e, embora eu saiba que não é da minha conta, me pergunto se chegará o dia em que você me dirá a verdade sobre o que sente por ela.
(Brandon) — É melhor que o senhor se conforme com o que já sabe sobre mim, pois é o suficiente.
(Alan) — Certo.
Ao focar totalmente na estrada por alguns instantes, Alan notou algo à frente e se intrigou.
(Alan) — Aquilo é um carro parado no meio da estrada e com a porta aberta?
Brandon também se intrigou.
(Brandon) — Sim.
(Alan) — Hum… Vamos dar uma olhada de perto.
Alan desviou a direção do carro para a floresta, na intenção de estacioná-lo fora da estrada e, enquanto isso, Brandon, que observava o carro parado, se surpreendeu.
(Brandon) — Eu acho que… que é o carro dela!
Alan logo o olhou, extremamente surpreso.
(Alan) — O quê?!
Naquele momento, o delegado parou o carro e Brandon logo saiu e seguiu apressado em direção ao carro que, supostamente, era de Adie. Ao se aproximar, além de confirmar que era mesmo o carro dela, ele logo avistou uma pequena mala no banco do carona.
(Alan) — É… Você está certo. – Ele se aproximou. — É mesmo o carro dela, reconheço a placa.
Brandon ficou parado por alguns segundos, olhando para aquela mala e Alan se intrigou ao vê-la.
(Alan) — Que estranho… Isso significa que ela estava indo embora sem nos dizer nada?
Brandon parecia sequer estar ouvindo o que Alan dizia. Seu olhar parecia perdido, até que ele entrou no carro de Adie e abriu o porta luvas. Enquanto ele revistava, o delegado, que também observava o carro por dentro, notou algo.
(Alan) — O que é isso no chão?
Brandon o olhou e Alan apontou para perto do banco do motorista, onde ele estava sentado. Ao olhar em direção, Brandon se inclinou e pegou o que o delegado tinha notado, um celular.
(Brandon) — É o celular dela.
(Alan) — Hum... Isso não é um bom sinal.
Brandon suspirou, preocupado.
(Alan) — Bem, pelo menos o celular pode nos ajudar a descobrir onde ela pode ter ido. Vamos para a delegacia para começarmos a analisar tudo que encontrarmos no carro. Embora seja bem difícil encontrar uma razão para que ela tenha abandonado o próprio carro, deixando até mesmo seus pertences, talvez, isso nos dê tempo, até que ela apareça e nos dê uma explicação plausível para isso.
(Brandon) — Não acha que deveríamos informar aos amigos dela sobre o que aconteceu?
(Alan) — Ainda não. É melhor esperarmos algumas horas e entrarmos em contato com algum deles por ligação, pois existe a possibilidade dela também aparecer por lá e nos contatar primeiro.
(Brandon) — O senhor tem razão. – Ele saiu do carro. — Vamos, não podemos perder tempo. – Ele logo começou a caminhar em direção ao carro do delegado, que não o seguiu e permaneceu olhando-o.
(Alan) — Ei…
Brandon parou e o olhou.
(Alan) — Você não está se esquecendo de alguma coisa? – Ele fez um sutil sinal com a cabeça, em direção ao carro de Adie.
(Brandon) — Ah… Sim…– Ele ficou cabisbaixo por um breve momento e passou uma das mãos nos olhos. — Me desculpe, senhor delegado.
Olhando-o fixamente, Alan se aproximou.
(Alan) — Quero que saiba que só estou disposto a iniciar essas investigações antes das 48 horas requeridas, porque percebo, apesar de não compreender muito bem o motivo, que é importante para você. Mas, para que isso dê certo, eu preciso que você se concentre.
Brandon suspirou.
(Brandon) — Certo.
(Alan) — Pois bem. Antes de irmos, precisamos tirar algumas fotos de como o carro foi encontrado. Depois, como ela deixou a chave, o levaremos para a delegacia.
Brandon assentiu com a cabeça e, sem perda de tempo, seguiu até o carro de Adie novamente. Em seguida, Alan fez o mesmo.
Enquanto isso, na casa dos amigos, as garotas preparavam o jantar, enquanto Thomas e Dan estavam na sala, assistindo TV. As garotas conversavam sobre assuntos aleatórios e até davam risadas em alguns momentos, porém, Jessy, estava calada e pensativa, enquanto cortava alguns legumes sobre o balcão. Hannah, que estava ao lado dela cortando algumas frutas para a sobremesa, olhou para a tábua com os legumes e fez uma expressão de estranhamento.
(Hannah) — Não acha que o corte está muito grande?
Jessy, porém, continuou indiferente, como se não estivesse presente ali.
(Hannah) — Jessy? Ei, Jessy? – Ela a cutucou de leve com o cotovelo.
Jessy tomou um leve susto e a olhou.
(Jessy) — Hum, sim?
(Hannah) — Bem, é que… – Ela apontou para os legumes sobre a tábua. — Estão um pouquinho grandes. Você não acha?
Jessy olhou para os legumes que acabara de cortar e se surpreendeu.
(Jessy) — Nossa! O que eu estou fazendo?! – Ela bufou, balançando a cabeça em negação. — Obrigada pelo toque, Hannah. – Ela começou a corrigir o corte dos legumes.
Hannah, porém, continuou olhando-a, intrigada.
(Hannah) — Está tudo bem? Estou te achando muito calada.
(Cleo) — A Hannah tem razão. – Ela se aproximou do balcão, limpando as mãos em um pano. — Eu nunca vi você tão quieta assim.
(Jessy) — Bom… Eu só estou pensativa com uma coisa.
(Hannah) — Quer desabafar?
Jessy pensou por alguns segundos, enquanto continuava cortando os legumes, até que parou e levantou o olhar.
(Jessy) — Acontece que o fato da Adie ficar andando por aí sozinha, mesmo estando consciente do risco que corre, me incomoda.
(Cleo) — É, eu entendo. Penso o mesmo que você. – Ela se aproximou do fogão e olhou as panelas.
Lilly, que estava lavando as louças, se aproximou do balcão, secando as mãos em um pano.
(Lilly) — Vocês precisam entender que a Adie é muito independente, e acredito que se tentarmos protegê-la demais, poderá trazer a sensação de sufocamento.
(Hannah) — Eu concordo. E além do mais, quase sempre que ela sai, ela vai a delegacia e lá não há perigo, já que estará na presença do delegado e de outros policiais.
Enquanto ouvia as palavras de suas amigas, Jessy olhava para os legumes e cortava-os mais lentamente.
(Jessy) — Eu entendo. É só que, de repente, me deu um aperto no peito por pensar que existe a possibilidade de em alguma dessas vezes, ela sair e não voltar. – Ela suspirou.
(Dan) — Então, eu não sou o único a pensar nisso…
Todas se surpreenderam, principalmente Jessy, e olharam em direção a voz de Dan, que estava parado na entrada da cozinha. Ele olhou para Jessy por um breve momento, mas logo seguiu em direção a geladeira.
(Dan) — E acreditem, eu já tentei falar disso com ela, mas é em vão. – Ele abriu a geladeira.
(Lilly) — Bem, como eu disse, ela é muito independente e pode se sentir sufocada, se não respeitarmos isso.
(Dan) — A questão mais importante não é essa. – Ele havia pego uma garrafa de água mineral e fechou a geladeira. — Ela realmente está em perigo, mas a polícia não considerou válida as provas que ela apresentou e, pelo que percebi, só vão mesmo levar a sério o caso dela, quando acontecer alguma coisa. Assim como foi com a Hannah.
(Jessy) — Sim… E isso me deixa muito aflita.
(Hannah) — Ei, pessoal, vamos tentar manter a calma. Esse interrogatório que ela foi assistir hoje, junto ao delegado, pode revelar muitas coisas. Se o Ted Madruga for realmente o cúmplice do Richy, eles vão chegar ao ponto de encontrar os dois.
(Dan) — É… – Ele suspirou. — Eu espero muito que você tenha razão.
Ele seguiu para fora da cozinha e Jessy o acompanhou com os olhos.
(Jessy) — E eu também. – Ela voltou a atenção para os legumes.
As demais se olharam por um breve momento, pensativas, até que também voltaram as atenções para os afazeres.
Delegacia de Duskwood, 8:32
Enquanto Alan revistava o porta-malas do carro de Adie, Brandon estava sentado no banco do motorista, revistando a pequena mala. Na bolsa principal, havia apenas as roupas de Adie, juntamente com alguns itens de higiene pessoal. Porém, ao abrir a bolsa da frente, Brandon se surpreendeu ao encontrar o passaporte, a identidade e uma passagem aérea. Ao pegar a passagem, ele a encarou por alguns segundos, extremamente intrigado.
(Alan) — No porta-malas não há nada. – Ele se aproximou da porta do motorista e logo notou Brandon segurando algo. — Pelo visto, você encontrou algo. – Ele se inclinou para ver mais de perto e se surpreendeu. — Isso é uma passagem aérea?!
(Brandon) — Sim… Com a data de hoje.
(Alan) — E qual é o destino?
Brandon suspirou.
(Brandon) — Washington, D.C., Estados Unidos.
Alan se surpreendeu novamente.
(Alan) — Isso significa que ela estava mesmo pretendendo ir embora, mas… algo aconteceu no meio do caminho.
(Brandon) — É… – Ele suspirou e ficou com o olhar distante.
Alan ficou pensativo, enquanto ainda observava dentro do carro, até que notou algo no banco de trás.
(Alan) — Tem algo ali. – Ele foi até a porta traseira esquerda, abriu e se inclinou para pegar o que era uma maleta executiva.
Brandon, porém, continuou onde estava, com o olhar distante e pensativo.
(Alan) — É um notebook.
Brandon logo o olhou.
(Alan) — Com isso e com o celular, podemos descobrir o que pode ter acontecido com ela. Não acha?
(Brandon) — Sim. – Ele saiu do carro. — Permita-me investigá-los em minha casa? Assim, eu posso me concentrar melhor.
Alan se intrigou.
(Alan) — Mas eu me dispus a ajudá-lo.
Brandon) — Eu sei. Mas foi o senhor mesmo que pediu para que eu me concentrasse melhor nisso e acredito que não há maneira mais eficaz do que a que acabei de lhe propor.
Alan pensou por alguns segundos, até que bufou.
(Alan) — Tudo bem. Mas, além da concentração, sugiro que mantenha suas emoções no lugar certo, Brandon. Seja lá o que você sente pela senhorita Folsham, seja honesto comigo e não a proteja. Posso confiar em você?
(Brandon) — Sim, senhor.
(Alan) — Ótimo. – Ele o entregou a maleta com o notebook. — Boa sorte com isso e me mantenha informado sobre o que achar.
Brandon pegou a maleta e, em seguida, Alan tirou do bolso de sua calça o celular que pertencia a Adie e também o entregou. Após pegar o celular, Brandon se virou e seguiu até seu carro, enquanto Alan o acompanhou com os olhos.
Na casa dos amigos, a mesa do jantar estava posta e a maioria, já estavam sentados para começarem a comer. Hannah, que havia ido até o quarto de Jake para chamá-lo, retornou, porém, sozinha.
(Hannah) — O Jake disse que decidiu esperar a Adie para jantar. – Ela se aproximou de uma das cadeiras e se sentou ao lado de Thomas.
(Thomas) — É impressão minha ou ela está demorando a chegar?
Dan, que estava cabisbaixo se servindo, logo o olhou.
(Lilly) — Bom, depende. Alguns interrogatórios se estendem até por horas.
Apesar das palavras de Lilly, Jessy continuava claramente preocupado e Dan, que se encontrava da mesma forma, suspirou e voltou a se servir.
Duskwood City, 8:55 pm
Estando em seu apartamento, Brandon, que ainda estava trajado como policial, olhava fixamente para a tela do notebook que pertencia a Adie. Na tela, ele checava os últimos e-mails enviados e recebidos por ela. Estranhamente, Brandon não se surpreendia com as informações que via sobre Adie, como por exemplo, suas frequentes comunicações com o Dr. Ulric Barret, falando sobre seus atendimentos psiquiátricos. Em seu olhar, era possível enxergar o anseio por uma resposta, como se tudo que realmente lhe importasse naquele momento, era saber onde ela estava. Depois de alguns instantes sem encontrar nada que pudesse lhe dar uma pista, ele suspirou de exaustão e minimizou a janela do e-mail de Adie, deixando aberta a sua área de trabalho. Ele encarava a tela enquanto tamborilava os dedos sobre a mesa, pensativo e aflito. Depois de alguns segundos, ele suspirou novamente e passou as mãos no rosto, voltando a olhar para a tela em seguida. Aquela breve pausa lhe deu energia para continuar e ele aproximou sua mão do mouse do notebook para retomar as investigações, porém, antes de clicar em qualquer coisa, algo lhe chamou a atenção dentre os ícones que se encontravam na área de trabalho de Adie, algo que ele, até então, não havia notado. Era um arquivo de vídeo criptografado e intitulado como: 3.K.1.AVI. Mesmo que soubesse que precisaria de um código de acesso, Brandon tentou abrir o arquivo no formato de vídeo, e quando o código lhe foi exigido, ele começou a pensar em várias possibilidades. Sem conseguir imaginar o que poderia ser aquele código de acesso, ele abriu a nuvem do computador e começou a investigar os arquivos pessoais de Adie, o que levou algum tempo. Minutos se passaram e sua expressão frustrada indicou que nada havia sido encontrado. Já sem esperanças, Brandon passou o olhar por tudo que já havia investigado minuciosamente e sem sucesso, mas sua expressão logo mudou ao se lembrar de algo. A senha do notebook de Adie era algo enigmático, mas que possuía um significado muito especial para ela. Se tratava de uma frase que fazia parte de uma música que ela amava, mas que poucos sabiam. Ao se lembrar dessa informação sobre ela, Brandon rapidamente voltou para a área de trabalho e deu dois clicks no arquivo criptografado. Ao pedir um código, ele digitou: HEYJUDEBEGIN, que era um trecho da música Hey, Jude — The Beatles e que sua tradução dizia: Hey, Jude, comece. Ao apertar o enter e ver que o vídeo foi descriptografado, Brandon sorriu sutilmente e suspirou aliviado. Sem perda de tempo, ele abriu o vídeo, que logo iniciou. Por dois segundos, a imagem ficou totalmente preta, até que o número 3 apareceu. O número 3 foi substituído pela letra K e sucessivamente, pelo número 1. Em seguida, a imagem de um local que parecia uma casa antiga e abandonada, surgiu. A câmera captava a imagem de uma cadeira de frente e depois de alguns segundos, uma pessoa trajada de preto se aproximou e se sentou na mesma, revelando uma cabeça coberta por um capuz preto e um rosto coberto por uma máscara branca. Após sentar-se em frente a câmera, aquela pessoa começou a falar, usando um modificador de voz.
(Voz modificada por VoiceMod) — Olá. Já faz muito tempo desde que começamos. Nossas intenções eram a justiça, mas havia entre nós alguém que tinha outros anseios. Eu não estou aqui para me justificar pelo descontrole de todo o plano, mas, sim, para me render e devolver a vocês a liberdade. Antes que eu conte o que fiz por vocês, devo me apresentar. – Aquela pessoa suspirou. — Aqui quem vos fala é Kalih e… – Aquela pessoa abaixou a cabeça por um breve momento, abaixou o capuz e começou a tirar a máscara do seu rosto.
Brandon já estava extremamente surpreso e, conforme aquele rosto se revelava, sua respiração começou a ficar acelerada.
(Voz modificada por Voicemod) — E esse é o meu rosto.
Brandon ficou boquiaberto e anestesiado pela atitude daquele hacker que, a tanto tempo, era procurado incansavelmente.
Na casa dos amigos, Jake estava sentado na ponta da cama e olhava as horas em seu celular. Já eram 9:39 e ela não havia chegado. Inquieto com a demora de Adie, ele verificou o chat, na esperança de ter recebido alguma mensagem dela. Porém, ao ver que nem mesmo a última mensagem que ele havia enviado a uma hora atrás, ela tinha recebido, ele suspirou preocupado e deixou o celular sobre a cama. Tentando conter sua aflição, ele passou as mãos no rosto e se levantou, indo até a janela. Mas ao ver a escuridão que estava lá fora e se dar conta de que Adie estava sozinha e vulnerável aos perigos que rondavam a noite, ele sentiu um aperto no peito. Estando pensativo, ele colocou a mão direita no bolso de sua calça e tirou dele a medalha de Adie. Ele começou a encarar a letra A na medalha e suspirou.
(Jake) — Adie… – Ele sussurrou, desejando ardentemente que ela retornasse logo para casa, em segurança.
Porém, apesar de Adie ter planejado um destino diferente para aquela noite, nada havia mudado sobre o que ela combinou com o delegado Alan.
Antes…
(Cena do Capítulo 58 — O último Dia)
De dentro do carro, ela observou a casa, enquanto mais lágrimas desciam de seus olhos. Sejam lá quais eram seus planos a partir dali, tudo indicava que ela estava agindo contra sua própria vontade, pois, assim como no passado, a mesma cena se repetiu. Havia uma pequena mala no banco do carona e sua dor era tão evidente, como naquele dia em que ela deixou aquela pousada.
…
Mas apesar da dor que sentia, ainda havia algo a fazer em Duskwood.
(Adie) — Chega… – Ela respirou fundo e limpou as lágrimas em seu rosto. — Vamos lá, Adie. Você ainda precisa fazer parte daquele interrogatório. – Ela fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo novamente.
Em seguida, ela ligou o carro e partiu.
Enquanto dirigia, ela estava com o olhar distante, porém, depois de alguns minutos de estrada, algo lhe chamou a atenção. Perto da entrada da floresta, havia uma senhora de cabelos brancos caída no chão, ao lado de uma cadeira de rodas que, provavelmente, a pertencia. Adie se assustou com o que viu e imediatamente parou o carro. Em seguida, ela saiu apressada do carro, deixando a porta aberta, e seguiu até a senhora para ajudá-la.
(Adie) — Ei, senhora, me deixe ajudá-la!
Estando de costas para ela, a senhora assentiu com a cabeça, mas tapou o rosto com as duas mãos, parecendo chorar.
(Adie) — Fique calma. Eu irei pegá-la de uma forma que não vai machucá-la. – Ela se aproximou um pouco mais. — Permita-me. – Ela abraçou a senhora pelo meio e tentou levantá-la, mas aquilo foi muito mais difícil do que parecia, já que a senhora era bastante pesada. — Hum… Eu acho que… que não vou conseguir fazer isso sozinha. – Ela soltou a senhora com cuidado, para que não batesse no chão e respirou fundo, recuperando o fôlego. — Espere um minuto, eu vou pegar o meu celular para chamar ajuda.
Sem perca de tempo, ela correu até o seu carro e pegou o celular no porta luvas. Após pegá-lo, ela logo abriu a área de chamadas, porém, enquanto tentava ligar para a emergência, ela não notou que alguém se aproximava de suas costas. Ela aproximou o celular da orelha, mas, depois de alguns segundos, se frustrou pela falta de sinal não ter lhe permitido concluir a ligação e bufou, balançando a cabeça em negação.
(Adie) — Merda de sinal!
Naquele momento, enquanto ainda olhava para o celular e pensava no que fazer, Adie se intrigou ao sentir que alguém se aproximava de suas costas. Ao tentar virar a cabeça lentamente para olhar para trás, aquela pessoa a agarrou pelo pescoço e ela imediatamente soltou seu celular, que caiu no chão do carro. Era ele, o Homem Sem rosto, e antes que Adie pudesse gritar, ele, que segurava com a outra mão um lenço umedecido com um líquido sedativo, o pressionou no nariz dela. Adie começou a se debater e, naquele momento, a senhora que estava caída à beira da estrada, se levantou. Adie lutou por alguns segundos, mas seu corpo começou a desfalecer, até que ela perdeu completamente a consciência e o Homem Sem Rosto a amparou. Em seguida, ele a pegou no colo e se virou, olhando em direção a aquela senhora que, naquele momento, também o olhava e tirou a peruca de cabelos brancos, revelando sua verdadeira face. Era ele, Richy Roger.
Fale com o autor